Sorvete de Matcha

Este sorvete não é uma sobremesa para crianças. É levemente amargo, com um certo tanino e com o mínimo de açúcar. Chá verde em pó combina muito bem com creme de leite. O matcha tem aparecido cada vez mais em doces, tanto no Japão quanto fora.

2 gemas

50 gramas de açúcar

200 ml de leite

1 colher rasa de matcha (chá verde em pó)

100 ml de creme de leite

Bata as gemas com o açúcar. Adicione o leite e misture. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até engrossar ligeiramente.

Dissolva o matcha em um pouco de água quente e adicione ao creme de gemas.Misture.

Adicione o creme de leite, misture e leve ao congelador. Se tiver uma sorveteira, use-a. Senão, vá misturando de tantos em tantos minutos.

Rende 2 a 3 porções.

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Ishiru

Esse é um produto que eu não sabia sequer que existia. Na verdade, sempre achei curioso que, no Japão, não houvesse algo similar ao Nampla. Mas existe. Chamado de ishiru ou ishiri, pode ser feito de cabeças e vísceras de sardinha ou com lulas. O processo de produção é relativamente simples. Basta adicionar sal e deixar guardado por 2 anos. Depois o líquido é pasteurizado e filtrado.

Digo relativamente simples porque a quantidade de sal e as condições de armazenamento são importates. Há uma diferença entre vísceras salgadas, podres e maturadas. Para que o ishiru transforme-se em um molho rico em ácido glutãmico, é preciso que as bactérias certas contaminem a salmoura. Sal demais e nada acontece. De menos, tudo vai para o lixo.

E como os japoneses usam o ishiru? Varia. Em algumas localidades, usam quantidades pequenas, apenas para conferir um “umami” a ensopados. Em outros, ele é usado como o molho de soja. Há também conservas feitas com nabos mergulhados nesse molho salgado.

Eu ainda não experimentei. Mas tem para vender no Rakuten.

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Os Ovos e o Colesterol

Eu adoro ovos. E tenho monitorado meu colesterol desde os 39 anos, quando ele começou a subir. Outro dia foi noticiado que os ovos estavam liberados até mesmo para quem está de dieta. Bem, antes de bater uma omelete, fui ver o que há de fato. Segundo a pesquisa da Universidade de Surrey, comandada pelo Dr Bruce Griffin, o grupo que consumiu dois ovos por dia não apresentou diferenças significativas, comparando-se com outro grupo que seguiu a mesma dieta porém, excluindo os ovos. O resultado disso é que, aparentemente, a quantidade de colesterol consumida influencia pouco nos níveis de colesterol sanguíneo. Um paradoxo? Nem tanto. Se houvesse uma relação direta, vegetarianos (que não consomem carnes e, consequentemente, ingerem menos colesterol) não apresentariam baixos índices de colesterol.

Infelizmente, essa história ainda não teve fim. Talvez no futuro possamos saber com precisão se o metabolismo do indivíduo pode ser modificado e se seus genes indicam um risco de desenvolver alguma doença do coração. Ainda espero que, no futuro, cada indivíduo receba um tratamento individual, considerando-se características pessoais. Até lá, é melhor conversar com seu médico, discutir com ele a necessidade de exames e medidas preventivas.

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Bolo Salgado

Viva a baixa gastronomia! Hoje foi dia de relembrar tempos passados. Não são poucos que torcem o nariz para a torta de liquidificador (e até com certa razão; não gosto da textura borrachenta das tortas que experimentei e costumam ser pesadas como um tijolo). Mas comemos o nosso tempo e esse tipo de lanche tem seus motivos para existir.

Outro dia estava vendo uma reforma e a senhora explicou que a dispensa ficava no quarto. Mostrou o lugar. Durante tempos aquele canto era cheio de latas de óleo, goiabada, marmelada, conservas. Ri, lembrando que eu mesma pegava meu salário no meio da década de 80 e gastava tudo que podia em mantimentos e produtos de limpeza. A inflação era galopante e se eu esperasse, acabaria com um poder de compra para lá de reduzido até o final do mês. Depois vieram planos econômicos, congelamento de preços e produtos desaparecendo dos mercados. Quem podia, comprava um freezer e estocava comida. Quem não podia, comprava enlatados.

