Mesa Tendências 2012

Mais do que ouvir a opinião dos palestrantes, ver o preparo de algumas receitas, ter contato com ingredientes novos, para mim foi uma oportunidade de conversar. Sim, acabei passando mais tempo fora do auditório, ouvindo. Ouvindo sobre a dificuldade em se comprar peixe direto do pescador ou até mesmo encontrar peixe fresco. Da dificuldade em equilibrar os custos do restaurante de um hotel. Da dificuldade em se comercializar um produto artesanal. Não sei, talvez nunca saiba, de todos os problemas que um produtor passa para vender seu produto. Mas é algo que estou tentando entender.

Foram 3 dias em que encontrei muita gente interessante. E melhor: pessoas de diferentes partes do Brasil. Também foi uma oportunidade para matar saudades de amigos que, por conta disso e daquilo, só tenho mantido contato via e-mail, Twitter ou Facebook.  Virtualidades…

Fiquei feliz em constatar que, pelo menos por enquanto, ainda há gente interessada em fazer miso, shoyu, defumados, alimentos curados e outras tantas coisas que estão se tornando quase exclusividade da indústria. Pode ser romantismo meu, mas temo uma homogeneização do paladar. A indústria é eficiente em manter um padrão, distribuir e reduzir custos, mas espero que sempre exista quem queira fazer e comer um pouco diferente desse padrão.

Alimentos orgânicos, gado confinado otimizando o uso do solo, consumir localmente, tudo muito interessante, mas que acabou gerando mais perguntas que respostas, pelo menos para mim. Não posso evitar, é minha natureza. Sim, é possível plantar dentro do perímetro urbano. Vi isso no Japão, onde as cidades cresceram de tal forma que fica impossível dizer onde é área urbana e onde é área rural. Mas aqui é Brasil e as coisas são diferentes. Plantar é possível mas vender é impossível, por conta da legislação. Até onde sei, a agricultura urbana e periurbana só é regulamentada no Estado de Minas Gerais. O agricultor urbano não existe.

E a constante  pergunta, de onde sairá alimento para 7 bilhões de pessoas? Gostaria de acreditar que na agricultura orgânica, mas será que nessa escala seria viável? Enquanto não me convenço que sim, fico com o uso consciente, na capacitação de agricultores, na orientação para os pequenos.

Eu não tenho as respostas. Mas acredito que um dia teremos.

 

 

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2 comentários em “Mesa Tendências 2012”

  1. é Marisa tudo isto gera um questionamento, meu falecido pai dizia que quem tivesse um pedacinho de terra com agua e pudesse produzir com diversidade seria rico,pois chegaria um tempo que teriamos dinheiro e nada para comprar, acho que a agricultura familiar se desenvolvida mundialmente através de bolsões seria a solução.mais precisa de vontade politica dai adifença e enorme ne mesmo. obrigado por trazer para nós os acontecimentos do mesa foi muito valioso. bjs. Ma

  2. Pois é, Diulza, estou cheia de perguntas. Criar gado premium confinado sob muitos aspectos, é ótimo. Mas nem todo mundo tem dinheiro para comer essa carne. E se todo mundo for plantar rosas? Pode dar mais dinheiro, ocupa menos espaço mas não alimenta. O mundo mudou, leis vão mudar. Hoje em dia não é preciso ter dezenas de alqueires para produzir mais do que precisa para comer. Sei de gente que produz verduras hidropônicas em 6 mil metros quadrados. O fato é que comida sempre foi e sempre será importante.

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