Tian

Fui conhecer o Tian ( Rua Jeronimo da Veiga 39 (11) 2389 9399) esta semana. Não fui antes e não foi por falta de convite. Tempo, coisas, enfim. Há muito tempo tenho curiosidade em conhecer a comida de Marina Pipatpan. Muito tempo mesmo, coisa de 30 anos. Foi a minha primeira referência de comida tailandesa na vida. Conheci-a, finalmente, e nos rimos dos tempos passados, quando tínhamos que fazer tudo em casa: eu fazendo missô e folhas de ovos para substituir a alga nori do makizushi; ela fazendo molho de peixe em casa.

O atum com crosta de sembei (biscoito de arroz) muito crocante vem com um molho cremoso, levemente picante, delicioso.

Pad Thai, prato de macarrão de arroz com camarão e frango veio com brotos de feijão bem crocantes e amendoim torrado. Bem equilibrado.

Pãozinho no vapor (bun) com pernil e molho doce e pegajoso, à base de molho Hoisin. Eu gosto, mas reconheço que não é todo mundo que gosta.

Assim como a cozinha, o ambiente mistura elementos tailandeses, chineses, japoneses.

Vale a pena? Se quiser conhecer uma versão mais contemporânea da cozinha asiática e saber porquê o restaurante ganhou o prêmio “Bom e Barato” do guia da Veja, vale. Há opções para vegetarianos e para quem tem mais ou menos fome. Alguns pratos são picantes, mas nada que chegue a assustar.

Para quem quiser conferir o cardápio, o link é este:

http://www.tianrestaurante.com.br/tian/download/cardapio_tian_restaurante.pdf

 

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Sopa de Fiapos e Mitsuba

A sopa é uma desculpa para usar uma verdura não muita conhecida por aqui, o mitsuba, ou trevo japonês.

A folha é grande e o sabor dela é herbal, não é ácido como o trevo comum. Cozinha rapidamente e costumo usar em sopas, ensopados ou na decoração de algum prato.

Costuma ser comercializada em maços. Esses ganhei de um feirante em Ibiúna.

Para a sopa, usei o caldo de frango leve que uso quando preparo Foo, por exemplo. Adicionei um pouco de dashi para aumentar o “umami”. Para uma sopa para 2 pessoas, adicionei cerca de 100 gramas de carne de siri (comprada já desfiada e congelada) e deixei ferver. Tirei a espuma da superfície, adicionei sal, conferi o sabor.

Juntei um ovo batido, misturei para formar os fiapos e joguei um bom punhado de folhas de mitsuba dentro. Um minuto de fervura e estava pronto. É quase uma canja, bem leve, que funciona bem para acompanhar uma refeição, como um chá salgado.

 

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Anpan Com Fermento Natural de Koji

Ontem falei sobre um fermento natural feito só com água e farinha. Nele, primeiro cria-se um ambiente ácido ideal para o desenvolvimento de organismos do fermento. No caso do fermento feito com koji é um pouco diferente. O koji (arroz onde desenvolveu-se o fungo Aspergillus Oryzae), converte amido em açúcar. Nesse ambiente, organismos que estão no ar encontram um meio onde podem se desenvolver. Eles irão converter o açúcar em álcool. O fermento de koji tem ação mais rápida que o de água e farinha. Em muito assemelha-se com o fermento biológico. Só que esse último é feito a partir da cerveja. O aroma lembra vagamente o sake. Não é um anpan tão fofo quanto os comprados prontos. Mas talvez esteja bem próximo dos primeiros feitos no Japão.

Esse fermento aprendi com a Mari Hirata, na aula sobre fermentados, no ano retrasado.

1/2 xícara de arroz (prefiro o arroz tipo oriental)

3 xícara de água

Leve o arroz e a água ao fogo, cozinhando até formar um mingau. Deixe esfriar. Adicione:

30 gramas de koji

150 ml de água

Coloque em um pote plástico. No caso usei um com tampa de pressão e não de rosca. É que conforme fermenta, gás é liberado e se aumentar muito a pressão, a tampa levanta sozinha.  Espere uns 2 dias antes de usar. A mistura ficará borbulhante, dá para ouvir o chiado do gás escapando dela e o aroma lembrará um pouco o sake.

