{"id":5007,"date":"2012-07-06T22:58:59","date_gmt":"2012-07-07T01:58:59","guid":{"rendered":"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/?p=5007"},"modified":"2012-07-06T22:58:59","modified_gmt":"2012-07-07T01:58:59","slug":"cinco-anos-milesimo-post","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marisaono.com\/delicia\/2012\/07\/06\/cinco-anos-milesimo-post\/","title":{"rendered":"Cinco Anos, Mil\u00e9simo Post"},"content":{"rendered":"<div class=\"translate_block\" style=\"display: none;\">\n<a class=\"translate_translate\" id=\"translate_button_post-5007\" lang=\"en\" xml:lang=\"en\" href=\"javascript:show_translate_popup('en', 'post', 5007);\">[Translate]<\/a><img src=\"https:\/\/marisaono.com\/delicia\/wp-content\/plugins\/google-ajax-translation\/transparent.gif\" id=\"translate_loading_post-5007\" class=\"translate_loading\" style=\"display: none;\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"\" \/>\n<hr class=\"translate_hr\" \/>\n<\/div>\n<div id=\"content_div-5007\">\n<p>Este \u00e9 o mil\u00e9simo post. Tudo come\u00e7ou ainda no blogspot, em 2 de julho de 2007. Ou seja, tamb\u00e9m estou comemorando 5 anos de &#8220;escrivinha\u00e7\u00e3o&#8221;. Isso tudo \u00e9 mais m\u00e9rito dos leitores que meu. Se eu continuasse com os 50 acessos di\u00e1rios por muito tempo, teria desistido. Ou, pelo menos, teria escrito bem menos. No m\u00eas passado foram 118 mil. Creio que estou escrevendo sobre algo que as pessoas querem ler.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma semana pensei em fazer uma receita especial para comemorar essa marca. Pensei melhor e, por conta de muito que ouvi nos \u00faltimos dias, resolvi apenas escrever. Alguns leitores acompanham um pouco do meu dia-a-dia no Facebook ou Twitter. L\u00e1 \u00e9 entretenimento, sem a obriga\u00e7\u00e3o de ser s\u00e9ria. A grande maioria dos meus leitores nunca me viu, pouco sabe a meu respeito.<\/p>\n<p>Comecei a cozinhar n\u00e3o por gosto, mas por necessidade. Em dado momento da minha vida vi-me diante da obriga\u00e7\u00e3o de realizar uma s\u00e9rie de tarefas dom\u00e9sticas. Meu pai estava muito doente, minha m\u00e3e trabalhava muito e, claro, n\u00e3o havia a menor condi\u00e7\u00e3o de ter uma empregada. Ali\u00e1s, nunca tivemos. Aos nove anos eu acordava, tomava o caf\u00e9, lavava o que havia restado da lou\u00e7a do jantar, limpava a casa e preparava o almo\u00e7o, antes de ir para a escola. Chegava da escola perto das 19 horas, jantava, lavava meu uniforme escolar e fazia as tarefas da escola. Hoje digo, com certa frequ\u00eancia, que muitas vezes \u00e9 preciso aprender a gostar do que faz. Nem sempre a gente consegue fazer o que gosta.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca eu cozinhava o que havia. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabia fazer muita coisa: arroz, feij\u00e3o, verdura refogada, algum cozido ou sopa e fritava um ovo ou lingui\u00e7a. Doces n\u00e3o faziam parte do meu repert\u00f3rio. Com\u00edamos batata-doce e chuchu que davam no quintal com muita frequ\u00eancia. Anos depois meu pai j\u00e1 n\u00e3o precisava consumir tantos medicamentos e come\u00e7ou a fazer pequenos trabalhos para a vizinhan\u00e7a: consertava rel\u00f3gios, ferros de passar roupa, era mec\u00e2nico e sabia lidar muito bem com m\u00e1quinas em geral. E a vida foi ficando um pouco mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de adulta, depois de come\u00e7ar a trabalhar \u00e9 que fui provar muita coisa e da\u00ed surgiu a curiosidade em cozinhar outras comidas, com outros ingredientes. E depois passei muitos anos no Jap\u00e3o, onde a facilidade para comprar, sobretudo alimentos, \u00e9 muito grande. Restaurantes, considerando-se o sal\u00e1rio padr\u00e3o de l\u00e1, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o caros. N\u00e3o sei bem quando percebi que queria provar um mundo inteiro. Mas percebi o valor da comida h\u00e1 muito tempo e sei bem quando foi.