Texturas do Tofu no Mesa SP ao Vivo

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Como prometi aos que foram me assistir lá no ETEC Santa Efigênia, vou escrever um pouco mais sobre as texturas do tofu. Assim não fiz ninguém anotar nada e aproveito para esclarecer umas dúvidas que restaram.

A receita de tofu mais liso, o kinugoshi tofu que não fiz lá é esta:

http://marisaono.com/delicia/2011/05/30/kinugoshi-tofu/

Esse tofu, reconheço, é meio chatinho de se fazer. O leite de soja precisa ser bem concentrado, o que é ruim para coar. Enquanto cozinha no vapor, tem que ser cuidado. Uns minutos a mais e ele talha. Felizmente existe no mercado, pronto para consumo.

O tofu na peneira (zaru dofu) está em vídeo.

http://marisaono.com/delicia/2013/03/28/zarudofu-tofu-na-peneira/

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O que servi foi feito de maneira semelhante, porém coloquei em uma forma de queijo retangular e prensei. Quanto mais tempo o tofu escorrer, mais irá ficar firme. É uma questão de gosto e de necessidade. Assim, firme, eu poderia grelhar ou fritar:

Kinugoshi Tofu

http://marisaono.com/delicia/2013/07/17/yakidofu-e-atsu-ague/

E muita gente gosta de fazer um “bifinho”, na frigideira, com ou sem gergelim.

Só acrescento um comentário para quem quiser fazer tofu em casa: é importante fazer o leite e o tofu logo em seguida. Guardar o leite de soja por um dia ou dois não é uma ideia muito boa, o leite de soja vai degradando, afetando a qualidade do tofu.

O “falso frango frito” vai sair na revista, não percam.

E de última hora decidi fazer um sorvete de tofu. Longe de mim querer fazer daquele sorvete um produto gourmet. Sorveteria/gelateria é uma arte que exige precisão e muito estudo também.  Eu queria apenas apresentar a possibilidade de aproveitar a textura do tofu em um doce. Não digo que seja um substituto para o creme de leite, mas é algo com potencial pouco explorado. Como a maioria das pessoas, não disponho de equipamento profissional para fazer sorvete e precisei recorrer a tecnologias bem mais primitivas. E para minha surpresa, sorvete de tofu tem um sabor amendoado suave. Por tudo isso não resisti a apresenta-lo como uma opção um tanto quanto inusitada. Usei uma base de leite porque uma base de ovos iria comprometer o sabor delicado do tofu. A receita ainda não está 100%, creio que precisa de ajustes para ter uma textura ainda melhor mas é o que tem por enquanto.

350 ml de leite

10 gramas de amido de milho

120 gramas de açúcar

100 ml de glucose de milho (conhecido como Karo)

Leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Espere esfriar e liquidifique com:

60 gramas de cream cheese

100 ml de creme de leite com alto teor de gordura

1/2 tofu (usei o tofu macio da Agro Nippo, não sei quantos gramas tem)

Deixe gelar e coloque em uma tigela de metal (tigelas de plástico e vidro podem trincar) e vá adicionando pedaços de gelo seco aos poucos, misturando sempre. Em 5 a 10 minutos o sorvete irá ganhar consistência cremosa. Se quiser maior eficiência, quebre os pedaços de gelo seco em um saco plástico bem forte, com um martelo, por exemplo. E manuseie o gelo seco com muito cuidado, você pode queimar os dedos.

Importante: Não consuma o sorvete assim que fica pronto. O gelo seco está a menos de 70 graus negativos e, se ingerido, pode provocar queimaduras graves na boca, garganta e até estômago. 

Leve ao congelador por algumas horas, até o gelo seco evaporar todo, o que vai evitar queimaduras e também eliminar o gás carbônico, que confere um gosto um tanto quanto metálico e aquela sensação frizante dos refrigerantes.