Para os anpans:

150 ml do fermento de koji coado

60 gramas de açúcar

40 gramas de leite em pó

Cerca de 500 gramas de farinha de trigo.

Se preferir, adicione 1 colher (de chá) de lecitina de soja ou use melhorador para pão conforme a indicação do fabricante. É opcional, mas prefiro usar porque a massa fica mais elástica e com uma textura melhor.

1 colhe (de chá) de sal

Misture todos os ingredientes e sove. A massa deverá ser bem macia, quase pegajosa. Cubra e deixe crescer. Leva cerca de 2 horas.

Fiz pães com  60 gramas de massa (renderam 19).  Dividi a massa, fiz as bolas e deixei que descansassem por 10 minutos. Abri em disco, recheei com doce de castanha (poderia ser doce de feijão). Se não gostar,  pode rechear com um creme e fazer o “kurimu-pan“. Achatei e deixei que crescessem antes de pincelar com gema (melhor se tivesse usado mirin), fiz um furo no centro para que o vapor da pasta doce escapasse e salpiquei um pouco de gergelim.

Assei em forno bem quente até dourar.

Quanto ao fermento, reservei a massa que foi coada, adicionei mais água e estou alimentando todos os dias com uma colher de sopa de arroz cozido. Continua borbulhando e, creio, poderá ser usado em outros pães.

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Frango Tandoori com Shio-koji

Ganhei um mix de temperos para o frango tandoori (Tandoori Masala). Não é tão picante (pelo menos o que ganhei). É uma mistura de cominho, coentro, gengibre, pimenta vermelha, macis, canela… Creio que exista algo assim para comprar. Na falta, creio que essa receita ficará boa também substituindo essa mistura com curry em pó, que é mais fácil de ser encontrado. Claro que aí o nome muda.

Não é uma receita, é só uma orientação. Deixe marinando coxas de frango em uma mistura de shio-koji e tandoori masala. Shio-koji é arroz cozido, contaminado com o Aspergillus Oryzae (chamam isso de arroz maltado, não sei se seria a melhor definição) misturado com sal e deixado para fermentar. Nas primeiras semanas será uma mistura doce, com um aroma delicado. Com o tempo o teor de álcool aumenta e o aroma passa a ser parecido com o sake. É um tempero antigo que eu não conhecia. Talvez porque a família da minha mãe produzia shoyu e miso. Talvez seja uma questão de região. O fato é que conheci pelas mãos da Mari Hirata. Ele é utilizado em marinadas e em conservas. Já comentei sobre ele aqui:

Conserva de hakusai com shio-koji

Costelinha marinada no shio-koji

Fermentados da Mari Hirata

E é só isso. Deixe pegar gosto e asse. Eu usei aquelas churrasqueiras que funcionam na boca do fogão, de alumínio. Para pequenas quantidades, funciona bem e gasta pouco gás. Não é difícil de encontrar em lojas de utilidades domésticas. É só manter o fogo de médio para baixo e virar para dourar de ambos os lados. O frango ficou suculento, com uma cor vermelha bonita e o shio-koji deu uma certa doçura e ajudou a tirar aquele cheirinho do frango de granja.

Fico devendo onde podem encontrar shio-koji. Creio que vi a versão chinesa na Liberdade. Ouvi falar que há quem produza e comercialize. Assim que encontrar publico por aqui.

PS: Pelo que dizem – não conheço a cozinha indiana tanto assim – o frango tandoori é marinado no iogurte.

 

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Hom Sui Gok

Me falaram de um lugar que faz um “pastel de mochi”. Claro que fiquei curiosa. Mas ainda não fui conferir. Na verdade, nem tenho certeza de onde seja, tirando o fato que é no bairro da Liberdade. Há uns dias li um artigo sobre dim-sums, petiscos que acompanham chá e uma coisa foi levando à outra. Na verdade, não é um pastel de mochi e sim um bolinho feito com farinha de arroz para mochi.

Não fiquei totalmente satisfeita com essa receita e vi que existem muitas variações. É que eu gostaria que ficasse mais crocante por fora e tivesse uma cor mais uniforme. Isso vou ter que aprimorar. Enquanto bem quente tem uma casca durinha por fora e macia, pegajosa no interior, lembrando o mochi. O recheio é o mesmo que usei no post anterior. Mas se quiserem tentar, aqui vai a receita:

1 xícara de farinha de arroz para mochi (ou arroz glutinoso)

1/3 xícara de polvilho doce

Água fervente

2 colheres de sopa de açúcar

Sal à gosto

Misture a  farinha de arroz ,  polvilho., sal e açúcar Adicione água fervente e misture, adicionando água quente até obter uma massa macia. Vai mais que meia xícara e menos que uma, para ter uma idéia. Amasse um pouco para uniformizar e formar uma massa lisa.

