Marinada para Yakiniku com Kiwi

No Japão, confesso, não me dava ao trabalho de fazer essa marinada. O motivo é que haviam molhos prontos e muito bons, carnes já pré-marinadas prontinhas para ir para a grelha e, claro, restaurantes especializados em carnes que serviam carnes saborosas a preços confortáveis. Mas por aqui não tem nada disso e a vontade de comer uma carne suculenta, macia e temperada daquele jeitinho veio. Não dá muito trabalho, na verdade. No Japão eu comeria sobre uma grelha à gás ou carvão mas por aqui, acabei fazendo na churrasqueira que funciona na boca de fogão. Nada impede de fazer esta receita na próxima churrascada com amigos. Só achei que uma refeição para 2 pessoas não justificava tanta bagunça.

E o kiwi, onde entra? Como amaciante. Sim, assim como o mamão, o abacaxi e outras frutas, o kiwi possui uma enzima que quebra a proteína da carne. Traduzindo, irá romper as fibras da carne. No caso do kiwi, a actinidina é uma enzima um pouco menos agressiva que o abacaxi, o que quer dizer que mesmo que marine por 2 horas ou até mesmo 6 horas, não vai transformar sua carne em uma papa. Mas não exagere no tempo. Experimentei congelar e deixar por vários dias e o resultado foi uma carne sem sabor, que perdeu muita água na hora de grelhar e ficou com um gosto de carne meio digerida… Se for marinada por poucas horas, o resultado é uma carne bem mais macia e ainda suculenta.

O corte que escolhi foi a bananinha. É uma porção de carne que fica entre as costelas do boi, na altura do contra-filé. É um corte saboroso e gorduroso, o que garante que não ficará muito seco na grelha. Costumava ser mais barato mas, infelizmente, parece que descobriram que é bom para um churrasco…

Para cada kg de bananinha você vai precisar de:

80 gramas de polpa de kiwi

25 gramas de alho descascado

100 gramas de cebola picada grosseiramente (opcional; eu gosto do sabor da cebola)

25 gramas de gengibre picado

50 ml de sake (ou vinho branco não muito ácido)

50 ml de mirim (ou vinho branco meio doce ou nem use, aumente um pouco a quantidade de açúcar)

50 gramas de açúcar

100 a 150 ml de shoyu (varia muito, dependendo do teor de sal que varia de marca para marca

12 gramas de sal

Um punhado de gergelim branco e um fio de óleo de gergelim (ambos opcionais)

Bata tudo no liquidificador e despeje sobre a carne

Eu prefiri colocar em um saco plástico e fechar. Poderia ter usado um pote plástico, não faria diferença.

Deixe marinar por 2 horas mas não muito mais que isto.

Na hora de ir para a grelha, retire o excesso da marinada. Pode salpicar um pouco de cebolinha, se gostar. Asse até estar bem dourado de todos os lados, com uns pontos tostados. Sirva com arroz branco.

Outros cortes bons para esse tipo de grelhado são: contrafilé em bifes, fraldinha, barriga (panceta) de porco. Alguns fazem com alcatra, coxão duro.

 

Share This Post

Magic Cake de Milho

img_0802

Há muito tempo que não escrevo algo. Não vou gastar tempo falando de problemas e aborrecimentos. Esse período fora da rede valeu boas conversas, leitura, horas de sono. Numa conversa com o Luiz Paulo, ele comentou sobre o Magic Cake, um tipo de febre “bolística”: trata-se de um bolo que depois de assado, forma 3 camadas distintas. A base mais firme, um centro cremoso e uma superfície fofa, aerada.

Fui ver umas receitas e se parecem com as receitas de bolos cremosos daqui, só que as claras de ovos são batidas. Ou seja, é um bolo, só que com uma massa mais líquida. Como hoje comprei milho verde (aliás, estão me acompanhando no Instagram?Estou lá como marisatono), aproveitei para testar uma receita de “bolo mágico” com milho verde. Ficou bom mas da próxima vez, usarei uma forma menor (usei uma retangular, de uns 40 centímetros de comprimento por uns 25 de largura), para que o bolo fique mais alto e as camadas mais distintas.

