Shishito e Shikaku Ingen

Shishito

Lembram-se que comprei sementes de shishito da Sakama? Bem, dona Margareth plantou alguns pés e estão dando, muito bem, apesar da chuva toda que tem caído. Para quem não conhece, é uma pimenta doce, que pode ser comida inteirinha, exceto o cabinho, com sementes e tudo. Ela é ótima em tempuras, frita no óleo por alguns segundos (a cor fica linda!) ou sobre a grelha. Cozinha muito rapidamente, porque a carne dela é fina e o tamanho, pequeno. Digo que é uma pimenta doce, mas não é bem verdade. Uma entre dez é picante. E eu, com a minha sorte, sempre pego algumas ardidas. Ou talvez eu coma muitas delas, aumentando a possibilidade de comer uma picante?

Shikaku ingen

Outra curiosidade que tenho para mostrar é essa vagem. Ganhamos como “vagem de Okinawa”. Há pouco tempo, assistindo a NHK, fiquei sabendo que se chama “shikaku ingen”, ou seja, vagem quadrada. A mãe não gostou muito dela, mas foi por causa da aparência: lembra uma lagartinha verde. Fechando os olhos para as imitações de perninhas, essa vagem é macia, levemente adocicada e não tem cheiro ruim, não. Comemos cozidas rapidamente e depois temperadas, como uma saladinha. Quem quiser comprar, vá à feira de domingo no centro de Ibiuna e procure a banca do Ono-san (que não é parente). O casal fica pertinho da agência do Correio. A mãe deu algumas sementes, plantaram e estão vendendo na banca deles. Também estão com uns nigauri (goya, pepino amargo, melão-de-são-caetano) enormes.

Shikaku ingen-flor

Além de dar até que bem neste clima, a flor dela é azul!

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Bolo de Cerejas

Bolo de cerejas

É, eu sei que frutas exóticas significam que muito combustível foi gasto com o transporte, etc e tal. Mas não resisti às cerejas. Encontrei-as no mercado municipal de Cotia, bem escuras, como as americanas que eu comprava no Japão. Comi muitas e com um punhado fiz um bolo de cerejas que costumava fazer no meu apartamento em Hatsuoi-cho. Para os leitores do Japão, as cerejas estarão disponíveis no fim da primavera, daqui uns meses. Se encontrarem cerejas em lata (não as cristalizadas, mas a fruta, mesmo, em calda rala), podem usar.

Dark Cherry Cake

150 gramas de farinha de trigo

2 colheres de chá de fermento em pó

90 gramas de manteiga

2 ovos

70 gramas de açúcar

100 gramas de creme de leite azedo (ou azedo creme de leite fresco com limão; agora penso que talvez funcione até mesmo com requeijão)

Raspas de limão

50 ml de leite

Um bom punhado de cerejas, frescas ou em calda, sem sementes

Licor de cerejas, se gostar

Misture a farinha com o fermento. Reserve

Bata a manteiga com os ovos e o açúcar, até ficar claro. Junte o creme de leite azedo e bata mais um pouco. Junte as raspas de limão.

Misture a farinha ao creme e adicione o leite. A massa será um pouco firme.

Despeje em uma forma baixa, untada. Espalhe as cerejas por cima. Elas afundam umpouco, não se preocupe.

Leve ao forno médio até corar. As cerejas cozinharão e a massa ficará tingida de vermelho muito escuro, quase roxo.

Sirva morno ou frio.

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Presentes que Ganhei

presentes da diulza

Como todo mundo, gosto de ganhar presentes, claro!

Hoje recebi pelo correio um pacote contendo várias sementes: couve-rábano, couve-flor roxa, couve-de-bruxelas, tomates amarelos, melancia compridona tipo Santa Bárbara e um almeirão de raiz, que não conheço. Isso tudo vai para a horta de dona Margareth. Também ganhei umas mudas de mandioquinha (batata-baroa) e um pacote de fubá moído em moinho de pedra! Esse, vai virar bolo com leite e um corn bread ou talvez um Pau-a-Pique, aproveitando as folhas das bananeiras.

Obrigada, Diulza, pelos presentes e pelo carinho!

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Pepino Refogado com Porco

pepino refogado

O feriado prolongado está acabando e voltamos à normalidade. Tirando o silêncio da ausência dos funcionários, continuei trabalhando nas tarefinhas daqui. Mas, tenho que reconhecer, final de ano é sempre um período de exageros na cozinha e à mesa. Comi muito, provavelmente engordei um pouco, dormi bastante, aproveitando a chuva que caiu quase sem parar desde o dia 31.

A receita de hoje é com pepino. Sempre achei curioso que em alguns países se costuma faze-lo refogado. Eu nunca tinha experimentado. Mas, pensando bem, o que é um pepino? Parente da abobrinha e do chuchu, porque não cozinha-lo? O sabor, de fato, é pálido, lembrando um pouco o chuchu, mas com uma textura mais crocante, interessante. Não foi o prato mais gostoso que comi, mas acho que vale como uma opção para variar a refeição do dia-a-dia.

