Alho Negro

Eu gosto quando uma experiência dá certo. E também gosto de receber elogios sinceros.

Há alguns meses estou trabalhando na produção de um alho maturado. Há uns dois meses, depois de vários dias controlando temperatura, umidade, etc, saiu o primeiro lote. Eu gostei do resultado. Gostei tanto que mandei uma amostra para o Alex Atala e outra para outro conhecido chef. Pedi que dessem uma opnião sobre minha experiência. Esperava, no máximo, receber um e-mail. Bem, em uma terça-feira, ao meio-dia, o telefone tocou. Uma voz masculina dizia que queria falar comigo. Não reconheci, fiquei pensando quem queria falar comigo (perguntas de sempre: banco? prestadoras de serviços?). Ele se identificou como sendo Alex Atala.

Sim, eu quase surtei. Foi uma surpresa tão grande que senti-me constrangida. Para meu alívio, ele elogiou bastante, disse mais de uma vez que eu deveria divulgar o produto, deu sugestões sobre pratos que poderiam ser feitos com ele. Foi muito simpático, entusiasmado, educado. E acabei sentindo-me um tanto envergonhada, porque imaginava que o mais ilustre chef brasileiro era uma pessoa inacessível. É, isso é um pré-conceito.

Quanto ao alho, essa é do segundo lote. Os primeiros sabores que senti foram de ameixa, vinho, melado; é doce, depois sente-se uma acidez e aquele ardor final do alho cru, desaparece completamente. O aroma de alho é bem sutil. O Atala disse que sentiu também um quê de cogumelos. Eu confesso, meu paladar é bem estragado pelo cigarro, café e outros excessos que cometo e eu não confio muito nele.

O próximo passo é aumentar a produção…

Continuação…

Bem, depois que escrevi este post, percebi que cometi o erro de não contar como tudo começou. A história ficou, de certa forma, pela metade. Há algum tempo, o chef Carlos Bertolazi, voltando de um estágio no El Buli, comentou em uma comunidade do Orkut que havia provado o alho negro e estava muito entusiasmado com o novo ingrediente. Como era importado do Japão, perguntou-me se sabia como era feito. Na época, não sabia e as informações que eu encontrei eram muito vagas. Se não fosse por ele, eu não teria a curiosidade nem a iniciativa em pesquisar, construir, tentar e testar.

Claro que não poderia deixar de mandar uma amostra para ele, já que ele foi o estopim de tudo. Mas isso já é outra história, que ele comenta no blog dele.

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56 comentários em “Alho Negro”

  1. uuaaauuu meus parabéns fiquei boba com essa novidade e ainda mais com a sua curiosidade em descobrir como se faz, e ter chegado em um resultado. Parabéns mesmo, eu fiquei muito interessada em degustar esse alho negro, pois sou chef confeiteira e fiquei curiosa para utilizá-lo em alguma sobremesa, nossa deve ficar fantástico. Agora acredito que seu trabalho vá aumentar e muito rsrsrsrsr te desejo muita sorte… bbjjsss

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