<\/p>\n<p>Quando tinha uns 10 anos, mor\u00e1vamos em uma pequena casa em Londrina. A vizinha trabalhava \u00e0 noite, chegava cedo, lavava roupa, cozinhava e ia dormir. Ela tinha um filho mais novo que eu e vivia com os pais, bem idosos e ambos, doentes. E, bem, creio que quase todo mundo que vivia naquele bairro n\u00e3o tinha uma vida muito boa. Um dia ela chamou-me e passou um prato com angu e molho de tomate por cima da cerca. N\u00e3o era um prato sofisticado, o molho era bem ralo e s\u00f3 tinha um pouco de cebola picada. Era um prato barato mas naquele momento vi o valor dele. Comida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 alimento. \u00c9 uma maneira de carinho, criamos v\u00ednculos emocionais. Todos n\u00f3s valorizamos muito algum prato ou ingrediente. Para meu pai, o pudim mata-fome era algo muito especial.<\/p>\n<p>Essas lembran\u00e7as vieram durante uma das aulas do Paladar &#8211; Cozinha do Brasil. Rodrigo Oliveira perguntou se sab\u00edamos a diferen\u00e7a entre custo e valor. Mais adiante, ele comentou: &#8220;N\u00e3o \u00e9 que sertanejo n\u00e3o goste de manteiga, ele usa quando tem. Ele usa queijo quando tem.&#8221;E eu diria o mesmo sobre o pobre. Como hoje em dia \u00e9 feio falar &#8220;pobre&#8221;, digamos ent\u00e3o &#8220;as classes menos privilegiadas&#8221;, embora eu n\u00e3o veja privil\u00e9gio nenhum nessa classe.<\/p>\n<p>E outro dia ouvi algum coment\u00e1rio sobre o aumento do consumo das classes C e D. O coment\u00e1rio n\u00e3o era dos mais simp\u00e1ticos. \u00c9 verdade que o aumento de alimentos processados aumentou muito nesse grupo, talvez estejam fazendo escolhas nutricionalmente erradas e outras coisas. Mas ainda prefiro acreditar que ter a liberdade para escolher \u00e9 melhor que ter o seu consumo condicionado a uma renda miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m espero que a comida siga assim, livre, que os &#8220;comeres&#8221; n\u00e3o sejam considerados certos ou errados, um prato, um ingrediente, um restaurante ou padaria pode ser bom ou ruim, gostoso ou n\u00e3o. Hoje damos muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 comida brasileira, sertaneja, amaz\u00f4nica e acho \u00f3timo. Mas n\u00e3o me sinto culpada por gostar de ir a uma cantina que serve por\u00e7\u00f5es gigantescas. Pastel de feira tem o seu valor. Os ovos que minha vizinha costuma me dar s\u00e3o valiosos. Continuarei escrevendo, na cren\u00e7a de que alguma receita seja valiosa para algu\u00e9m. Sugeriram que eu completasse cada post com o custo dos ingredientes. N\u00e3o vou fazer isso. Porque a refei\u00e7\u00e3o dividida com familiares ou amigos vai al\u00e9m disso.<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.freetellafriend.com\/tell\/?url=https%3A%2F%2Fmarisaono.com%2Fdelicia%2F2012%2F07%2F06%2Fcinco-anos-milesimo-post%2F&title=Cinco+Anos%2C+Mil%C3%A9simo+Post\" onclick=\"window.open('https:\/\/www.freetellafriend.com\/tell\/?url=https%3A%2F%2Fmarisaono.com%2Fdelicia%2F2012%2F07%2F06%2Fcinco-anos-milesimo-post%2F&title=Cinco+Anos%2C+Mil%C3%A9simo+Post', 'freetellafriend', 'scrollbars=1,menubar=0,width=617,height=530,resizable=1,toolbar=0,location=0,status=0,screenX=210,screenY=100,left=210,top=100'); return false;\" target=\"_blank\" title=\"Share This Post\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/wp-content\/plugins\/tell-a-friend\/button.gif\" style=\"width:127px;height:16px;border:0px;\" alt=\"Share This Post\" title=\"Share This Post\" \/><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Translate] Este \u00e9 o mil\u00e9simo post. 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