Pepino Refogado com Porco

200 gramas de carne de porco fatiada ou cortada em tirinhas

1/2 colher de sopa de sake e shoyu

1 colher de chá de suco de gengibre (rale e esprema, separando o suco do bagaço)

1 colher de sopa de polvilho ou fécula de batata

3 pepinos médios, descascacos e cortados em pedaços irregulares. Vou fazendo cortes diagonais e rolando, obtendo formas ligeiramente piramidais

Shoyu, pimenta vermelha à gosto

Tempere a carne com o suco de gengibre, sake e shoyu. Deixe pegando gosto por meia hora. Adicione a fécula, misture e refogue a carne em uma frigideira, com um pouco de óleo.

Adicione os pepinos cortados. Pingue um pouco de água (algumas colheres de sopa apenas) para que cozinhem e forme um pouco de caldo. Tempere com shoyu e pimenta vermelha à gosto.

Se gostar, finalize com cebolinha verde picada e gotas de óleo de gergelim.

 

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Feliz 2010 a todos.

mochi

Algumas coisas não mudam aqui em casa, apesar dos anos. Uma delas é o osonai mochi, feito no último dia do ano. Não o comemos no dia primeiro, só mais adiante. Assim como algumas culturas oferecem pão aos antepassados, no Japão é o arroz. Muitas famílias nikkeis encomendam, existem lojas que vendem já embalado à vácuo em embalagem decorada. Poucos fazem em casa. Hoje em dia quase ninguém tem mais o pilão de madeira para sovar a massa de arroz. A máquina, parecida com uma máquina de pão, é bem prática e funciona bem, mas é um equipamento relativamente caro.

Outra coisa que continuamos a fazer é comemorar no dia primeiro com um almoço. Na verdade, a mesa fica posta o dia todo, para quem vier. Costumamos fazer os pratos preferidos da família. No entanto, depois da morte de meu pai e irmã, as opções diminuiram sensivelmente. Sempre tem inarizushi ou makizushi, um pernil assado (estamos no Brasil, o porco é prato de festa!), petiscos, doces, frutas. Antes não faltava o pudim de leite; este ano deixei passar.

Não seguimos algumas tradições japonesas. Muitos comem soba (desejando vida longa, como os fios do macarrão) e o ozooni (sopa de vegetais e mochi) no primeiro dia do ano. Não fazemos nem um nem outro. Costumavamos ir ao templo budista na manhã do dia primeiro, aqui no Brasil deixamos esse hábito de lado. Há um templo budista em Ibiuna, mas o fato de estar a alguns quilômetros daqui, por uma estrada de terra, desanimou um pouco. No Japão, na volta à visita ao templo, regalava-me ainda com um tai-yaki quentinho, que vendiam em barracas na rua.

Assistimos à festa de virada de ano no canal japones NHK. Artistas famosos e destaques do ano apresentam-se, em uma batalha entre o branco e o vermelho, os homens contra as mulheres. Como a transmissão hoje é ao vivo, assistimos na manhã do dia 31.

Ou seja, aqui em casa, começamos o ano comendo, divertindo, descansando e deixando as preocupações de lado.

Espero que meus leitores tenham um bom 2010 e gostaria de agradecer todas as mensagens carinhosas que recebi.

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Alho, Alho, Alho e Alho.

Não dá para deixar de comentar. Depois da Neide Rigo no Come-se, lá está meu alhinho no Gastrolândia, nos pratos feitos pelo Chef Carlos Bertolazzi: Camarão com creme de alho-poró, alho assado, frito e negro e roule de frango capão recheado com alho negro amassado, regado com molho de cerveja escura belga, farofa de anchovas, batatas fritas e vagem.

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Shimokawa e o Talharim

Verduras Shimokawa

Nem sempre nos damos conta do quanto a nossa terra é rica e diversa. Vou sempre à feira, quase sempre vejo as mesmas coisas de outros dias nas bancas e acabei acostumando-me. Noutro dia fui ver a área de embalagens de verduras da Shimokawa. Caixas e caixas de vegetais, muitas mulheres trabalhando na seleção e embalagem e ainda tinha gente descarregando. O barulho da embaladora me fez sentir saudades dos tempos em que trabalhei em uma indústria de alimentos. Fiquei tentada até a testar a embaladora manual e ver se eu ainda sou rápida.

Ganhei ainda uma caixa cheia, uma feira completa, muito mais do que costumo comprar. Espalhei em cima da mesa e fiquei surpresa com o que tinha: beterraba, abobrinhas, chuchu, tomates, pimentões coloridos, quiabo, jiló, beringela, cenoura, vagem, abóbora e pepino. No Japão, não era raro eu comprar 2 tomates, 2 ou 3 beringelas, 1 pimentão, 1 brócoli, 1/2 repolho pequeno ou 1/4 de acelga e talvez algumas batatas por semana. Por serem caros, eu comprava o mínimo necessário e usava com cuidado. Se faltasse, corria ao supermercado e comprava mais um pacote. E lá era raro eu encontrar beterraba, chuchu, quiabo vinha em um maço com uns 10 e jiló não existe…

frutas da ceagesp

Por outro lado, as frutas no Ceagesp sempre me surpreendem. Ainda fico assombrada ao ver abacaxis, laranjas, bananas em montanhas. Da última vez que fui lá, trouxe pêssegos brancos, uvas sem caroço e lichia. Essas últimas estavam muito doces e a um preço bom.

