A Indústria de Alimentos É Inimiga… De Quem?

Com certa frequência leio coisas do tipo: “Comida industrializada é lixo!”, “O produto X é veneno!” e “Todo mundo deveria comer comida fresca!”

Se pergunto porquê, as respostas são vagas: “Porque contém muita química” ou “Faz mal para a saúde”.

Vamos parar de pensar raso?

Tudo que vemos (e até umas coisas que não vemos, como o ar) pode ser decomposto em elementos químicos. Então, qualquer coisa que comemos tem “Química”. Se o receio é dos conservantes, acidulantes e outras palavras que constam no rótulo, é uma questão de ler a respeito. Esses aditivos são regulados pela Anvisa e a indústria não usa sem motivo. Creia, a indústria de alimentos detesta gastos. Trabalhei por 16 anos em produção industrial (alimentícia, plástica, automobilística, eletrônica) e sei que se puderem cortar um centavo, vão. A indústria não vai colocar uma coisa só porque ela é “diabólica”. Coloca porque é obrigada, seja por exigência da Anvisa, seja porque precisa manter o produto comestível por um tempo X ou para melhorar o sabor e a aparência. Sim, muitos aditivos estão lá para impedir que o alimento apodreça ou desenvolva bactérias nocivas.

Faz mal para a saúde? Sim, pode fazer, sim. Existem pessoas alérgicas a corantes, por exemplo. Alguns contém muito sódio ou açúcar, não é sensato consumir todos os dias. Mas quer saber? Tem muita coisa “natural e fresca” que também pode fazer mal, como espinafre e couve cruas, noz-moscada em excesso é veneno e, pensando bem, até água mata (não só por afogamento, ingerir uma quantidade enorme de água pode levar à morte).

Ah, mas que o ideal seria que todos comessem produtos frescos, né?

Sim. Mas isso hoje é impossível. Pelo menos em grandes centros urbanos.

Se todo mundo resolvesse comer peixe fresco, por exemplo, em São Paulo, teriam que se contentar com 20 gramas (o Ceagesp negocia 200.000 kg de pescado por dia). Não ia dar para todos. O mesmo aconteceria com o leite. Perceberam como há pouco leite refrigerado nos supermercados? Pois é. Carnes, também.

A questão é o abastecimento. Transportar, manter um produto fresco exige muito mais espaço, energia para manter fresco e, mesmo assim, o tempo de prateleira é curto. Ou seja, muita coisa iria para o lixo em 3, 4 dias.

A indústria de alimentos procura suprir uma necessidade. Ela está sempre atenta ao que acontece e como as pessoas vivem.

Há gente querendo comer. Gente que não tem tempo. Gente que gasta 2, 3 horas para sair de Embu e chegar no trabalho. Gente que vai ao supermercado uma vez por semana, que só faz feira de vez em quando. Essa gente também não consome muito gás de cozinha (um botijão dura, em média, 42 dias, por família) e com esse último aumento, vai consumir menos ainda. É lógico que essas pessoas vão optar por produtos que ficam prontos em pouco tempo.

Estão entendendo a questão? Ter produtos de rápido preparo, longa vida na prateleira, a preços acessíveis se tornou algo vital. Muita gente adoraria comer produtos frescos, orgânicos, gostosos mas não tem tempo nem dinheiro para tudo isso.

A oferta de produtos frescos depende de uma política de produção de alimentos, passa pela logística do transporte e ainda esbarra na questão cultural do consumidor. Comida é cultura e não é só a comida que está lá no restaurante, ou lá na Amazônia ou no interior distante do país. Temos uma cultura alimentar urbana. Muitos brasileiros, quando pensam em salada, pensam em alface, ignorando repolho, acelga, salsão, almeirão e outras tantas hortaliças. Então é preciso ter gente plantando alface, certo? Sim, mas para que exista interesse em plantar, é também preciso que o agricultor possa viver disso. Há pouco passaram trator em uma plantação de alfaces aqui perto. Motivo: estavam pagando R$2,00 a caixa de alfaces.

Entenderam agora que “comer o fresco” não é só uma questão de vontade própria? Passa por política, distribuição, abastecimento, cultura e condição social (provavelmente esqueci de mais algum item).

