{"id":9689,"date":"2017-10-31T17:43:52","date_gmt":"2017-10-31T19:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/?p=9689"},"modified":"2017-10-31T17:43:52","modified_gmt":"2017-10-31T19:43:52","slug":"a-cozinha-nipo-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marisaono.com\/delicia\/2017\/10\/31\/a-cozinha-nipo-brasileira\/","title":{"rendered":"A Cozinha Nipo-Brasileira"},"content":{"rendered":"<div class=\"translate_block\" style=\"display: none;\">\n<a class=\"translate_translate\" id=\"translate_button_post-9689\" lang=\"en\" xml:lang=\"en\" href=\"javascript:show_translate_popup('en', 'post', 9689);\">[Translate]<\/a><img src=\"https:\/\/marisaono.com\/delicia\/wp-content\/plugins\/google-ajax-translation\/transparent.gif\" id=\"translate_loading_post-9689\" class=\"translate_loading\" style=\"display: none;\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"\" \/>\n<hr class=\"translate_hr\" \/>\n<\/div>\n<div id=\"content_div-9689\">\n<p>Ah, essa cozinha t\u00e3o conhecida e, ao mesmo tempo, t\u00e3o desconhecida&#8230;<\/p>\n<p>Conhecida por quase todos os descendentes de japoneses. Mas, ao mesmo tempo, desconhecida, porque a gente acaba confundindo tudo e muitos pensam que umas coisas s\u00e3o japonesas quando n\u00e3o s\u00e3o. Afinal, crescemos comendo isto que nem pensamos se \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o ou inven\u00e7\u00e3o daqui.<\/p>\n<p>No ano que vem ser\u00e3o 110 anos de imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil. Muita gente que veio nos primeiros navios, nunca mais voltou para l\u00e1, assim como seus descendentes. A guerra distanciou mais, a comunica\u00e7\u00e3o era escassa, alguma coisa se ouvia no r\u00e1dio. Nos anos 70, quem tinha dinheiro, comprava umas revistas importadas. Ainda hoje s\u00e3o caras. Nos anos 80, pudemos assistir alguma coisa no video-cassete, sempre com atraso, as fitas viajavam de avi\u00e3o. Agora temos internet, tv paga, que maravilha. Mas o que quero dizer \u00e9 que esses longos anos de isolamento, acabaram influenciando o que comemos.<\/p>\n<p>A receita de <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/2008\/06\/18\/kare\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">kar\u00ea (curry \u00e0 moda japonesa<\/a>) da minha m\u00e3e \u00e9 algo que os japoneses comiam no in\u00edcio do s\u00e9culo passado. Nos anos 60 a receita mudou muito, ganhou um molho de carne encorpado, deixou de ser amarela e ficou marrom. Algumas coisas t\u00eam at\u00e9 nome trocado, como o <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/?s=imagawayaki\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">imagawayaki <\/a>de l\u00e1 que aqui \u00e9 chamado de <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/2012\/05\/09\/kintsuba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">kintsuba.<\/a><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que \u00e9 nipo-brasileiro?<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/2007\/08\/06\/para-ume\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hana-ume<\/a> \u00e9. Essa conserva se parece tanto com o umeboshi que agrada at\u00e9 mesmo os japoneses.<\/p>\n<p>O arroz \u00e9 sempre branco, sem tempero (goham) mas a gente gosta de misturar as coisas e come com feij\u00e3o, com bife \u00e0 milanesa, com lingui\u00e7a.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, amamos uma fritura. Festa no interior (e at\u00e9 na cidade) sempre tinha coxinha, pastel, croquete. Ali\u00e1s, festa de casamento no interior \u00e9 um assunto \u00e0 parte. Me lembro de mesas compridas, cheias de comida. O crit\u00e9rio era: o que todo mundo gosta. Ent\u00e3o tinha frango ou pernil assado, pastel, coxinha, sushi, torta ou empad\u00e3o, doces como <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/2007\/08\/08\/yokan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">yokan<\/a> e <a href=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/2008\/07\/06\/yakimanju\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">manju,<\/a>\u00a0dividindo o espa\u00e7o com beijinho de coco e, claro, o bolo.