Cozinha do Desespero

Criei uma categoria nova chamada “Cozinha do Desespero“.

Houve uma época da minha vida em que eu trabalhei mais do que o hoje. Na verdade, passava 14 horas no trabalho, pelo menos 1 hora e meia no trânsito e acabava tendo apenas 8 ou 9 horas por dia para tomar banho, cozinhar, comer e dormir.

A cada dia procurava ganhar alguns minutos de descanso. Para não sobreviver de comida congelada, liofilizada, desidratada ou pronta, o jeito foi procurar maneiras de cozinhar mais rápido. Não tenho nada contra comida industrializada mas, depois de um tempo, tudo enjoa.

Eu costumava deixar fundos de torta assados, no congelador. Chegando em casa, bastava bater uns ovos com um pouco de creme, juntar aspargos, cogumelos, vegetais variados e levar ao forno. Quando saía do banho, o jantar estava quase pronto.

Os refogados de vegetais e carne, de inspiração chinesa, eram campeões.  Depois comprei a Shuttle Chef, uma panela térmica que mantem a comida aquecida, cozinhando lentamente, por horas. Aí passei a ter sopas, feijão, ervilhas e carnes cozidos, quando chegava do trabalho.

Na categoria “Cozinha do Desespero” vão esses pratos, que ficam prontos em menos de meia hora e que exigem poucos ingredientes. Ainda não examinei todos os posts, mas ela já conta com 11 receitas.

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Sopa de Ervilhas

Sopa de Ervilhas

Gosto de sopa de ervilhas secas, apesar de sempre lembrar do filme “O Exorcista” quando a preparo. A aparência pode ser um pouco estranha, o verde não é exatamente a cor mais apetitosa do planeta. Fora isso, é uma sopa cremosa, saborosa, fácil e satisfaz. Entra na categoria “Cozinha do Desespero”, porque só leva 3 ingredientes e fica pronto em vinte minutos, na panela de pressão.

250 gramas de ervilha seca, partida

Bacon picado

1/2 cebola picada.

Deixe a ervilha de molho por algumas horas ou de uma noite para outra. Escorra.

Frite o bacon. Não dei quantidade porque sempre uso o que tem. Se tem pouco, pico em pedaços pequenos. Se tem um bom pedaço e, principalmente, se ele for magro, corto em cubos maiores.

Refogue a cebola na gordura do bacon. Se tiver gordura demais, retire o excesso antes.

Junte as ervilhas, água e tampe a panela. O tempo varia um pouco, mas dessa vez, contei 20 minutos.

Verifique o sal.

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Lei Anti-Fumo

O fumo é uma droga que causa dependência e que  pode levar a danos à saúde. Mas, assim como o álcool, o fumo é uma droga lícita, livremente comercializada. Por isso, estou espantada com a lei anti-fumo, que proíbe o tabaco em qualquer lugar que tenha ao menos um toldo ou uma divisória, eliminando até mesmo a possibilidade de existir uma sala de fumantes – ou fumódromo, como preferirem – dentro de estabelecimentos comerciais, repartições públicas e hotéis.

Além do direito do fumante, garantido pela Constituição, acho um exagero essa lei. Existem tecnologias que garantem ambientes livres de fumaça. Se a empresa ou dono do estabelecimento investir em filtros, exaustores, cortinas de ar e em uma arquitetura eficiente, não vejo motivo para tal lei. A cadeia de cafeterias Doutor Coffee do Japão há anos aplica isso. O mesmo acontece em edifícios como o Mitsubishi, no distrito de Chiyoda, Tokyo, entre outros.

Concordo que comida e fumaça não combinam. No entanto, assim como a comida, o cigarro e o álcool são prazeres lícitos. E os três têm sido acusados de provocar doenças. Defendo o direito de fumar assim como defendo o direito de beber e de comer. Fico pensando se um dia criarão uma lei limitando as calorias de um prato em um restaurante ou proibindo o uso de gorduras animais. Ou se farão um cadastramento de obesos, que entrarão em uma lista negra e que não poderão receber comida à domicílio. Talvez até proíbam blogues, programas de tv e livros culinários, por incitarem à comer…

Sem justificar, apenas para matar a curiosidade de quem me lê: sou fumante, há alguns anos parei de beber e fui obesa.

