Molho de Ume Para Saladas

Comentei no Instagram e no Facebook. É época de ume. Essa ameixa azeda é muito popular no Japão. Costuma virar conserva ou licor. Já pode ser encontrada em feiras e nas mercearias orientais. Tem da menor e da maior. Eu paguei 8 reais por um quilo na feira de Ibiúna, no domingo. Já na Liberdade, vi a 15 reais.

A conserva costuma ser comida com arroz, uma dentadinha na fruta e depois uma porção de arroz. Há quem coma pura. Eu consumia assim durante o verão japonês, porque eu suava muito e perdia muito sal. Sim, o verão lá é muito quente, não era raro passar dos 30 graus e como o clima é úmido, a gente fica com a roupa molhada de suor. Eu precisava beber muita água e repor os sais minerais para não passar mal.

Mas a conserva pode ser utilizada em molhos, em pratos cozidos, saladas, etc, substituindo sal e vinagre.

Hoje resolvi fazer um molho para salada. A conserva de ume deu uma acidez que equilibrou com o azeite. Disse azeite? Pois é, azeite. Já faz um bom tempo que o Japão produz azeite, em regiões bem específicas, um deles foi premiado em concurso internacional. E os japoneses estão adicionando azeite aos pratos, seja pela questão do sabor, seja por preocupações com a saúde. Pode parecer estranho, a princípio, mas existem diversos tipos de azeites. Alguns são frutados, outros são picantes e eu preferi um herbal, um pouco amargo. Para quem quiser saber mais sobre azeites, sugiro o Guia de Azeites do Brasil 2018, do Sandro Marques.

Para o molho usei:

40 gramas da polpa do umeboshi (usei dos grandes, uns 5)

2 colheres de vinagre

3 a 4 colheres de azeite

100 ml de água

Processe tudo no mixer ou liquidificador e use.

Experimentei com uma salada simples de repolho e ficou muito boa.

Para quem quiser se aventurar em outras receitas com ume, aqui vai uma lista de sugestôes:

Cavalinha ao molho de ume

Conserva de chuchu no vinagre de ume.

Irizake (molho para sashimi à base de ume)

 

 

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Sushi Salada

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Há 25 anos eu estava trabalhando em uma indústria de alimentos. Um dos pratos resfriados que fazíamos no verão era uma tigela com arroz avinagrado, um pouco de maionese, alface cortada e uns acessórios por cima que não me lembro bem (creio que ia ovos cozidos em rodelas). Era uma salada de sushi. Depois não vi ou não prestei muita atenção.

Pois bem, nesses dias de calor, minha mãe pediu arroz temperado com vinagre, como para sushi, mas em uma tigela “com qualquer coisa por cima”. O pedido dela faz sentido, o vinagre estimula a salivação, o apetite e com o calor, acabamos comendo pior (pelo menos aqui em casa).

Não, isso não é tirashi. Pense em uma salada de arroz, simplesmente, com tudo que o que quiser colocar em cima. É bem mais informal mas acho que é uma boa opção para se levar na marmita; não é preciso aquecer, é satisfatório e permite variações. Dizem que os pescadores iam para o mar só com um pouco de arroz avinagrado. Comiam com o que pescavam. Se eles improvisavam, porque nós não?

Curiosamente, parece que as tigelas de salada de sushi se tornaram mais populares fora do Japão. Pesquisem Sushi Salad Bowl, tem um pouco de tudo.

Naquele dia fiz com fatias de atum marinado em shoyu e mirim, alface em tiras, pepino em fatias e conserva de gengibre e um pouco de maionese com wasabi. Poderia ser com pepinos em cubos, tirinhas de omelete, uma porção de carne de siri, cebolinha verde picada, alga wakame.

Não vou dar a receita, só a ideia. Existem preparados de vinagre para sushi, é só misturar ao arroz recém cozido. Aqui em casa não padronizei a receita, faço “a olho”, fico devendo. O arroz do tipo oriental continua macio depois de frio e mastigável até mesmo gelado.

 

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Atum “Enlatado” Em Casa – Outra Versão

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Eu publiquei há pouco uma versão de atum enlatado em casa. Mas há outra maneira – e esta vai agradar quem tem pouca intimidade com facas.

Vai precisar de retalhos de atum – tenho encontrado na feira do Ceagesp, aos sábados e domingos, a R$7,00. Você vai precisar tirar a pele desses retalhos mas deixe os ossos.