Gelo seco pode ser encontrado em algumas lojas que comercializam gelo. Vi que tem uma em Moema e outra na região da Liberdade. Peguei em uma lojinha na rua Teerã 804. O site deles é este:

http://www.comgelar.com.br/

Leve um isopor que feche bem para poder transportar o gelo seco. Mas mesmo com um bom recipiente, ele irá descongelar por completo em, no máximo, 24 horas.

Agora, se não quiser usar o gelo seco, pode usar gelo comum e sal. Essa técnica, na verdade, é muito antiga.

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Eu usei um balde de madeira cheio de gelo e sal e uma caneca de alumínio. O balde de madeira usei por ser mau condutor térmico, ou seja, o gelo vai derreter mais lentamente. A caneca de alumínio, por outro lado, é bom condutor e o sorvete vai congelar mais rapidamente. Se não tiver um balde de madeira, use um isopor ou algo semelhante.

Vai precisar de muito gelo picado e muito sal. Não tomei medida, mas creio que usei uns 500 gramas de sal, alguns recomendam o uso de uma mistura de meio-a-meio. A mistura de gelo e sal é mais gelada que o gelo em si, mas não tão gelado quanto o gelo seco. Vá misturando e você obterá um sorvete. Vai demorar mais tempo para ficar pronto, creio que uns 20 minutos mas estará pronto para o consumo, sem ter que esperar umas horas para eliminar o gás carbônico do gelo seco.

Ou ainda, usar o gelo seco no lugar no gelo e sal.

E sugiro servir com um pouco de calda de shoyu. Há uma tendência de fazer doces do umami no Japão, porque temos um sabor mais persistente, mais prolongado e profundo com ele. A calda é só açúcar e água fervidos até formar uma calda viscosa. Morna, entre os dedos, tem uma textura de mel. E shoyu é acrescentado à calda fria, à gosto.

E para quem não gosta de sorvete, há a opção de fazer uma mousse ou um tipo de cheese cake, como este:

http://marisaono.com/delicia/2012/09/29/tofu-rare-cheese-cake-diet/

Por fim, mas não menos importante, queria agradecer aos que foram lá me assistir, agradecimentos especiais aos amigos que me ajudaram lá, servindo, fritando, fotografando e até cuidando do visual do prato que iria para a redação, para a fotografia:

Noemi Cawabata

Luiz Paulo Portugal

Sonia Yuki Yamane

Telma Shimizu Shiraishi

Vivianne Hitomi Wakuda

Yukie Kabashima

Agradeço também aos patrocinadores, que tornaram o evento possível, assim como à revista Prazeres da Mesa. Um agradecimento especial à Mariella Lazaretti, da organização, pelo convite e ao Marcel Miwa que me acudiu porque estava perdida na ETEC.

 

 

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Misso Sim Senhor!

Esse é o título da minha oficina no Paladar Cozinha do Brasil. Vai ser no dia 26 de setembro, às 10 horas, na Universidade Anhembi Morumbi.

É a minha primeira vez. Estou ansiosa, sim, como toda caloura. Mas também estou muito feliz pelo convite e pela oportunidade de falar sobre um dos meus assuntos favoritos, o miso e sobre o uso dele na cozinha brasileira. Sim, brasileira, porque já temos 107 anos de imigração japonesa no Brasil e podemos dizer que alguns pratos são nikkeis, ou seja, típicos dos descendentes de japoneses, surgidos e consumidos aqui.

Também sinto-me muito honrada em participar desse evento, onde juntam tantos grandes nomes, pessoas que eu admiro, discutindo temas variados e aspectos diferentes da nossa gastronomia.

O link para a descrição da minha oficina é este:

http://paladar.estadao.com.br/cozinha-do-brasil-2015/palestrante,marisa-ono,1318.htm

O link para a compra do ingresso, pelo Foodpass:

https://foodpass.com.br/paladar-misso-sim-sinho-26-09.html

Espero vê-los lá!

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Semana Mesa SP

A edição do próximo Mesa Tendências em São Paulo, promovido pela revista Prazeres da Mesa, traz como tema o produtor familiar e a cozinha.