<\/p>\n<p>A gente tamb\u00e9m gosta de usar shoyu (molho de soja) em quase tudo: na salada de repolho ou acelga, no bife na chapa, no peixe cru ou grelhado, nos vegetais refogados, sobre fatias de abacate, no ovo frito e, segundo o Paulo Machado, at\u00e9 na mandioca cozida.<\/p>\n<p>O wasabi era desconhecido. N\u00e3o entrava por aqui e muitos imigrantes vieram de regi\u00f5es onde ele n\u00e3o era produzido. Ent\u00e3o a gente usava gengibre mesmo, fresco, ralado, para misturar ao shoyu e comer o sashimi, muitas vezes feito com peixe de rio.<\/p>\n<p>Dashi (caldo \u00e0 base de alga e bonito seco) tamb\u00e9m n\u00e3o tinha. Quando aparecia um dos ingredientes, era considerado ouro, guardado para a festa do final de ano. O que se usava mesmo era \u00e1gua, eventualmente caldo de frango e o glutamato, presente em quase todas as casas.<\/p>\n<p>Vinagre de arroz tamb\u00e9m n\u00e3o tinha. O arroz do sushi era temperado com \u00e1cido ac\u00e9tico dilu\u00eddo, porque n\u00e3o tem cheiro de vinho, nem de ma\u00e7\u00e3, s\u00f3 de \u00e1cido mesmo, al\u00e9m de ser incolor.<\/p>\n<p>Tentamos fazer conserva de tudo. Algumas deram certo, como o tsukemono de chuchu. E n\u00e3o \u00e9 que existe uma conserva id\u00eantica, l\u00e1 em Nagano? E agora? Bem, meu pais nunca pisaram em Nagano, \u00e9 poss\u00edvel que meus parentes nunca tenham visto um chuchu por l\u00e1, inventaram e acabaram acertando na mira, mesmo dando um tiro cego.<\/p>\n<p>Outro docinho que eu comia que vai por esse caminho \u00e9 a panqueca (tipo crepe) recheada com pasta de feij\u00e3o (anko). L\u00e1 tamb\u00e9m tem. A gente enrolava e comia, por l\u00e1 dobram mas a diferen\u00e7a \u00e9 m\u00ednima.<\/p>\n<p>E na \u00faltima quinta fiz um kar\u00ea (curry) com mandioca. O kar\u00ea que minha m\u00e3e fazia era diferente do que se come l\u00e1 no Jap\u00e3o. Era amarelo, molho ralo. L\u00e1 \u00e9 denso, escuro, enriquecido com um molho de carne rico. De vez em quando sa\u00eda um com mandioca no lugar da batata, o molho ficava cremoso. Depois vi em uns restaurantes populares (daqueles por quilo). N\u00e3o tor\u00e7a o nariz, \u00e9 reconfortante, arom\u00e1tico e saboroso. Vai sair na revista Prazeres da Mesa.<\/p>\n<p>Provavelmente voltarei a falar da comida nipo-brasileira em breve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.freetellafriend.com\/tell\/?url=https%3A%2F%2Fmarisaono.com%2Fdelicia%2F2017%2F10%2F31%2Fa-cozinha-nipo-brasileira%2F&title=A+Cozinha+Nipo-Brasileira\" onclick=\"window.open('https:\/\/www.freetellafriend.com\/tell\/?url=https%3A%2F%2Fmarisaono.com%2Fdelicia%2F2017%2F10%2F31%2Fa-cozinha-nipo-brasileira%2F&title=A+Cozinha+Nipo-Brasileira', 'freetellafriend', 'scrollbars=1,menubar=0,width=617,height=530,resizable=1,toolbar=0,location=0,status=0,screenX=210,screenY=100,left=210,top=100'); return false;\" target=\"_blank\" title=\"Share This Post\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marisaono.com\/delicia\/wp-content\/plugins\/tell-a-friend\/button.gif\" style=\"width:127px;height:16px;border:0px;\" alt=\"Share This Post\" title=\"Share This Post\" \/><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Translate] Ah, essa cozinha t\u00e3o conhecida e, ao mesmo tempo, t\u00e3o desconhecida&#8230; Conhecida por quase todos os descendentes de japoneses. 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