Divida a massa em dez porções. Abra com a mão e recheie, dando o formato de um kibe ou uma bola de futebol americano. Não faça muitos de cada vez, vá fritando conforme modela 3 ou 4 unidades.

Frite em bastante óleo e em temperatura moderada. Cuidado, porque se a temperatura for alta demais ou fritar por tempo demais, os bolinhos podem rachar e explodir. Retire quando estiverem dourados. Escorra em papel toalha.

Depois de frios são comíveis, mas perdem a textura mais durinha da parte exterior.

 

 

 

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Sui Gyoza ou Shuijiao (Gyoza Cozido)

Eu já escrevi sobre gyoza  (jiaozi). Para quem perdeu, aqui estão:

Yaki gyoza (gyoza assado na chapa) 

Ebi gyoza (gyoza no vapor, de camarão)

Guo Tie (gyoza aberto, na chapa)

E o jeito que costumo dobrar os gyozas aqui em casa

Dessa vez, é o gyoza cozido, com uma massa mais grossa, com uma textura que lembra a do udon. Não encontro uma palavra para traduzir a expressão “mochiri”. É aquela textura macia, porém um pouco pegajosa, resistente.  É uma receita com pouco ingredientes. No entanto, e por isso mesmo, não é tão simples de executar. Detalhes fazem a diferença no resultado final.

Eu gosto de comer quente, com molho de soja, vinagre e óleo de pimenta (rayu).

Massa:

200 gramas de farinha de trigo

110 ml ou um pouco mais de água fria

1/2 colher de chá de sal

Recheio

150 gramas de porco picada

300 gramas de acelga

Sal

Pimenta-do-reino

1 colher de chá de gengibre ralado

1 dente de alho amassado

1 colher de sopa de shoyu (molho de soja)

1 colher de sopa de óleo

Cebolinha picada

Primeiro prepare a massa. Misture a farinha com o sal e adicione a água. Talvez seja necessário adicionar mais um pouco de água. Misture até formar uma massa firme. Sove um pouco (uns 5 minutos) e forme uma bola. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 30 minutos (em dias frios, um pouco mais).

Enquanto isso, prepare o recheio.

 

Bata a acelga no processador de alimentos. Tempere com sal e deixe de lado, irá soltar água. 

Bata a carne de porco no multiprocessador até formar uma bola de massa. Isso vai proporcionar um recheio mais coeso, que não se desmancha.  Adicione o gengibre, alho, shoyu e pimenta-d0-reino e bata mais um pouco. Escorra a acelga picada e esprema entre as mãos, retirando o excesso de água.

No final, em volume, vai ter mais ou menos a mesma quantidade de acelga e carne moída. Adicione o óleo e a cebolinha picada (à gosto) e misture bem.

Sove a massa, dobrando e pondo toda sua força em cima dela. Sim, cansa um pouco. Evite adicionar farinha. Trabalhe a massa até que ela fique bem lisa. Embrulhe e deixe descansar por mais 15 minutos. Achate um pouco, faça um buraco no meio e vá alargando, formando uma rosca. Divida em porções pequenas (cerca de 30, um pouco mais, talvez).

Abra cada porção, recheie e coloque em uma superfície polvilhada com amido de milho ou fécula de batata. Eu costumo abrir um pouco mais grossa que a massa de gyoza assado na chapa. Como fica difícil dizer o quanto, digamos que da espessura de umas 4 ou 5 folhas de papel.

Ferva 2 litros de água. Adicione os gyozas de uma vez. Mantenha o fogo alto até que a água volte a ferver. Adicione então 1 xícara de água fria e abaixe o fogo. Sim, esqueça tudo o que aprendeu sobre cozinhar macarrão, gyoza é outra história. Essa técnica costuma ser aplicada no udon e no soba. Tampe e deixe cozinhar por 5 minutos. Retire com uma escumadeira e sirva.

