Wantan

Coznhar para os outros é uma coisa completamente diferente de cozinhar para mim. Apesar de até gostar de frituras, tem dias que preciso de algo leve e rápido. Um dos meus truques é ter sempre algo no congelador, de fácil preparo. Uma dessas coisas são os wantans (ou wonton). São massas recheadas, feitas só com farinha, água e sal, recheadas com carne de porco ou camarão, que são cozidas diretamente em um caldo leve de frango.

Para a massa, uso farinha comum. Ao contrário das massas italianas, o wantan não leva farinha rica em proteína, já que o wantan é mais delicado e de consistência muito macia. Adiciono sal e água até formar uma massa firme. Amasso um pouco e enrolo. Deixo descansar por algumas horas. A massa vai relaxar um pouco. Depois cilindro, até que ela fique bem lisa e depois abro bem fino.

Para o recheio, uso carne de porco moída temperada com um pouquinho de alho, suco de gengibre, sal, pimenta do reino e umas gotas de shoyu. De camarão, uso camarão moído com um pouco de algum peixe de carne branca, para dar a liga.

Corto a massa em triângulos, coloco um pouco de recheio no centro, dobro uma ponta sobre a massa (e ficam duas pontas, uma de cada lado) e junto a massa, quase que como um tortelini, com a diferença que as pontas ficam soltas. O formato lembra um pouco uma flor, com o recheio, redondinho, no centro.

Congelo em uma assadeira, aberto, e depois passo para um pote ou saco plástico.

Na hora, aqueço um caldo bem delicado, feito com frango e um pouco de gengibre e cebolinha, sem gordura. Acrescento um pouco de sal e shoyu, só para ter um leve toque de cor. Cozinho os wantans congelados nesse caldo, até ficarem macios. Cebolinha picada completa a sopa. Duas gotas de óleo de gergelim dão um aroma extra, mas nem sempre uso.

Ah, sim, existem outras maneiras de dobrar um wantan. Uma, mais fácil, é cortar a massa em quadrados e dobrar como uma trouxinha. Embora seja de origem chinesa, essas massinhas são muito populares no Japão. Uma amiga acha que foram levados para o Japão pelos japoneses que estiveram na Manchúria, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas é possível que tenha sido levada pelos chineses, mesmo, e há mais tempo.

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Alex Atala

Só posso dizer uma coisa. Tinha uma idéia completamente equivocada sobre ele. É gentil, simpático, bacana mesmo. Shame on me!

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Crisântemo Comestível

Os crisântemos que comentei no post “Tempura de Folhas de Crisântemo” também dão flor, claro. Se não conseguir dar conta de consumir tantas folhas, é só deixar crescer e enfeitar o quintal.

Se tiver em casa, aproveite. As que tenho por aqui, pelo menos, estão muito boas nesta primavera chuvosa. E não é só como tempura que podem ser consumidas. Elas podem entrar em um cozido (nabemono), para dar aroma e sabor, ou aferventadas e consumidas com shoyu e um pouco de vinagre. O sabor é intenso e não agrada todo mundo, mas vale a pena experimentar.

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Pães no Vapor

Pães no vapor são bastante populares no Japão, sobretudo os recheados (chamados de chukaman por lá). Nos restaurantes também é possível encontrar pães simples, sem recheio, que acompanham a refeição. Os formatos podem ser variados: retãngulares, redondos, borboleta, flor, etc. São melhores quando consumidos quentes. O pãozinho (que é de origem chinesa e chama-se mantou) é muito macio, adocicado, leve e sem cor.

200 gramas de farinha de trigo

3 gramas de fermento biológico seco

2 gramas de fermento químico em pó

10 gramas de açúcar

sal à gosto

água morna

1 colher de sopa de óleo ou banha

Misture todos os ingredientes, exceto a gordura. A massa deverá ficar macia. Besunte a mão com óleo e sove bem, até que a massa fique muito lisa (como dizem por lá, “como pele de bebê”).

Deixe descansar coberto até dobrar de volume.

Abaixe um pouco a massa para expelir um pouco de ar. Modele um rolo e corte em 8 pedaços.

Modele no formato desejado ou recheie. Mas, por experiência, se quiser um pão realmente macio, apenas deixe fermentando, cortado em retângulos, sobre um pedaço de papel manteiga e no vapor. Coloque água na panela de vapor, aqueça a 40°C e coloque os pães na parte de cima. Deixe crescer.

