Festival do Japão – Parte 1

festival do japao entrada

Fui ao Festival do Japão no sábado, dia 17. Chegamos depois do meio-dia. Felizmente não choveu e eu não senti tanto frio quanto pensava. Aliás, até passei calor porque fui agasalhada demais.

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Há muito que eu não ia a uma festa da comunidade japonesa. E, tirando a festa de comemoração dos 80 anos da imigração japonesa, nunca fui a uma tão grande. Muita gente, muitas barraquinhas, muitas atrações. E, claro, muita comida também.

festival do japao yamagata

A primeira coisa que provamos foi o gyoza e o kakiague na barraquinha de Yamagata. A fome era muita, mas tentamos nos conter para poder provar o máximo que podíamos.

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Gostei do gyoza recheado com carne, repolho e nirá e também gostei do kakiage, que estava quentinho, crocante por fora e macio por dentro. Para vocês terem idéia, não tirei foto.

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A barraquinha da província de Kochi apresentava pratos curiosos para a maioria: sugatazushi (sushi dentro de um peixe, depois cortado em porções), conserva de sardinha…

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… e um peixe no vapor, pelo que me pareceu, recheado com arroz. Pena que a foto não está muito boa. O peixe é aberto pelas costas.

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A Província de Gunma servia kakiage e takikomi goham. Akita, kiritampo e caipirinha de sake.

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Na barraquinha de Myagui tinha língua de boi, gyoza, yakisoba e harakomeshi. Confesso que lamentei não ter provado a língua de boi (gyutan), há muito não como uma.

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Fukui é uma das províncias que visitei. Lembro do vento do mar do Japão, seu litoral escarpado, caranguejos, lulas e ouriços em vários restaurantes e sorvete de batata-doce. Também lembro de muitas lembrancinhas feitas de pedra, sobretudo magnetita. Na barraquinha da associação, pastel, tempura e yakisoba.

Amanhã continuo com a segunda parte dessa festa.

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São João Está Dormindo…

Pediram-me para escrever sobre a ação que a Consul está promovendo, entitulada  Segredos do Brasil. É simples: você envia a foto do que você considera seu segredo para uma festa junina especial. As instruções estão no site: http://www.segredosconsul.com.br/ . As fotos selecionadas são expostas no painel do site e no final, o mosaico de fotos será exibido na tv e as 10 mais comentadas aparecerão em destaque.

As blogueiras do Mixirica, Panelaterapia e Recém-Casada cobriram as festas de diferentes localidades. Que delícia de relatos!  Quantos quitutes que eu desconheço!

Mas quanto ao meu segredo? Que sei eu sobre festas juninas, bicho da cidade, que só viu uma plantação, um terreiro de café depois dos 10 anos de idade? Todas as festas juninas que fui foram dentro de escolas ou clubes. A minha primeira festa junina foi – pasmem – dentro de um austero salão de um antigo clube de cavalheiros, na ainda Guanabara. Não gostava de ensaiar quadrilha, porque sempre fui desengonçada e não há nada que cure falta de coordenação motora. Dançava com sacrificio e como tal, esperava que terminasse logo.

No entanto, oferecia-me alegremente para colar metros e metros de bandeirinhas. Naquela época vendiam apenas as bandeirinhas de papel colorido. Eu estendia o barbante ao longo da sala, pegava uma bandeirinha, passava um pouco de cola – só um pouco, porque cola demais amolecia o papel, ele ameaçava derreter, virava uma coisa! -na ponta, dobrava com cuidado. Media dois palmos e colava outra. E assim eu passava algumas tardes, sem querer saber de tv, sem ler gibis, compenetrada em uma tarefa que eu julgava muito importante.

Eu acho muito triste um arraial com poucas bandeirinhas. E hoje nem são coladas à mão, outro dia topei com elas já prontas, em uma loja de material para festas. Para mim, festa junina sem enfeites, sem cor, é só outra quermesse, outra comemoração qualquer.

Mas como esse blog é, digamos, um blog culinário, não posso deixar de falar de comida. Vou contar outro segredinho: eu adoro canjica quentinha. E acho um absurdo fazer em outra época do ano que não seja inverno.Por quê? Oras, porque cada coisa tem sua época. Panetone no Natal, chocolate na Páscoa, bolo no aniversário. E é muito gostoso esperar por uma data, por uma época.