Então, a indústria de alimentos, não é tão inimiga assim. Não digo que seja um anjo de candura, mas está aí porque existe uma necessidade. Ela tem o poder de mudar nossos hábitos? Sim. Mas nós também temos o poder de mudá-la. Bastou muita gente deixar de consumir leite por conta da intolerância à lactose e o que aconteceu? Surgiram leites, leite em pó, creme de leite, queijos, iogurtes, muitos produtos sem lactose. Existem linhas de produtos sem corantes artificiais. Com redução de sódio. Com pouca gordura. Sem glúten. Estão muito atentos ao que queremos. Então posso dizer que ela é amiga dos celíacos, diabéticos, intolerantes à lactose e pessoas que precisam seguir uma dieta específica. E também é amiga de quem gasta 4 horas ou mais indo e voltando do trabalho, que precisa fazer o botijão de gás durar 42 dias.

 

 

 

 

 

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Kombus, No Plural

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Costumamos falar em alga kombu, de maneira genérica. Mas são “kombus”. Confesso que, durante anos, não dei muita atenção a isso. Sabia que existiam kombus para fazer caldo e para cozinhar e até achei que a diferença estava na parte da alga que era utilizada. Não é bem assim.

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Este comprei como “Kombu para lamen”, simplesmente. Sim, ele tem anos e foi preservado no congelador, apesar de muitos especialistas dizerem que ele se conserva muito bem e por anos em local bem seco e protegido da luz. Como é bem largo, suponho que seja um Rausu-kombu, mas não posso garantir.

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Esse é um Ma-kombu, tido como o melhor para caldos. Tem um tom amarronzado e é bem largo e coberto dos preciosos sais que conferem todo o umami que procuramos em um caldo de algas.  É bem largo, pode ter uns 20-25 cm de largura.

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Aqui comercializam “dashi kombu”, algas para caldo, sem especificar que espécie é. Por ser bem mais estreitas que o Ma-kombu, penso que possa ser o Hishiri-kombu

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Costumam ser grossos, como uma folha de papelão.

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O Hidaka Kombu é mais estreito e fino e costuma ser utilizado para cozinhar. Com ele fazemos cozidos, enrolamos pedaços de bardana ou cenoura e colocamos em ensopados, etc.

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Este também é um Hidaka-Kombu, comercializado como “Haya-ni Kombu”, ou seja, como uma alga que cozinha rápido.

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Este é uma alga que minha mãe ganhou, chinesa. Não sei sobre a espécie.

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Ela é bem larga e fina, mas não tem muito sal sobre a superfície. É para cozinhar.

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E esta é a parte da base do kombu, chamada de Ne-kombu. Não é uma variedade, é só uma porção dela. Tem gente colocando um pouco disso na água e bebendo ou colocando 3 ou 4 pedaços dentro da panela e cozinhando arroz. Alegam que oferecem sais minerais e aminoácidos extras.

No Japão ainda existem o Hosome-kombu, o Naga-kombu e o Saomae-kombu. Das espécies que listei acima, ainda podem receber nomes diferentes devido à classificação. Tirando o único chinês e um Hidaka-kombu, todos os outros são japoneses, embora hoje sejam cultivados na China e Coréia. Também são encontrados na Tasmânia, Austrália, África do Sul, Canadá e Península da Escandinávia.

E por fim, ninguém precisa ter tanta alga assim em casa. Eu provavelmente levarei alguns anos para dar conta disso tudo. Felizmente não estragam com facilidade. Tenho porque escrevo sobre comida japonesa, preciso pesquisar e também ganho de amigos e porque não dizer, mentores? Gente que está me estimulando a conhecer e aprender mais.

 

 

 

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Quer Aprender a Fazer Bacon?

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Bacon, pernil defumado, pastrami. Tudo isso pode ser feito em casa, sem precisar de equipamentos especiais.

Dia 13, 6 pessoas poderão ver todos os passos da salga, cura e defumação. Em seguida, almoço (salada, defumados, pães, sobremesa, chá, água e café).

Mais informações pelo e-mail marisaono@gmail.com

 

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55 Dias Sofrendo Com A Conexão

Fora 55 dias reclamando, mandando mensagens via whatsapp, apresentando dados sobre a velocidade da minha conexão. E gastando em um serviço extra.

Infelizmente, por aqui, não tenho muita opção. Na verdade, só duas: internet via rádio ou satélite. Ambas não são muito rápidas e muito caras.

Aparentemente, o problema foi sanado, agora com a antena apontada para uma outra torre, com visada melhor e sem obstáculos.

Volto a publicar a partir de hoje.