Retire a peneira com os pães e aqueça a água até ferver. Recoloque o cesto, tampe e deixe cozinhar por uns 10 minutos. Evite abrir a tampa nesse período. O ar frio pode comprometer o crescimento, o pão pode enrugar.

Pode ser reaquecido no vapor, com bom resultado. No microondas, embrulhando em filme plástico, não fica de todo ruim (mas fica um pouco borrachudo se aquecer por muito tempo).

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Doce de Laranja-da-Terra

Laranja-da-terra tem uma casca espessa e amarga. Para transforma-la em doce, é um processo demorado. Como por aqui tem um pé carregado, a mãe resolveu fazer doce, coisa que não faz há mais de 40 anos.Com tanto trabalho, não é surpresa que ela não faça esse doce com frequência.

Antes, as laranjas são descascadas. tendo cuidado de não tirar muito da carne. Um bom descascador de legumes dá conta da tarefa. Corte em quatro e retire a polpa.

Para eliminar o amargor, é preciso deixar as cascas de molho em água, trocando-a várias vezes por dia, por 3 ou mais dias. Durante esse período, as cascas vão ficando mais macias também.

Para o doce, ela usou a proporção de 1 kg de laranja para cada kg de açúcar. Fez uma calda grossa e juntou as laranjas, deixando cozinhar em fogo brando até a calda engrossar e os gomos ficarem transparentes, brilhantes.

Para as cristalizadas, é preciso escorrer a calda, passar no açúcar cristal e secar, em um dia de tempo seco. Com as chuvas de agora, precisei apelar para uma estufa. Cortei em tirinhas porque pretendo banhar em chocolate.

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Cebolinha

Um ingrediente que aparece com muita frequência na culinária japonesa é a cebolinha. Crua, ela é servida sobre pedaços de tofu gelado ou peixes marinados (suzuke). É colocado no último instante no miso-shiru, librando aroma e sabor. No udon, há quem faça uma montanha dessa erva, picadinha, na tigela fumegante. No sukiyaki, é indispensável, para fazer um caldo saboroso.

Aqui no Brasil, o tipo de cebolinha de talo grosso e branco é menos comum.  Ele pode ser cortado em toletes e cozido com vários ingredientes, em ensopados. Eu, particularmente, não gosto da textura dela cozida. Prefiro assada, em um yakitori, intercalado com pedaços de frango. As folhas dessa espécie também vão para caldos.

Embora o tamagoyaki seja mais comum sem “mistura” alguma, não é tão raro vê-lo feito com hijiki, cogumelos e até cebolinha. Mas não sei porquê o tamagoyaki de cebolinha é tão popular na comunidade japonesa no Brasil. Talvez por ser um ingrediente acessível. Em casa, era bastante frequente porque, como muitos japoneses no Brasil, meus pais sempre mantinham um cantinho com um canteiro de cebolinhas em casa. A paixão pela cebolinha não tem explicação. Creio que é um hábito tão arraigado que parece impossível de desaparecer. Seja pela cor, pelo sabor, aroma ou aparência, é uma das poucas ervas utilizadas pela culinária japonesa.

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Nagano

Morei em Matsumoto, na província de Nagano por apenas um ano. Trabalhava a 25 km, na cidade de Akashina. Apesar da distância (difícil de vencer em noites de neve), a paisagem era estonteante: montanhas, picos cobertos de neve, o rio correndo à margem da rodovia, muito verde e vida animal (sobretudo aves) presente. Em Matsumoto existe um dos mais belos e bem preservados castelos de todo Japão.

Na época que morei lá, eu era recém-chegada, ainda adaptando-me com o idioma, cultura e hábitos. Hoje, provavelmente, teria aproveitado mais. Lembro-me de suas maçãs, deliciosas. E garanto, não é a mesma coisa comprar as maçãs de Nagano em outra província. A maçã fresca, que não passou pela estocagem em alguma câmara frigorífica, é muito mais saborosa. Só que não é consumida assim que colhida, mas uma semana depois. Ela possui um certo tanino que diminui com o tempo. Compete com as maçãs de Aomori em qualidade e preferência. A província também produz uvas, pêssegos e peras de qualidade.