3 xícaras de milho verde cortado da espiga (cerca de 3 espigas grandes)

500 ml de leite

4 gemas

4 claras

1 1/2 xícara de açúcar

100 gramas de manteiga amolecida

70 gramas de farinha de trigo

2 colheres de chá de fermento em pó

Bata o milho com o leite no liquidificador e passe por uma peneira, espremendo bem. Descarte o bagaço, guarde o líquido.

Bata as claras em neve. Junte aos poucos 1/2 xícara de açúcar, sempre batendo, até formar um suspiro firme. Reserve.

Bata as gemas com a xícara de açúcar restante, até formar um creme claro. Junte a manteiga amolecida e bata mais um pouco.

Junte a farinha e o fermento e misture.

Adicione o líquido do milho verde triturado aos poucos, mexendo com cuidado.

Junte as claras batidas e misture com cuidado, até que não se veja nenhum ponto de suspiro branco mas não bata, para não perder muito ar.

Despeje em assadeira untada e enfarinhada e leve ao forno pré-aquecido em temperatura média para alta, até dourar. Só corte depois de frio.

 

 

Share This Post

Batatas Gratinadas

IMG_0225

Procurando uma receita fácil de batatas? Essas são um ótimo acompanhamento para um assado e só vão 4 ingredientes.

IMG_0224

Descasque e corte batatas em rodelas não muito finas. Coloque em um refratário untado com manteiga. Cubra com leite, tempere com sal e leve ao forno até dourar. Só. O leite irá evaporar, depois os açúcares do leite irão dourar e até lá, as batatas estarão cozidas e macias. Vão pensar que usou queijo ou creme mas é só leite evaporado.

 

Share This Post

Pound Cake

IMG_0286

Ou bolo inglês. É a receita de bolo mais fácil de decorar. Ovos com as cascas, manteiga, açúcar e farinha, tudo no mesmo peso. É um bolo que eu gosto. Alguns reclamam que é pesado, seco. Já eu acho rico, denso e ótimo com um chá ou um café com leite. E permite muita variação.

Pese ovos. No caso, foram 4 ovos, com as cascas. Digamos que tenha dado 225 gramas. Pese a mesma quantidade de açúcar, de manteiga e de farinha.

Bata a manteiga com o açúcar até formar um creme claro. Junte os ovos – sem as cascas, claro – um a um, batendo sempre. É importante bater bem nessa etapa, para dissolver o açúcar e deixar o bolo mais leve. E se você não dissolver bem o açúcar, o bolo irá ficar com pontinhos escuros na superfície e não com uma cor dourada uniforme.

Peneire a farinha e adicione à massa, misturando sem bater. Aromatize à gosto. No caso, usei raspas de limão e um pouco de sementes de papoula mas poderia ser essência de baunilha, raspas de laranja ou frutas cristalizadas, nozes moídas, etc.

IMG_0284

Unte uma forma para bolo inglês e polvilhe farinha. Despeje a massa e alise. Esse bolo cresce pouco mas cresce. E tende a trincar a superfície. Como culinária também leva em conta a aparência, o jeito é controlar essa rachadura. Marque com uma faca ou espátula o centro do bolo, formando um sulco. Nesse sulco, coloque pedacinhos de manteiga gelada. A manteiga vai manter esse sulco mais úmido e macio que o restante, permitindo que a massa se expanda aí.

IMG_0285

Leve ao forno médio pré-aquecido, até dourar e estar seco no centro.

 

Share This Post

Macarrão de Arroz Fino

IMG_0195

É mais comum usar massas de arroz finas assim em refogados. Mas garanto, esse tem uma textura bem firme e pode ir numa sopa. Basta hidratar em um pouco de água fria por uns 20 minutos, cozinhar em água fervente por 1 minuto, escorrer e colocar em um caldo saboroso. 60 a 70 gramas de massa seca por pessoa são mais que suficientes.

IMG_0198

Fiz com caldo de porco e frango e servi com almôndegas de porco cozidas no caldo. Cebolinha para decorar e dar aquele aroma bom. Mas poderia (e eu até queria) levar verduras.

Essa massa comprei na mercearia Towa, na praça da Liberdade.

Share This Post

Panko Caseiro

IMG_0161

Quem me acompanha no Instagram (marisatono) ou no Facebook (Marisa Tiemi Ono), já sabe que hoje fiz panko.