A campanha está chegando ao fim. E apesar de já estarmos em julho, sei que ainda estão rolando muitas festas Brasil afora. Conte você também o que considera o grande segredo das festas juninas. Envie sua foto e vamos todos montar o painel que represente a diversidade e a alegria do povo brasileiro.

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Tarte Genevoise

Eu pretendia publicar uma receita de kare-pan. Mas o fato é que não ficou bom. Outro dia faço novamente e até lá penso no que deu errado desta vez. Em vez disso, publico a torta de maçãs que fiz neste final de semana. Mas não é uma torta de maçã qualquer, é uma torta feita com maçãs fatiadas, envoltas em manteiga, açúcar e ovos e, por fim, cobertas com lâminas de amêndoas. Ou seja, é uma torta muito rica. A mistura de ovos e manteiga se junta ao líquido das maçãs e forma um creme.  E não é muito doce, por isso mesmo salpiquei açúcar por cima. A receita não é minha, tirei de um velho e companheiro livro japonês : Quelque leçon de pâtisserie – Ninki no Cake, autores diversos.

Massa (Pâte à Tarte)

250 gramas de manteiga

50 gramas de açúcar de confeiteiro

5 gramas de sal

1 ovo

50 ml de água

500 gramas de farinha

Recheio

Cerca de 5 maçãs pequenas descascadas e cortadas em fatias finas

100 gramas de manteiga

100 gramas de açúcar

2 ovos

Essência de baunilha à gosto

Lâminas de amêndoas

Açúcar de confeiteiro

Para a massa:

Bata bem a manteiga com o açúcar. Junte o ovo batido com a água e adicione a farinha, misturando sem sovar. A massa é bem mole. Embrulhe em um filme plástico e deixe na geladeira por horas, até firmar. Abra com um rolo e forre uma forma para torta. Não tenho certeza do tamanho da minha, mas creio que é de 28 cm. Para que a borda não desabe, tenha o cuidado de deixar sobrar um pouco de massa nas bordas, ultrapassando a parede.

Acomode as fatias de maçã dentro da massa, até quase encher. A quantidade vai variar conforme o tamanho das maçãs. Se forem grandes, vai precisar de menos.

Derreta a manteiga, bata com os ovos, açúcar e essência. Despeje lenta e cuidadosamente sobre as fatias de maçã, tentando distribuir de maneira uniforme.

Cubra com lascas de amêndoas e leve ao forno pré-aquecido (cerca de 190°C, de médio para quente), até dourar bem, tanto o recheio quanto as bordas.

Salpique açúcar de confeiteiro na hora de servir. Eu prefiro essa torta fria, mas não gelada.

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Notas da Semana

Primeiro, queria agradecer ao Alexandre Mauj Imamura Gonzales, pela linda mensagem que ele mandou na semana passada, no dia do Tanabata Matsuri e que eu não respondi…

Nos dias 16,17 e 18 de julho acontecerá o 13° Festival do Japão.  Confira a lista das províncias e pratos típicos:

http://www.festivaldojapao.com/noticias/confira-a-lista-de-gastronomia-do-13-festival-do-jap-o.html

Já aviso que pretendo ir, sim e tirar quantas fotos forem possíveis.E o que vou comer? Bem, isso é uma incógnita…

E escrevi uma coisinha sobre o pingado, café-com-leite no blog Coffee-Break.

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Chás Chineses

Ganhei da Nice chás autenticamente chineses. O da esquerda, Pu-erh da província de Yunnan. O da direita, de crisântemos.

O chá Pu-erh eu já havia bebido, há muito tempo. Houve uma época em que em levava para o trabalho uma garrafa térmica cheia de chá, frio, quente ou gelado e ia bebendo ao longo do dia. Também bebia muito oolong nessa época e chá verde japones após o jantar. Esse chá, segundo a Nice, é fermentado e é preciso escaldá-lo. Quando vi isso em um programa de tv, achei estranho. Jogar fora a primeira água do chá! Bem, o fato é que feito dessa maneira, o chá tem um sabor bem mais agradável, menos amargo. Gosto de tomar depois da refeição e durante o dia. Não sei se foi impressão minha – creio que sou bastante impressionável – mas sempre achei que esse chá tem um efeito, digamos, digestivo em mim.

