Daikon Oroshi – Nabo Ralado

Eu já falei do daikon oroshi? Acho que não.

É apenas nabo ralado. E daí? Bem, é uma coisa que gosto muito de comer. Mas não como puro, só com arroz. O nabo ralado vai em bem com um pouco de shoyu para ser comido com um peixe gordo grelhado, carne bovina grelhada, um bifinho. Combina bem com alimentos gordurosos. Gosto mais dos nabos que crescem daqui para adiante, durante os meses mais frios, porque são mais adocicados. Os nabos do verão são bem picantes. No entanto, muita gente gosta do nabo picante, a ponto de adicionar pimenta vermelha. É uma questão de gosto. Há quem diga que ajuda na digestão.

Só que o nabo é uma raiz bem fibrosa. Para isto costumamos usar um ralador especial, ralando em movimentos circulares, para obter uma pasta mais fina.

O ralador japonês é diferente. As ranhuras são em sentidos diferentes e bem pequenas. O ralador comum costuma produzir pequenas tiras. Existem outros raladores japoneses, alguns são feitos de cerâmica que também funcionam.

 

 

 

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Bavaroise de Baunilha, Cupuaçu e Chocolate

Porquê não vejo muita gente fazendo bavaroise? Bem, talvez eu não esteja vendo as páginas certas, as revistas certas, enfim. O fato é que acho bavaroise uma sobremesa relativamente fácil e versátil. Desta vez juntei doce de cupuaçu e montei em uma tigelinha de cerâmica japonesa. O doce de cupuaçu é o doce mais doce que o paladar brasileiro tanto gosta e é perfumado, um pouco ácido, muito gostoso. Gostei do resultado.

2 gemas

40 gramas de açúcar

150 ml de leite

8 gramas de gelatina em pó

4 colheres de sopa de água

250 ml de creme de leite fresco gelado

40 gramas de açúcar

Para o doce de cupuaçu

250 gramas de polpa de cupuaçu (vende congelada, a que usei é do Empório Poitara )

150 gramas de açúcar

Cobertura de chocolate

100 gramas de chocolate meio amargo, picado

200 ml de creme de leite

Primeiro prepare o doce de cupuaçu.

Passe a polpa de cupuaçu no processador de alimentos. Junte o açúcar e leve ao fogo até engrossar e ficar brilhante. Reserve.

Bata o creme de leite com 40 gramas de açúcar até formar picos firmes. Reserve.

Bata as gemas com o açúcar até ficar claro. Junte o leite, misture bem e passe por uma peneira.

Polvilhe a gelatina sobre a água em uma tigela de vidro ou plástico. Espere hidratar bem e leve ao microondas por 30 segundos,mais ou menos, até dissolver.

Prepare uma tigela com cubos de gelo.

Leve a mistura de gemas com leite e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até engrossar um pouco. Tire do fogo, junte a gelatina derretida e misture bem.

Coloque a panela diretamente sobre o gelo, misturando sempre, até que engrosse um pouco, com uma textura parecida com a de claras de ovos cruas. Retire do gelo.

Adicione o creme de leite batido, misturando bem.

Despeje um pouco da bavaroise no fundo de tigelinhas. Coloque um pouco de doce de cupuaçu no centro (pouco mesmo, 2 colheres de chá, mais ou menos).

Complete com o restante de bavaroise.

Leve a geladeira para terminar de firmar.

Para a cobertura, aqueça o creme de leite até quase ferver. Junte o chocolate picado e mexa até derreter. Reserve.

Retire as bavaroises da geladeira e decore com um pouco da cobertura de chocolate e um pouco de doce de cupuaçu.

A receita rendeu 7 porções, em tigelinhas pequenas. Poderia ser feita em forminhas de alumínio e desenformadas.

Não pode ser congelada e não recomendo guardar na geladeira por muito tempo. Não gosta de cupuaçu? Tudo bem, use outro doce de sua preferência.

 

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7° Aizomê Ichiba

Vai ser no dia 8, sábado, das 11 às 16 horas, no estacionamento do restaurante Aizomê (Alamenda Fernão Cardim 39)

Vou estar lá com defumados, pães, conservas e umas coisas que estou testando aqui.

Também vai ter sake, doces e pratos quentes.

Encontro com vocês lá.

