Pará Ume

Cresci ouvindo meu pai falar das dificuldades que a família passou quando chegou ao Brasil. Meu pai tinha seis anos e se lembrava com riqueza de detalhes, desde a viagem até o desembarque, em Santos. A primeira refeição foi pão com açúcar. No início, estranharam tudo. O feijão salgado, as frutas – como o mamão- e a vida dura nas plantações de café e algodão. Não sei quem trouxe sementes de arroz mochi. Alguém fez o primeiro pilão de madeira, queimando o buraco com uma brasa, chama controlada. Surgiram as primeiras plantações em alagados, brejos. O que não existia aqui, adaptaram.Uma das adaptações que considero geniais é o do “Pará umê”. Na verdade, é o fruto da vinagreira, um hibiscus. Pegaram esse fruto, naturalmente vermelho e ácido e fizeram uma conserva que lembra, vagamente, pelo menos no sabor. ao umeboshi. O umeboshi é uma fruta, que é salgada, colorida com folhas de shiso vermelho e conserva-se indefinitivamente. Recentemente encontraram em uma tumba, um pote dessa conserva. Apesar de ter séculos de idade e da aparência enegrecida, encontrava-se comestível. Apenas desidratada e, por isso, extremamente salgada e azeda.

Fazer o “Pará Ume” é muito simples. Mais simples que o umeboshi. Basta separar o cone (sem o miolo, como mostra a foto), salgar (de 10 a 15 % do peso), envasar e, se quiser, aromatizar com folhas de shiso em pó – comercializadas com o nome de “Yukari”. Aguarda-se alguns dias antes de consumi-lo. As “pétalas” ficarão macias e o sabor se alterará.

Assim como todos os tsukemonos, acompanha bem o arroz branco. Quanto a durabilidade, não tenho certeza. Até hoje não ouvi falar que uma conserva de “Pará Ume” estragou.

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17 comentários em “Pará Ume”

  1. Marisa, não cheguei a fazer sua receita de umê, mas com certeza tentare, gostaria de saber se o molho de tonkatsu que aparece na foto foi você que fez?
    Poderia um dia postar no seu blog?

    Um grande abraço, Regina

  2. O molho tonkatsu eu mesma fiz e estou vendo a durabilidade dele. Passei para alguns amigos testarem, da próxima vez fareia alterações. No entanto,não posso publica-la. Vou passa-la para um restaurante.
    No entanto, se quiser fazer um molho que acompanha bem o tonkatsu, sem muito trabalho, é só misturar ketchup, mostarda, molho inglês, shoyu e sake, caso fique muito denso. As medidas eu não tenho, principalmente porque de marca para marca varia muito a quantidade de sal e acidez.

  3. Marisa, será que você consegue divulgar no blog que estou procurando sementes ou mudas dessa belezinha? Estou morrendo na vontade de comer geléia de pará-umê, mas não acho nem geléia nem as florezinhas in natura para vender 🙁

    Você conhece algum lugar que venda ou que possa fornecer? Sou de São Paulo mesmo.

    Obrigada e um beijo 😀

  4. Marisa, cheguei ao seu blog, procurando sobre ume,a florzinha vermelha que sempre via no sacolao em frente de casa e nao sabia o que era,nem como fazer.Me ensinaram a tirar a semente e refogar a folha,normalmente; e que é bom p/a acompanhar carnes.Pode-se tb fazer geléia…mas isso nao me ensinaram. Fui procurar também as propriedades nutritivas da planta,pra que seria bom…..nao encontrei nada.
    Aí, vi no seu blog a Kelly procurando ume. Comprei hoje no sacolao da Vila Sonia…é onde sempre vejo….e nesta época do ano….nao sei se é começo ou fim da época.Poderia me dizer como se faz, e as propriedades da planta ?Ou me indicar onde procurar….Obrigada.Abraço.

  5. Mayra, não sou nutricionista para afirmar sobre propriedades da vinagreira, hibiscus, para-ume, hana-ume. Há muito material sobre essa planta, é muito utilizada tanto no México como no Oriente Médio, sob forma de infusão, refrescos. Agora já é fim da temporada, o pé aqui em casa está com os últimos botões.

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