Kagoshima Wagyu

Não é raro eu ouvir que “o Brasil só importa produtos de baixa qualidade” ou que “só mandam para cá o pior”. Não é verdade. Há muitos anos importamos do Japão produtos alimentícios de boa qualidade, como molho de soja, doces, algas, temperos diversos. Um pouco mais recentemente, sakes de ótima qualidade chegaram ao Brasil e, como o número de adeptos tem aumentado, acredito que a variedade e a quantidade tende a aumentar.

E em breve será possível comprar no Brasil o máximo em carne bovina.

Em um almoço promovido pela JETRO (Japan External Trade Organization) no Ryo Gastronomia, soube que em poucos meses a carne wagyu de Kagoshima entrará no mercado brasileiro. A marca Kagoshima Wagyu conquistou o título de melhor marca de carne japonesa.

Mas vamos por partes. Primeiro, wagyu é carne japonesa mas por aqui muitos chamam de “Kobe Beef”. Para ser chamada como tal, teria que ser, além de japonesa, de gado da raça Kuroge Washu.

O que faz essa carne ser tão valorizada? Além da raça do animal, que ao longo dos anos passou por um processo de seleção, tem a questão da produção pequena, visando a excelência. Alimentados com grãos e palha de arroz, cercados de cuidados para crescerem saudáveis e sem estresse, só são abatidos com mais de 28 meses. Tudo isso resulta em uma carne macia, saborosa, com uma gordura adocicada, que derrete na boca, como manteiga. É algo tão delicioso que muitos viajam ao Japão para conhecer a iguaria.

Além disso, todos os animais são registrados, ou seja, possuem pedigree. Os produtores mantém registro de todo o histórico do animal ou seja, é um gado rastreado, garantindo a segurança alimentar da carne.

Sim, o wagyu pode ser muito caro. Depois do abate, segue a classificação da carne, que pode ir de A5 (melhor classificação) a C1. Os critérios de classificação envolvem o marmoreio, brilho e cor da carne, textura, cor e brilho da gordura. Além disso, alguns cortes são mais cobiçados que outros. No Japão, o contra-filé é muito apreciado. Claro que excelência tem seu preço. Uma rápida pesquisa no site de vendas Rakuten e encontro o contrafilé a 30.000 ienes/kg (cerca de R$880,00). Esse valor é só uma referência, existem opções mais baratas e mais caras.

No Japão, o wagyu costuma ser usado em sukiyakis, shabu-shabu (onde fatias finas de carne são rapidamente cozidas em caldo com vegetais) ou feito na grelha. Eu, particularmente, gosto mais quando a carne recebe calor, porque o aroma da gordura tostada é único. Mas nada impede que seja servido até mesmo cru.

Bem, agora o que posso dizer da experiência que tive?

Não foi a minha primeira vez. Já havia provado wagyu no Japão. Não de uma classificação tão alta. Foi comprada no supermercado, a um preço bem mais camarada. Confesso que fiquei, na época, um tanto quanto decepcionada. Era macia, mas de sabor pouco pronunciado. Depois pude provar o Kobe Beef criado aqui. Em alguns casos, a gordura era um tanto quanto pesada.

Desta vez, a gordura era fluida, derretia na boca. A carne é bem saborosa, mas não é tão mineral quanto a brasileira. Dependendo do preparo, pode ser adocicada. E o aroma! O aroma da gordura tostada é indescritível. Provei crua, grelhada, com molho picante, com arroz e até como sushi.

Em poucos meses será possível encontra-la em restaurantes e boutiques de carnes. Por enquanto ainda não há um distribuidor, por isto não tenho o contato comercial.

Para quem quiser maiores informações sobre o wagyu, recomendo entrar em contato com a Jetro pelo telefone 11-3141-0788.

As fotos foram cedidas pela JETRO.

 

 

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One Comment

  1. Parece muito bom! É uma pena eu morar no interior onde não há acesso a esse tipo de culinária. Mas logo irei para a capital, que não fica muito longe e espero provar o kagoshima wagyu. Gostei do blog. Abraço!

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