Mousse de Chocolate e Café

Esta é a primeira receita de 2012: uma receita doce, mas sem exageros, rica, elegante e simples. Essa mousse tem uma textura interessante. É aerada mas não é muito “espumosa”, pelo contrário, é uma mousse mais firme. Usei chocolate 70% da Callebaut, que ganhei (desculpe-me, esqueci o nome!) do pessoal do stand da Callebaut no Mesa Tendências. É um chocolate muito gostoso, fino, porém não creio que seja barato. Se puder, compre. Se puder comprar fracionado – talvez alguma loja faça potinhos menores – compre. Mas funcionará com outros chocolates também. Usei café porque gosto de doces que misturam café e chocolate. Mas também ficará bom com outra bebida, como rum ou licores.

Essa receita eu criei em cima de outra. Sempre fico meio cismada com mousses ue usam claras cruas. Não é por medo da contaminação, porque no meu caso, posso contar com ovos postos no dia. É por conta da textura, de um certo cheirinho que não gosto. Resolvi o problema fazendo uma “quase” zabaione.

75 gramas de chocolate meio-amargo

75 gramas de manteiga sem sal, temperatura ambiente

75 gramas de açúcar

100 ml de água

2 ovos grandes

50 ml de café muito forte

Escolha uma tigela (geralmente uso de metal) que encaixe em uma panela. Coloque um pouco de água nessa panela e leve ao fogo até quase ferver. Não coloque muita água, o nível de água não precisa chegar ao fundo da tigela, o chocolate derreterá só no vapor.

Misture o chocolate picado com a manteiga e leve para derreter nesse banho-maria, mexendo sempre até ficar liso. Retire do banho-maria e deixe esfriar.

Bata os 2 ovos até ficarem bem claros. Eu prefiro usar uma batedeira, daquelas pequenas, sem pedestal.

Misture o açúcar e a água. Leve ao fogo até formar uma calda espessa. Pegue um pouco de calda morna entre os dedos indicador e polegar. A calda terá uma consistência quase de mel e formará um fio que se rompe facilmente, quando afastamos os dedos.

Despeje essa calda quente sobre os ovos, batendo sem parar. Os ovos vão crescer um pouco mais. Continue batendo até que a misture fique morna. Deixe descansando ao lado até esfriar um pouco. Ou coloque a tigela sobre gelo para esfriar mais rápido (como eu fiz) e mexa de vez em quando.

Adicione o chocolate derretido e o café. Misture com paciência, com movimentos de baixo para cima, com uma espátula. Divida em tigelas (3 se for exagerada como eu, 4 ou 5 se for uma pessoa sensata) e leve para gelar.

 

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Feliz 2012

Este é o último post do ano. A foto acima é do osonai mochi (ou kagami mochi), que fazemos todos os anos, como um tipo de oferenda.

Hoje soube que o blog recebeu 913.731 visitas que  visualizaram  2.418.232  páginas.  É um número excelente, considerando que o blog não está em um portal, não está ligado a nenhum meio de comunicação (jornal, revista, etc) ou empresa. Isso é um grande presente que recebo dos leitores: saber que estou agradando a tantos.

Quero agradecer às 3 pessoas que doaram no total R$90,00. Descontando tarifas do Paypal, ficaram R$76,44. Não sei se posso dizer o nome dessas 3 pessoas. Parte desse valor usei em uma contribuição para o hospital do câncer de Barretos e o resto usei em produtos que achei curiosos e estou testando.

Também gostaria de agradecer ao carinho que recebi dos leitores, tanto através dos comentários, via Twitter, Facebook e até em encontros pessoais, como na aula da Mari Hirata e  no Mesa Tendências.  Desculpem-me se pareci assustada. Na verdade, tomo um susto sempre que alguém me reconhece.

Para o ano que vem espero poder escrever sobre muita coisa gostosa e simples. É, eu estou em busca do essencial, do básico, do mínimo. Para amanhã prometo uma receita de mousse de chocolate e café que, por enquanto, é a melhor que provei.

Feliz 2012 para todos.

 

 

 

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Rabanadas

Hoje meu lado português queria rabanadas. Antes que alguém conteste minha ascendência, explico: meu padrinhos eram descendentes de portugueses. Os padrinhos da minha irmã eram portugueses. A vizinhança toda, até os meus oito anos,  era portuguesa ou cigana. Muito do que comi na minha infância, tinha influência portuguesa. O bairro onde morei ainda mantinha uma arquitetura que remontava o período do império, com suas janelas estreitas e altas, vias de paralelepípedo, postes de ferro.

Mas vamos às rabanadas. Não, não são a mesma coisa que french toasts ou pain perdu. Rabanada é feita com filão ou pão para rabanada, nunca com pão de forma, nem brioche. Na rabanada, o pão dormido é fatiado, molhado em leite fervido com açúcar (e bastante açúcar, afinal, os portugueses amam doces bem doces) e passado em ovos batidos antes de serem fritos em um pouco de manteiga e óleo. São polvilhados com canela e comidos frios.

