Quando Escrever Se Torna Secundário

Nas últimas semanas passei por uns momentos que exigiram muito mais a minha atenção e tive que deixar de escrever no blog, seja por falta de tempo, seja por cansaço, mesmo.

Primeiro, sofri um pequeno acidente de trânsito. Felizmente ninguém sofreu ferimento algum, mas isso me fez ficar sem o carro por uns dias. Moro em um região parcamente atendida pelo sistema de transporte coletivo (uns 5 ou 6 ônibus por dia, imagine) e o supermercado mais próximo fica a 4 km.

Meu cão, já velho, apresentou problemas de saúde, precisou ser operado,  teve um pós-operatório complicado, com edema, inflamação e infecção. Cuidar de um cão não é muito diferente de cuidar de um humano, só que ele não vai colaborar tanto. Ele não vai engolir  os remédios com tanta boa-vontade, por exemplo. Curativos diários, caminhadas para estimular a circulação e que ajudaram a diminuir o inchaço nos membros posteriores, conferir se ele estava evacuando direitinho. Foram 3 semanas nessa. Agora o velhinho está bem, ainda um pouco lento, mas já se esforça para acompanhar minha mãe pela horta e uiva às 19 horas, colocando as fofocas caninas em dia.

E teve, nesse caos geral, o segundo Aizomê Ichiba. Era uma verdadeira receita de desastre, com tanta coisa para fazer e tendo que levar o cachorro para a clínica veterinária a 13 km daqui de casa. Mas a cavalaria veio. O Claudio Hiroshi Katamura, do Pimenta Real, veio me ajudar aqui em casa e ainda levou boa parte dos produtos até a feira. A Luci Cara da Acessórios Caramori (https://www.facebook.com/Acessórios-Caramori-180330025330171/) e o Marco Raspantini me ajudaram tremendamente no caixa e atendimento na feira, pensando em detalhes que nem me passaram pela cabeça. Marcia Molina veio e acabou ficando para me ajudar. Aliás, ela e o marido estão com um detergente que deterge tudo, indicado para limpeza pesada. Já testei, recomendo, apresentei para um bocado de gente. Confiram o video (tem outros, aliás) no Youtube: https://youtu.be/y2LtTa_ttE8

E como veio gente! Atendemos mais de 100 pessoas, pude trocar umas palavras com leitores do blog, alguns amigos, foi tudo muito intenso. Confesso que fico meio sem saber o que dizer para os meus leitores, pessoalmente. Mas gosto de saber quem me lê, do que gostam, do que testaram.

Bem, hoje as coisas voltaram mais ou menos ao normal, preciso correr com umas obrigações. Mas volto a escrever sobre comida esta semana.

 

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Edson Croce

Estive com o Edson e a Val na última quinta. Fui lá no Shopping da Roça desejar um bom 2016 para eles e levar os maracujás roxos que ele tanto gostava e que raramente encontrava. Conversamos sobre plantas, sobre comida. Demos umas risadas, ele estava com um terrível dor nas costas.

E no começo da noite de domingo fico sabendo que ele se foi. De repente.

Algumas pessoas surgem nas nossas vidas para acrescentar. Com o Edson aprendi sobre caramujos marinhos, sobre carnes, sobre churrascos, sobre plantas frutíferas, soube de histórias de São Paulo, sobre a degradação do litoral brasileiro e outras tantas coisas.  A conversa era boa.

Não pude ir ao velório ou enterro. Para meu azar, meu carro atolou no quintal. Moro na região rural, deixo o carro ao lado da casa, sobre a terra batida que acabou virando um lodaçal com a chuva do final de semana.

Digam ou demonstrem sempre o quanto gosta de alguém. Pode ser a última vez que a verá.

 

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Sorria, Você Está Sendo Enganado

Para quem não me acompanha no Facebook, aqui vai um vídeo que diz quase tudo sobre dietas e sucos desintoxicantes.

http://www.brasilpost.com.br/2015/07/14/suco-detox-video_n_7798316.html

E já vou avisando que não vou responder a e-mails sobre o assunto e não quero saber de gente defendendo suco verde.

