Bananinha (Mas Não É de Paraibuna)

Não é todo dia que como wagyu, é claro. A bananinha é uma opção boa, barata e saborosa. Trata-se de um retalho do contrafilé, vendido geralmente em pacotes e por um preço muito bom, geralmente mais barato que alcatra, por exemplo. É um corte irregular, o que é uma desvantagem. Por outro lado, é entremeado de gordura e tenro. Ótimo para fazer na chapa ou grelha.

São bocados com até 10 cm de comprimento e 3 a 4 cm de largura.  Eu gosto de come-las grelhadas, acompanhadas de uma porção de daikon (rábano) ralado e shoyu. Costumo ralar a parte de cima do daikon, que tem um sabor mais suave e, dependendo da variedade, é até adocicada. A ponta é mais fibrosa e pode ser até picante. E já que o formato do corte não é tão bonito, cortei em bocados menores antes de servir, mais conveniente para quem vai comer com hashi.

 

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Tarte Aux Poires

Esta torta é a minha favorita e não sei como ainda não publiquei. É delicada, os sabores e texturas combinam muito bem e não é difícil de fazer. Já vou avisando que não é muito doce. Aproveitei umas peras que eram mais firmes (Abatte Fetel). Prefiro comer essa torta à temperatura ambiente.

Descasque e parta ao meio 4 peras. Conforme for descascando, coloque-as em água com suco de limão para que não escureçam. Cozinhe com água, açúcar e um pouco de limão até que fiquem macias. Não dou quantidade de açúcar, fica a seu gosto. Eu prefiro usar pouco açúcar. Deixe esfriar e escorra da calda.

Para a massa:

150 gramas de manteiga amolecida

100 gramas de açúcar de confeiteiro

1 ovo médio

250 gramas de farinha de trigo

Bata o açúcar com a manteiga. Adicione o ovo, bata mais um pouco e adicione a farinha. Misture com uma espátula. Cubra com um filme plástico e leve à geladeira por 2 horas ou mais, até ficar bem firme.

Divida a massa ao meio. Embrulhe uma parte em um filme plástico e guarde. Pode congelar e usar mais tarde.

A outra parte, divida ao meio e abra fino (3 mm de espessura). Fica mais fácil se abrir entre dois pedaços de filme plástico. Forre duas formas para quiche com 16 cm de diâmetro.

Para o recheio:

60 gramas de manteiga amolecida

60 gramas de açúcar

60 gramas de ovo (um ovo grande)

60 gramas de farinha de amêndoa

Gotas de baunilha – se puder, use um bom óleo de baunilha

Bata a manteiga com o açúcar, adicione o ovo, bata mais um pouco, adicione a farinha de amêndoa e a baunilha e misture. Divida entre as duas formas e alise com as costas de uma colher.

Sobre a pasta de amêndoa arrume 4 metades de pera cozida. Leve ao forno médio, pré-aquecido, até que as bordas fiquem bem douradas. Espere esfriar antes de cortar. Para uma aparência perfeita, pincele com geleia de damasco.

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Wagyu com Molho de Alho Negro e Gengibre

Dizem a favor do wagyu que toda a gordura que contem não é puro colesterol. Parte daquela gordura toda é composta de ácidos graxos. Confesso que não sei quase nada sobre eles, mas parece que alguns são muito importantes para a saúde e até mesmo para o controle do colesterol. Um dia ainda lerei sobre o assunto com mais calma. Alguma informação encontrei na página da associação brasileira dos criadores de gado bovino wagyu:  http://www.wagyu.org.br/sobre-a-raca-wagyu/kobe-beef/

O fato é que é preciso bom-senso e moderação. Apesar de ser deliciosa, não penso em comer uma quantidade enorme dessa e de outras carnes. No Japão, um bife com 180  gramas era considerado um exagero. Os japoneses ficariam surpresos se soubessem que por aqui há quem coma 300 gramas em uma refeição.

Preferi não manipular demais o corte de bife de tira, cortado transversalmente da costela. Cortei entre os ossos, levei à chapa quente e dourei. Deixei a carne mal-passada.