Não é por causa da crise, faço há muito tempo:

http://marisaono.com/delicia/2007/12/23/panko/

Faço com pão que sobra em casa ou com pão que compro já amanhecido (há um lugar por aqui que vende um pacotão).

Pode ser feito com pão de forma (fica melhor, mais crocante) ou com pão francês (nesse caso, prefiro quando o pão não cresceu demais, ainda está com o miolo mais compacto). Deixo que seque um pouco e ralo no ralo grosso ou passo no ralador do processador. Se estiver muito seco, provavelmente irá esfarelar.

Termino secando no forno bem morno. Poderia usa-lo assim mesmo mas teria que guardar na geladeira ou congelador, sob o risco de mofar.

O Luiz Paulo me disse que congela antes de ralar, me pareceu boa ideia.

Ah, o que é panko? É uma farinha de rosca mais granulosa, que deixa os croquetes, as milanesas muito mais crocantes (e, infelizmente, mais calóricas).

Share This Post

Natsu Yasai Karê. Ou Curry à Japonesa com Vegetais de Verão

CIMG0284É uma receita tão fácil que não sei porquê não publiquei antes. Como faz calor e a horta está produzindo algo, resolvi fazer esse curry quase vegetariano. É uma receita rápida, já que apelo para o preparado para curry japonês (que pode ser em flocos ou em tabletes). Aliás, eu não acredito em receitas de 15 minutos. Repararam que todas elas apelam para um molho pronto, vegetais já limpos ou congelados, sempre tem uma pegadinha? Pois então, essa é assumidamente rápida porque vai um produto semi-pronto. Mas se quiser fazer seu molho de curry, fique à vontade.

CIMG0277

Começo cortando vegetais de verão (abóbora japonesa, abobrinha, berinjela) em pedaços grandes e fritando em óleo quente. A berinjela roxelle, que é redonda, lilás, é a mais indicada, vai absorver bem menos gordura. Corto um tomate maduro em 8 pedaços e reservo.

Refogo cebola com alho até dourar bem, junto água, fervo, adiciono o preparado para curry (uso a quantidade suficiente para formar um molho espesso), confiro o sal, a pimenta e posso juntar um pouco de gengibre ralado. Por fim, adiciono os vegetais fritos, cozinho até aquecê-los e, no final, os tomates. Eles não são cozidos, só aquecidos.

Sirvo com arroz branco. Posso servir também uma colherada de iogurte bem azedo. Crianças japonesas preferem maionese (sim, é estranho mas é popular) e queijo tipo mussarela ralado. Também gosto com um ovo frito.

O prato não é vegetariano porque os preparados para curry costumam ter caldo de carne na composição.

Vai para a categoria “Cozinha do Desespero” porque fica pronto em 20 minutos, apesar da pequena trapaça.

Share This Post

Kakiague de Milho Verde

CIMG0125

Ou tomorokoshi kakiage. É cozinha contemporânea japonesa. Há algum tempo ouvi dizer que era um prato bem comum em determinada província japonesa mas não me lembro qual. Os japoneses amam milho verde, só que o de lá é bem diferente do daqui, é doce e muito macio e com bem menos amido. Usei milho da minha horta, que congelamos no último verão. Podem usar milho congelado (despeje em água fervente ainda congelado e cozinhe por uns minutos), fresco e talvez funcione até com milho enlatado.

CIMG0110

Vai precisar de milho verde debulhado e cozido, farinha de trigo, fécula de batata, papel impermeável e uma bomba de spray, aquelas de água, que se usa para pulverizar água no cabelo ou álcool ou desinfetante.

CIMG0113

Misture 3 porções de farinha com 1 porção de fécula de batata. Não vai precisar muito, não, mas vai depender da quantidade de milho que você tem. Adicione um pouco dessa mistura ao milho verde cozido e bem escorrido.

CIMG0114

Vá adicionando a mistura de farinha ao milho e misturando, até que os grãos estejam bem cobertos. Agora vem a parte engraçada. Pulverize um pouco de água com a bomba de spray. Vá devagar, um pouco de cada vez.

CIMG0116

Vá pulverizando e misturando até que a farinha esteja hidratada o suficiente para que os grãos de milho comecem a grudar uns nos outros.

CIMG0118

Para uma apresentação mais bonita, coloque porções de milho sobre um pedaço de papel impermeável (com a parte mais brilhante em contato com o milho), formando um disco fino. Não deixe muito compacto, é melhor que fique com alguns buracos no meio.