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Eu costumo salgar os pedaços de peixe e deixar por meia hora ou mais e lavar em seguida. Isso faz com que parte da albumina do peixe seja eliminada. Ela forma bolotas brancas, parecidas com clara de ovo cozida na superfície da carne. É só uma questão de aparência mesmo.

Coloque em uma panela de pressão com sal, água o suficiente para cobrir, um pouco de vinagre (cerca de 50 ml para cada quilo de peixe) e uma boa quantidade de óleo ou azeite. Seja generoso, use 1 xícara ou mais para cada quilo de peixe. E é só isso mesmo, o sabor ficará suave, sem a interferência de ervas que podem oxidar ou alho.

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Tampe, leve ao fogo e quando pegar pressão, abaixe a chama e cozinhe por uma hora e meia. Se for necessário abrir a panela para verificar se há água suficiente, desligue o fogo, espere que a pressão saia naturalmente e então abra a panela. Se forçar o esfriamento da panela debaixo da água ou levantando o pino, vai acontecer que o peixe continuará tão quente e com uma pressão interna maior que a do ambiente e os pedaços de carne poderão explodir, virando tudo um patê.

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Depois desse tempo, desligue o fogo e deixe a panela esfriar naturalmente. O peixe estará bem cozido e os ossos, muito macios. Na verdade, é possível até comê-los. Você pode comer o atum em seguida mas se quiser guardar para mais tarde, tire pedaços grandes e coloque em potes de vidro lavado.

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Encha com parte do caldo da panela (e o óleo que ele contém), tampe bem e leve os potes para ferver em uma panela com água, por 40 minutos a contar da fervura. Vai durar por um bom tempo mas, depois de aberto, consuma em 2 ou 3 dias.

O outro método de fazer conserva de atum eu publiquei aqui:

 

Atum “Enlatado” em Casa

 

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Novamente, Caracol Marinho – Zidona dufresneyi

Juro que não falo de caramujos marinhos por muito tempo. Só mais este post.  A minha primeira experiência com esse caracol publiquei aqui. No entanto, não fiquei de todo satisfeita com o resultado. A textura era firme, como a maioria dos caracóis marinhos que comi. Mas podia ser melhor.

Nessa o Edson Croce, do Shopping da Roça – que já me acudiu com a identificação dele – colaborou com sugestões de técnica de preparo: congelar rompe as fibras, porque a água contida nele se dilata. Bem, ele conhece um bocado de caracóis, é colecionador de conchas e comeu muitos!

Outra pessoa que ajudou-me é alguém que admiro muito: o chef Shinya Koike, dos restaurantes Aizome e Sakagura A1. Ele disse que preferia preparar no cozimento com caldo, no vapor, como se prepara abalone e polvo. Eu comentei essa técnica, tia-avó do cozimento em baixa temperatura aqui:

http://marisaono.com/delicia/?p=585

Então, juntando tudo ficou assim:

Primeiro, deixei em água fria com sal (bastante sal, quase tão salgado quanto a água do mar) por 12 horas, na geladeira. Depois disso escorri, coloquei em um saco plástico e levei ao congelador. Ficou mais de 24 horas. Coloquei-os em água fervente e cozinhei até descongelar e cozinhar um pouco. Arranquei os “pés”. As vísceras ficaram dentro da concha.

Depois coloquei em uma tigela com kombu-dashi (caldo à base de alga), um pouco de shoyu e sake. Levei essa tigela a uma panela de cozimento no vapor com água fervente. Tampei e baixei o fogo. Cozinhei por cerca de uma hora e meia. Testei com um palito se estava bem macio. Deixei esfriar no caldo.  Depois retirei do caldo e lavei com água e vinagre, para retirar a “gosma”. A textura ficou lembrando clara de ovo cozida. Bem macia e o sabor suave, lembrando mais um kamaboko (massa de peixe cozida).

Para a saladinha que pode ser servida antes de uma refeição japonesa ou como petisco para acompanhar uma bebida, fiz o seguinte: fatie o caracol bem fino e deixei marinando em uma mistura de dashi e vinagre (meio a meio) temperada com um pouco de shoyu. Cortei pepino em fatias finas, salguei levemente, espremi e também deixei marinando na mistura de dashi e vinagre. Na hora de servir, escorri, misturei e despejei um pouco de molho, feito com dashi, vinagre e shoyu.