Para o molho, levei ao fogo 4 colheres de sake com 1 colher de sopa de açúcar até que o açúcar derretesse. Deixei amornar e adicionei 2 colheres de sopa de pasta de alho negro (descasquei quase uma cabeça, amassei e passei por uma peneira), 2 colheres de chá de suco de gengibre (ralei gengibre e espremi) e 4 colheres de shoyu. Conferi o sabor. Dependendo da marca, o molho de soja pode ser mais ou menos salgado.

Aliás, esse molho ficaria bem com outros cortes de carne ou até mesmo porco, grelhados, como yakiniku.

PS: Eu não preciso ir até São Paulo para encontrar wagyu e outros cortes especiais. Perto da Raposo Tavares tem o Shopping da Roça, que eu comentei aqui: http://marisaono.com/delicia/?p=4561

 

 

 

 

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Marshmallow de Melão

Sempre que vou à Liberdade noto de muitos compram marshmallows. É que lá existem marshmallows recheados, com sabores diferentes. Hoje resolvi testar uma receita do Masahito Motohashi. Bem, na verdade, fiz algumas pequenas alterações já que ele usa purê de maracujá e de framboesa. Usei pasta de melão da Fabbri, que costuma ser utilizada em sorvetes. Funcionou. Mas já vou avisando, não funciona com todas as pastas. As que são oleosas ou gordurosas (pistache, chocolate, por exemplo) não proporcionam uma mistura aerada. Nesse caso, é melhor usar essências.  Hoje em dia algumas lojas de produtos para confeitaria comercializam dessas pastas em potes pequenos, de 200 gramas, creio eu. Antes, era preciso compra uma lata inteira e desembolsar um certo valor.

85 gramas de água

16 gramas de gelatina em pó, sem sabor

4 gramas de kantem (agar-agar, gelatina de alga) em pó

Misture tudo e deixe hidratar em uma tigela grande.

300 gramas de açúcar cristal

100 ml de água

Misture o açúcar com a água e leve ao fogo. Deixe ferver por cerca de 10 minutos. Teste com um pouco de calda morna. Pegue um pouco da calda entre o indicador e o polegar e lentamente, abra os dedos. Deverá formar um fio de 3 a 4 cm antes de se romper.

Despeje essa calda quente na gelatina hidratada. Mexa e bata com uma batedeira, em velocidade alta. Adicione 40 gramas de pasta de melão e continue batendo até formar uma mistura aerada, clara, como um merengue. Despeje em uma assadeira pequena (com cerca de 25 por 12 cm) levemente untada com óleo. Espere firmar para desenformar em uma superfície polvilhada com amido de milho. Corte em cubos e passe todos os lados em mais amido. Guarde em um pote bem fechado. Não creio que seja sensato guardar por muitos dias.

 

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Sato-imo Koroke (Croquete de Inhame)

Os japoneses têm um grande apreço pelo inhame. São cozidos com shoyu ou miso, com outros vegetais ou com carne e também virem croquetes, que  podem complementar uma refeição ou ser consumido como petisco, acompanhando uma cerveja. A melhor variedade para esse prato é o ebi-imo, inhame de formato curvo, que faz a fama da cidade de Iwata (Shizuoka). Esse tipo de inhame é tão valorizado que os próprios habitantes da cidade não têm acesso a esse ingrediente, que é vendido diretamente para restaurantes ou em grandes centros consumidores.  Infelizmente, esse tipo de inhame não é comum.

A receita – se dá para chamar assim – é simples. Cozinhei cerca de 800 gramas de inhame e passei pelo passaverdura.  Poderia ter usado o espremedor de batatas.

Refoguei meia cebola média em um pouco de óleo até ficar transparente. Adicionei 150 gramas de carne moída e 2 colheres (de sopa) de sake. Deixei refogando até quase secar. Temperei com shoyu. Deixei refogando até secar, mas sem dourar. Adicionei à massa de inhame. Temperei com sal e pimenta do reino.

Enrolei em bolinhas usando cerca de 1 colher de sopa de massa. Trabalhar com as mãos enfarinhadas impede que a massa grude nelas. Passei em farinha de trigo, ovo batido e farinha de rosca ou panko.

Deixei na geladeira por 2 horas antes de fritar.

Para fritar, usei bastante óleo quente. Fritei até dourar em fogo alto. Cuidado, porque se fritar por tempo demais a massa irá amolecer e o croquete irá estourar.