E outra lembrança da infância: as rabanadas ficavam melhores ainda no dia seguinte. Sempre tinha rabanadas na ceia de Natal, junto com frutas secas, algum vinho. Não me lembro de ver muita comida à mesa na ceia. Não, naquela época, eu nem sonhava que existia alguma coisa chamada panetone.

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Kabocha Koroke (Croquete de Abóbora Japonesa)

A safra de abóboras japonesas até que foi boa, apesar do granizo, da geada fora de época e outras tantas esquisitices climáticas dos últimos meses. Por aqui não temos muitas opções em termos de kabocha. No Japão é muito prezado e destacam-se a Yebisu e a abóbora Kuri Kabocha. Ambos têm uma polpa de textura lisa, sem fibras. O Kuri kabocha é delicado e adocicado, lembrando a castanha portuguesa (kuri em japonês significa castanha).

Para esse croquete, usei a kuri kabocha. As sementes vieram do Japão. Aliás, quem estiver no Japão e quiser me mandar sementes de kabocha, de milho Pita Corn, de Sunapu Endo, agradeço. São plantas que produzem até que bem por aqui. Pelo que andei vendo, tudo que cresce na Província de Shizuoka – exceto talvez o maravilhoso morango Akihime – vinga nesta região do Estado de São Paulo e  no norte do Paraná.

Estava fazendo esses croquetes quando um amigo japonês passou por aqui para um café. Provou a massa e sugeriu que eu colocasse um pouco de curry. E não é que ficou perfeito? Sempre aprendo alguma coisa com outros cozinheiros, lamento não ir a outras cozinhas com tanta frequência.

Cozinhei 1 abóbora japonesa (kabocha) cortada em pedaços, no vapor. Eu gosto da casca, não dispenso. Mas se achar estranho, retire antes de cozinhar.

 

Depois de cozida, amassei com um amassador – poderia ser um garfo, mesmo – até formar uma pasta não muito homogênea. Juntei um pouco de carne moída refogada (cerca de 200 gramas) com cebola, sal, pimenta-do-reino. Misturei, temperei com mais sal e uma colher de curry em pó. Usei um tipo suave (na ardência, não no aroma) e misturei mais um pouco.

Fiz bolas, passei em farinha de trigo, ovos batidos e farinha de rosca (ou panko). Fritei em óleo bem quente, até dourar.

Comi com arroz branco, misoshiru, conserva de pepino e duas fatias de mignon suíno  grelhado.

 

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Gengibre Novo

Só uma nota.

Para quem pretende fazer gari, é melhor ficar de olho nas feiras e mercearias. Já vi gengibre novo, de pele fina, macio e de cor clara. No Ceagesp o preço variava de R$5 a R$7 o quilo. Talvez abaixe mais ainda, o verão nem começou e parece que muita coisa atrasou por conta do inverno muito seco.

A receita dessa conserva eu publiquei aqui:

http://marisaono.com/delicia/?p=62

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Acelga Vermelha com Molho de Gergelim

Comprei as sementes como acelga vermelha. O sabor do talo lembra beterraba e as folhas são macias como o espinafre japonês (horenso). Cozidas, ficaram boas com um molho de gergelim. Para quem plantar, recomendo não deixar crescer demais, porque o talo fica duro.

Para esse prato, basta jogar as acelgas lavadas em água fervente e cozinhar rapidamente. Retire da panela, mergulhe em água gelada para parar o cozimento. Escorra e esprema, corte em toletes de 5 cm.

Para o molho, misturei pasta de gergelim, shoyu e um pouco de água para que formasse um molho cremoso. Funciona bem como uma entrada fria. Mas se não tiver acelga, faça esse “oshitashi” com espinafre japonês, por exemplo.

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Grissini com Linhaça

Eu gosto de petiscar coisas crocantes.  Não costumo fazer grissinis com muita frequência. Para acrescentar fibras, sabor, textura, nutrientes, etc, resolvi usar farinha de linhaça.

Fiz a receita que publiquei aqui, mas com pequenas modificações.

Diminuí a farinha para 400 gramas e adicionei 100 gramas de farinha de linhaça.

Deixei a massa meio mole, bem pegajosa, porque a linhaça absorve a água mais lentamente que a farinha e também porque uma massa mais macia também é mais fácil de esticar.

Depois de fermentada, dividi porções pequenas. Abri cada porção em rolinhos não muito finos com cerca de 10 cm. Pegando em cada extremidade, estiquei os rolinhos, para que ficassem finos e longos. Não me preocupei com a regularidade do comprimento, apenas que ficassem mais ou menos com a mesma espessura.

Deixei descansando em uma assadeira até que crescessem. Pincelei cada um com um pouco de azeite e levei ao forno pré-aquecido até que dourassem. Guardei em pote bem fechado.