 

 

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Bacon, Pernil e Pastrami

Dá para fazer defumados em casa. Salga, cura, defumação do bacon, pernil e pastrami, seguido de almoço com as carnes, salada, pães e sobremesa. Chá, água e café. Tudo isso no próximo domingo, das 10 horas até as 15, aqui em casa, perto de Ibiúna.

Mais informações pelo e-mail marisaono@gmail.com

 

 

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Fruta do Milagre e Limonete

A primeira vez que ouvi falar da fruta do milagre foi há muito tempo (uns 15 anos ou mais). Fiquei muito curiosa com essa frutinha que prometia fazer uma confusão na nossa boca e fazer um limão parecer doce.

O meu pé é pequeno, produziu meia dúzia de frutinhas mas que garantiram a diversão. É só mastigar bem a parte externa na fruta (o caroço é grande), para que se espalhe por toda a língua. A fruta em si não tem quase gosto. Por pelo menos 20 minutos, tudo que for ácido vai parecer doce, inclusive um limão. Uma tangerina fica até um pouco enjoativa.

O nome da planta é Synsepalum dulcificum, é originária da África e é consumida para mascarar o sabor ácido de pães, por exemplo.

Estão pesquisando a utilização da miraculina (que é o princípio ativo que provoca essa sensação de dulçor) como adoçante. Pelo pouco que li, estão trabalhando em alguns problemas técnicos. Afinal, é interessante que seja estável no calor, que possa ser cozido, por exemplo, ou adicionado a bebidas quentes. Como os frutos são pequenos e um pé não produz muitos dele, o preço também parece ser um empecilho, embora também estejam pensando em produção em estufas, que garantiriam 3 safras anuais, por exemplo.

A muda que tenho comprei na Fazenda Cintra:

http://www.fazendacitra.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=208:a-fruta-do-milagre-miracle-fruit-synsepalum-dulcificum&catid=16:plantas-raras&Itemid=27

Outra planta que tenho aqui há um tempo e ainda não comentei é o limonete (Lúcia-lima, Bela Luísa). Tem um aroma intenso que remete ao capim-limão (capim santo).

Cresce bem, o meu pé já deve de estar com quase 3 metros. Os galhos são finos, maleáveis.

Usa-se para preparar chás, bebidas mas também como tempero. Quando comprei, disseram que usam muito para temperar peixes e aves. Pode ser picado e acrescentado à saladas e molhos. O chá é um quase nada amargo, mas fica bem gelado, com um pouco de limão ou outro suco de fruta. Ainda não testei, mas creio que ficaria bem em sobremesas, xaropes, sorvetes, já que é bem perfumado. Ah, e para quem gosta de um drink, vi que estão colocando uma folhinha no gin tônica também.

A muda de Aloysia triphylla que tenho comprei na banca de mudas da dona Maria Maruyama no Varejão do Ceagesp. É fácil de identificar, tem um monte de mudas de ervas.

 

 

 

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Chiffon Cake de Yuzu

Esta é a receita de número 700. 700! É um número considerável, não?

Yuzu é um limão de origem japonesa. Tem um aroma peculiar e é bem ácido. Os meus ainda não estão maduros e o aroma ainda não está pleno mas, mesmo assim, fiz o bolo. Chiffon cake é um bolo muito leve, leva óleo ao invés de manteiga e precisa de uma forma especial para ser assada, com bordas altas e buraco no meio. A minha é pequena, de 16 cm de diâmetro.

É um bolo que é bom para ser comido com chá, pode até ser servido como sobremesa, com uma boa colherada de creme batido ou uma compota de frutas.

6 claras

60 gramas de açúcar

6 gemas

45 gramas de açúcar

75 ml de óleo

75 ml de água

Raspas de 1 yuzu (ou limão)

Suco de 1 yuzu (ou limão)

120 gramas de farinha de trigo

1 colher de chá de fermento em pó

Bata as claras em neve. Adicione os 60 gramas de açúcar aos poucos e bata até formar um merengue bem firme. Reserve

Bata as gemas com o açúcar restante até ficar bem claro e fofo.

Junte o óleo, a água, as raspas de limão e o suco. Misture.

Peneire a farinha com o fermento e adicione à mistura de gemas, misturando sem bater.

Junte 1/3 do merengue e misture com cuidado. Adicione mais 1/3 do merengue e torne a misturar. Adicione o merengue restante e misture com cuidado, de baixo para cima. Tenha certeza que todo merengue esteja incorporado.

Despeje em uma forma de chiffon cake de 16 cm de diâmetro, sem untar.