Quanto à porções, se for para comer só isso, eu diria que serviriam 2 pessoas. Se for como entrada, até 6 porções.

E existem outros recheios. O mais curioso (e que ainda não experimentei) é o de salsão picado com ovos mexidos.

 

 

 

 

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Chun Bing e O Não-Pato de Pequim

Bem, vamos e convenhamos, pato de Pequim não é um prato fácil de fazer. E nem todo mundo tem como encomendar um. Nem por isso vou deixar de comer essas panquecas finas, maleáveis e que vão bem com quase qualquer coisa. E eu não estou inventando nada, não. Já vi essas panquecas serem servidas com outras coisas que não eram pato.

Misture 200 gramas de farinha com 160 ml de água fervente. Ainda quente amasse um pouco até conseguir formar uma bola. Divida em porções e deixe esfriar.

Depois de fria, amasse tudo por uns 10 minutos em uma superfície untada com óleo. A massa terá uma textura parecida com a de risoles ou coxinha. Faça um rolo e divida em 18 porções. Enrole em formato de bolinhas.

Pegue uma bolinha de massa, achate-a ligeiramente e passe em óleo frio. É para ficar bem untada mesmo.

Coloque sobre outra porção de massa também achatada. Abra com um rolo com cuidado, de maneira a obter um disco de espessura uniforme.

O resultado será um disco com cerca de 18 cm de diâmetro.

Asse o disco em uma chapa quente, sem unta. Quando formarem bolhas. vire e deixe até que fique com algumas pintas douradas.

Com cuidado, separe as duas folhas ainda quentes. Serão duas panquecas bem finas, quase transparentes. Repita o processo com as demais porções de massa, empilhando as panquecas e mantendo-as cobertas.

Elas podem ser comidas logo em seguida ou guardadas por um dia ou dois, em embalagem bem fechada. Na hora de comer, aqueça-as no vapor (colocando-as sobre uma peneira sobre a boca de uma panela com água fervendo ou numa panela de cozimento ao vapor). Não tampe, o excesso de umidade vai encharcar as panquecas.

Eu comi com tiras de frango dourado na chapa, molho hoisin e molho de pimenta, tiras de pimentão refogado. Poderia ter feito também broto de feijão (moyashi refogado), mas não tinha em casa. Outro recheio – e não estou inventando nada – é nira (alho japonês, vegetal que parece com a cebolinha, mas as folhas são chatas) refogada com ovos mexidos. É só refogar o nirá cortado em pedaços de 3 cm de comprimento, quebrar uns ovos em cima e misturar e deixar no fogo até os ovos firmarem.  Ou outra coisa que gostar. Porque não um pedaço de porco assado?

Para comer, é só colocar um pouco do que quiser no centro, dobrar a parte de baixo formando um fundo e depois dobra as laterais, formando um pacotinho.

Essa receita alimenta 2 a 3 pessoas. Com uma sopinha – como a do Foo (http://marisaono.com/delicia/?p=2073) – temperada com um pouco de cebolinha e óleo de gergelim, uma saladinha e um chá, vira uma refeição completa. E acho que pode funcionar bem em uma reunião em casa. Basta oferecer diferentes recheios em tigelinhas para cada um e uma pilha de panquecas.

 

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Sakura Mochi

Eu estava ensaiando escrever sobre folhas de cerejeira já há algum tempo. Tudo porque a cerejeira daqui de casa soltou bastante folha nova e como nesta época do ano a incidência do sol é menor, elas estão mais macias. Essas folhas podem ser conservadas bom muito tempo em salmoura.

Confesso que não sei grande coisa sobre espécies de cerejeiras. Só sei que a que temos não dá cerejas e tem essas folhas largas, grandes. Temos uma outra, de folhas menores que dizem que são chamadas de “Okinawa Sakura”. Para saber como preserva-las, recorri ao chef Shinya Koike do Aizome. Ele disse para eu ferve-las até ficarem macias e depois passar por água gelada, escorrer bem, salgar e cobrir com salmoura forte. Fiz um pouco mais. Separei as folhas por tamanho e fiz maços de 10 folhas e fui empilhando em um pote. O aroma era mais intenso há duas semanas. Acho que o melhor mesmo é embala-las à vácuo depois de uns dias de salga.

