Sonhos

O ano chegou ao fim e é quase impossível escapar das retrospectivas. Apesar de ter consciência de que a única coisa que muda é o calendário, estou acostumada a pensar que é o fim de uma fase, de uma fração da minha vida. Creio que muitos estão pondo as coisas na balança e analisando o que valeu a pena ou não.

Bem, durante este ano dividi com vocês o meu cotidiano e a minha cozinha. Nos últimos dias, não escrevi nada sobre comida. Não significa que não estou cozinhando. Ainda como. Mas o que tenho feito já foi publicado. Receitas e idéias novas estão na gaveta mental, não se preocupem, logo retorno à rotina. Foi um ano em que comi, li, escrevi muito. Também foi o ano que vi o número de acessos e as participações dos leitores aumentarem. E isso, claro, me deixa feliz.

2010 foi um ano especial para mim, junto com 1981, 1986 e 1991. Nesses anos realizei alguns sonhos. Todo mundo tem alguns sonhos ou pelo menos um. Este ano eu tive vi dois sonhos virarem realidade. Um deles, foi o de ver o alho negro tornar-se conhecido no Brasil. Claro que não consegui isso sozinha. Tive a felicidade de receber muito apoio. Teve gente que me telefonou para dizer o quanto gostou dele. Teve gente que presenteou amigos e parentes, ajudando a divulgar ainda mais. Outros, colocaram no cardápio. Muita gente escreveu sobre ele. E hoje ele está em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Salvador, em Brasília. Não foi fácil. Confesso agora que cheguei a pensar que iria falir. E assim como o blog, o alho me fez conhecer muita gente interessante.

Outro sonho, bem antigo, era o de ter meu espaço. Também não consegui sozinha. Contei com os meus anjos. E nem por sonho poderia imaginar que, de quebra, ganharia vizinhos maravilhosos. Terminei a mudança às nove da noite e eles nos esperavam com o jantar. E continuam sendo tão gentis que sinto-me até constrangida. Sou assim, encabulo fácil.

O meu canto não é grande. Falta ainda um pouco para se tornar a casa dos meus sonhos. Mas daqui tenho uma boa vista do horizonte, tenho meu quinhão de verde, muito silêncio. Não tenho cerca separando com meus vizinhos e nem preciso. Minha mãe já acomodou suas orquideas (a foto acima é da primeira a dar flor por aqui), plantou salsinha, tingensai, mostarda e alface. Já tem bananeira dando e abacateiro grande. E apesar de ter trabalhado muito desde o dia 13, acordo sempre animada.

E continuo sonhando. Sonho em escrever e publicar um livro. Só não decidi ainda sobre o quê. Também sonho com uma casa com cozinha ampla, 3 quartos – um para hóspedes, claro – e um ofuro. E outras coisinhas.

Mas estou falando em sonhos, não em planos. Planos é quando a gente tem um projeto, com objetivo definido, segue uma certa programação. Sonhos são uma coisa meio sem pernas e braços, mas que a gente se agarra a eles mesmo assim.

Bons sonhos a todos.

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4 Comments

  1. Cristiane Yumi Suzuki

    Que texto lindo, Marisa!
    Espero que seus sonhos nunca deixem de se tornarem realidade e que vc. nunca perca a capacidade de sonhar.
    Tenha um grande ano, cheio de paz, amor, saúde, alegrias, dinheiro, realizações e muitas, muitas felicidades.
    Beijos, Yumi

  2. Zelda

    Marisa, que lindo!!!!!!!!!!
    Olha, fiquei emocionada, o contato com a terra, faz muito parte da minha vida, desde a minha infância…são pessoas como você, que fazem a vida valer a pena….obrigada por ser assim, uma contribuição para o mundo e principalmente pra todos nós…um grande abraço e sucesso, sucesso, sucesso,
    Zelda Dal’Molin

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