Antes disso, depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil era outro país. Geladeiras eram um luxo e não haviam tantos supermercados assim. Sempre tivemos umas latas guardadas em casa, para o caso de uma emergência, uma visita inesperada. Resumindo: gostemos ou não, enlatados fazem parte da nossa cultura, devido a momentos históricos, políticos e econômicos, além do fato de termos um território extenso. E entre os sabores da minha infância e juventude, sempre teve uma latinha de sardinha ou atum, um extrato de tomate, uma fiambrada…

Por fim, como disse acima, não gosto da textura de muitas tortas de liquidificador. Prefiro esse bolo salgado, que é leve, fofo e macio. Rende uma assadeira 25X20 cm.

2 gemas

70 gramas de manteiga

70 ml de óleo

100 gramas de amido de milho

240 gramas de farinha de trigo

250 ml de leite

1 colher de sopa bem rasa de fermento em pó

2 claras batidas em neve

Sal à gosto

Farinha de rosca e manteiga para untar a forma

Bata as gemas com a manteiga, o leite e o amido. Adicione a farinha, o fermento e o leite e misture. Talvez seja necessário mais ou menos leite. Adicione as claras em neve e misture sem bater.

Unte a assadeira com manteiga e polvilhe farinha de rosca. Despeje metade da massa.

Para o recheio, usei atum em lata escorrido, ovos cozidos, azeitonas e cebolas refogadas. Mas qualquer recheio não muito molhado irá funcionar bem.

Despeje o restante da massa sobre o recheio, ás colheradas. Salpique mais farinha de rosca (ou queijo ralado) e leve ao forno pré-aquecido, moderado, até corar. Teste com um palito se está assado.

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Millet

A primeira confeitaria que frequentei no Japão foi a Millet de Kashiwa (província de Chiba). Devo ter até comprado outros doces em outras confeitarias, mas a Millet foi a primeira à qual retornei. Lembro de ter ido até lá de bicicleta, em uma manhã fria mas ensolarada. As janelas eram convidativas e, mesmo com meu japonês pobre, entrei.

Apaixonei-me pelas amandines, uns bolinhos feitos com amêndoas e com uma cereja no meio. Não tenho vergonha de dizer que, aos 26 anos, foi a primeira vez que comi um doce feito com amêndoas, cerejas e uma boa manteiga.  Outros bolos e doces viajaram na cestinha da minha bicicleta, não com muita frequência, é verdade. E outras tantas confeitarias frequentei. Algumas, infelizmente, fecharam. Outras continuam abertas. O público japonês é exigente e confeitaria é um negócio de certo risco, já que os doces são perecíveis.  Fiquei feliz em saber que a lojinha perto da estação de Toyoshiki já rendeu 3 filiais e criou novos doces, como o que ilustra este post, chamado “noisette”, feito com mousse de avelãs.

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Nikuman

Gosto dos pães chineses recheados (no Japão chamam de Chukaman e são vendidos até em lojas de conveniência). Mas em casa, é raro fazer e o resultado não fica igual ao industrializado. Não sei se o problema é da receita que uso ou dos aditivos que a indústria utiliza. A consistência fica um tanto quanto borrachuda.

Esta receita é, na verdade, uma trapaça. Resolvi experimentar fazer um chukaman com massa parecida com o do manju, que é recheado com pasta doce de feijão. O resultado? Considerando o trabalho que deu, bem satisfatório! Reaquecidos no microondas (por alguns segundos, apenas) não ficaram tão ruins, não.

Para 10 unidades médias

200 gramas de farinha de trigo

12 gramas de fermento químico

12 gramas de açúcar

Sal à gosto (usei umas duas pitadas)

1 colher de sopa de óleo

água

Misture a farinha, o fermento, o açúcar, o sal e o óleo. Vá adicionando água e misturando, até formar uma massa macia e que não gruda na mão. Quanto mais dura a massa, mais duro será o bolinho. Por outro lado, uma massa mole demais é difícil de modelar.

Divida em 10 porções, forme bolinhas e abra com um rolo. Recheie, forme as preguinhas (ou não; na verdade, é bem mais fácil fazer uma bolinha lisa). Coloque sobre pedaços de papel manteiga.