 

 

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Outro Caracol Marinho – Zidona dufresneyi

Eu pretendia continua escrevendo sobre a Semana Mesa SP mas faço uma pausa para falar desses caramujos que comprei hoje. Creio que são os mesmos que o Alex Atala comentou na sua coluna na Prazeres da Mesa:

http://prazeresdamesa.uol.com.br/exibirMateria/4899/mar-do-brasil

Encontrei no varejão do Ceagesp a R$5,00 o quilo. Escolhi e trouxe o equivalente a R$6,50. Infelizmente não recebi muita informação de como cozinhar, exceto um “vá espetando com um garfo”. Deveria ter telefonado para o Edson Croce (do Shopping da Roça, que aliás, identificou para mim a espécie) ou lido o artigo, que recomendava purga-lo em água, sal e vinagre primeiro. Joguei em uma panela com água e sal, deixei por uns 3 minutos e tentei tira-los das conchas. Infelizmente não consegui tirar todos integralmente.

Outro pequeno inconveniente é que esse molusco solta uma “baba”.  Depois de retirado das conchas, voltei a cozinhar em água e sal e fui testando o ponto com um garfo. Não cozinhei por muito tempo, não, talvez uns 5 minutos.

Aproveitei apenas o “pé” do caramujo. Confesso que fiquei com receio e não experimentei as vísceras. Como ainda restava um pouco de “baba”, coloquei em uma mistura com água, sal e vinagre e deixei por algumas horas. Ocorreu algo um pouco curioso: o caramujo desbotou. Não que isso seja ruim, pelo contrário, acho até que ficou com uma aparência melhor.

Resolvi experimentar num su-miso: cortei em fatias finas, misturei vinagre de arroz e miso branco. Um pouco de cebolinha bem picada para dar cor e sabor extra. Não estou inventando nada, esse prato pode ser feito com sardinhas, polvo e até konnyaku. O caracol tem uma textura parecida com a do polvo e um sabor muito mais delicado. Por isso mesmo preferi usar o miso branco, que é mais jovem, tem um sabor mais suave e um pouco de doçura.

Aproveitando a textura e o sabor delicado, resolvi também fazer um baata-yaki: foi só saltear em manteiga e adicionar um pouco de shoyu. Cebolinha para enfeitar e o aspargo aí entrou de gaiato porque era o que tinha na horta. Comi com arroz. Poderia ter feito um ceviche. Poderia ter feito uma salada avinagrada, com pepino (um sunomono). Enfim, poderia ser aproveitado de várias maneiras. Se encontra-los novamente na feira, irei comprar para testar outras maneiras de prepara-lo.

Bem, quanto ao custo: de  1,3 kg, obtive quase 340 gramas de caramujo pronto para consumo. Ou seja, cada kg dele, limpo, ficaria em R$19,00, bem mais barato que um polvo, por exemplo.

Infelizmente, esses caramujos são pescados juntos com peixes ou camarões e não é raro serem descartados. Talvez alguma indústria use esse descarte para produzir adubo orgânico.

 

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4 Molhos Para Salada ou Agite Antes de Usar

O calor continua e por causa da Myrna lembrei-me de escrever sobre molhos para salada. Durante o tempo que morei no Japão, com o tempo curto – às vêzes tinha apenas 8 horas para tomar banho, cozinhar o jantar e dormir – eu tinha o hábito de deixar uma garrafa de molho pronto. Aliás, chegava a levar a garrafa para o trabalho, para temperar a salada do almoço.

Molho Oriental com Gergelim (à esquerda, de cor amarronzada)

50 ml de vinagre (usei de arroz) – talvez não use tudo

50 ml de molho de soja (shoyu)

100 ml de óleo

2 colheres de sopa de pasta de gergelim (tahine)

1 pedaço de gengibre fresco, limpo, picado; digamos que usei algo do tamanho do meu dedão

Bata tudo em um mixer (usei um de mão, daqueles que a gente usa com um copo) ou liquidificador, sendo o vinagre no final, aos poucos,  até ficar tudo bem misturado e o gengibre bem triturado. Corrija se necessário.  Por isso é melhor colocar o vinagre aos poucos porque pode ser que fique ácido demais, dependendo do tipo de vinagre usado.

Coloque em uma garrafa e guarde na geladeira por até uma semana. Agite antes de usar.