Sirva com molho para tonkatsu ou uma mistura feita com molho inglês e ketchup.

PS: Sim, existem variações. Croquete de inhame pode ser feito com carne de porco ou com vegetais (cenoura, vagem) picadinhos. Ao invés de shoyu, pode ser temperado com sal e curry em pó.

 

 

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Couve-Flor Gratinada com Miso

O miso é um ingrediente que não é tão utilizado na cozinha ocidental, ao contrário do shoyu, que tornou-se bem mais popular. No entanto, pelo menos para mim, poderia ser mais explorado. Por se tratar de um fermentado, possui um aroma e sabor característicos, que variam de fabricante para fabricante. Infelizmente já vi misos que não receberam koji suficiente e tiveram sua maturação comprometida; que são comercializados antes de terem fermentado apropriadamente e, finalmente, misos que foram misturados (produção nova não-maturada com mais velhos). É um triste fato, nem sempre misos artesanais são de qualidade aqui no Brasil.

Eu gosto de miso com leite ou manteiga, combinação bem conhecida em Hokkaido.

1 couve-flor pequena

50 gramas de manteiga

50 gramas de farinha de trigo

400 ml de leite

Cerca de 2 colheres de sopa de miso (como a quantidade de sal varia de fabricante para fabricante, talvez seja necessário menos ou mais)

Corte a couve-flor em buquês. Em uma panela com cerca de 1.5 litros de água, dissolva 1 colher de sopa cheia de farinha de trigo. Leve ao fogo. Adicione a couve-flor e afervente, sem deixar cozinhar demais. Isso vai diminuir o cheiro dela. Passe por água fria para interromper o cozimento, escorra e coloque em um refratário untado.

Para o molho, derreta a manteiga em fogo baixo em uma panela. Adicione a farinha, misture bem e vá adicionando o leite aos poucos. Misture bem antes de incorporar mais leite. Costumo usar um batedor de mão, de arame (fouet). O resultado será um creme espesso. Adicione o miso – costumo passar por uma peneira – e misture. Despeje sobre a couve-flor e leve ao forno quente para dourar ligeiramente. Se quiser uma cor mais atraente, regue com um pouco mais de manteiga derretida antes de levar ao forno.

 

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Bolo de Laranja

Laranjas estão bonitas e gostosas. Lembrei do bolo regado com sumo de laranjas, que quase todo mundo comeu na infância. Queria fazer e, por conta de sermos apenas duas pessoas em casa, pensei em fazer um bolo pequeno. Este foi assado em uma forma de papel para panetones de 500 gramas. A receita é de Yayá Ribeiro, originalmente publicada em 1934. O livrinho dela ainda é publicado pela editora L&PM e muitos vão reconhecer algumas receitas dela.

Eu converti as medidas (originalmente em colheres) para gramas e fiz umas alterações.

2 gemas

50 gramas de manteiga amolecida

90 gramas de açúcar

70 gramas de farinha

2 colheres (de chá) de fermento em pó

Raspas de laranja

2 claras em neve

1/2 xícara de suco de laranja

Açúcar cristal para polvilhar

Bata as gemas com a manteiga. Adicione o açúcar e bata mais um pouco. Adicione a farinha e o fermento peneirados. Misture.

Adicione 1/3 das claras à massa e misture. Não se preocupe em manter o ar. Depois de bem incorporada, adicione o restante das claras e as raspas de laranja e misture com cuidado.

Leve para assar em uma forma com cerca de 13 cm de diâmetro em forno pré-aquecido, temperatura média. Quando ficar pronto, retire do forno e ainda quente, faça furos com um palito e regue com o suco de laranja. Polvilhe com açúcar cristal e leve ao forno por mais 2 a 3 minutos. Espere esfriar para cortar e servir.

PS: Usei ovos caipiras, por isso o bolo ficou muito amarelo, não é edição em Photoshop.

 

 

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Chawan-mushi de Microondas

Outro dia saí correndo de casa, enfiada em um moleton cinza, meu cabelo não estava nos melhores dias e não tinha feito as unhas. Bem, pensei, quem vou encontrar numa feira? Pois é, fui reconhecida. Para meu susto, ouvi alguém pronunciar meu nome. Moral da história: antes de sair de casa, dê uma boa olhada no espelho antes.