Leve para cozinhar no vapor por cerca de 15 minutos. Resista à tentação e não abra a panela antes, porque eles podem murchar.

Para o recheio, usei a pasta de carne apimentada do Zha-jiang-mian. Coloquei pouco recheio porque a pasta é apimentada e bem salgada.

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Receita Infalível

Fabrícia Osada me pede uma receita infalível e o meu lado cientista quase tem um treco. São variáveis demais! – grita o meu lado analítico. Em condições domésticas, é impossível controlar o ambiente!

Pois é, não existe receita infalível. Não temos garantias da qualidade de nenhum ingrediente. E, mesmo que a qualidade fosse uma coisa regular, ainda temos que lidar com o índice de umidade. Por conta de dia mais ou menos seco, lá se vai uma colherada a mais ou a menos de líquido em uma receita de bolo ou pão.

Por falar em colheres, está aí outro problema: medidas. Já vi receitas usando xícaras, copos, colheres, pires, pratos, latas vazias de leite condensado, pote de maionese e tampas de refrigerante como medida. Essas medidas não são padronizadas. Tenho xícaras “padrão” com 200, 220 e 240 ml de volume. Sempre que possível, prefiro pesar os ingredientes.

Fornos e fogões são diferentes. Isso é fato. A não ser que compre um forno elétrico ou um termômetro, a temperatura do forno vai ser sempre um valor bem abstrato, exigindo acompanhamento e olho para conferir o ponto, a cor. Mesmo assim, tive um forno que não funcionava bem para assar bolos com mais de 7 cm de altura. Era digital, elétrico, bonito. Mas não funcionava para tudo. O que uso agora tem um probleminha de distribuição da temperatura, que me obriga a mudar de posição da assadeira no meio-tempo de forno. O fogão de indução é uma maravilha. Só que exige panelas de ferro ou aço inoxidável. Não funciona com aquela panelinha de barro, muito menos com uma frigideira de alumínio com a qual eu já estou acostumada. Tenho, acho bom, funciona bem, mas não é algo que eu use todos os dias e para tudo.

E a temperatura do ambiente? O inverno é uma estação infeliz para quem faz pão. E o verão é o terror para quem trabalha com chocolate e massas folhadas. E a maioria das cozinhas domésticas não possui um ar-condicionado. Se bem que eu iria gostar de ter uma cozinha refrigerada…

E, por fim, a altitude. O ponto de ebulição da água varia conforme a altitude. Pode parecer bobagem, mas a 1.500 m de altitude, a água ferve a aproximadamente 95 graus. Por conta disso, o tempo de cozimento aumenta. Em altitudes elevadas, a pressão atmosférica é menor. Ou seja, é preciso corrigir a quantidade de fermento químico em uma receita de bolo, por exemplo.

Mesmo na indústria, é quase impossível conseguir uma regularidade. Trabalhei durante dois anos em uma indústria de alimentos e cada lote tinha características diferentes. Mas, claro, havia um certo padrão considerado aceitável. Quantidade de sal, gordura, por exemplo, ficavam sempre em uma média. Mas lotes diferentes apresentavam cores bem distintas, por exemplo. E não era raro a textura também variar.

Bem, o que quero dizer com isso tudo é que receita infalível, só em um laboratório e com uma receita cheia de especificações. Mas existem receitas que funcionam bem, que exigem só um pouco de cuidado e atenção. No mais, só com a prática – essa coisa maravilhosa, que nos faz analisar tantas variáveis, fazer as correções quase que automaticamente e quase ignorar toda a ciência por trás (pela frente, lados e por cima) de uma receita.

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Pão Gourmet

Não, tem menos a ver com gastronomia e mais com a revista Gourmet. O fermento de batata é o mesmo. No entanto, transformei-o em uma massa mãe, que vou alimentando. Como não resisto a mudar uma receita, fiz minhas adaptações. O resultado? Um pão com uma côdea crocante, maravilhosa. A textura era firme e o sabor, um pouco ácido.

Fiz o mesmo pão usando o fermento natural da Hoshino Koubo e o resultado foi completamente diferente; massa e côdea macios e saborosíssimo. Foi uma experiência interessante. Fermentos diferentes resultam em pães distintos. O da foto foi feito com o fermento de batata.