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Pudim de Mel e Pimenta-do-reino

Algumas receitas ou sugestões acabam vindo da rua. Uma senhora italiana contou-me sobre um pudim de mel da época do Império Romano. Não resisti à curiosidade e fiz. Não sei o nome desse pudim, pesquisei e parece que a receita foi registrada por Apicius com o nome de Tyropatinam. Também não sei o nome dessa senhora, fico devendo.

O resultado foi um flan delicado, pouco doce, mas isso não é problema, basta regar com mel. E o toque de pimenta-do-reino foi, no mínimo, inusitado.  Segue a receita como me foi passada por essa italiana:

500 ml de leite

3 ovos

3 colheres de mel

Ferva o leite. Enquanto isso, bata os ovos com o mel. Despeje o leite quente sobre os ovos. Misture. Passe por uma peneira.

Eu dividi em 4 forminhas de metal e cozinhei no vapor. Creio que poderia ser cozido em banho-maria. 15 minutos no vapor, em fogo alto, foram suficientes.

Depois de frio, desenformei e servi regado com mais mel e uma pitadinha de pimenta-do-reino moída.

Se não quiser ser fiel à receita, acho que esse pudim ficaria muito bom com o leite aromatizado com canela, casca de limão ou laranja ou alguma erva, para fugir da baunilha de sempre.

 

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Konnyaku

Uma receita com konnyaku recebeu ontem mais de 500 visitas. Não pude deixar de notar. Suponho que seja por conta da dieta do konnyaku (ou konjac, como andam publicando) que certa celebridade fez.

A dieta do konnyaku não é novidade lá no Japão. Já foi e já passou há muito tempo.

O konnyaku é uma gelatina feita a partir de uma batata. A batata é cozida, triturada com muita água e adicionam soda cáustica. O amido gelatiniza sob a ação de um álcali. Então ele é moldado – em blocos, em bolas pequenas ou grandes ou extrudido, formando filamentos como um espaguete.

O passo seguinte é cozinhar em muita água e pronto. Essa gelatina pode durar mais de uma semana na geladeira, imerso em água. É preciso trocar essa água todos os dias.

Como essa gelatina fica com um cheiro de soda mesmo depois de lavado, sempre costumo cortar e aferventar antes de consumir.

Quanto ao gosto, não tem, é praticamente apenas textura. O konnyaku vai pegar o gosto do caldo onde foi cozido,  por exemplo. Como a consistência é um pouco rígida, exigindo mastigação, dá sensação de saciedade. Tem poucas calorias e serve para estimular o trânsito intestinal.

Por outro lado, também não alimenta. Não contém vitaminas, nutrientes, é praticamente água. Por isso, não dá para comer só konnyaku.

Por si só ele não vai emagrecer ninguém. Não tem nenhuma substância que vá “derreter” gorduras. A única coisa tem de positivo é que talvez sinta menos fome.

Quanto a dietas, confesso, eu também procuro saber de alguma maneira menos dolorosa de perder peso. Semana que vem vou experimentar esta aqui:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/12/dieta-de-apenas-dois-dias-na-semana-pode-ser-mais-eficaz-para-emagrecer.html

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Hot Cake

Eu estava com vontade de comer essas panquecas fofas já há algum tempo. No Japão, reconheço, geralmente apelava mix prontos, era só adicionar leite e ovos. Mas por aqui não encontro e não são tão baratos. E, afinal de contas, não é difícil fazer em casa

3 ovos – claras e gemas separadas

1 pitada de sal

1 colher de sopa de açúcar

1 xicara de farinha

1/2 xícara de leite

2 colheres de chá bem rasas de fermento em pó

Bata as claras em neve com uma pitada de sal. Reserve

Bata as gemas com a farinha, o leite e o açúcar até formar uma mistura lisa. Adicione o fermento.

Acrescente 1/3 das claras e misture bem. Não se preocupe em preservar as bolhas das claras, a intenção é de tornar a mistura mais cremosa.

Adicione as claras restantes e misture com delicadeza.

Aqueça uma frigideira com revestimento anti-aderente. Não unte. Abaixe o fogo para o mínimo.

Com uma concha, despeje uma porção ou duas de massa.

Quando formarem bolhas na superfície, provavelmente é hora de virar as panquecas.

Core ligeiramente do outro lado e retire.

Agora uma dica: a frigideira costuma aquecer demais e a panqueca seguinte corre o risco de queimar. Eu mantenho um pano úmido de lado. Após tirar a panqueca, retiro a frigideira do fogo, coloco sobre o pano e deixo por 2 segundos. O pano úmido vai esfriar ligeiramente a frigideira e ela ficará na temperatura certa para a próxima panqueca.

Eu uso uma frigideira pesada. Creio que ajustes terão que ser feitos caso a frigideira seja leve e com as paredes mais finas.

Sirva com mel, xarope de bordo, caramelo, geléia, etc.

Rende 8 panquecas ou 4 porções.

PS: Eu gosto de colocar um pouco – muito pouco mesmo – de essência da baunilha à massa, para dar um leve perfume.

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