Já o chá de crisântemo, é mais aromático, lembrando mesmo o cheiro da flor, muito diferente de outro chá que comprei e que foi uma grande decepção. Por isso, eu preferi tomar entre as refeições ou já tarde da noite, sem interferência da comida. Mas o fato é que eu desconheço as regras para beber chás.

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Whoopies ou Petit Bouchée?

O link foi passado via Twitter pela @AilinAleixo e @CaBertolazzi . No site da GNT, o Whoopie é apresentado como o próximo cupcake. Nesta outra página, as receitas.

Bem, eu acho que são muito parecidos com os Petit Bouchée que publiquei em março e que não são nenhuma novidade no Japão. Mas, certeza, mesmo, só provando. Será que a textura é diferente?


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Sanduiche de Tonkatsu Folheado

Sanduiche de tonkatsu folheado

Outro dia estava conversando com LP – como sempre, sobre comida – quando o assunto acabou em sanduiche. Lembrei que não escrevi ainda sobre os sanduiches populares no Japão. Alguns provavelmente não iriam agradar muito os brasileiros. A combinação de amidos parece ser exagerada, como o sanduiche recheado com croquetes ou yakissoba.

Mas os sanduiches de carnes empanadas e fritas certamente agradariam. Gostamos de friturebas e amamos um bife à milanesa. Neste caso, o pernil de porco foi cortado em fatias finas e empilhado. Para isso, usei um cortador de frios e cortei a carne congelada em bloco. Temperei com sal e pimenta, passei na farinha, ovos e farinha de rosca , tendo o cuidado de não apertar.Fica melhor ainda se usar o panko, a farinha de rosca flocada, porque a crosta fica mais espessa e crocante.

Para a montagem do sanduiche, usei repolho cortado fininho, temperado com maionese e mostarda forte japonesa (karashi, vendida tanto em pó como em pasta; usei a pasta). Aliás, vá devagar. Essa mostarda é muito potente. Vá adicionando à maionese aos poucos e provando.

Em cima do tonkatsu, já frito, usei um pouco de molho para tonkatsu. Ele pode ser comprado pronto. Se não encontrar, experimente uma mistura de ketchup, molho inglês, shoyu e umas gotas de vinagre.

Ah, sim, faltou a explicação do porquê do tonkatsu folheado. Lá no Japão é comum encontrar carne fatiada fina e, curiosamente, ela costuma ser mais barata que uns belos bifes. Além do mais, as fatias finas, mesmo quando empilhadas, são mais tenras que uma fatia de lombo.

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Coffee-Break

O pessoal mais próximo a mim já percebeu que nos últimos dias eu tenho demorado para responder aos e-mails e não tenho aparecido tanto no Twitter. É que andei ocupada com um projeto novo e diferente, mas ao mesmo tempo, tão parecido com o Delícia…

Trata-se do blog Coffee-Break, da FMB Food Service. A empresa sentiu necessidade de um meio de comunicação e divulgação mais ágil e ao mesmo tempo, informal. Por isso a escolha do nome, que tanto lembra na paradinha para o café quanto alguns dos produtos que ela comercializa.

O blog Delícia continua, porque, afinal de contas, não páro de cozinhar e de comer. Lá o tom é um pouco diferente. Mas agredeceria muito se vocês dessem uma visitinha.

Coffee-Break – Um blog da FMB Food Service: http://fmbblog.wordpress.com/

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Rong He

Confesso, queria ir ao Hong He (Rua da Gloria 622) só para ver o mestre esticando a massa com as mãos. Claro que já vi na tv, mas queria ver pessoalmente. E é mais rápido do que eu pensava. É um espetáculo à parte. Eu fiquei impressionada com a elasticidade da massa, que depois de esticada ficava na espessura de um espaguete fino (ou, para os japoneses, um hiyamugi).

O cardápio é muito extenso – mais de 120 itens – e, claro, o forte da casa são as massas. Mas não ignore os pratos de vegetais, há coisas interessantes, como o pepino com alho e molho de soja, bom para petiscar enquanto os pratos quentes não chegam.

Outro prato de vegetais interessante é a alface americana, rapidamente refogada, com molho de ostras. Alface cozida é gostosa – embora a maioria de nós só a coma crua, em saladas.

