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Hakusai no Shio-koji Tsuke (Conserva de Acelga com Shio-koji)
Outro dia comentei sobre o shio-koji. Para quem tem acesso ao koji (arroz cozido e onde desenvolveu-se o Aspergillus Oryzae), basta misturar 500 gramas de koji, 170 gramas de sal e cerca de 600 ml de água. Deixe descansar por 2 semanas ou mais. Pode ser que desenvolva um pouco de gás.
Para fazer essa conserva, cortei acelga em pedaços (os japoneses gostam da expressão “do tamanho da boca”), pesei e para cada kg de acelga, usei 100 gramas de shio-koji. Coloquei tudo em um saco plástico resistente e massageei tudo por uns minutos. Fechei o saco e levei à geladeira até a próxima refeição.
O shio-koji conferiu uma doçura extra à conserva. Mas como não contem tanto sal, essa conserva deve ser consumida logo.

Horenso Burajiru-nuts ae
Ou espinafre japonês com molho cremoso de castanha-do-Pará. Ah, alguém vai dizer que castanha-do-Pará não é ingrediente da culinária japonesa. Não, não é, mas um dia poderá ser, assim como o amendoim, a batata-doce e outros tantos que foram daqui para lá. Na verdade é uma variação do horenso goma-ae, prato muito comum da culinária japonesa.
E porquê fui inventar de trocar a pasta de castanha-do-Pará no lugar da pasta de gergelim? Primeiro porque essa pasta é gostosa. E em seguida porque não resisto a variações. Usaria pasta de castanha de caju, se encontrasse uma sem açúcar. Pasta de amendoim também serve. Este creme fui conhecer na feira do Paladar, no hotel Grand Hyatt. Outros produtos desta empresa podem ser conferidos aqui: http://ouroverdeamazonia.com.br/produtos.php
Para fazer esse molho, é bem simples: basta misturar creme de castanha (ou pasta de gergelim ou pasta de amendoim sem açúcar) com shoyu e um pouco de açúcar. De vez em quando gosto de adicionar também um pouco de vinagre. Confira o sabor e misture a espinafre japonês cozido, passado em água fria, espremido e cortado em pedaços de 5 cm. Também fica bom com acelga cozida, ou vagens, sempre frios.

Costelinha Marinada no Shio-koji
Há algum tempo comentei que havia ganho dois potinhos de shio-koji. Shio-koji nada mais é que arroz contaminado pelo Aspergillus Oryzae (koji) misturado a sal e água e deixado maturar. Usei para temperar uma costelinha de porco. Acrescentei shoyu pela cor. O resultado foi uma carne com um aroma que ficou entre miso e sake e bem suculento. Sei que ambos são coisas bem diferentes, mas em comum há o próprio koji, em ambos existe o perfume característico da fermentação. É uma opção para quem acha o sabor do miso muito forte ou não quer a cor marrom no prato.
Para cerca de 600 gramas de porco, usei 1 colher de sopa (rasa) de shio-koji, cerca de 1 colher de shoyu e um pouco de mirim (se não tiver, use um pouco de glucose de milho) para dar uma cor mais avermelhada. Deixei na geladeira por umas 4 horas e assei naquelas churrasqueiras de fogão, daí o dourado irregular. Se tivesse assado no forno a cor seria mais bonita.

