Conserva de Folhas de Daikon

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Cozinha doméstica não é gastronomia. Pelo menos dentro da ideia geral que quase todo mundo tem sobre gastronomia, não? Não são pratos lindos, servidos em louça fina, com ingredientes nobres, técnica complexa e apurada. Na maioria das vezes é algo rápido, feito com ingredientes acessíveis e a uma das últimas preocupações é com a apresentação. Afinal, comer em casa implica em nutrir, economizar, aproveitar o que tem na geladeira ou dispensa… E é isso tudo que mais gosto. Fico me perguntando sempre o que as pessoas de países que não conheço jantarão hoje.

A conserva de folhas de nabo é considerado um prato de pobre. Eu enxergo de uma maneira bem mais simpática. O daikon (nabo japonês) é um vegetal que é aproveitado integralmente e de diversas maneiras. É um dos poucos vegetais disponíveis durante o inverno rigoroso. Pode ser comido cru, cozido, pode ser desidratado, transformado em conservas. O daikon alimentou e alimenta gerações, tanto em épocas de fome e guerra quanto em tempos de paz e prosperidade.  Olho para ele com carinho. E o engraçado é que quando criança, odiava.

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Pode ser feito com folhas de nabo (sim, aquelas que são descartadas, quase que sempre, nas feiras). Ou, para quem tem um punhado de terra, basta semear e esperar que cresçam. Em dado momento será necessário tirar algumas para “rarear” e sobrar espaço para que os outros cresçam. Os que sacrificamos, são lavados, picados e salgados. Amassamos um pouco com as mãos, coisa de 1 ou 2 minutos. No dia seguinte começamos a comer. É um pouco amargo, um pouco picante e muito bom com arroz.

 

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13 comentários em “Conserva de Folhas de Daikon”

  1. Eu gosto das folhas minha feira tem pouco nabos,e as folhas sempre muito estragadas.as de rabanetes tambem, agora no invernos os Nabos ficam mais doces,vai em tudo sopa,tempura,saladas.é muito bom.O bom da comida de casa é justamente a simplicidade.

  2. Esse é um grande clássico da minha infância. A deliciosa “salada grátis” da feira: como pouca gente levava a rama do nabo para casa, os feirantes ofereciam.

    Essas ramas abundantes vinham para casa na mesma época em que o peixeiro não tinha como vender as gordas e abundantes ovas de tainha e outros peixes, por falta de comprador. Elas eram amontoadas em uma bacia e o primeiro freguês interessado levava para casa como presente. Espero que as folhas de nabo não cheguem à gourmetização das ovas, que hoje custam fortunas e não se pode mais comer fritinha em uma refeição improvisada, junto com arroz, feijão e salada de alface, tomate e cebola.

  3. Sim, Gilda. Eu prefiro escolher as folhas mais macias, não uso os talos muito duros. É só salgar, amassar um pouco e comer no dia seguinte.

  4. Marisa, você sempre mostra o que meu pai chamava de comida japonesa de verdade! Conservinhas, coisas simples mas extremamente saborosas, são as mesmas comidas que minha mãe fazia para ele!

  5. Oi Marisa, eu fiquei com água na boa, me lembro de ter comido na infância. Na feira que vou, já tentei achar o nabo com folhas minimamente descentes, realmente não é fácil. Que bonitas as folhas da sua foto!

  6. Oi Marisa!
    Minha família, que é de alemães e portugueses, sempre aproveitou as folhas (nabo, beterraba, cenoura, etc) normalmente fritas como bolinhos ou em sopas. Mês passado, fui na Feira de orgânicos aqui de Porto Alegre (RS) com o objetivo de comprar beterrabas. As beterrabas eu daria para minha mãe (não sou fá, não), eu queria mesmo era as folhas. Qual não foi minha surpresa ao ver que quase todos os feirantes já haviam cortado os talos e as folhas já estavam no lixo (!!!!). Numa feira ecológica….

    Mas encontrei uma feirante que ainda não tinha jogado no lixo as folhas de beterraba e ela me deu. Saí da feira cheio de folhas (que eu acho mais gostosas que couve), não gastei nada, nem um real. E tb não levei beterrabas para minha mãe…

  7. Pois é, Ignacio, no Brasil as pessoas precisam pensar um pouco mais no que é comestível. Muita, mas muita coisa mesmo está indo para o lixo por conta de preconceito e falta de hábito.

  8. Olá Marisa, essa conserva pode ser considerada comida de pobre, mais para mim é muito saborosa, talvez por me fazer voltar a infância quando passava as férias no sitio de minha Tia em Jacareí. É uma pena que a maioria das pessoas não saibam como aproveita-las, já fiz até farofa com essas folhas, enfim, de pobre ou não, vale a pena experimentar.

  9. Graças aos comentários de vcs todos , aprendi muito. Aqui no Brasil realmente não temos a cultura do aproveitamento integral dos alimentos e às vezes ou quase sempre, disperdicamos partes muito nobres. Valeu pelas informações preciosas !

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