E para aproveitar os vegetais que ganhei, fiz um talharim do desespero. Não creio que seja invenção minha, não é de hoje que misturam vegetais diversos em um prato de massa. Fica pronto em meia hora (incluindo a fervura da água) e é um prato bem balanceado. Para 2 pessoas:

Talhariam da Horta

200 a 250 gramas de talharim
1 lata de atum (prefiro sólido e no óleo, aproveito o óleo para o prato; se não tiver, adapte: use bacon ou não use nada)

1 dente de alho picadinho

1 cebola pequena em pétalas

1/2 pimentão vermelho ou amarelo em tirinhas

1/2 maço de brócoli

1/2 abobrinha menina (a abóbora nova, de pescoço, já vi chamarem de paulista), cortada em fatias finas

Folhas de manjericão

Sal, pimenta, azeite

Leve a panela ao fogo com bastante água, para cozinhar o talharim.

Frite o alho em um pouco de óleo, até levantar cheiro. Junte o brócoli e refogue até quase ficar macio. Junte o pimentão e a abobrinha. Quando estiver quase pronto, junte o atum em pedaços, tempere com sal e pimenta.

Cozinhe o talharim, escorra e misture tudo. Junte folhas de manjericão rasgadas e um fio de azeite.

PS: Eu costumo fazer esse prato com o que tenho à disposição. Poderia ter usado cenouras em tiras finas, ervilhas tortas, aspargos. Uso atum porque é o tipo de coisa que costumo ter para as emergências. Além do mais, confesso: gosto.

 

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Patê de Fígado e Alho Negro

pate de figado com alho negro

Quando eu era criança, patê de fígado era uma coisa que vinha em uma latinha e eu não fazia a menor idéia do que era feito, Eu nunca tinha experimentado fazer em casa, essa é a primeira vez. Aproveitei para juntar o alho negro e o resultado foi muito bom. O docinho do alho combinou com o sabor forte do fígado. Bom para comer com torradinhas e facílimo de fazer.

A Neide Rigo fez duas receitas com o alho negro. E eu fiquei encabulada com os elogios dela…Através do blog dela recebi muitos e-mails de leitores simpáticos. Agradeço a todos o carinho.

2 colheres de sopa de manteiga

1 cebola pequena, bem picada

300 gramas de fígado de galinha

Sal, pimenta-do-reino, uma pitadinha de noz-moscada

1 colher de conhaque

100 gramas de manteiga

1 cabeça de alho negro descascado

Refogue a cebola na manteiga até ficar levemente dourada.

Junte o fígado e refogue até que fique cozido, mas não ressecado.

Bata no processador de alimentos. Junte a manteiga restante (ela vai derreter com o calor) e o conhaque. Tempere.

Junte o alho negro e processe só um pouco, para que ele fique picadinho mas não vire uma pasta.

Coloque em um pote e leve à geladeira. Ele vai ficar mais firme.

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A Horta da dona Margareth

horta 2

Ontem tive que levar a mãe ao hospital. Sofreu um corte na mão e precisou de uma vacina antitetânica. Aliás, eu não sabia que ela deve ser tomada de 10 em 10 anos. São 3 doses e estão disponíveis nos postos de saúde.

horta1

E o que a tem aborrecido é o fato de não poder cuidar da horta, pelo menos por enquanto. Nela tem um pouco de tudo: cebolinha, pimentas, aspargos, beringela, vagens, pepino, alho-porró, salsão, couve, nigauri… A gente só vai à feira comprar frutas e peixe.

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Come-se e é uma Delícia!

LP e Neide

Sábado foi um dia corrido. Acordei às cinco da manhã, saí de casa às seis, dirigi por 2 horas para encontrar-me com LP. Fomos ao Ceagesp – isso vai render outro post – e conheci a Neide Rigo, do blog Come-se. Fomos todos à Liberdade, dar conta dos pedidos de uma tia. Eu mesma, comprei muito pouco. Conto noutro dia.

Mix Fry Porque Sim

Almoçamos no Porque Sim (Tomás Gonzaga 75). Eu já tinha ido lá uma vez e ontem evitei o lamen, o gyoza e o domburi. Fui no território seguro das frituras (mix fry com peixe de carne branca, camarão e porco empanados). O missoshiru desta vez estava melhor do que da outra vez e saí de lá com o estômago satisfeito a um preço justo.

LP e Dona M

Minha mãe, dona M, sempre exigente, não se derreteu em elogios, mas considerou satisfatório. Preferiu comer tonkatsu (ela ama carne de porco), como sempre.

Quanto à Neide, eu só lamento que as lojas e calçadas apinhadas da Liberdade não permitiram uma conversa mais tranquila. Espero encontra-la novamente com ela com mais calma e tempo, ela é muito simpática e tem muitas histórias para contar, é uma boa e calma companhia.

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