No entanto, o que me chamou a atenção foi a presença de Yukio Hattori, médico e presidente da Ecole de Cuisine et Nutrition de Tokyo. Nunca li nada dele, só o conheço pelas aparições na tv, geralmente relacionado à gastronomia. Não sei sobre o que ele irá falar, não consta na programação. No entanto, creio que é a primeira vez que um chef japonês irá se apresentar no auditório. Pelo menos, não me lembro de nenhum nos últimos 2 ou 3 anos. O que é curioso. Somos um país de imigrantes, vi chefs italianos, norte-americanos, sei lá de quantas nacionalidades. E, apesar da presença de imigrantes e descendentes de japoneses, apesar da crescente popularização da cozinha japonesa no Brasil, pelo que me lembre, nenhum japonês havia sido convidado. Acho que vai ser interessante.

A programação e outras informações estão na página do evento:

http://www.semanamesasp.com.br/

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Produtos Japoneses no Alimentaria

A vantagem de ir a uma feira de produtos é ter contato com coisas novas e obter mais informações. A Jetro (Japan External Trade Organization) e a MAFF (Ministery of Agriculture, Forestry and Fisheries) montaram stands para divulgar produtos e a gastronomia japonesa.

Uma das coisas curiosas que vi lá foi a máquina Nespresso para chá. O chá já vem em cápsulas e basta apertar o botão. Foi lançada no Japão mas ainda não há previsão para lançamento no resto do mundo. É algo que depende muito do mercado, do consumidor.

Não costumo beber, deixou de ser um hábito há alguns anos. Pelas mãos do Alexandre Tatsuya Iida (Adega de Sake) fui apresentada a alguns sakes que já estão no mercado brasileiro. Nos stands provei outros e fiquei feliz em ver que estão trazendo muita coisa boa, de diferentes províncias. E é fabuloso perceber que, apesar de todos serem feitos de arroz maltado (koji), água e fermento, podem ser tão distintos entre si.

Provei sakes frizantes, que são fáceis de beber, diria divertidos. Também provei um sake muito gostoso com yuzu (fruta cítrica muito apreciada no Japão) que era refrescante, levemente adocicada e ácida, algo que gostaria muito de beber no verão. E, claro, sakes mais secos, alguns com aroma frutado, outros com um aroma que remetia mais a especiarias. Segundo ouvi por lá, são sakes que costumam agradar pessoas que já o hábito de beber sake e, sobretudo, o público masculino.

Aparentemente, o público feminino prefere os licores (acima, o de ume, um tipo de ameixa ácida), que pode ser utilizado em drinks ou bebido puro. Fico devendo a foto de um licor de yuzu, muito aromático, que gostei.

A Zendai está trazendo produtos da Nagatanien, que é uma marca muito conhecida por lá. O misoshiru liofilizado foi meu companheiro durante anos. Trabalhava em um lugar que não dispunha de uma cozinha, propriamente dita. Eu mantinha uns pacotes dessa sopa instantânea no armário e fazia uma porção para acompanhar meu almoço, já que havia um pote de água quente. Cada porção já vem com temperos, miso e pedacinhos liofilizados de cebolinha, tofu ou tofu frito, wakame. É uma opção para quem tem pouco tempo para o almoço ou mora sozinho, por exemplo. Outros produtos conhecidos dessa marca são os furikakes e mix para arroz (para fazer onigiri e tirashi-zushi, por exemplo). Eles também estão trazendo condimentos da S&B, outra marca bem conhecida por lá, principalmente por conta dos curries e condimentos à base de wasabi.

Há uma série de produtos que achei interessante e vou escrever sobre eles mais tarde, com mais calma.

A MAFF vai ter apresentações sobre chá e comida japonesa todos os dias, a lista eu publiquei no post anterior. Quem puder ir, vá, são apenas 24 lugares em cada aula. Hoje o chef Shinya Koike (Aizomê, Sakagura A1) estará lá a tarde toda, amanhã contará também com o Flavio Miyamura (Miya), mostrando aspectos da culinária japonesa, tanto tradicional quanto contemporânea.