Leve ao forno a 170°C, até dourar e estar cozido.

Retire do forno, vire de ponta-cabeça e espere esfriar bem.

Passe uma espátula em toda a volta, uma faca fina em torno do cone e solte do fundo.

 

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Lamen em Casa

É possível fazer lamen em casa? Sim, porque não?

Quer aprender a fazer uma massa, um caldo saboroso e opções de “cobertura”?

E para os dias de calor, a versão gelada, com vegetais, bem colorida?

Vai ser aqui em casa, dia 19, a partir das 10 horas, com previsão de terminar às 14, depois do almoço com os lamens, sobremesa, café e chá.

Mais informações pelo e-mail

marisaono@gmail.com

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Irizake ou O Quê Os Japoneses Usavam Antes do Shoyu

Muita gente pensa que shoyu é um molho muito tradicional na cozinha japonesa. E é. Mas ser tradicional não significa exatamente ser popular. Muitos imigrantes japoneses do começo do século passado sequer conheciam. Parece absurdo, não? Mas é preciso entender que o processo artesanal faz com que o molho de soja seja algo demorado e caro (alguns shoyus demoram de 2 a 4 anos para ficarem prontos). Isso me soa caro, pelo menos nos padrões de produção da década de 30. Depois da Segunda Guerra Mundial, muita coisa mudou, inclusive o processo em escala industrial, com temperatura controlada e outras inovações. Hoje, alguns fabricantes dizem produzir shoyu com fermentação natural em alguns meses.

Então, se não era tão popular assim, o que usavam? Usavam o irizake.

Eu já havia lido sobre o irizake há muitos anos mas confesso que só registrei na mente como uma curiosidade. Só que parece que os japoneses voltaram a usa-lo. As receitas e os gostos são assim mesmo, vão, voltam, renovam. Talvez seja porque seja um molho leve, com menos sódio. Talvez seja porque é algo que pode ser feito em casa, pode se dar um toque pessoal, distinto. Ou porque começaram a falar e escrever sobre chefs que voltaram a usar. Seja qual o motivo, ele está de volta.

Irizake significa “sake reduzido”. Mas no caso, não é só sake. Vai umeboshi (a ameixa azeda em conserva), bonito seco (katsuobushi) e sal.

2 umeboshis grandes (ou talvez uns 4 pequenos)

360 ml de sake

Um pouco de lascas de katsuobushi (cerca de 10 gramas); se não encontrar, use caldo industrializado (Hondashi), algo entre 1/2 a 1 colher de chá.

Sal

Leve o sake e o umeboshi em uma panela de inox (ou de vidro, cerâmica; evite alumínio) e deixe fervendo em fogo médio até quase chegar à metade.

Retire do fogo e deixe esfriar um pouco (uns 3 minutos). Adicione o bonito seco. Se for usar o caldo industrializado, não precisa esfriar. Volte ao fogo baixo e aqueça até quase ferver.

Coe em um pano fino. Dependendo da qualidade do bonito seco, pode ser que tenha um cheiro um pouco forte. Neste caso, volte ao fogo alto por um ou dois minutos para evaporar um pouco esses aromas mais fortes. Adicione sal à gosto.

Guarde em um vidro na geladeira por 2 semanas.

Além de ser servido com sashimi, ele tem sido usado com tofu, em saladas, vegetais grelhados, tempura e ficaria bem até mesmo com um somen (macarrão branco fino) geladinho ou um peixe gordo grelhado.

O sabor é ácido, mas não tanto. Há um perfume um pouco frutado do umeboshi e, dependendo do sake, outros aromas virão.Dependendo do sake, podem ser que venha um sabor um pouco amargo. Não vou recomendar nenhum sake  porque é algo que pode ser barato ou caro, podem gostar ou não. Admito que tenho pena de ferver um sake muito bom, prefiro beber.

E como muitas receitas, esta também tem versões. Uns adicionam alga kombu, vi alguém usando arroz tostado para dar uma cor mais castanha e um sabor mais profundo (kokumi). Não creio que exista uma receita mais “certa”, se não sair muito da combinação sake com umeboshi. Só acho que não deveria entrar nenhuma especiaria. Para mim, é algo que pode ser adicionado depois, no prato ou na hora de servir.

 

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Temaki de Acarajé?