Variação: Diminua um pouco o shoyu e o vinagre e substitua a pasta de gergelim por duas colheres de chá de óleo de gergelim. Nesse caso o molho será mais líquido, não será cremoso, já que a pasta de gergelim age como um emulsificante. Se gostar, também pode adicionar pimenta-d0-reino ou pimenta vermelha.

Molho de Cenoura (ao centro, amarelo)

100 gramas de cenoura limpa e picada em pedaços grandes

2 a 3 colheres de vinagre

1 colher de sopa de mel

50 ml de óleo

Sal e pimenta-do-reino

Cozinhe a cenoura até ficar macia. Bata no mixer com 150 ml de água (pode usar  a água do cozimento) até ficar bem liso.

Adicione o vinagre, o óleo, o mel, sal e pimenta. Bata mais um pouco

Confira o sabor. Adicione mais vinagre caso queira. Guarde em um recipiente fechado na geladeira por alguns dias. Agite antes de usar.

Esse molho talvez agrade mais as crianças. O sabor é mais suave e a cor é atraente.

Molho “French” Com Cebola (à direita, branco)

Para ele fiz uma “moinese” de leite:

50 ml de leite

150 ml de óleo

1 colher de chá de gelatina em pó sem cor e sem sabor

2 colheres de sopa de água

2 colheres de sopa de vinagre branco

Sal e pimenta-do-reino

Hidrate a gelatina, polvilhando sobre a água, em um recipiente pequeno. Depois de alguns minutos, aqueça no microondas por 15 segundos.

Bata o leite e vá adicionando o óleo. A mistura vai engrossar um pouco. Adicione o vinagre, o sal, pimenta e a gelatina. Bata mais um pouco.

Leve à geladeira para firmar um pouco.

Esse creme vai dar corpo e estabilizar os dois molhos seguintes.

Para o molho:

100 ml de “maionese” de leite

30 a 50 ml de vinagre de arroz, de vinho branco, um vinagre de cor clara- talvez não precise de tanto

50 ml de óleo

1/2 cebola média picada

Sal e pimenta-do-reino à gosto

Bata tudo no mixer até que a cebola fique bem triturada, sendo que o vinagre é incorporado aos poucos. Talvez não precise usar tanto vinagre por conta do tipo usado, confira o sabor. Coloque em uma garrafa ou recipiente e guarde na geladeira por até 1 semana. Agite antes de usar.

Variação: Adicione um pouco de ketchup. Ficará parecido com o “Thousand Islands Dressing” que eu comprava já pronto, no Japão.

Molho de Laranja, Mostarda de Mel

100 ml de “maionese” de leite

100 ml de suco de laranja

50 ml de óleo

1 ou 2 colheres de sopa de mel

2 colheres de sopa de suco de limão

Mostarda em pasta (usei o “karashi” japonês que vem em tubo;  é forte, com sabor bem característico)

Sal

Bata no mixer a “maionese” de leite com o suco de laranja, suco de limão, óleo e mel. Vá adicionando a mostarda e provando. Como é muito forte, é melhor ir devagar, 1/3 de colher de chá para começar.

Tempere com sal e verifique o sabor. Guarde na geladeira em um recipiente que feche bem e use em uma semana. Agite antes de usar.

PS: Antes que alguém diga que o molho “French” não tem nada de francês, explico: um molho semelhante é comercializado no Japão com o nome de “French Dressing”. Não sei porquê, mas fica assim mesmo.

Na “cozinha do desespero” eu usava esses molhos com saladas-refeição: folhas, cenoura cortada bem fininha, milho cozido, pepino em fatias, tomate, uma pequena porção de frango assado ou presunto ou ovos cozidos ou atum em lata, alguns grãos de cevada cozida, dependendo da inspiração, brotos de nabo ou alfafa ou brócoli. Ou então com vegetais cozidos, frios, com alguma proteína. No verão é um almoço que não dá aquela sonolência depois.

Ah, claro, contém óleo então não é bom abusar da quantidade de molho, certo? Uso apenas o necessário para dar um sabor extra à salada.

 

 

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Bagel e Sanduíche de Pastrami e Alho Negro

Eu não me lembro de ter feito bagels antes. Bem, sempre existe a primeira vez. Vi várias receitas. Com ovos, sem ovos, com manteiga, sem manteiga. Acabei optando pela mais simples de todas, de um dos livros de receita que tenho aqui. Depois de assado e frio, fiz o teste: com a mão espalmada em cima, pressionei o pão. E não é que ele não se deforma mesmo?