Nagano também é uma das poucas províncias do Japão onde se é possível consumir carne de urso. Os animais são criados em cativeiro para esse fim. Para nós, brasileiros, pode parecer um absurdo, mas na época do meu pai – coisa de 70, 80 anos atrás- a caça era permitida. Isso não significa que o urso era alimento rotineiro, já que caçar um requer muita coragem e perícia. Na época que morei lá, não sabia disso.

Longe do mar, os peixes de rio são mais presentes, como o ayu. Outra fonte de proteína não insetos assados e caramelados. Apesar de garantirem que são saborosos e nutritivos, das poucas vezes que tive a oportunidade, confesso, recusei. Hoje, talvez tentasse.

Por ser uma região rica em montanhas e bosques, os moradores de Akashina costumavam procurar cogumelos selvagens. Essa tarefa, porém, requer um bom conhecimento das espécies, porque existem várias que são venenosas. Quase todo ano ouve-se falar de um acidente desse tipo, sem falar que é fácil alguém perder-se e até mesmo, desaparecer. Existem passeios com guias para caçar o famoso matsutake, cogumelo de aroma intenso que, até agora, resistiu às tentativas de cultivo.

Dos lugares que morei, Matsumoto e região foram os únicos lugares onde ainda havia o hábito de fazer conservas (tsukemonos) em casa. Existiam lojas que vendiam tudo para faze-las; potes, vegetais, sal, peso, etc. Nas outras cidades, boa parte da população preferia comprar nos supermercados e lojas especializadas. Lá, para minha surpresa, vi tsukemono de chuchu.

Mas, para a maioria dos japoneses com quem convivi, falar de Nagano, é falar de esportes de inverno, termas (onsen) e soba. Por conta da altitude e frio, dizem que a espécie cultivada lá, que rende grãos menores, é mais saborosa.  O touji soba é uma maneira interessante de comer o soba: o macarrão é cozido e reaquecido em um cesto que é mergulhado em um caldo quente.

A foto que ilustra este post é do Rakuten.

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Azeitona da Indonésia

Ganhei uma sacola cheia dessas frutas que pareciam azeitonas. Disseram que é Azeitona da Indonésia. Pesquisando um pouco, é chamada de Makawk, Mobim Amarelo, Ameixa Espanhola, apesar de ser origem sul-americana.

Não sabia nada disso quando meti na panela e cozinhei. É bem ácida, sem aroma muito marcante e chegou no ponto de geléia muito rápido, o que me faz acreditar que tenha muita pectina. O sabor lembrou um pouco o damasco.

Depois é que fui ver que pode ser feito uma conserva tipo picles, usado como tempero e outras coisinhas.

Quanto à geléia, acho que vou fazer umas experiências e misturar hortelâ, capim limão e outras coisas para ver como fica.

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Shizuoka

No post anterior, comentei sobre o eki-ben e a paixão por pratos regionais. O japonês, quando planeja uma viagem, não se preocupa apenas com acomodação, atrações turísticas e comodidades. Procuram informa-se sobre as iguarias locais. Se eu disesse que iria viajar, sempre havia alguém com alguma sugestão. E não era raro demonstrarem desapontamento caso eu não tivesse experimentando uma especialidade (meibutsu).

Eu morei por mais de dez anos na província de Shizuoka, bem no meio do caminho entre Tokyo e Osaka. Falar em Hamamatsu, é falar de enguia (unagi). Vários restaurantes – tanto na cidade quanto nas proximidades do lago Hamana – são especializados nesse peixe. O doce oficial da cidade é o unagi pie, um biscoito tipo palmier, feito com farinha de ossos de enguia. Os morangos, cultivados em estufas, também são famosos (as variedades akihime e benihope). É comum, durante o inverno, o ichigo-gari. Pagando uma entrada, o visitante pode ver as plantações e comer quantos morangos puder, como na foto acima, retirada do site do Fruits Park.

Já a região em torno do Monte Fuji é famosa pela água. Quem passa por lá, raramente escapará do soba (dizem que a qualidade da água influi muito na produção de uma boa massa), do wasabi e das trutas, cultivadas em rios de água limpa e gelada.