4 xícaras de fermento natural

4 xícaras de farinha de trigo

1 1/2 xícaras de leite

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

2 colheres de sobremesa de sal

6 colheres de manteiga ou banha

Misture o leite, o bicarbonato e o sal. Adicione o fermento e a farinha e amasse. Se necessário, junte mais água. A massa deverá ser um tanto quanto pegajosa. Sove por cerca de cinco minutos. A massa ganha uma consistência um pouco mais elástica. Adicione a gordura e amasse mais um pouco. Esticando um pouco de massa entre os dedos, ela não se rasgará com facilidade.

Deixe descansar até dobrar de volume.

Divida em 4 porções e modele bisnagas. Deixe crescer e pincela com uma clara batida. Faça os cortes e leve para assar em forno muito quente. Depois de 10 minutos, abaixe um pouco a temperatura.

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Frango com Suco de Uvas Verdes

Comprei uns livros da década de 70 em um sebo. Entre eles, um sobre culinária francesa. Semana passada LP emprestou-me o livro Elle Cookbook. Em comum, receitas com aves. Pelo que li e pelo que conversei com meu amigo, o frango tem presença garantida nas mesas francesas. Aproveitando a safra de uvas, experimentei o Poulet au Verjus do livro da Elle. Um bom prato para quem gosta de aves (como eu) e sabores ácidos e adocicados. Adaptei para duas porções:

4 pedaços de frango

Óleo

2 dentes de alho

1 colher de manteiga

250 gramas de uvas verdes (não-maduras)

Sal, pimenta do reino e salsa

Doure os pedaços de frango no óleo. Escorra.

Frite o alho na manteiga, junte o frango, tempere com sal e pimenta e junte o suco das uvas verdes.

Tampe e deixe cozinhar em fogo moderado até que o frango esteja macio e o caldo, encorpado.

Adicione salsa e sirva.

PS: usei o passaverdura para espremer as uvas.

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Carbonara do Chef Tsutomo Ochiai

Eu estava assistindo à NHK há alguns dias e vi o chef Tsutomu Ochiai preparar um espaguete à carbonara. Explicou o porquê de cada ingrediente e como preparar o prato de maneira tão descomplicada e gostosa, que fiquei com vontade de experimentar. Até a mãe, que não gosta muito de massas, aprovou.

Segui a receita (que também está disponível no site da NHK, em japonês):

Para 2 pessoas

2 ovos

2 gemas

30 gramas de queijo parmesão

1 colher de chá rasa de pimenta do reino

140 gramas de espaguete

80 gramas de panceta

1/2 colher de sopa de azeite

20 ml de vinho branco

Pique a panceta fatiada em pedacinhos (segundo ele, se não for possível encontrar panceta, pode substituir por bacon ou presunto cru).

Rale o queijo parmesão.

Bata os ovos com as gemas (poderia ser feito só com ovos, mas com uma gema extra por pessoa, segundo o chef, o sabor é bem melhor) até desmanchar bem as claras. Junte o queijo parmesão e a pimenta do reino. Diante da surpresa de ver tanta pimenta do reino em um prato, ele disse que era para ficar como se o prato tivesse sido polvilhado com pó de carvão.

Leve a panceta ao fogo, em uma frigideira, com o azeite, até dourar. Adicione o vinho. Desligue o fogo, junte 50 ml de água do cozimento do macarrão e uma ou duas colheres de água. Deixe a mistura amornar.

Enquanto isso, cozinhe o espaguete, usando 1 colher de sopa de sal para cada litro de água. Cozinhe até faltar um pouco para ficar “al dente”. Segundo ele, como a massa vai ser finalizada e aquecida, era melhor cozinhar meio a um minuto a menos que o recomendado.

Escorra o macarrão e adicione à frigideira. A mistura de panceta e vinho deve estar morno, suportável ao toque. Misture. Adicione os ovos batidos. Misture. O Chef explicou que se os ovos fossem adicionados ao molho quente, coagulariam e o molho passaria do ponto. Depois de tudo misturado, ligue o fogo (baixo), misture até que o creme fique mais encorpado.

Sirva imediatamente.

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