Bem, não comi muitos bagels na vida, então não sei dizer se são tão bons. Mas funcionaram bem num sanduíche. A massa é firme, mais borrachuda que os pães que costumo fazer.

400 gramas de farinha de trigo

15 gramas de açúcar

3 gramas de sal

1 grama de fermento biológico seco instantâneo

Água suficiente para a massa

Misture todos os ingredientes secos. Adicione água aos poucos, misturando. A massa deverá ficar macia, mas não pegajosa demais. Sove por uns cinco minutos. Forme uma bola e deixe crescer. Vai pouco fermento mesmo, demora um pouco mais para crescer também.

Divida em 8 partes de forme bolas com cada uma. Deixe descansar por 10 minutos. Com um dedo, faça um furo no meio e alargue, formando uma rosquinha gorda. Deixe descansando em uma superfície enfarinhada.

Em uma panela grande coloque um bocado de água e deixe ferver. Adicione 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio. Cozinhe cada bagel em água fervente por 30 segundos cada lado. Coloque em uma forma untada. Eu pincelei com um pouco de gema batida e polvilhei sal moído em uns e gergelim em outros. Forno bem quente nos primeiros minutos e depois abaixei um pouco para terminassem de assar.

Já quanto ao sanduíche, deixei cebolas fatiadas bem finamente marinando em vinagre de maçã. Juntei fatias de pastrami (poderia ser rosbife), azeite e alho negro picadinho. Misturei para que tudo ficasse bem temperado e coloquei no pão.  Para um visual mais bonito, folhas de alface nova, quase brotos, por baixo. Nham! O adocicado do alho negro combinou muito bem com o ácido mas sem exageros do vinagre de maçã. E azeite, bem, azeite alegra qualquer prato.

 

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Serory no Su-zuke (Conserva Ácida de Salsão)

Morei muitos anos na cidade de Hamamatsu (Shizuoka) e só recentemente soube que a região é grande produtora de salsão. Claro que eu via muito salsão, sobretudo quando andava pelas estradas estreitas na periferia da cidade. Mas não supunha que produziam tanto assim.

Essa conserva veio dessa lembrança e do fato de que estou colhendo o primeiro salsão da temporada. É muito fácil de fazer. Pode ser comido antes da refeição, como aperitivo. É ácido, crocante e aromático.

Com um descascador de legumes, retirei a parte mais fibrosa, externa do talo de salsão. Fiquei só com a parte mais clara. Com o mesmo descascador, fui tirando fitas finas do talo. Usei cerca de 5 talos grandes, mas a quantidade de vinagre vai dar para mais.

Salguei as tiras de salsão e deixei descansando por cerca de meia hora. O salsão vai perder água.

Enquanto isso, ferva 250 ml de água, 100 ml de vinagre, 1 colher bem cheia de chá de sal e 2 colheres de sopa bem cheias de açúcar. Desligue o fogo assim que o açúcar se dissolver. Reserve.

Escorra o salsão e lave para retirar o excesso de sal. As tirinhas deverão estar salgadas, mas não demais.

Misture com o molho de vinagre e guarde em um pote por algumas horas ou de um dia para outro antes de comer. Escorra do vinagre e sirva em pequenas porções.

 

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Vinagre Não É Só Azedo

No post anterior disse que falaria sobre vinagres em outro dia. O motivo de eu adiar o assunto foi  a matéria do Paladar de hoje. Para quem ainda não leu, aqui vai o link:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,a-mais-fina-acidez,4686,0.htm

 

 

Na cozinha japonesa o vinagre é usado não só no sushi, mas também em sunomonos, em conservas como o gari. Peixes são marinados em vinagre, alterando o sabor e a textura, como as sardinhas. Em pratos mais gordurosos, como frituras, confere uma certa leveza, como no Aji Nanban-zuke.

Aqui em casa o vinagre não vai só nas saladas, não. Gosto de batatas fritas com a casca regadas com uma mistura de alho frito, salsa e vinagre. Quase dispensa sal. No verão às vezes bebo vinagre diluído em água gelada. Dá uma sensação de saciedade e é revigorante. Em alguns lugares andam bebendo vinagre para emagrecer e para combater aquela sonolência que a gente tem depois do almoço. Dizem que tem a ver com a resposta glicêmica. Deixo que pesquisem e tirem suas conclusões. Só que nesse caso, os vinagres feitos com frutas ou aromatizados são mais agradáveis para beber.