 

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Piman no Niku Tsume ou Pimentão Recheado

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Não sei porquê ainda não publiquei esta receita. É um prato simples, popular nas casas japonesas mas que pouco aparece nos cardápios em restaurantes ou izakayas. É quase um pimentão recheado com massa de almôndega e existem diversas variações. Há quem faça com carne moída de frango ou porco, mas eu prefiro carne bovina, que por aqui é mais fácil de encontrar moída. Nesta versão uso novamente o resíduo de soja (okara), que encontro de graça na banca da Agro Nipo no varejão do Ceagesp (aos sábados e domingos de manhã; a banca fica perto da peixaria e pode ser identificada pela quantidade enorme de Muppy para vender). Antigamente encontrava na feira, pegava com quem produzia tofu. De vez em quando faço tofu em casa e aproveito o resíduo de diversas formas. E esse resíduo congela bem.

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Primeiro você vai precisar comprar pimentões pequenos e verdes. No Japão os pimentões são bem pequenos e um pouco amargos. Corte ao meio, simplesmente, sem retirar a parte branca nem as sementes. Tudo é comestível.

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Misture carne moída com sal, pimenta do reino, um pouco de okara (1 parte de okara para 3 ou 4 de carne moída), um pouco de shoyu, cebola ralada e temperos que gostar. Amasse bem. É importante que a carne esteja bem gelada. Sempre que for trabalhar com carne moída, trabalhe com ela gelada porque o risco de contaminação é menor. Amasse até “dar liga”. Fica fácil de modelar, ela forma uma massa coesa.

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Recheie os pimentões. O miolo vai servir de “gancho”  para segurar o recheio dentro. Sem o miolo, depois de frito, o recheio se descola do pimentão.

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Se os pimentões forem pequenos, duas metades já são suficientes para uma pessoa.

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Leve para fritar em uma frigideira com revestimento anti-aderente. Ou sobre papel siliconado (eu uso o Dover Assa Mais Leve). Tenha paciência e deixe dourar bem.

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Vire do outro lado, deixe dourar um pouco, despeje umas 3 colheres de água no fundo da frigideira e tampe. Deixe cozinhar tampado, para cozinhar no vapor. Se continuar muito duro ou achar que a carne não está bem cozida, adicione um pouco mais de água e continue cozinhando no bafo por mais tempo. Pode servir assim. As crianças japonesas costumam gostar com um pouco de ketchup em cima.

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A massa de almôndegas também funciona para fazer um bolovo. É só cobrir ovos cozidos com uma camada de carne, passar em farinha, claras batidas e farinha de rosca.

 

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Atum “Enlatado” Em Casa – Outra Versão

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Eu publiquei há pouco uma versão de atum enlatado em casa. Mas há outra maneira – e esta vai agradar quem tem pouca intimidade com facas.

Vai precisar de retalhos de atum – tenho encontrado na feira do Ceagesp, aos sábados e domingos, a R$7,00. Você vai precisar tirar a pele desses retalhos mas deixe os ossos.

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Eu costumo salgar os pedaços de peixe e deixar por meia hora ou mais e lavar em seguida. Isso faz com que parte da albumina do peixe seja eliminada. Ela forma bolotas brancas, parecidas com clara de ovo cozida na superfície da carne. É só uma questão de aparência mesmo.

Coloque em uma panela de pressão com sal, água o suficiente para cobrir, um pouco de vinagre (cerca de 50 ml para cada quilo de peixe) e uma boa quantidade de óleo ou azeite. Seja generoso, use 1 xícara ou mais para cada quilo de peixe. E é só isso mesmo, o sabor ficará suave, sem a interferência de ervas que podem oxidar ou alho.

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Tampe, leve ao fogo e quando pegar pressão, abaixe a chama e cozinhe por uma hora e meia. Se for necessário abrir a panela para verificar se há água suficiente, desligue o fogo, espere que a pressão saia naturalmente e então abra a panela. Se forçar o esfriamento da panela debaixo da água ou levantando o pino, vai acontecer que o peixe continuará tão quente e com uma pressão interna maior que a do ambiente e os pedaços de carne poderão explodir, virando tudo um patê.

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Depois desse tempo, desligue o fogo e deixe a panela esfriar naturalmente. O peixe estará bem cozido e os ossos, muito macios. Na verdade, é possível até comê-los. Você pode comer o atum em seguida mas se quiser guardar para mais tarde, tire pedaços grandes e coloque em potes de vidro lavado.