Ontem assisti o chef Carlos Watanabe (Sushi-Kiyo) falar da comida dos imigrantes. Eu desconhecia a história dos primeiros restaurantes japoneses da Liberdade, por exemplo. Durante muito tempo os imigrantes não tiveram contato com o que acontecia no Japão, nem tiveram acesso a ingredientes japoneses. A comida dos imigrantes é diferente da que se faz no Japão. Eu confesso que fiquei bem surpresa com uma série de diferenças, até entender que a cozinha japonesa também evoluiu desde os tempos dos meus pais, meus avós. E há algumas coisas que são bem típicas dos nikkeis daqui: feijão com goham e tsukemono de rakkyo ou gengibre, por exemplo.

E também fiquei sabendo que haverá um grande evento em torno no chá em Shizuoka, no dia 7 de novembro. Morei nessa província por muito tempo, é uma região de grandes belezas (a maior é bem evidente, o monte Fuji) e grandes produtos (chá, arroz koshihikari, wasabi, melões, morangos, pescados). O link para o World O-cha Festival é este:

http://www.ocha-festival.jp/english/

PS: Costumo evitar colocar muitas fotos no blog para não ficar uma página carregada. Vou publicar o resto no Facebook:

https://www.facebook.com/pages/Blog-Delicia/311021185608224

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Alimentaria e Jetro

A Jetro (Japan External Trade Organization) terá um pavilhão na Alimentaria. O evento ocorre do dia 16 até o dia 19, no Pavilhão Oeste – Parque Anhembi (Rua Olavo Fontoura, 1209, São Paulo, SP ), das 13 às 21 horas. O Pavilhão do Japão  ocupará o estande I550 entre as Ruas I e J.

As empresas que exporão lá são:

Equipe Ltd. (geleia, condimento)
Hakutsuru Sake Brewing Co., Ltd. (saquê)
Japan Prestige Sake Association / Okanaga Co., Ltd. (saquê, licor)
Kanesa Co., Ltd. (condimento, sopa instantânea, molho)
Ninki Inc. (saquê)
Worldlinks Company Inc. (sopa instantânea, curry, saquê)
Yamato Comercial Ltda. (shochu, umeshu, alga wakame)

http://www.jetro.go.jp/brazil/topics/20130907557-topics

Além disso o visitante poderá assistir palestras sobre sake, fermentados, etc no pavilhão, além as aulas no palco do Alimentaria.

http://www.alimentariabrasil.com.br/Eventos-Simultaneos/Arena-Gastronomica/

Eu ainda não estou sabendo de toda programação de palestras e aulas, só sei que na terça-feira (dia 17) o Alexandre Tastuya Iida (Adega de Sake) falará sobre sakes. Eu estarei lá também.

PS: Recebi a pouco a informação dos chefs palestrantes convidados pela Jetro e aqui vai a programação:

PALESTRAS
Dia 16/09 – 17h
Chef Kenji Shiroma (Killa)
Tema: Tempero japonês na culinária nipo-peruana
Degustação: Ceviche

Dia 17/09 – 17h
Chef Carlos Watanabe (restaurante Sushi Kiyo)
Tema: A gastronomia da colônia japonesa
Degustação: Berinjela frita com missô

Dia 17/09 – 18h
Chef Daisuke Takao
Tema: Temperos fermentados japoneses
Degustação: a definir

Dia 18/09 – 16h
Chef Shin Koike (Sakagura A1 e Aizomê)
Tema: Umami (quinto sabor) na culinária japonesa
Degustação: Kabuzime de pargo

Dia 18/09 – 17h
Chef Shin Koike (Sakagura A1 e Aizomê)
Tema: Alta gastronomia japonesa
Degustação: não tem

Dia 18/09 – 18h
Chef Shin Koike (Sakagura A1 e Aizomê)
Tema: Harmonização de saquê na culinária japonesa
Degustação: 3 tipos de Ae (pastas) mono

Dia 19/09 – 15h
Chef Flavio Miyamura (Miya)
Tema: Matéria-prima japonesa na culinária contemporânea
Degustação: Salada de vieira com missô desidratado e Espuma de wasabi doce