E essas folhas são usadas em doces e salgados lá no Japão. E ultimamente estão usando também em doces ocidentais, como biscoitos, bolos e pães. Vou experimentar outras coisas com essas folhas, aproveitando a safra. Por enquanto fico em duas receitas bem tradicionais. O nome sakura mochi se refere a dois doces diferentes, um mais comum na região leste e outro, na região mais a oeste. Tive que fazer uma adaptação, já que não encontro por aqui o doumioji-ko. Trata-se de arroz glutinoso (mochigome) hidratado, cozido no vapor, seco e quebrado em pedacinhos. Parti do arroz glutinoso e o resultado foi bom.

Sakura-mochi Kansai-fu (à moda de Kansai)

280 gramas de arroz glutinoso (mochigome)

360 ml de água

3 colheres (de sopa) de açúcar

Corante alimentício vermelho – eu usei o em pó, japonês, diluído em um pouco de água

Anko

Folhas de cerejeira salgadas, lavadas e bem secas entre toalhas de papel

Lave e deixe o arroz de molho por algumas horas. Escorra bem em uma peneira. Coloque metade no processador de alimentos e utilizando a função “pulsar”, quebre um pouco os grãos. Não é para transformar em pó e sim, em pedacinhos regulares. Fiz o mesmo com a outra metade.

Cozinhei o arroz na panela elétrica com 340 ml de água. Assim que ficou pronto, virei em uma tigela, adicionei o açúcar e amassei levemente com o surigoshi (o pistilo do almofariz, o pau do pilão japonês). Se não tiver nada semelhante, use as costas de uma concha, também funciona. Não é preciso triturar com paixão, é só para misturar o açúcar e desenvolver um pouco mais de “liga”.

Adicionei gotas de corante. Com as mãos molhadas misturei para distribuir o corante. Ainda com as mãos molhas, dividi a massa em 15 porções. Também fiz 15 bolinhas bem menores, da pasta doce de feijão azuki (anko, usei koshi-an)

Depois é só rechear a massa de arroz com a bolinha de anko, dar um formato oval e enrolar em uma folha de cerejeira salgada.

Sakura-mochi Kanto-fu (à moda de Kanto)

6 gramas de farinha de arroz glutinoso

20 gramas de açúcar

60 gramas de farinha

100 a 120 ml de água

Corante alimentício vermelho (usei o em pó, japonês, diluído em um pouco de água)

Anko

Folhas de cerejeira salgada (eu prefiro lavar para retirar o excesso de sal) e bem enxutas entre folhas de papel-toalha

Misture a farinha de arroz glutinoso, o açúcar e a farinha de trigo. Adicione a água aos poucos. Passe por uma peneira e deixe descansar por pelo menos 15 minutos.

Aqueça uma frigideira com revestimento anti-aderente e passe um pouco de óleo com um pincel ou papel toalha. Despeje cerca de 2 colheres de sopa da mistura e espalhe com as costas de uma concha pequena, formando uma panqueca fina. Talvez seja necessário acrescentar um pouco mais de água para que a massa fique mais fluida. Também é possível que você estrague uma ou duas até encontrar a temperatura correta.

Não deixe cozinhando demais. Trabalhe sempre com fogo baixo e, caso esquente demais, retire do fogo. Vire e termine de cozinhar do outro lado, isso leva apenas alguns segundos. O resultado será um disco liso, sem dourar.

Recheie com anko, deixando a parte mais lisa para fora. Pode ser enrolado como uma panqueca ou ter as laterais dobradas como um pacote. Envolva com uma folha de cerejeira salgada.

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Broto de Feijão, Moyashi

Broto de feijão ou moyashi. Estes eu fiz em casa, com feijão mungo, pequeno e verde. Para brotar, deixo os grãos de molho para inchar por uma noite. Depois coloco em um recipiente com uma peneira embaixo e coloco em uma panela com tampa. Vou regando e conferindo. Não pode deixar afogar na água, daí a peneira ser uma boa opção. No escuro, eles crescem clarinhos e o sabor é bem mais suave. Verdes, eles ficam com  gosto de clorofila.

Mas não abri este post com a intenção de falar como fazer broto de feijão em casa.  O que eu quero é explicar como cozinhar moyashi. É simples? É. Mesmo assim vejo muita gente errando.

Em primeiro lugar, é preciso tirar aquela raiz fina da ponta. Sim, dá trabalho. Mas a textura e o sabor melhoram muito, sem contar a aparência, que fica muito mais “limpa”.