Frite em óleo quente (170°C). O papel logo irá descolar do kakiague, pesque-o com uma pinça. Deixe os discos fritando até que dourem e fiquem crocantes. Salpique um pouco de sal moído e sirva imediatamente.

PS: Faço algo semelhante com tirinhas de bardana e cenoura, fica bem crocante.

 

Share This Post

Chá de Hibiscus com Frutas

IMG_0005

Bem, pode parecer meio bobo mas há quem nunca tenha provado. Resolvi registrar. Hibiscus seco rende um chá com cor vibrante (procure comprar as que estiverem com uma cor bem viva, é algo que tende a desbotar se exposta à luz e com  o tempo). Também conhecido como vinagreira, hana-ume, as cápsulas do fruto do hibiscus são vendidas secas em lojas de produtos naturais, cerealistas, mercearias.

Eu faço um chá com água quente e deixo que fervam por um minuto, mais ou menos. Espero esfriar, passo por uma peneira e adiciono adoçante (há anos evito o açúcar em bebidas), suco de limão, laranja ou abacaxi (o ácido faz com que a cor fique ainda mais vibrante) e adiciono frutas picadas. Uso o que tenho. Quando tenho no quintal, uso amoras e framboesas. Mas também posso usar maçãs, abacaxi, gomos de laranja, pera, uvas. Posso deixar algumas horas na geladeira mas consumo no mesmo dia.

É uma bebida refrescante, com cores atraentes, fácil e de baixo custo (hibiscus seco rende horrores e, depende de onde compra, sai bem barato).

Ah, vi que também fazem coisa parecida com chás diversos. É algo para testar.

 

Share This Post

Karê de Mandioca, Comida de Imigrante

Estou meio nostálgica.

Os primeiros karês (curries à moda japonesa) que comi foram feitos pela minha mãe. Que aprendeu com a mãe dela e com as senhoras do clube da cooperativa. Eram amarelas, com um caldo não muito espesso. Nem eram muito picantes. Quando cheguei no Japão, o primeiro prato foi um karê escuro, com molho denso, muito picante e, ao mesmo tempo, adocicado. Estranhei. Mas logo percebi que cozinha evolui, sofre influências. O karê ficou mais rico, acrescentaram o mirepoix e um caldo mais denso de carne, frutas para ter um adocicado discreto e por aí vai.

No interior do Brasil não era incomum encontrar um karê feito com mandioca, ao invés de batata. Talvez porque a primeira era mais fácil de ser encontrada (muita gente tinha no quintal ou na roça) e porque não era preciso fazer um roux para engrossar o caldo, o amido da mandioca dá corpo. Surgiu então esse cruzamento entre a vaca atolada e o curry japonês.

IMG_5591

O pó de curry mais comum por lá é o da S&B. Na minha infância, encontrar uma latinha dessas era uma questão de sorte, um luxo. Era algo precioso. Pode não ser o melhor do mundo, mas é o que tem o gosto daquela época. Não estou fazendo propaganda da marca, não ganho nada com isso. É só uma referência para quem quiser fazer a receita. Mas não se fixe a ela, curry é uma questão de gosto, muita gente prefere uns mais picantes, outros menos, há uns mais aromáticos. Procure o seu.

IMG_5597

Fazer é simples. Pode ser feito com frango, porco ou carne bovina. Refogue alho, cebola e a carne. Tempere com uma colher de chá de pó de curry para ir pegando gosto. Adicione água e cozinhe até a carne amaciar mas não ficar muito mole. Junte cenoura picada e mandioca, já descascada, em pedaços maiores, de mais ou menos 4 cm de lado. Cozinhe até a mandioca ficar macia e o caldo engrossar um pouco. Tempere com sal, um pouco de shoyu e mais pó de curry à gosto. Como eu gosto dele mais picante, juntei também pimenta do reino e pimenta vermelha. Também não ficaria ruim com um pouco de maçã ralada, dá um adocicado bom . Mas na velha receita da minha mãe, não ia nada disso, era uma versão “de pobre”.

Sirva com arroz. Sim, muita gente come de colher, porque o molho não é tão denso assim. E, além do mais, tudo já está do tamanho que não precisa do uso de faca.

 

 

Share This Post