Dia 19/09 – 17h
Chef Shin Koike (Sakagura A1 e Aizomê)
Tema: Alta gastronomia japonesa
Degustação: não tem

Dia 19/09 – 18h
Sushiman Katsuhiro Kobayashi (Sakagura A1)
Tema: O verdadeiro sushi
Degustação: sushi

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Pavilhão do Japão na Sial 2013

Hoje fui à Sial, no Expo Center Norte, visitar o pavilhão japonês. Recebi o convite da Jetro – Japan External Trade Organization. Fui bem recebida pelo Lauro Tsuyoshi Suzuki, coordenador de alimentos.

A NPO Aidensha trouxe um leite de soja em embalagem tetrapack, com alto teor de soja. Tanto que vira tofu, basta adicionar o coagulante. Provei e aprovei. Também trouxeram sais especiais, aromatizados com pimenta, gengibre, yuzu e wasabi.

A Nihon Shurui Hanbai Co Ltda trouxe sakês. Bem, eu não bebo mais e confesso que sou uma ignorante completa…

A Futaba trouxe produtos ricos em umami: caldos concentrados prontos (em alguns pratos recomenda-se a diluição de uma porção para 50 de água!): katsuo-tsuyu (caldo feito com bonito desidratado), Shiro-tsuyu (caldo claro, feito à base de shoyu branco, bonito, cavala e sardinha secos), que recomendam muito para o preparo do arroz para sushi e o kappo dashi, um caldo intenso no estilo de Kansai. Também trouxeram kombu cortado em tirinhas e raspado (parecem fios enrolados), além de pacotes para caldo, parecem-se com sacos de chá gigantes. Também gostei muito do Hiden Hongaeshi, um molho para os grelhados como yakitoris e unagui kabayaki.

A Equipe, de Gifu, trouxe uma pasta maravilhosa de yuzu com pimenta verde, muito aromática, além de sansho, geléia de caqui e o shichimi togarashi, uma mistura de pimentas muito gostosa e que eu gosto muito com udon.

A Honda Shoten Co Ltda trouxe soba orgânico e soba aromatizado com chá, cerejeira e yuzu. Fazendo par, os men tsuyus, ou seja, caldos à base de shoyu, próprios para serem usados com massas como soba, udon ou somen. Detalhe: as massas são do tipo “nama”. Não são exatamente frescas, mas também não são secas. Têm uma consistência um pouco borrachudas quando cruas, mas depois de cozidas parecem-se muito com a massa fresca.

A Igeta Shoyu Co trouxe Ponzu, molho para yakiniku e shoyu. O ponzu é um molho cítrico, fresco, que vai muito bem com carnes e frutos do mar. Eu gosto com shabu-shabu.

A Kanesa trouxe missô liofilizado, sopas (misoshiru) liofilizadas (inclusive com redução de sódio) e um molho à base de missô, o misotchup (mistura de miso e ketchup). As sopas liofilizadas são uma mão na roda: basta diluir uma colher de chá em uma porção de água quente. Ideal para quem mora sozinho ou para aquele momento em que se quer algo leve. Já vem com cebolinha, wakame.

A Masakiya Confectionery trouxe vários petiscos e doces. Destaque para o biscoito de konnyaku. Sim, aquele da dieta da Nigella. Eu pensei que usavam o pó misturado à uma massa. Não, foram muito mais além: trata-se de gel de konjac saborizado, desidratado e frito. Tem a textura de pururuca, bem crocante, só que com muito menos calorias e, se acompanhado de um copo d’água, dá uma sensação de saciedade. Vem nos sabores queijo, tomate ou wasabi. Alguns doces com o momiji manju (bolinho em formato de folha de maple) vem congelado e, depois de congelado, ainda aguenta 45 dias na prateleira. E o surpreendente é que tem sabor e textura de uma coisa fresca.