Na terça estive no auditório do Senac Aclimação para falar um pouco sobre a história da minha família e a história do chef Mazen Zwawe, refugiado libanês que teve seu restaurante em Damasco bombardeado. Para minha surpresa – só soube na hora – haviam 150 inscritos. O auditório estava bem cheio e a gente nem foi falar sobre receitas.

Bem, o que eu disse lá foi mais ou menos isto:

A família de meu pai e a família de minha mãe vieram ao Brasil mais ou menos na mesma época, na década de 30. Meu pai tinha cerca de 6 anos, minha mãe nasceu em Sete Barras. Como muitos, vieram com o sonho de uma vida melhor. A intenção da família do meu pai era de ficar alguns anos e voltar. Já meu avô materno tinha outro motivo forte: era oficial da cavalaria e não pretendia servir em outra guerra.

Cresci ouvindo como a adaptação foi difícil. Havia o arroz, o inhame e a batata doce, que já fazia parte da dieta deles. Comiam também o broto de bambu e samambaia, além de frutas. Os peixes secos que compunham a dieta de inverno deles como o arenque e o salmão foram substituídos pelo bacalhau e pela sardinha salgada. A família da minha mãe se estabeleceu na região de Registro e tinha acesso a manjubas, que viraram uma versão de uma conserva, que muitas vezes é feita com lulas, polvo, ovas de peixe. Quando faltava arroz – porque eles dependiam do que plantavam – comiam mandioca cozida ou uma panqueca feita com fubá, água e bicarbonato. Banana comeram até passar mal. Um parente sofreu intoxicação com mandioca brava. Com o surgimento das cooperativas agrícolas, surgiram mais ingredientes, troca de receitas nos clubes e associações, o conhecimento foi compartilhado. Cozinheiro profissional, mesmo, meu pai só se lembrava de um, que era cozinheiro do navio, se apaixonou por uma moça e desembarcou sem avisar ninguém em Santos.

Eu vivi no Rio de Janeiro até 1974, bem longe dos parentes. Naquela época, haviam poucas famílias de japoneses ou descendentes. Pasta de soja e shoyu só eram encontrados em lojas de produtos macrobióticos. Lembro de ter tomado sopa de pasta de soja, comido um macarrão branco com caldo e vegetais, ovos estrelados recebiam um pouco de molho de soja por cima da gema. Quando eu ficava doente tomava um mingau de arroz.

Eu fui conhecer melhor a cozinha dos imigrantes quando fomos morar em Londrina. Lá convivi com parentes, haviam as festas da associação do bairro, o clube nikkei. No dia-a-dia haviam abóboras, batatas, vagens cozidos no molho de soja, acelga refogada, conservas de nabo, pepino, gengibre, rakkyo. O arroz, quase sempre era branco, sem óleo, sem nada. Mas meu pai insistia em não misturar comida japonesa com a brasileira, por assim dizer. Então, nesses dias, nada de feijão, por exemplo. Nós fazíamos muita coisa em casa, como a pasta de soja (miso), o tofu, doces. Não porque gostávamos, mas porque não existia para comprar. Os ingredientes japoneses eram raros, até mesmo a alga nori utilizada nos makizushis (os sushis enrolados) eram guardados com cuidado para as festas do final de ano ou uma data especial. A gente fazia umas folhas finas de omelete, em uma frigideira quadrada, como substituição. A informação sobre o Japão vinha através de revistas, que eram muito caras ou, já da década de 80, por fitas de video de programas japoneses.

Só que eu fui morar no Japão no começo da década de 90. Aí fui ver que a comida que eu considerava como sendo japonesa era meio diferente. A primeira coisa que percebi que lá tudo era mais adocicado. Na época que meus pais, avós vieram para o Brasil, o açúcar era raro e caro e mantiveram essa parcimônia no uso do açúcar ao longo de décadas. Outra é que o caldo base para quase tudo era feito com alga e ou peixe seco como o bonito. Naquela época, o kombu era muito difícil de ser comprado. O caldo mais comum era à base de frango. Outra coisa é que muita gente pensa que cozinha de um país é algo estático mas não é. O curry que minha mãe fazia era algo que os japoneses consumiam no começo do século passado. Hoje é um ensopado rico, denso, escuro. O paladar lá foi mudando. O trigo sarraceno, que era largamente consumido, sobretudo pelas classes menos privilegiadas, perdeu espaço para o arroz e para o trigo. De uma maneira geral, o consumo de grãos integrais caiu muito por lá.Hoje consome-se muito mais carne de frango, porco e vaca que naquele período. Haviam até histórias de que para comprar um quilo de carne, era preciso pegar uma autorização na delegacia. Não sei se é verdade. Outra coisa que fui entender melhor lá foi a questão da comida regional. Aqui temos uma ideia de um país pequeno e homogêneo, mas não é bem assim, províncias próximas podem ter clima e caracteristicas bem diversas, por conta das corrente marinhas, de montanhas muito altas, do vento que vem do Norte.