Conheço gente que era capaz de dirigir horas pela Route 1 até Izu, para comprar shirasu (um minúsculo peixe) , sakura ebi (uma espécie de camarão) ou um madai (uma espécie de pargo). Meu ânimo era menor e eu só ia até um porto próximo a Omaezaki, onde encontrava atum fresco e muita lula. Pena que nunca fui a Shimizu. Recomendaram-me muito o udon acompanhado de kakiage em um restaurante, perto do porto. Nunca soube o nome do lugar, mas disseram que era fácil de encontrar, pela fila de clientes na porta! Fui a Mikkabi, próximo de Hamamatsu, famosa pelas tangerinas (mikan). São deliciosas, mas o lugar é um tanto quanto desapontador. Cidade minúscula, que vive quase que exclusivamente da agricultura. Já Kakegawa produz melões (que podem custar, facilmente, 100 dólares a unidade) e kuzu (um amido retirado da planta de mesmo nome, que tem fama de ser terapêutica e é empregada em alguns doces típicos japoneses).

Já a capital é conhecida pelo oden – uma espécie de cozido. Diferente do resto do país, o Shizuoka oden leva carne ou tendões de boi e o caldo é bem mais escuro e forte, um tanto quanto ácido. Raspas de bonito seco (katsuo-bushi) cobrem a tigela.É um bom prato de inverno e nem sempre é uma refeição; é bem mais comum pedir um oden para acompanhar uma cerveja.

A província toda é famosa pelo chá. A primavera é a melhor época para comprar chá, tanto direto do produtor, como em lojas especializadas. Existem vários doces com chá verde: bolos, biscoitos, yokan, gelatinas, pudins, sorvetes, manjus… Esses podem ser comprados em confeitarias, nos quiosques das estações de trem ou em lojas, ao longo das rodovias. Outro produto que faz a fama é o arroz koshihikari. Dizem que é o melhor tipo para fazer sushi. Isso não impede de aprecia-lo puro ou enrolado em bolinhos (onigiri). Como a qualidade da água é importante no cultivo de arroz, alguns apontam para Tenryu-shi, banhada pelo rio de mesmo nome, por suas águas limpas. Outros recomendam campos próximos ao monte Fuji.

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Eki-Ben – Sabor em Movimento

A primeira vez que ouvi a expressão, era criança. Meu pai contava a viagem que fizera de Hokkaido até a casa de um tio, próximo a Tokyo, no início da década de 30. Nas estações, vendedores ofereciam bentos (caixinhas contendo uma refeição) com especialidades locais.

Hoje não existem mais vendedores nas plataformas. Os eki-ben (ou as marmitas vendidas nas estações) costumam ser vendidos em quiosques, na estação. Eventualmente, lojas de departamento promovem festivais e abrem espaço para a comercialização de eki-bens de outras províncias. As feiras ou festivais que fui eram concorridos. Alguns compravam eki-ben de outras províncias por nostalgia, outros por curiosidade. Eu nunca tive a experiência de comer um eki-ben dentro de um trem por um único motivo: não consigo comer em um veículo em movimento. No entanto, esse meu problema parece não ser genético. Os japoneses adoram comer nos trens e desfrutam do prazer de provar iguarias típicas de cada região por onde passam.

Em Hamamatsu (Shizuoka), quase que invariavelmente, o passageiro irá optar pelas enguias. A cidade é famosa pela criação e existem vários restaurantes especializados. Já de Hokkaido, em uma dessas feiras, vi lulas recheadas com arroz e arroz com caranguejo. Alguns bentos são bastante simples. No entanto, não é raro encontrar eki-ben custando de 1.000 a 2.000 ienes (cerca de 10 a 20 dólares).

Com a velocidade dos trens aumentando e as viagens ficando cada vez mais curtas, há quem compre também para levar para casa e agradar familiares, partilhando a experiência de viagem. E nem todos os eki-ben são frios. Já vi também alguns em embalagens especiais, que se aquecem por conta de uma reação química quando abertos, proporcionando ao viajante uma refeição quente. Ao que parece, o prazer de comer enquanto viaja, no Japão, não vai acabar tão cedo. Os aeroportos também passaram a comercializar os sora-ben. Modernidades…

As imagens eu obtive em: http://eki-ben.web.infoseek.co.jp/22shizuoka_hamaj.htm e http://www.jishowtay.com/menu/4zouto.html e ambos são eki-ben típicos de Hamamatsu, cidade onde morei vários anos.

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