“Melão” de Frango
Vi o Turkey Melon no blog do David Lebovitz e fiquei com coceira. Não fiz com peru, mas fiz com frango. Dá um pouco de trabalho, sim. Primeiro é preciso desossar o frango. Ia colocar um video, mas ainda não editei e confesso que sou muito desajeitada. Deve de ter algo no Youtube. Não é complicado, basta cortar as pontas das asas fora, tirar o “ossinho da sorte”, fazer um corte nas costas da ave e ir acompanhando os ossos. Nas coxas, é só ir raspando perto dos ossos e cortar fora a ponta da coxa, que é cheia de cartilagens e fibra.
O resultado será uma peça de carne que pode ser enrolada. Temperei com sal (cerca de 10 gramas para cada kg de carne), um pouco de alho e pimenta-do-reino. Fiz uma bola e deixei na geladeira por uma noite.
Cobrir toda a peça com fatias de bacon é um pouco trabalhoso sim. Precisei cortar no comprimento certo e fui colando sobre a pele do frango.
Depois amarrei todo com barbante. Não sei se dá para ver que amarrei em oito “gomos” e depois, para ficar mais firme, passei um fio de barbante pelo meio da peça, no sentido da altura. À essa altura, confesso, estava dizendo para mim mesma: é bom que esse trabalho todo valha a pena…
Levei ao forno médio, coberto por uma folha de alumínio. Depois de uma hora e meia, espetei com um garfo e conferi se o líquido que saía era claro. Tirei o alumínio, aumentei o fogo e deixei corar, regando eventualmente com a gordura que se formou na assadeira. Tirei do forno, deixei descansar 15 minutos, tire os barbantes todos e cortei.
Se valeu a pena? Sim. O frango ficou suculento como nunca vi em nenhum frango assado. O bacon deu um sabor defumado delicioso. Mesmo depois de frio (comi no jantar num sanduíche), estava muito bom.
Agora deixo com vocês. Creio que ficará muito bom com algum recheio, como alguns dentes de alho negro ou tomate seco ou, quem sabe? alho-poró, salsão, cenoura refogada…
E é uma sugestão para os açougues e rotisseries. Fico pensando em outras carnes assim. E será que funcionaria com uma mistura de carnes, como no churrasco grego?
Aqui vai o vídeo de Jacques Pepin desossando um frango, fazendo tulipa da asinha e outras coisas mais:

Tiramisu
Outro dia soube que minha mãe nunca tinha provado o tiramisu. Explico a minha surpresa: esse doce é muito popular no Japão. Pode ser encontrado tanto em restaurantes e docerias quanto em lojas de conveniência, supermercados, em potinhos individuais.
Antes de levar pedrada dos italianos e descendentes, explico que vou apresentar uma versão desse doce, popular por lá. Assim como aqui, o queijo mascarpone não é muito conhecido e é bem mais comum usarem uma mistura de cream cheese e creme de leite. A gelatina dá um pouco mais de textura.
200 gramas de cream cheese
50 gramas de açúcar
2 gemas
50 ml de leite
5 gramas de gelatina incolor em pó
50 ml de água
200 ml de creme de leite
Essência de baunilha à gosto
1 pacote de biscoito champagne
Café coado forte, frio
1 ou 2 colheres de rum
Cacau em pó
Polvilhe a gelatina sobre a água e deixe hidratar. Aqueça no microondas por 20 a 30 segundos e mexa até que derreta completamente. Reserve.
Prepare uma tigela com gelo e água.
Bata as gemas com o açúcar e o cream cheese. Adicione o leite e bata mais um pouco. Adicione a gelatina e bata novamente. Adicione o creme de leite e a baunilha e coloque essa tigela dentro da outra com gelo e água para que ela esfrie rapidamente. Continue batendo até que a mistura esteja aerada e engrosse.
Molhe os biscoitos na mistura de café e rum. Arrume uma camada no fundo de uma forma ou refratário retangular com cerca de 1 litro de capacidade. Usei uma que tem 22,5 x14 x 4,7 cm.
Coloque metade do creme sobre os biscoitos.
Polvilhe cacau em pó sobre todo o creme. Para isso usei uma peneira pequena.
Arrume outra camada de biscoitos molhados em café e rum por cima do creme.
Cubra com o creme restante e polvilhe tudo com mais cacau em pó.
Leve à geladeira até a hora de servir.
Obs: por lá as “sobremesas para adultos” são menos doces. Por aqui o paladar é outro. Sugiro aumentar a quantidade de açúcar para 80 gramas. As porções por lá também são menores, essa quantidade serviria 8 pessoas mas por aqui creio que renderia 6 porções.