E o vinagre também pode ser usado como produto de limpeza. Para que a casa não fique cheirando a picles, coloque umas flores de lavanda dentro de um vidro com vinagre e deixe uma semana ou mais, agitando todos os dias. Um pouco desse vinagre, diluído em água, deixa os cabelos mais brilhantes. É só enxaguar os cabelos com ele.

E sabe aquele cheirinho chato que fica nas roupas quando elas são lavadas em dias chuvosos e demoram para secar? É, aquela coisa que parece com cheiro de cachorro molhado. Um pouco de vinagre no enxague evita esse cheiro.

E quando a comida queima? Pois é, hoje mesmo minha mãe esqueceu um ensopado no fogo. O caldo à base de shoyu virou carvão. Nada de pânico. Adicione um pouco de água, espere a panela esfriar um pouco e adicione um copo de vinagre. Mas não aspire o vapor! Tampe e espere. Uma palha de aço grossa termina o serviço, sem esforço. Funciona bem em panelas de inox.

Para terminar esse post, listo os vinagres que tenho em casa no momento: vinagre comum feito de cana, de arroz, vinagre preto chinês (que tem um aroma e sabor muito interessantes) e vinagre de vinho com aroma de framboesa. Esse último, uso exclusivamente para beber.

 

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Su-Buta ou Porco Agridoce

Essa é mais uma daquelas receitas que eu achava que já tinha publicado e parece que não. Esta versão é muito simples, fácil e rápida. De diferente, uso o vinagre preto chinês, que tem um sabor mais marcante, complexo. Mas se não encontrar – sei que muitos leitores estão longe de São Paulo e não têm acesso a mercearias orientais – use vinagre comum, mesmo.

Aliás, queria acrescentar um parágrafo para falar do vinagre. Aqui no Brasil praticamente só usamos vinagre em saladas ou para “lavar” frango. Não vejo muitos pratos com vinagre no molho ou preparo. Já na Ásia, de uma maneira geral, o vinagre é considerado em elemento que dá leveza e até um certo frescor. Pratos gordurosos levam um toque de vinagre, por exemplo. Em algum lugar – desculpem-me, recentemente roubaram meu laptop e perdi muitos dados – li que a China consome muito, mas muito vinagre. Muito mais que no Japão e certamente muito mais que nós no Brasil. Não só porque gostam mas também porque se acredita que vinagre faz bem para a circulação. Depois volto a falar dos vinagres, em outro dia, em outra hora.

Essa receita alimentou 2 pessoas adultas esfomeadas.

1/2 cebola pequena cortada em cubos médios

1/2 cenoura média cortada diagonalmente

1 pimentão médio cortado em cubos

Cerca de 3/4 xícara de porco cortado em cubos (lombo ou filé suíno)

Cerca de 1 xícara de brotos de bambu

1 ou 2 colheres de chá de gengibre ralado

1/2 xícara de abacaxi cortado em cubinhos

Molho de soja, vinagre, sal, amido de milho, sake

3/4 xícara de farinha de trigo

1/2 xícara de amido de milho

1 ovo pequeno

1 colher de chá de fermento químico

Tempere os cubinhos de carne de porco com um pouco de molho de soja e sake. Na falta de sake, use vinho branco. Deixe descansar por uns 10 minutos

Misture a farinha, o amido, o fermento e o ovo. Adicione água até formar uma massa não muito grossa. Adicione uma colher de óleo.

Passe os pedaços de porco nessa massa e frite em óleo quente até dourarem. Escorra sobre papel absorvente.

No mesmo óleo, frite as cenouras por mais ou menos um minuto. Adicione as cebolas e o pimentão e frite mais um pouco, até as cebolas ficarem ligeiramente transparentes. Escorra bem.

Para o molho,  refogue o gengibre em um pouco de óleo. Adicione o abacaxi, cerca de 1 xícara de água, molho de soja e vinagre à gosto. Eu adicionei suco de abacaxi (que escorreu do abacaxi cortado), mas você pode usar um pouco de açúcar. Engrosse o molho com amido, adicione o broto de bambu, espere aquecer e então adicone o porco e os vegetais fritos. Misture bem, aqueça, confira o sabor e sirva.  Prefiro acompanhar arroz branco.

Classifico com cozinha do desespero porque fica pronto em menos de 20 minutos mesmo.

 

 

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