Não conhecem o filme? É de 1973, não sei quantas vezes assisti na tv. Aliás, cresci, entrei a adolescência e idade adulta assistindo a filmes apocalípticos. Em alguns pintavam o fim do mundo destruído por uma hecatombe nuclear. Noutros, um mundo árido. Nesse, no ano de 2022, Nova Iorque terá 40 milhões de pessoas se espremendo. A grande maioria ganhava umas barras ou biscoitos chamados “Soylent Green”. Comida fresca, mesmo, só para os ricos.
Lembrei desse filme quando assistia a apresentação do André Mifano no Mesa Tendências e do Magnus Nilsson. Um acredita que o mundo vai acabar em breve. Pintou um panorama sem energia elétrica e sem muita comida. Outro apontou dados sobre o aumento do consumo de carne bovina e a produção de grãos. Comparando com a quantidade de energia necessária para produzir outros alimentos, consumir carne bovina seria uma insensatez.
Não creio que a solução seja parar imediatamente de consumir carne bovina. A curto prazo isso causaria uma explosão populacional. Em seguida, a médio prazo, talvez a extinção das vacas. São animais que hoje não teriam mais condições de sobreviver por conta própria. Aliás, a maioria dos animais domesticados dependem demais de nós, exceto, talvez, os gatos.
Sim, seria mais sensato consumir mais animais de pequeno porte. A conversão de alimento em proteína é mais eficiente e a área exigida é bem menor. Por outro lado, vemos que animais que não comemos ou não tem algum valor para nós (nem que seja sentimental, como os cães e gatos) correm o risco de extinção. O caminho mais seguro para preservar uma espécie é… comendo-a. Daí a criação de queixadas, jacarés e outros animais que já foram consumidos como caça. Sim, de certa forma, somos egoístas e cruéis. Mas a morte acontece. Dez minutos assistindo a qualquer programa sobre a vida selvagem basta para vermos que a morte vem para o bebê gnu como para o velho elefante. A morte acontece também para o peixe, para a ostra, para a alface.
Mas minha cabeça começou a viajar em opções mais bizarras, como a carne feita de excrementos (isso mesmo, fezes) humanos
E na “reciclagem” humana proposta no filme. Sim, soylent green é feito de gente, mesmo.
Não, não creio que as duas opções sejam adotadas. O tabu contra excrementos é forte e comer gente implica entra em choque com uma série de princípios morais. Até mesmo usar cadáveres para qualquer fim que não seja pesquisa científica não é aceitável na nossa sociedade.
Só pensei nisso por conta de toda discussão sobre desperdício de recursos. Se formos a extremos, ou iremos viver de vento e sol ou iremos transformar os cadáveres em adubo.
E vale lembrar que não importa o que façamos, o planeta irá sobreviver. Já passou por diversas transformações, algumas bem mais dramáticas que outras, como as eras glaciais. E a vida sempre voltou. Até o nosso sol queimar seu combustível, temos alguns bilhões de anos. Quem corre risco mesmo de acabar é a raça humana, mesmo.

Cada dia é uma novidade e tudo no exagero ando cansada destas matérias todo s falam, mas naõ apresentam soluções.e quando apresentam são coisas sem sentidos e estapafúrdias,temos problemas sim mais desde que mundo existe com humanos.Nós temos coisas seríssimas aqui com agrotóxicos proibido no mundo e usado a vontade aqui são coisas mais imedia tica pra se resolver.Ma fiz o bolo medida dobrada ficou uma delicia bjs.
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Pois é, Diulza. Vejo umas soluções como um cobertor curto. Se a gente cobre a cabeça, fica com os pés de fora e vice-versa. Não existe uma solução simples que resolva tudo, seja na questão de produção de energia, alimento ou uso da água. Se fôssemos tão racionais, nossos mortos seriam reciclados como adubo, por exemplo, mas isso é éticamente inaceitável. O grande problema mesmo é que a população mundial é enorme, mas como voltar a termos menos de 4 bilhões de pessoas no planeta? Quem decide onde vai ter menos gente vivendo?
Esse bolo é um sucesso, todo mundo que gosta de chocolate ama, não?
Beijo.
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Marisa, o que acho mesmo é que trata-se tudo de um grande catastrofismo. Como disse a Diulza, os problemas existem desde o mundo existe.
Tem gente que ganha a vida escrevendo livros e dando palestras pregando o apocalipse. Tanto nas religiões quanto no mundo “científico”. É um ramo, pode ter certeza, muito lucrativo e com freguesia cativa.
É muito difícil admitir que nosso bisavós morriam de doenças pras quais hoje simplesmente se compra um remédio na farmácia. E que pra comer um bife você não precisa montar num cavalo e ir catar o boi lá no meio do pasto.
Fato é que comida – e especificamente proteína – nunca foi tão abundante e barata, e as pessoas nunca viveram tanto e com tanta saúde (sim, há exceções, eu sei).
O próprio aquecimento global, indo mais além na questão catastrofista, não é um consenso. Há cientistas muito sérios que discordam desta tese. E até apontam, ao contrário, que o mundo está esfriando.
Enfim, botando o pé no chão e a cabeça no lugar, o mundo tem e deve ter lugar pra todo tipo de produção – orgânica e não orgânica – e pra todo tipo de comida – vegetariana ou não.
Ideologia não enche barriga. Quem não quer comer carne, não coma. Quem não quer andar de carro, não ande.
Sou intolerante com a intolerância.
Não tenho paciência com ecochatos e ecoterroristas. E candidatos a ditadores da alimentação, como vemos por aí.
Parabéns pelo seu blog. Sou fã. E pelas receitas e reflexões que você sempre trás.
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Pois é, Silvio. Enquanto tantos falam que vivemos no pior dos mundo, eu vejo de outra forma. Nunca tivemos tanta gente vivendo no planeta. E nem vivendo tanto. Claro que ainda existe miséria, claro que não é todo mundo que chega aos 90 anos mas, se formos pesquisar um pouco, veremos que houve época em que a média de vida de um homem ficava em torno dos 30 anos.
Concordo que tanta fartura em certas partes do planeta está causando o desperdício. É preciso ficar atento a isso. Para os tantos problemas que temos, não existe fórmula ou solução única, como mágica. A questão da preservação do meio-ambiente é bem mais complexa. Por exemplo, as carvoarias clandestinas. Crianças trabalham nelas em regime de escravidão. Podem encerrar com isso, mas não vai resolver a questão de que essas crianças não têm lar, nem escola, nem hospital, nada. Vão sair das carvoarias mas continuarão à margem da sociedade, totalmente sem opção.
Também tenho lá minhas ressalvas quanto ao aquecimento global. O planeta passou por mudanças climáticas mais drásticas que esta. Aliás, há uns 30 anos ouço falar de que estamos na eminência de outra era glacial. E isso sim, vai mudar muita coisa. Mas o que o pessoal morre de medo mesmo é da mudança geopolítica.
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