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Luiz Paulo

Adicionei meu amigo Luiz Paulo como autor do blog. Ele gostaria de experimentar o formato e, com certeza, tem muito a contar.

Então, é só esperar que ele escreva e colabore comigo!

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Sweet Snap

Conheci essa ervilha no Japão, sob o nome de “sunapu. Lembro-me até onde foi: em uma pequena mercearia, próxima ao meu apartamento, na província de Chiba. A senhora explicou-me que, ao contrário das ervilhas comuns, esse tipo tinha a vagem também comestível.  São muito doces e ficam ótimas cozidas rapidamente, em saladas ou refogados.

Aos agricultores do Brasil: a sweet snap, sunapu endo dá bem em regiões de clima moderado, por aqui. Pode ser que o rendimento não seja lá aquelas coisas, mas talvez valha a pena cultivar.

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Aspargos

Aspargos são deliciosos e delicados. No entanto, exigem solo fértil ou muito bem adubado. A cova deverá ser funda e receber uma quantidade considerável de esterco curtido antes do plantio. No primeiro ano não se colhe os brotos. A planta irá desenvolver a raiz e ganhar vigor, com uma cobertura de palha e folhas secas para protegê-la.

Por enquanto, não passam de pequenos arbustos, que servem de área de descanso das gatas…

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Boa noite, Mary Ellen.

Quem se lembra da Família Walton? Os episódios terminavam com os membros da família desejando boa-noite. Não cresci na zona rural, não tive uma família grande e não convivi com meus avós. Mas o que sempre me impressionava era como o filho mais velho, John Boy, era bom com as palavras.

Eu tenho dificuldade em escrever os votos de bom-ano em um cartão. Não encontro palavras para parabenizar ninguém. E se o caso é de pesar, o máximo que posso oferecer é meu abraço. Claro que desejo o melhor para as pessoas que amo e lamento muito quando algo terrível acontece. Gosto quando chegam notícias boas. Quando chegam notícias tristes, lamento não estar próximo e gostaria de fazer algo. Mas quanto às palavras, não encontro as mais precisas e preciosas para expressar o que sinto.

Depois de ler o comentário da Malu, ensaiei para escrever algo para todas as pessoas que amo.

Espero que todos meus amigos entendam que existem pessoas que são boas com as palavras e outras não. Que o simples “está tudo bem?” que pergunto significa muito mais que uma frase educada. Significa que gostaria de estar perto, que realmente espero que tudo esteja bem e que sinto saudades. Que quando envio pelo correio um pacote de doce, um mimo, uma pomada, qualquer coisa, é porque gostaria de estar mandando dentro do pacote todo meu afeto. E que até no meu silêncio, pode haver um mundo de perguntas…

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Udon

Fazer essa massa fresca sem ovos é uma arte. Apesar de só ir farinha, água e sal, é muito difícil obter uma massa de qualidade em casa. Publico a receita só a título de curiosidade. Muitas coisas podem dar errado.

Uma das dificuldades é obter uma farinha de qualidade. No Japão existem farinhas próprias para udon, com o teor certo de proteína. As farinhas brasileiras normalmente apresentam 10% de proteína. Isso significa que a massa, depois de cozida, não tem a mesma textura que a japonesa. Em algumas das vezes que tentei, a massa ficou molenga. Também tem o fator sabor. Pode parecer estranho, mas existem farinhas com sabor agradável e outras, não. Eu encontrei algumas com um aroma um tanto quanto rançoso. E, por fim,  a qualidade da farinha, a espessura da moagem, etc, também influenciam na absorção de água, desenvolvimento de gluten, textura e sabor.

Outro item é a água. Normalmente usa-se água mineral levemente alcalina, que provoca uma gelatinização do amido. Cada profissional tem sua fonte favorita e muitos fazem segredo dela. Ainda não sei o pH ideal. Alguns autores afirmam que é próximo de 8.