Os gyozas podem ser grelhados, cozidos ou cozidos no vapor e as opções de recheio são: carne de porco, boi, carneiro ou frutos do mar. Este, recheado com carne de porco, tinha a carne batidinha na faca e não moida. Deu para sentir os pedacinhos de gordura e carne a cada bocado. Também pedidos um ravioli grelhado no gergelim, que não tem foto. Por causa do gergelim, a base ficou ultra-crocante.

O yakisoba veio com o macarrão bem fritinho, o molho não era nem espesso demais, nem aguado. Uma porção alimentaria bem 2 ou até mesmo 3 pessoas. Eu gostei muito.

O Shao-mai (ou shumai, para os japoneses), veio com uma massa fina, delicada.

O macarrão com carne bovina e caldo, feito com a massa esticada na hora, veio com pedaços de músculo e o caldo era temperado com anis estrelado. Dica: coma-o depressa. A massa sem ovos tende a perder a textura logo, porque fica cozinhando no caldo. A porção é generosa e provavelmente você terá que dividir com alguém.

E o macarrão apimentado com frutos do mar também vem em uma porção generosa.

Resumindo: se eu fosse sozinha, provavelmente ficaria nos gyozas e petiscos. Com alguém para dividir  prato, optaria pelo yakisoba, que e bem gostoso. E gostaria de experimentar outras coisas do cardápio, como o wan tun frito, os pães no vapor, etc.

E para os vegetarianos, existem pelo menos 37 opções.

Quanto à conta, foram apenas R$30,00 por pessoa – a maioria tomou chá ou refrigerante.

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Kinoshita

Fui convidada pelo Murakami-san para conhecer o Kinoshita. Minha mãe fez uma sacola de coisinhas aqui da horta para levar. Não riam, é um hábito dela e, creio eu, muito japones. E creio que agradou o chef, que ficou entusiasmado com o verdinho fresco. Cheirou, provou folhas e disse que iria usa-las no mesmo dia. Enquanto isso, lá estava eu bem instalada junto ao balcão. Confesso, como cozinheira, estou mais acostumada a servir que ser servida.  Isso é jequice, eu sei. Fico constrangida.

E foram-me servindo. Primeiro, cogumelos salteados com um toque de shoyu, de um jeito que eu gosto muito. Depois, beringela, um tomate suculento e adocicado, tofu frito que absorveu um dashi delicado, com brotos de nabo e lascas de bonito seco. Para quem não conhece o katsuo-bushi, ele é o alimento mais duro do planeta; só cortando em lâminas finissimas. E o sabor é tão peculiar quanto intenso.

O pacotinho de alga kombu, servido com ovas de salmão que explodem na boca e um molho adocicado. Enquanto eu sentia todo o sabor de mar que essa alga tem, meu amigo explicava sobre a colheita de algas e a quantidade de mucilagem contida nelas.

Depois, um atum selado, acompanhado de um molho à base de pasta de soja, levemente picante, cebolinha e sal negro. A geminha de ovo de codorna era para ser misturada na hora ao molho.

E a cozinha é toda aberta. A comida era feita à minha frente. Tudo muito organizado, discreto, mas ao mesmo tempo descontraído. Murakami-san estava ocupado, mas do outro lado do salão perguntou o que eu estava achando da comida sem hondashi e aji-no-moto. Vieram os sushis de atum, salmão, robalo, polvo e vieira.

Quando serviram o salmão, Murakami-san veio me contar que é uma receita da avó dele: salmão marinado no misso e borra de sake (sake kasu). A primeira coisa que me veio à cabeça foi: Hokkaido. Coincidentemente, terra natal do chef e do meu pai. Só que eu não conheci minha avó. Saboreei a pele crocante. Para mim, esse era um terreno bem seguro: peixe, missoshiru e arroz.

De última hora, um mimo: vieira com alho negro, gema de ovo de codorna e um micro tempura ultra crocante.

Da sobremesa, não tirei foto porque tive medo que o sorbet derretesse.

Conversei um pouco com o Murakami sobre ingredientes, umas idéias meio loucas, demos risadas. O fato é que Murakami-san é um grande anfitrião, uma figura carismática e um apaixonado pelas coisas boas da vida – sejam elas ingredientes, música, piadas – e isso influencia todo o ambiente do restaurante.

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