Em segundo lugar: não cozinhe em fogo alto. Pode parecer estranho, mas em fogo alto o moyashi vai soltar muita água, murchar, ficar com uma textura péssima. Eu aqueço a frigideira limpa, sem óleo, sem nada. Despejo os brotos e abaixo o fogo. Vou mexendo para que aqueçam por igual. Como podem ver, não acumula água na frigideira. O moyashi vai ficar mais magrinho, sim. E vai levar algum tempo para ficar cozido, de 3 a 5 minutos. Experimente. Ele não vai ter aquele gosto de “verde”, de vegetal cru.

Por si só, com um pouco de sal e óleo de gergelim, estaria perfeito. Mas como é bom ter uma variedade de alimentos no prato, retirei o moyashi da frigideira, refoguei carne em tirinhas, cebola, alho, gengibre ralado e pimentão. Temperei com sal e molho de abalone, voltei com o moyashi à frigideira e misturei.

O molho de abalone comprei na Liberdade e comentei aqui:

http://marisaono.com/delicia/?p=3067

Ele é mais suave que o molho de ostras, uma delícia. Mas se não encontrar, use molho de ostras ou shoyu.

 

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Su-Buta ou Porco Agridoce

Essa é mais uma daquelas receitas que eu achava que já tinha publicado e parece que não. Esta versão é muito simples, fácil e rápida. De diferente, uso o vinagre preto chinês, que tem um sabor mais marcante, complexo. Mas se não encontrar – sei que muitos leitores estão longe de São Paulo e não têm acesso a mercearias orientais – use vinagre comum, mesmo.

Aliás, queria acrescentar um parágrafo para falar do vinagre. Aqui no Brasil praticamente só usamos vinagre em saladas ou para “lavar” frango. Não vejo muitos pratos com vinagre no molho ou preparo. Já na Ásia, de uma maneira geral, o vinagre é considerado em elemento que dá leveza e até um certo frescor. Pratos gordurosos levam um toque de vinagre, por exemplo. Em algum lugar – desculpem-me, recentemente roubaram meu laptop e perdi muitos dados – li que a China consome muito, mas muito vinagre. Muito mais que no Japão e certamente muito mais que nós no Brasil. Não só porque gostam mas também porque se acredita que vinagre faz bem para a circulação. Depois volto a falar dos vinagres, em outro dia, em outra hora.

Essa receita alimentou 2 pessoas adultas esfomeadas.

1/2 cebola pequena cortada em cubos médios

1/2 cenoura média cortada diagonalmente

1 pimentão médio cortado em cubos

Cerca de 3/4 xícara de porco cortado em cubos (lombo ou filé suíno)

Cerca de 1 xícara de brotos de bambu

1 ou 2 colheres de chá de gengibre ralado

1/2 xícara de abacaxi cortado em cubinhos

Molho de soja, vinagre, sal, amido de milho, sake

3/4 xícara de farinha de trigo

1/2 xícara de amido de milho

1 ovo pequeno

1 colher de chá de fermento químico

Tempere os cubinhos de carne de porco com um pouco de molho de soja e sake. Na falta de sake, use vinho branco. Deixe descansar por uns 10 minutos

Misture a farinha, o amido, o fermento e o ovo. Adicione água até formar uma massa não muito grossa. Adicione uma colher de óleo.

Passe os pedaços de porco nessa massa e frite em óleo quente até dourarem. Escorra sobre papel absorvente.

No mesmo óleo, frite as cenouras por mais ou menos um minuto. Adicione as cebolas e o pimentão e frite mais um pouco, até as cebolas ficarem ligeiramente transparentes. Escorra bem.

Para o molho,  refogue o gengibre em um pouco de óleo. Adicione o abacaxi, cerca de 1 xícara de água, molho de soja e vinagre à gosto. Eu adicionei suco de abacaxi (que escorreu do abacaxi cortado), mas você pode usar um pouco de açúcar. Engrosse o molho com amido, adicione o broto de bambu, espere aquecer e então adicone o porco e os vegetais fritos. Misture bem, aqueça, confira o sabor e sirva.  Prefiro acompanhar arroz branco.

Classifico com cozinha do desespero porque fica pronto em menos de 20 minutos mesmo.

 

 

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