Jornalismo Mentira

Essa veio via Gilberto Russo Junior. Há muito tempo sinto-me incomodada com coisas que leio. Mandam-me mensagens falando da menininha desaparecida, da criança que receberá uma perna mecânica caso um milhão de pessoas repassem a mensagem, sobre isso ou aquilo fazer bem ou mal à saúde, enfim, a lista é imensa. Nem vou discutir o fato de que muita gente repassa tudo que recebe sem ao menos pensar se a pessoa que recebe quer ler isso. Aliás, mandam até para quem não conhece. Pior: recebo mensagens de alguns contatos profissionais. Sim, patrão, seu funcionário usa o e-mail da empresa para mandar mensagens evangélicas para mim.

Aliás, vou já dar um recado: mensagens contendo propaganda eleitoral ou sobre religião, eu classifico como spam. Sinto, mas não vou ler. Não quero receber. Vão direto para minha pasta spam e lá ficarão, intactas.

O professor e blogueiro Fabio Flores mantem um blog chamado Bobagento. Pelo nome, dá para desconfiar que trata-se de humor. Eventualmente ele cria falsas notícias, no que ele chama “jornalismo mentira”. O problema é que essas notícias acabaram parando em jornais, revistas e tv como sendo verdade. Ouça a entrevista dele na Radio CBN:

E isso me leva a uma situação quase bizarra: estava em uma loja, minha mãe se surpreendeu com o fato de que exista farinha de berinjela. Expliquei que muita gente consome, achando que irá reduzir o colesterol. Meu erro foi dizer: Uma bela bobagem, já se sabe que isso não tem efeito nenhum. Uma mulher que, pelo emblema na camiseta, deveria ser funcionária de uma dessas empresas que comercializam “alimentos funcionais” ou coisa assim, veio contestar. Ainda bem que ela aceitou quando eu disse que havia uma pesquisa feita a respeito e nenhum efeito foi relatado. Mas voltou à carga com a linhaça. Como não li a respeito, tive que escutar sem maiores comentários.

Peço que duvidem. Duvidem da mensagem recebeu no e-mail, Facebook ou qualquer lugar. Duvide da opinião da tia do marido da prima da vizinha. Duvide também da tv, da revista, do jornal. Duvide principalmente de quem tem algo a ganhar com isso. Procure informação em fontes mais seguras: pesquisas realizadas por institutos reconhecidos, publicadas em revistas especializadas, na opinião de profissionais que estão atualizados. E no caso das crianças desaparecidas, existem páginas da própria Polícia para isso.

 

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