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Encha com parte do caldo da panela (e o óleo que ele contém), tampe bem e leve os potes para ferver em uma panela com água, por 40 minutos a contar da fervura. Vai durar por um bom tempo mas, depois de aberto, consuma em 2 ou 3 dias.

O outro método de fazer conserva de atum eu publiquei aqui:

 

Atum “Enlatado” em Casa

 

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Aizomê Ichiba no Dia do Sake

Guardem a data, a próxima edição do Aizomê Ichiba vai ser no dia 1 de outubro, no dia do Sake. Vai ser especial.

E eu vou estar lá com conservas, doces, misos, defumados e umas outras coisinhas.

O endereço é Alameda Fernão Cardim 39.

Espero vocês lá.

 

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Nuggets de Frango com Okara (Resíduo de Soja)

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Crianças adoram, não? Eu também gosto e já deixei a infância há muito tempo. Fazer em casa não é difícil e adicionando resíduo de soja, ganha fibras, alguns nutrientes e ainda por cima, fica barato, já que ganho o resíduo de soja de graça.

Essa versão é rápida e fácil. Resolvi usar a conhecida sopa de cebola em pó porque sei que muita gente não encontra cebola desidratada, que dá um saborzinho especial. No mais, só vai precisar de um processador de alimentos.

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Bata no processador de alimentos:

1 peito de frango médio (mais ou menos 400 gramas) sem pele e sem os ossos, só o filé, bem gelada.

1 1/2 xícara de okara (ou resíduo de soja; escrevi sobre ele aqui:

Okara ou Resíduo de Soja

3 colheres de sopa de cebola em pó (daqueles, de pacotinho)

Alho, sal, pimenta do reino à gosto

Um pouco de água (pode variar, é só adicionar o suficiente para formar uma massa grudenta)

Depois de bem processada, até formar uma pasta um pouco pegajosa, teste o sabor. Como não se pode comer frango cru, recomendo pegar uma pequena porção e fritar numa frigideira.

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Se achar que está muito dura, adicione um pouco mais de água gelada e bata a massa mais um pouco.

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Polvilhe farinha em uma assadeira, modele os nuggets e polvilhe mais farinha em cima. Isso vai fazer com que a massa cubra melhor os bolinhos.

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Misture 3 colheres de farinha de trigo com 1 colher de fécula de batata e adicione água até formar uma massa quase líquida, mas que cubra o dedo de maneira uniforme. Passe os nuggets nessa massa, um a um e frite em óleo quente até dourar.

Sirva quente.

Talvez funcione fritar mas não deixe dourar muito e congele. Na hora de comer, é só fritar novamente, em óleo quente para dourar.

 

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Pesquisa Sobre Consumo de Pescado

Estive com problemas de conexão por aqui e com alguns assuntos pessoais, por isso o andei desaparecida.

Estou curiosa a respeito de alguns aspectos do consumo de pescados no Brasil e por isso criei um formulário curto, com apenas cinco perguntas básicas.

Quem puder responder, seria de grande ajuda.

O link para o formulário é este aqui:

https://goo.gl/forms/TxfuPdCtdCzvYKmX2

Obrigada.

 

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Celso Amano, Primeiro Brasileiro Campeão do World Sushi Cup

Celso Amano

Sim, ele já está de volta ao Brasil. E trabalhando no balcão do Sakagura A1 (R. Jerônimo da Veiga, 74, Itaim Bibi). Eu o conheci no Aizomê (Alameda Fernão Cardim 39) há um certo tempo e torcia por ele, claro. É um moço gentil e dedicado, esperava que tivesse uma boa colocação.

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Conversei um pouco com ele. Disse que foi uma surpresa, foi com a esperança de ficar entre os 20 primeiros, era a primeira vez que participava.

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E, apesar do título, ele acredita que ainda tem muito mais para aprender.

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A prova tem muitos itens a serem avaliados, desde a higiene até a perícia em limpar e filetar um peixe sem desperdício. Ou seja, detalhes contam muito e os juízes estão atentos a eles. As regras estão aqui (em inglês): http://worldsushicup.com/en/rule/

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Vendo as regras do concurso, penso que só o fato de ter participado já é merecedor de um prêmio…

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Se o título é bom para a gastronomia no Brasil? Sim, embora não seja novidade que temos bons representantes da cozinha japonesa aqui. Mas acho que é uma questão de mérito, o título é do Celso e espero que mais brasileiros participem do concurso nos próximos anos.

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Bem, termino aqui dizendo que melhor que a boa comida foi vê-lo tão feliz. Parabéns, Celso.

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