Gokudo Meshi (Sukiyaki)
Assisti a esse filme ontem. A sugestão veio via Facebook. É a estória de 5 homens que cumprem pena em uma penitenciária. Valendo um item da refeição do Ano-Novo (oseti-ryoki), cada um fala do prato que mais gostaria de comer. E a descrição dos pratos, a interpretação e tudo mais conseguiu fazer com que eu tivesse mesmo vontade de comer alguns deles.
Não é o melhor filme sobre comida, mas para quem dá valor ao prato feito com amor – que nem sempre é uma fina iguaria – é um bom programa. E ainda corre o risco de correr para a cozinha e preparar alguma coisa para comer.
Não sei se já saiu versão legendada. Para quem gosta de comprar na Amazon, vai o link:
http://www.amazon.com/Japanese-Movie-Gokudo-Meshi-KIBF-1051/dp/B007NN7SX4

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Farinhas
As farinhas fazem parte da nossa vida que nem pensamos nelas. A farinha de trigo está no pão, no biscoito, no bolo. Mas não é a única e cada farinha tem seu sabor, seu uso.
Esta lindeza é a farinha ovinha, feita de massa de mandioca fermentada. Tem um sabor e aroma que lembram o polvilho azedo e para o meu gosto, dura demais. A Neide Rigo faz cuscuz, salada, sopa. Ela escreveu sobre ela aqui: http://come-se.blogspot.com.br/2008/06/farinha-ovinha-nosso-cuscuz-marroquino.html
Essa é uma farinha d’água que comprei em uma pequena mercearia. Aliás, a primeira vez que vi uma farinha grossa assim foi no Japão, ganhei de uma família que veio de Belém. Para mim, que só conhecia farinha de mandioca bem fina, parecia um punhado de cascalho. Ainda vou brincar com ela.
Este é o flocão de arroz, para fazer cuscuz. Não sabia que existia, também encontrei em uma pequena mercearia. É para hidratar com um pouco de água e cozinhar no vapor, embora existam receitas de bolo com ele.
Este é o flocão de milho, mais comum, anda aparecendo nos supermercados. Isso também é, de certa forma, novo para mim. Conhecia o cuscuz paulista e o cuscuz de tapioca, feito com leite e coco. Minha mãe costuma dizer que faziam cuscuz com fubá, que era cozido no vapor em um tipo de vaso de barro. Coisas perdidas no tempo, pelo visto.
Farinha de milho, que eu só uso para o cuscuz paulista e recheio de frango assado. Uma vez ofereceram-me bolinhos feitos com essa farinha misturada a ovos e queijo e frito. Era bom. Mas se eu tiver tempo e mais disposição para pesquisar, tenho certeza que encontrarei receitas de outros petiscos com essa farinha.
Fubá, oras. Mas sabe que agora vi o quanto um fubá pode ser diferente do outro? Já comprei fubá com cheiro de tulha. Existem fubás mais finos, outros mais grosseiros, mais cheirosos, para fazer angu, bolo, biscoito. E assim também é com a farinha de mandioca. Há farinha para todos os gostos.
E ainda existem farinhas de amêndoas, castanha-de-caju, de castanha-do-pará, de mandioca integral (essa, apesar das possibilidades, é mais conhecida como ração animal), de bocaiúva, de peixe. Já pensaram em quantas coisas são feitas com essas farinhas todas?
Por enquanto, só aventurei-me com o flocão de milho. Misturei cerca de 6 colheres de sopa de água e um pouco de sal em 1 xícara de água, esfregando com as mãos. Levei para cozinhar no vapor em uma trouxa de pano (não tenho cuscuzeira) por uns 10 minutos. Tirei do fogo, afofei com um garfo e deixei de lado.
À parte, refoguei um pedaço de linguiça sem a pele, desmanchando enquanto fritava com uma cebola pequena picada. Juntei o cuscuz de milho, misturei, salpiquei salsa e uns pedacinhos de queijo coalho dourado na frigideira. Comi com mostarda refogada.