A Yamasa, fabricante de shoyus resolveu investir em embalagens para food service, no molho teriyaki e dashi em pó (que eu confesso, de vez em quando uso por ser prático e mais barato que um dashi feito com lascas de bonito e alga kombu). Disseram-me que molho teriyaki diluído cai bem em uma salada. É algo que preciso conferir…

No painel, o chef Shinya Koike (Aizome, Sakagura A1) falava do umami que é extraído de bonito seco, alga kombu e alguns vegetais.

Esqueci de tirar foto do chá de natamame, chamado de “feijão espada”. É uma vagem gigantesca. O chá tem um sabor tostado. Preferi gelado, creio que por hábito, sempre tomei chá de trigo, arroz tostado gelados. Não contém cafeína e pode ser tomado sem restrições.

E, por fim, uma coisa que acho que vai pipocar no Brasil: flores comestíveis desidratadas. São cultivadas sem pesticidas, não desbotam, aguentam ser levadas ao forno (a temperaturas abaixo de 180°C e por menos de 20 minutos).

São verbenas, violas, pentathlons, cravos, pétalas de rosas ou cosmos, com cores vivas e delicadas.

Eu já tinha ouvido falar de biscoitos decorados com flores no Japão, o máximo em delicadeza e elegância. Bem, também podem ser utilizados em chocolates, decoração de pratos ou em peças de artesanato. A página da empresa é esta:

http://momoca-def.com/

Bem, por fim, a boa notícia é que alguns produtos já se encontram à venda em mercearias e empórios. E em breve muitos outros irão estar nas prateleiras em breve. Se eu souber dos importadores e distribuidores, vou publicando.

 

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Cogumelo Cru e Tostado, Alho Negro e Mandioquinha Defumada

Esta foi uma surpresa que veio até a mim via Facebook. Video da receita de Alex Atala feito por Carlos Bêla para o Gastronomika 2012. Na verdade, foi um presente, sinto-me honrada.

COGUMELO CRU E TOSTADO COM ALHO NEGRO E MANDIOQUINHA DEFUMADA from Alex Atala on Vimeo.

 

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Festival do Japão 2011

Este ano tenho pouco a dizer sobre o Festival do Japão. Fiquei pouco tempo, voltei para casa gemendo de dor cada vez que pisava na embreagem. Ainda sinto um desconforto na base da coluna. Tirei poucas fotos, dei uma volta geral e só. Comemos (eu e minha  mãe) um Sanuki Udon, com massa importada por R$18,00.

No stand da Zendai havia vinagre de yuzu com mel. Informaram que não estavam comercializando na empresa, era um produto exclusivo para o festival, o que é uma pena.

Com tanta comida, acabei tirando foto de comida de mentira, no stand do consulado japonês.

Apesar do realismo, tudo é de plástico. No Japão é bastante comum encontrar um mostruário dos pratos da casa na entrada do restaurante.

Em alguns casos, também são usados em decoração de lojas de departamento ou supermercados.

Neste, o hashi flutua no ar.

 

O tempura não parece apetitoso?

Sushi? Não, memória USB, lembro que foi moda há alguns anos, não sei se continuam usando isso.

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Agenda

O Festival do Japão vai ser nos dias 15, 16 e 17 deste mês, no Centro de Exposições Imigrantes. Eu vou porque é bem provavel que eu vá encontrar algo interessante, é um passeio tranquilo e, além das barraquinhas de comida – que eu adoro – haverá também apresentações, atividades.

Mais informações:

http://www.festivaldojapao.com/

Paladar – Cozinha do Brasil: nos dias 29, 30 e 31, no Grand Hyatt. Muitas palestras, workshops e degustações interessantes. Para saber de mais detalhes e o calendário de atividades:

http://paladardobrasil.com.br

Eu vou ver a Neide Rigo do Come-se, junto com Ana Soares e Mara Salles.

