Bala de Alga e Hibiscus

Conversar com LP sempre é inspirador. Depois de postas as novidades em dia, falamos de comida, sempre. O assunto de ontem foi gelatina de alga, texturas e quantidades. Por fim, veio a questão da bala de alga. Fui para a cozinha, para tentar fazer as tais balinhas com o que eu tinha em casa. A única coisa colorida e ácida disponível era o chá de hibiscus. Não ficou igual às balinhas japonesas, porque, pelo que sei, usam trehalose, um açúcar com menor poder adoçante e algumas outras propriedades. Mas está satisfatório.

350 gramas de açúcar cristal

350 ml de chá de hibiscus (coloque um punhado de hibiscus secos em uma caneca com água e deixe ferver em fogo baixo por uns 3 minutos)

8 gramas de gelatina de algas (kanten, agar-agar)

Misture a gelatina com o açúcar. Acrescente o chá, misture e leve ao fogo, mexendo eventualmente. Deixe ferver por 5 minutos, em fogo baixo. Despeje em uma forma ou molde e deixe esfriar antes de cortar.

Obs: É interessante que o chá seja ácido, porém se o PH for abaixo de 4, a gelatina de algas não solidifica.

Share This Post

Sorbet de Hibiscus

Sorbet de Hibiscus

Há muito tempo fiz geléia de hibiscus. Como faz calor, resolvi fazer um sorbet. Nada complicado. Bati no liquidificador um tanto de geléia com água, passei na peneira e coloquei na sorveteira. A máquina fez o resto. Os cristais ficaram pequenos, o sorbet ficou com uma textura macia. Pena que a foto ficou horrorosa.

Penso que poderia ser feito com chá de hibiscus ou com outra geléia. É algo para tentar. Para quem não tem uma sorveteira, a opção é congelar, passar no multiprocesador para triturar e repetir a operação mais uma ou duas vezes.

Share This Post

Pará Ume

Cresci ouvindo meu pai falar das dificuldades que a família passou quando chegou ao Brasil. Meu pai tinha seis anos e se lembrava com riqueza de detalhes, desde a viagem até o desembarque, em Santos. A primeira refeição foi pão com açúcar. No início, estranharam tudo. O feijão salgado, as frutas – como o mamão- e a vida dura nas plantações de café e algodão. Não sei quem trouxe sementes de arroz mochi. Alguém fez o primeiro pilão de madeira, queimando o buraco com uma brasa, chama controlada. Surgiram as primeiras plantações em alagados, brejos. O que não existia aqui, adaptaram.Uma das adaptações que considero geniais é o do “Pará umê”. Na verdade, é o fruto da vinagreira, um hibiscus. Pegaram esse fruto, naturalmente vermelho e ácido e fizeram uma conserva que lembra, vagamente, pelo menos no sabor. ao umeboshi. O umeboshi é uma fruta, que é salgada, colorida com folhas de shiso vermelho e conserva-se indefinitivamente. Recentemente encontraram em uma tumba, um pote dessa conserva. Apesar de ter séculos de idade e da aparência enegrecida, encontrava-se comestível. Apenas desidratada e, por isso, extremamente salgada e azeda.

Fazer o “Pará Ume” é muito simples. Mais simples que o umeboshi. Basta separar o cone (sem o miolo, como mostra a foto), salgar (de 10 a 15 % do peso), envasar e, se quiser, aromatizar com folhas de shiso em pó – comercializadas com o nome de “Yukari”. Aguarda-se alguns dias antes de consumi-lo. As “pétalas” ficarão macias e o sabor se alterará.

Assim como todos os tsukemonos, acompanha bem o arroz branco. Quanto a durabilidade, não tenho certeza. Até hoje não ouvi falar que uma conserva de “Pará Ume” estragou.

Share This Post