 

 

Muita gente está sendo enganada e gastando dinheiro à toa, para a alegria de indústrias de produtos “naturais”, gurus da boa saúde e charlatões em geral. Pior que isso, podem estar até mesmo ingerindo coisas que podem fazer mais mal de bem. Isso depende da pessoa e de doenças que têm predisposição, do modo como consomem e da quantidade. Couve e inhame crus são exemplos mas é só pesquisar um pouco que vão encontrar mais coisas.

E como a gente não leva o carro com pneu furado a uma farmácia e sim a um borracheiro, questões de saúde têm que ser discutidas não com um apresentador de tv e sim com um médico.

 

 

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Procurando Longe O Que Estava Perto

Há muitos anos, quando era criança – e bem pequena – ganhei um pedaço de bolo de queijo. Não me lembro quem fez. Não foi minha mãe, certamente. Provavelmente alguém da vizinhança. Eu nunca havia comido um bolo de queijo. Era um bolo comum, macio, fofo mas com um aroma intenso de queijo. Ficou na minha memória esse aroma.

E a lembrança desse bolo foi e voltou, durante mais de 40 anos. Provei muitos bolos, alguns com queijo. Mas nenhum tinha aquele aroma. Tentei também alguns, usei parmesão, usei queijo do Reino (que era mais comum no Rio de Janeiro da década de 70 que o parmesão). Não, não era aquilo.

Hoje, correndo com o almoço, resolvi aproveitar que o forno estava ligado e fazer uns bolinhos. Algo para comer mais tarde ou no café do dia seguinte. Resolvi colocar um pouco de queijo ralado em pacote, daqueles, que são secos, que dizem que tem farinha e outras coisas misturada, que chamam de “xexelento”. Eu havia comprado para um teste – que não deu certo – e estava na geladeira há um tempo.

Assei. Tirei do forno e cheirei. Era o cheiro que eu procurava há anos. Pensando bem, fazia sentido. Na época morávamos em frente da transportadora onde meu pai trabalhava. Nosso bairro não era nem um pouco chique, embora a minha memória esteja cheia de fachadas trabalhadas, postes de ferro, azulejos azuis e outras coisas lindas. Os vizinhos trabalhavam também na transportadora ou eram aposentados. O bolo que provei havia sido feito com ingredientes simples e de fácil acesso.

Fica a lição para mim. Um prato especial nem sempre leva ingredientes especiais. Um prato especial na memória sempre será especial. Fiquei satisfeita com esse bolinho porque era uma lembrança que me acompanhou por muito tempo.

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Os Dilemas de Manter um Blog Continuam

Tive problemas com a conexão, telefone, etc por aqui. Posso dizer que estive incomunicável por mais de uma semana.

E enviaram-me sugestões, ideias para o blog. Estou pensando em tudo.

Continua a ideia de fazer videos. Sugeriram que eu faça uns videos curtos para o público e aulas, receitas mais complexas para assinantes.

Também me sugeriram o crowfunding para levantar verba para a câmera e computador.

Ofereceram-me ajuda para reformular o blog, o que me parece ser uma boa.

Outra sugestão é a da criação de um e-book. O livro é uma ideia antiga, que carece de uma editora. Mas vou pensar na opção de e-book.

 

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Dos Dilemas de Manter um Blog

O blog está neste servidor há quase oito anos. Oito anos! Nunca pensei que conseguiria mantê-lo por tanto tempo.

No momento me encontro em um momento delicado.

Leitores pedem videos de receitas e técnicas e outras tantas coisas. Até gostaria de fazer mas esbarro em um problema: isso custa dinheiro.

Sim, dinheiro. Preciso de um computador bem melhor que esse modelo do século passado, com muito mais memória e outra configuração para poder editar videos. E talvez precise de outra pessoa para me ajudar na tarefa de filmar e editar.

Também gostaria de falar sobre lugares, sobre produtos, testar coisas. Traduzindo: gastar em refeições fora, comprar coisas.

Mas não tenho patrocinador e, pensando bem, até é melhor que não tenha, porque poderia tirar minha liberdade. Para o leitor, eu perderia a imparcialidade, não?

Tenho mantido o blog nesses 8 anos sozinha. A publicidade do Google Adsense rende poucos dólares por mês. Levo meses para juntar os tais 100 dólares mínimos para recebê-los.