E em 8 de agosto, aula da Mari Hirata. Para quem vive me perguntando sobre detalhes da produção de miso, esta vai ser A Aula. Vai ter miso, natto, kimchi, fermento para pão feito com arroz. Confiram aqui:

http://www.wkcozinha.com.br/new/curso/aula-cozinha%20japonesa-fermentados-misso

E em Bento Gonçalves, nos dias 23 e 24 de julho,  acontece o Twittmix. Para conferir a programação, acesse aqui:

http://www.twittermix.net/?page_id=112

 

 

 

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Cozinha Sem Vergonha – Galinha de Cabo a Rabo

Graças à Neide Rigo e a Ana Soares, fui assistir ao workshop “Cozinha Sem Vergonha – Galinha de Cabo a Rabo”, no Paladar – Cozinha do Brasil, que aconteceu no Grand Hyatt.

As três falaram do fato que a galinha (frango,ovos), estão presentes nas nossas vidas, faz parte da nossa cultura. Até hoje é muito comum haver um galinheiro mesmo em pequenas propriedades rurais. “É comida no pé”- disse Ana. “A galinha morre mas que sua morte não seja em vão” – disse Neide, contra o disperdício. Os órgãos foram apresentados, para quem nunca viu uma galinha por dentro.

Nina Horta estava quase do meu lado e foi a homenageada. Nesta foto, até parece que está aprovando a ave, não?

Acompanhava melhor nas telas, distribuídas pelo auditório. E veio o caldo perfumoso, a canja voadora, feita com as asas, canjica e quiera, a gordura da galinha (da qual eu tenho um trauma de infância), o coranchim (sobre, sobrecu) confitado, servido com uma pimenta biquinho.

A crista, a coroa da galinha, veio sobre um curau adocicado, dentro de uma colher de palha de milho.

Confesso, foi a primeira vez que comi sangue de galinha. Sangue é um tabu em casa. Cozido e servido frio, como uma salada, ganhou o nome de “Sangue Frio”. Impossível negar que tem o sabor de algo altamente nutritivo.

Assim como o mocotó, o pé de galinha rende uma gelatina natural. O colágeno entrou em vários pratos. Neide explicou que toda a gordura poderia ser retirada, depois de fria, da superfície.

O pé de galinha rendeu. Não rendeu rugas, mas entrou nessa feijoada de cortar, feito um salame, sobre um ninho de couve frita, crocante.

E também deu consistência a esse manjar. Elas explicaram que o manjar antigamente era feito com peito de frango. Também virou uma bala com açúcar mascavo: “Bala Perdida”. O pé também rendeu uma moqueca, numa versão meio tailandesa. De fato, provando, lembrava um curry asiático, mais herbal que condimentado.

As peles foram secas e servidas como torresmo, fritinhas. Aí é até covardia, porque todo mundo adora um torresmo. Eu adorei a idéia da Mara, que se inspirou nas galinhas recheadas dos dias de festa. Fez trouxinhas com a pele do peito, recheadas com uma farofa de miúdos, bem rica. Resolveu o meu problema de comer um franguinho assado sem assar o frango inteiro.

Outro tabu em casa são as tripas de galinha. Secas, fritinhas, ficaram crocantes, um petisco. Ana Soares também disse que rendiam um tempura.

Das poucas vezes que abri uma galinha, lembro de ter limpo a moela. Dentro dela haviam pedrinhas, areia e o resto da última refeição. Elas puseram de volta o milho que eu tirei…

Quando a Ana disse que iria servir a chouriça no gogó sobre uma torradinha com alho negro e disse meu nome, automaticamente acenei. Bem, acho que devo ter feito uma cara meio de idiota, com tanta gente olhando para mim. Melhor ficar com a foto do prato.

A galinha rendeu muito. Rendeu macarrão, rendeu torrada com miolos e, segundo elas, renderam muito mais, só fico esperando o livro com as outras tantas receitas.

E era a galinha dos ovos de ouro. Se fosse frango, teríamos testículos…

No final, pude agradecer à Ana pelo convite e pelo belo prato que tinha criado com meu alhinho. Troquei umas palavras com a Nina Horta, que admiro desde que li “Não é Sopa”.

Por fim, os ovos “Natureza Horta”, eram cozidos, para levar para casa. Ovos são um ingrediente quase mágico, forma e conteúdo, com milhares de possibilidades. E pena que acabou…

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