Vera identificou-se como minha leitora e fez um pedido: chawan-mushi de microondas. Andei gripada e sem muito ânimo. Fiz uns testes outro dia, não ficou bom e hoje acertei no tempo e potência.  Eu já havia publicado uma receita, para ser feita no vapor, há muito tempo:  http://marisaono.com/delicia/?p=1444

 

 

A receita é a mesma: para cada ovo, 100 ml de caldo (dashi ou caldo leve de frango, sem muitas ervas). Para facilitar mesmo a vida de todo mundo, usei água fervida e dashi industrializado. É importante que o caldo industrializado seja dissolvido em água fervida. Se feita com água sem ferver a mistura formará muitas bolhas e a textura será comprometida.

Bata o ovo, adicione o caldo ou dashi já frio, bata um pouco mais e passe por uma peneira. Caso haja espuma, retire com uma colher. Tempere com um colher de chá de shoyu e, se necessário, um pouco de sal. O teor de sal varia muito de marca para marca. Se quiser um toque adocicado, pode também adicionar uma pitada de açúcar. Eu prefiro sem.

Divida em duas tigelinhas de cerâmica, vidro refratário ou outro material que possa ir ao microondas. Se quiser adicionar algum “recheio” (pedacinhos de frango já cozido, camarões, cogumelos, etc), não exagere. Eu costumo usar um terço do volume da mistura de ovos. No caso, usei horenso (espinafre japonês) aferventado, bem espremido e picado em pedaços de uns 3-4 cm.

Cubra com um filme plástico e com um palito, faça dois furos para que possa escapar parte do vapor. No meu caso, o microondas tem 800 watts de potência (se não tiver certeza, confira na parte de trás do aparelho). Usei potência 3 por 6 minutos, depois girei as tigelinhas, de modo que a parte que estava voltada para o centro ficasse virada para as paredes. Mais dois minutos na mesma potência e pronto.

Caso seu microondas tenha 600 watts de potência, sugiro usar potência 4. O importante é não cozinhar demais porque o chawan-mushi tende a talhar se cozido demais. Ajustes terão que ser feitos caso faça uma quantidade maior. Eu prefiro um chawan-mushi mais firme, mas há quem prefira usar 150 ml de caldo ou dashi.

 

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Bolinhos de Okara

Bem, para mim isso nem é receita, mas vai que alguém ainda não conhece? Esses bolinhos surgiram da necessidade em aproveitar o bagaço de soja que sobra quando fazemos leite de soja ou tofu. Como o okara é uma massa quase sem gosto ou cheiro, recebe bem quase qualquer coisa. No caso, um pouquinho de carne moída, salsa, pimenta-d0-reino, mas as possibilidades são muitas. Rendem bolinhos sequinhos por fora e macios por dentro, para serem comidos na refeição ou até como petisco.

Não vou dar medidas, porque é muito simples.  Juntei ao okara uma porção bem pequena de carne moída,  algo em torno de 100 gramas. Temperei com sal, pimenta moída e salsinha. Quebrei 2 ovos e amassei com farinha para dar liga. Depois foi só fazer bolinhos achatados e fritar. Como não se desmancharam, não precisei juntar mais farinha.

E se não quiser usar carne, não precisa. Há quem adicione peixe moído e lembro que fazíamos com sardinha triturada.

 

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Catuá

Eu não tenho publicado nos últimos dias. Creio que estou gripada, ando espirando e tossindo muito e há uns dois dias só quero dormir, dormir.

Mas fui à feira e encontrei esse lindo peixe. Mesmo sem saber nada sobre ele (exceto o comentário do peixeiro: é uma carne branca que parece com garoupa), comprei (a R$12,oo/kg). É um peixe pequeno, não deu um quilo.

Confesso que fiquei até com dó de limpar, assar e comer. Ele tem uma cor vermelha tão intensa que me deu mais vontade de empalha-lo.

Bem, como não conhecia, tratei de assar só com sal e pimenta-do-reino. De fato, é um peixe de carne clara, que se desfaz em flocos grandes, com uma certa quantidade de gelatina. Além disso, tem o fato de ser pequeno,  suficiente para 2 ou 3 pessoas e o preço, comparado com outros peixes mais conhecidos, está bem em conta. Bom para ser frito ou assado. Não sei se ficaria bom cozido.

 

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