As doações de leitores, que agradeço do coração, se resumem a umas 4 ou 5 por ano, menos de 200 reais por ano.

Isso só mal paga a hospedagem. Os custos que tenho com conexão banda meio larga a radio (200 reais por mês), compra de produtos, gasolina, estacionamento, etc são por minha conta.

E não tenho como investir mais. Não sou rica, tudo que produzo é em escala artesanal que significa que recebo pouco por mês. Não tenho um império industrial nem um latifúndio. Os meus rendimentos são bem incertos.

Não me chamam muito para aulas, palestras ou qualquer coisa.

Estou pensando seriamente em cobrar pelo acesso ao blog. As postagens mais recentes ficariam à disposição do leitor visitante mas os arquivos seriam de acesso restrito.

O assinante teria acesso ao conteúdo completo, as velhas receitas e aos videos futuros.

Eu gostaria da opinião de vocês.

 

 

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Arroz Novo

Quando morava no Japão aguardava o final do verão com uma certa ansiedade. O outono por lá tem produtos deliciosos. Começa com pêssegos brancos suculentos e perfumados, segue com peras e maçãs deliciosos, peixes gordos, bons para grelhar. Eu ia do mais popular e barato, o sanma, peixe de corpo longo e roliço, que custava menos de um dólar cada um.

E ficava de olho nas embalagens de arroz.

Os japoneses adoram arroz novo. Cozinha com menos água, tende a empapar se não tomar cuidado mas tem um aroma leve, sem cheiro de farelo e o sabor é mais adocicado. Durante uns 3, 4 meses ele tem essas características, depois vai se perdendo. Dizem que o arroz se conserva melhor se mantido na casca e descascado perto do consumo. Por lá existem lojas que vendem assim. Você escolhe o arroz e eles descascam na hora. E ainda pode levar o farelo para casa, que é utilizado para fazer conservas ou até mesmo para o banho (banho com leite de farelo de arroz deixa a pele muito macia, existem até produtos cosméticos à base dele). Quando a safra nova começava a ser comercializada, vinha uma etiqueta na embalagem avisando, em ideogramas vermelhos: Shinmai.

Por aqui o arroz velho é o preferido, não? Ele empapa menos, rende mais, sobretudo o agulhinha. Curioso como dois povos preferem o arroz em pontos e com características tão diferentes.

Para mim é difícil explicar porquê gostamos tanto de arroz. Arroz é sinônimo de refeição. Uma tigela cheia dele com uns pedaços de conserva (tsukemono) já me bastam. Modelado em forma de um bolinho, com um pouco de sal, é a coisa mais reconfortante do mundo. Gripada, a papinha só de arroz bem cozido e sal (e talvez uma ameixa azeda) me alimenta, hidrata, aquece. Houve uma época que reduzi muito o consumo de arroz. Mas não durou tanto, voltei a ele e descobri que não posso viver sem.

Foi como voltar para casa. Desde os meus 3 meses de idade vivi em lugares diferentes. Às vezes achava que iria ser meu lar definitivo. Foram 17 endereços diferentes até agora, 3 Estados, 3 Províncias japonesas, 7 cidades. Não tenho a ideia de uma terra natal, não tenho sequer um objeto que guarde desde a infância. Talvez por isso tenha me apegado tanto a pratos, à comida. Os lugares? Não voltei a muitos e alguns não me trazem tão boas lembranças quanto uma tigela de arroz quente.

Ontem comi arroz novo Yanagi Koshihikari. Mandaram-me uma amostra dessa última safra e estava tão bom que minha mãe repetiu. Creio que estará em breve nas mercearias.

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O Koji de Ontem

Eu sempre fico um tanto quanto tensa quando falo para um público. Principalmente depois que parei de beber.

Mas ontem foi uma noite agradável. Estourei completamente o tempo combinado, perguntas surgiram sobre questões que não pensei (e foi ótimo, aliás, isso me obriga a estudar ainda mais) e sugestões vieram.

A internet permite uma troca rápida de informações mas o contato face-a-face ainda é importante. A conversa pode tomar um rumo diferente mas que, não raramente, nos abre os olhos para outros ângulos do cenário.

Obrigados a todos que compareceram, obrigado Lucio pela oportunidade e já estou pensando nos próximos encontros.

 

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