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Dalva e Dito Convida Thiago e Felipe Castanho
Fui almoçar no Dalva e Dito. Sim, estava muito curiosa pela comida do Pará. Confesso que não conheço nada do Brasil do Rio de Janeiro para cima. Como até hoje só conheci lugares para onde fui levada pelas circunstâncias (leia-se trabalho), espero que um dia algo me faça ir para as outras regiões do Brasil.
No couvert vieram pimentas, alho assado, pão, beiju crocante com um toque de pimenta, bolinho de piracuí (farinha de peixe, algo que eu diria ser próximo ao katsuo-bushi e o soboro), que remete um pouco ao bolinho de bacalhau.
E também veio um antepasto adocicado de berinjela e jiló. Experimentei todas s pimentas. A amarela eu tenho aqui em casa, disseram-me que era pimenta-de-cheiro do Pará, não sei se tem esse nome de fato. A arredondada não tenho certeza qual seja. A verdinha parece ser a cumari, que também tenho aqui. E, se eu não estiver errada, a outra, alongada e vermelha é a malagueta.
A entrada foi o tacacá. Não conhecia esse caldo ácido, herbal, com o jambu dando choque pela boca toda. No entanto, que engraçado, me lembrou algo que comi em um restaurante tailandês.
Também não conhecia o filhote, que veio suculento, macio, delicado. Esqueça a ideia de que todo peixe de rio tem gosto de lodo. Na verdade depende muito do que ele come e de onde vem. Veio com um molho de tucupi (o sumo da mandioca brava, fervida para reduzir a toxina) e um cuscuz de farinha d’água.
Mas para mim a grande surpresa mesmo foi o pirarucu defumado, com urucum, banana e farofa de castanha. Primeiro porque sempre fico com um pé atrás com peixes defumados. Tenho algumas más lembranças. Esse pirarucu, segundo o Thiago, foi curado e defumado, ganhando textura e sabor, sem ficar ressecado, muito saboroso e, ao mesmo tempo, simples.
A sobremesa era bacuri com melado, cumaru, café e tuile de tapioca. No detalhe da foto, uma das flores que mais gosto: a alyssum. Talvez porque na Antiguidade era utilizada para tratamento de doenças mentais (brincadeirinha…). O engraçado é que não me lembro de ter comido bacuri, mas o sabor dele pareceu-me familiar. Pode até ser que eu tenha comido, há muito tempo, ainda criança, quando meu pai trabalhava em uma transportadora e os motoristas vinham de lugares distantes com coisas curiosas.
Valeu? Valeu. Valeu primeiro pelo sabor. Valeu conhecer uma cozinha tão diferente e tão delicada. Valeu pelo aprendizado, pela experiência.
Thiago e Rodrigo Castanho estarão no Dalva e Dito até o dia 21. É melhor fazer reserva. O menu do jantar é diferente do almoço.
Rua Padre João Manuel, 1115 Fone: 11 3068-4444
PS: A Antonia Padvaiskas, do Empório Poitara comercializa muitos produtos amazônicos. Tem um melaço divino, farinha ovinha, piracuí e um mundo de coisas. O e-mail dela é: toni.ginger@gmail.com

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Sementes e Shio-koji: Ganhei!
Hoje recebi um pacote que veio de longe. A embalagem branca com letras em vermelho e azul era do correio japonês. Dentro, preciosidades: sementes de vegetais e dois potinhos de shio-koji.
Não conhecia ainda essa variedade de milho doce, chamada Super Maron (ou malon, ou marron?) que cozinha em apenas 4 minutos e promete ser muito, muito doce. E nem esse mini-kabocha. São vegetais para serem plantados na primavera. Além delas, recebi sementes de horenso (espinafre japonês), bardana (ou gobô), shisô (folhas de oba), e de um rabanete compridinho.
Espero que o daikon para ser comido ralado (como daikon-oroshi), mais doce e suculento cresça bem por aqui. O problema é a incidência de sol, temos muita luz neste país e os rábanos, nabos, ficam com um sabor mais forte. A cebolinha de talo grosso dá um certo trabalho e leva mais tempo para ser colhido, creio que seis meses.
Já tinha ouvido falar do shio-koji na aula da Mari Hirata. Recebi dois potinhos feitos com arroz japonês.
No verso, sugestões de uso: misturar a vegetais picados e deixar descansar na geladeira, transformando-se em uma conserva rápida (asazuke). Marinar carnes ou peixes antes de grelhar ou cozinhar no vapor. E, por fim, usar como tempero em refogados. Ah, pensaram que eu não sei ler japonês? Na verdade, verdade, não sei. O bom do idioma é que, em muitos casos, basta saber algumas palavras-chaves para pegar o sentido geral. Vou testar em breve.
Quanto a quem mandou esses presentes, não sei se posso dizer o nome, fica aqui só parte do nome: Akira. Muito obrigada!

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