De volta ao Brasil depois de 16 anos, outra surpresa. Lojas abarrotadas de produtos que na minha juventude eram raros. A cozinha japonesa havia se tornado popular mas… novamente, o que eu via aqui não era bem o que comia lá. Depois entendi que muita coisa veio dos Estados Unidos. O sushi frito com cream cheese, com abacate, salmão cru. E que muita gente pensando que o japonês só come sushi e sashimi. Eu fiquei muito surpresa ao ver que haviam adotado receitas norte-americanas, apesar da enorme quantidade de descendentes aqui no Brasil. Também achei curioso o fato de muitos pratos terem o nome trocado, como o imagawayaki ser chamado aqui de kintsuba ou dorayaki, que são doces de formatos e estrutura totalmente diferentes.

Bom, depois dessa ida e vinda e de tudo que comi, o que fica?

Ficam algumas adaptações que considero geniais. A conserva de vinagreira é algo que só vejo no Brasil mas que surpreende os japoneses pela semelhança com a conserva de ameixa azeda (umeboshi) que impressiona até mesmo os japoneses. O curry com mandioca no lugar da batata é algo bem nosso, mais comum no interior, virou algo como uma vaca atolada com curry. Em dado momento, com a mandioca farta, resolveram experimentar fazer algo além de cozinhar com água e sal e usaram técnicas e se basearam em receitas que conheciam. Ninguém lá atrás pensou em ser inovador e sim em usar o que tinha à mão. O Okinawa Soba é um prato típico de Campo Grande mas não é tão fiel ao original, também é uma adaptação que caiu no gosto. O yakisoba daqui é diferente, tem muito mais carne, verduras, as porções são maiores, tem muito mais molho. E tanto tempo depois, a gente ainda continua com algumas tradições, como o hábito de carregar obentos (marmitas) em gincanas, piqueiniques das associações. Só que em vez de umeboshi e salmão salgado grelhado, a gente coloca linguiça frita e frango à milanesa…

As conservas à base de chuchu poderiam ser uma adaptação? Sim. Mas o curioso é que fui encontrar conservas muito parecidas às que fazemos por aqui na província de Nagano. Descobri que o nosso chuchu se chama Hayato-uri e que era consumido antes da Segunda Guerra. Mas é pouco provável que muitos imigrantes o conhecessem antes, assim como as conservas de mamão verde de Okinawa. É curioso ver que os dois países chegaram mais ou menos na mesma coisa. É que a cozinha de um país não se define apenas pelos ingredientes utilizados e sim na forma como são preparados. A cozinha japonesa, de uma maneira geral, quase não usa especiarias e poucas ervas. Busca-se valorizar o ingrediente, com pouca intervenção. Tanto que preferem servir diversos pequenas porções em uma refeição. Então, se utilizar as técnicas da cozinha japonesa e evitar intervir muito no ingrediente, é possível chegar em uma receita japonesa adaptada.

Para o futuro, vejo que a vanguarda lá está experimentando ingredientes novos. São ávidos, são curiosos. No lado oposto, a cozinha doméstica, tem bem menos preconceitos. É abacate com shoyu, morango com pepino e maionese, bacon com acelga. No futuro, é bem possível que a cozinha japonesa autêntica fique um pouco parecida com a nossa cozinha adaptada. Apostar em receitas que ficarão é difícil. Não viverei para saber o que de tudo que comemos agora se tornará uma receita “tradicional”. E também não decido sobre isso. Pode até ser que alguém um dia faça um temaki de acarajé bom, quem vai saber?

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Do temaki de acarajé ao risoto com catupiry: a história da imigração no Brasil

Vai ser no dia 21, no Senac Aclimação (Rua Pires da Mota, 838), a partir das 19:30.

Vou falar sobre a cozinha dos imigrantes e as adaptações.

O evento é aberto e gratuito, mais informações sobre o evento e inscrição, veja no link abaixo:

http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,oracle.br.dataservers.ContentEventDataServer18,selectEvent&template=949.dwt&event=4065&unit=ACL

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