Por fim, o método empregado para sovar a massa, a temperatura ambiente e o tempo de descanso influem muito no resultado final. Alguns recomendam 3 horas de descanso, outros deixam por 24 horas ou mais (em temperatura controlada).

Não quero desanimar ninguém, mas de cerca de 10 tentativas, só obtive um bom resultado em uma. Um resultado razoável em duas. E o resto foi algo próximo a um desastre.

Farinha de trigo

Água mineral alcalina

Sal (cerca de 16 gramas por quilo ou mais; o sal ajuda na formação do gluten)

Faça um monte com a farinha e o sal. No centro, faça uma cova e adicione um pouco da água. Misture e esfregue a farinha com as mãos. Vão se formar filamentos elásticos, como na foto acima.

Adicione mais água e misture. A massa deverá ser firme.

Coloque a massa em um saco plástico para alimentos, espesso e grande o suficiente para caber com bastante folga. Feche a boca. Agora vem a parte engraçada. Pise a massa com os calcanhares, por 10 minutos. De tantos em tantos tempos será necessário abrir o saco, enrolar a massa e voltar a fecha-la no saco. Bem, meu avô não usava sacos plásticos. Mas reconheço que é bem mais fácil sovar a massa usando o peso do corpo todo do que a força dos punhos.

Usando os calcanhares ou punhos, o importante é que a massa fique bem lisa, sedosa e firme como “o lóbulo da orelha” – termo usado por muitos cozinheiros. Forme uma bola e deixe descansar, coberto. O tempo? Bem, eu descansei por 2 a 3 horas.

Feito isso, é só abrir e cortar em fatias. Confesso que, na falta de um rolo próprio para udon (longo e fino) e por achar mais prático, apelo para o cilindro de macarrão.

Sempre cozinhei a massa imediatamente. No entanto, sei que restaurantes preparam uma grande quantidade de massa pela manhã e a usam durante o dia, arrumadas em meadas, em caixas de madeira, que são empilhadas umas sobre as outras. Nunca tentei deixar por algum tempo.

Só para constar, também fiz a massa em uma máquina de fazer pão. O resultado não foi tão ruim, apesar da máquina aquecer a massa.

O caldo que acompanha o udon é o Kake-jiru.

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Mistura para Bolo

Não é uma receita nova, nem é uma idéia original. Aliás, as prateleiras dos supermercados estão cheias delas.
No entanto, é algo que se pode ter em casa, na geladeira, em um pote fechado ou no congelador. Lembrei disso folheando meu caderno de receitas, que tem me acompanhado desde 1987.

6 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de fécula de batata
4 xícaras de açúcar
3 colheres de sopa de fermento em pó
1 1/2 xícara de manteiga ou margarina (de alto teor de gordura, light não serve)

Misture todos os ingredientes, até formar uma farofa fina. Guarde em um pote fechado na geladeira por algumas semanas ou no congelador.

Para uma assadeira 20×30 cm, usei 4 1/2 xícaras de farinha, 3 ovos e 1 1/3 xícara de leite. Basta bater tudo em uma batedeira ou à mão, até a massa ficar lisa.
Para um bolo de chocolate, por exemplo, basta adicionar algumas colheres de chocolate em pó dissolvido em água quente e aumentar um pouco a quantidade de leite.

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Pará Ume

Pé de Vinagreira

Ou vinagreira. Tenho visto na feira e lojas de produtos orientais, de uns tempos para cá. A produção doméstica é pequena. Mas fica o registro da imagem do pé e dos frutos.

Os descendentes de japoneses no Brasil fazem uma conserva tão ácida quanto o ume (que é um parente do damasco), que alguns chamam de Hana Ume ou Pará Ume.

Já outros povos secam as cápsulas e fazem um chá, que tem uma cor linda. É comercializado com hibiscus seco ou chá de hibiscus. Com esse chá fiz balinhas de gelatina de alga (quase uma jujuba), de uma cor intensa.

E, pelo que li, há quem use as folhas dessa planta como tempero, substituindo o vinagre.

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