Oyakodon

Oyako-dom

Resolvi fazer esse prato por conta de uma decepção recente. É algo extremamente simples e fácil de fazer, mas o que eu comi era quase um desastre: salgado e doce demais, matando qualquer sutileza.

Domburi é o nome que dão à tigela e a uma série de pratos servidos nela. Basicamente, trata-se de uma porção de arroz com algo em cima: gyudon (com fatias de carne cozida), katsudon (com porco empanado, caldo, cebolas e ovos), tendon (com tempura), unagidon (coberto com enguias)… O oyakodon leva frango e ovos, cozidos em um caldo à base de shoyu. Já foi considerado um prato de luxo, em uma época em que frango era caríssimo.

1/2 xícara de dashi ou água e hondashi

2 colheres de chá de açúcar

2 colheres de sopa de shoyu

Frango cortado em cubinhos de cerca de 2 cm de lado; prefiro a coxa sem pele, mas fica a gosto, tanto o corte quanto a quantidade

Alguns pedaços de cebola, cortados em meia-lua

Pedaços de cebolinha verde

2 ovos, de preferência caipiras, bem frescos

Mitsuba (um tipo de trevo) para enfeitar

Oyako-dom Dashi

Leve ao fogo o dashi, o açúcar e o shoyu. Deixe ferver por alguns minutos. Adicione o frango e cozinhe em fogo moderado. Adicione a cebola e cozinhe por um minuto. Junte a cebolinha e cozinhe outro minuto. Confira o sabor, se necessário, corrija com sal e açúcar.

Oyako-dom ovos

Bata os ovos. Despeje sobre o cozido de frango. Acho mais fácil usar uma vasilha plástica com bico (como os para molhos, ketchup, etc) ou um bule com bico fino para distribuir os ovos uniformemente. Continue cozinhando em fogo médio. Misture apenas uma vez. Não cozinhe demais; os ovos deverão estar ligeiramente cremosos. Decore com folhas de mitsuba.

Com cuidado, empurre a mistura de ovos para dentro de uma tigela, já com uma porção de arroz branco dentro.

Esta é uma versão básica e individual. Não creio que seja heresia adicionar fatias de cogumelo shiitake ou um pouco de cogumelo shimeji. Tirinhas de kamaboko podem servir de decoração. Se não gostar de cebolinha, não use, embora eu goste do sabor que confere ao caldo. Se preferir fazer uma porção maior, ela pode ser feita em um frigideira grande e porções de ovos serão distribuídos sobre as tigelas com arroz na hora de servir.

Não dei quantidades exatas de frango, cebola e cebolinha. Use quanto preferir, lembrando que “recheio” demais vai comprometer o equilíbrio com a quantidade de ovos.

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11 comentários em “Oyakodon”

  1. Adoro domburi.
    Oyakodon. Donburi da mãe e filho, galinha e seu ovo. O Donburi de nome mais criativo.
    E realmente como você citou, é bem sutil o equilíbrio do salgado/doce de um Oyakodon.
    E nesse caso é bem fácil errar esse equilíbrio né?

    Um tanto off-topic: há uns meses atrás ri muito com um programa da tv japonesa, bem na linha tosco/engraçado.
    Programa que tinha o desafio de preparar um Oyakodon. Porém em vez de ovo de galinha, ovo de avestruz!
    Toda aquela bagunça na hora de prepara-lo. Ovo quase inquebrável. E quando quebrou, voou ovo para todo lado, etc…
    No final, deu um prato bonito! E disseram que estava gostoso.

  2. Olá Marisa.
    Acompanho seu ótimo blog há algum tempo e ontem resolvi testar esta receita do Oyakodon!
    Acontece que por questões de LDL alto :), fiz duas porções da receita com 3 ovos ao invés de 4. Obviamente ficou mais “caldaloso” e escuro que a sua foto, mas mesmo assim tava muito bom.
    Cometi um crime contra o Oyakodon?

  3. Márcio, a cor vai depender do tipo de shoyu. Eu prefiro o usukuchi (que é mais claro) e geralmente opto pelo que tem menor teor de sal. Em lojas de produtos orientais vai encontrar várias marcas importadas. As nacionais costumam ser mais escuras, mesmo. Mas isso não chega a ser um problema. Quanto à quantidade de ovos e caldo, pergunto: ficou gostoso? Se você não vai servir em um restaurante sob o título de “receita original” ou “receita tradicional”, qualquer alteração é válida. Agora, a receita original, mesmo, creio que só com o descendente do criador, que ainda toca o restaurante secular da família…

  4. Um casal que conheço ganhou um ovo de avestruz de um criador (aliás, aqui perto de casa) e acabaram fazendo um tamagoyaki, porque era um ovo grande demais, Alexandre.

  5. Marisa, obrigado pela dica!
    Assim que der vou na liberdade comprar esse shoyu.
    Aproveitando a mensagem, estava “vasculhando” os seus arquivos de sopas e senti falta de um post sobre o Osuimono. Pelo que eu andei lendo, a base é o ichiban dashi mas o resto dos ingredientes variam muito. Você tem a sua?
    Eu nunca fiz, mas aprecio muito um bem simples com um fundinho bem leve de limão, do Hamatyo.
    Abraço

  6. Ah, Márcio, sabe de uma coisa? Aqui em casa só tomamos misoshiru. Não me pergunte porquê. Mas um dia desses publico uma sopa coreana que provei em um restaurante, há algum tempo.

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