
Em uma pesquisa rápida no Google vi que muitos chamam o okonomiyaki de “pizza japonesa”. Acho curioso, porque é uma panqueca grossa. Como a pizza, é popular, pode receber recheios diversos e tem que ser comida quente. Fui a uma casa de okonomiyaki no Japão. É um restaurante sem cozinheiro, por assim dizer. Escolhido o recheio, uma funcionária liga a chama da chapa no meio da mesa, serve bebidas e vem com tigelas contendo a massa e o recheio. Os molhos para cobertura já estão em uma bandeja ao lado. Quem prepara o prato é o próprio cliente.
Também comi okonomiyaki em festivais. Aliás, comer é uma boa opção nesses eventos. As barraquinhas vendem refrigerantes, raspadinhas (no verão, claro), algodão-doce, milho assado, frango frito, espetinhos, yakisoba, doces como o taiyaki e o imagawayaki e, claro, o okonomiyaki, que pode ser comprado em uma porção inteira ou meia porção.
Há muito tempo que me pedem uma receita de okonomiyaki e eu relutei muito. É um prato típico, é popular, pode ser feito em casa sem grandes malabarismos mas… eu não acho especial. Para mim, é um panquecão. Não é ruim, mata a fome e pode ser feito em menos de meia hora. Se não fosse tão típico, iria para a categoria “Cozinha do Desespero“.
100 gramas de cará, descascado e picado
100 ml de água ou caldo (dashi)
100 gramas de farinha de trigo
1 ovo
200 gramas de repolho picado
1/2 cebola média, cortada em fatias finas
Gengibre em conserva (benishôga) à gosto
Fatias de carne de porco
2 ovos (opcional)
Ketchup, molho inglês, molho de sopa, mostarda e maionese (para a cobertura)
Coloque o cará, o ovo, o caldo (ou água; neste caso, adicione um pouco de hondashi ou kombudashi industrializado) e a farinha em um multiprocessador. Bata até formar uma massa lisa. Bata mais um pouco para que incorpore um pouco de ar. Tempere com sal.
Despeje a massa em uma tigela e junte o repolho, a cebola e o gengibre em conserva picado. Se quiser, adicione camarões, lulas, nirá (aquela cebolinha com folhas achatadas e aroma forte), cebolinha, cogumelos… Bem, praticamente qualquer coisa que goste. Só não exagere, porque a massa precisa envolver bem tudo, senão você acabará com um refogado e não uma panqueca.
Aqueça uma frigideira untada com óleo. Disponha fatias finas de carne de porco. Despeje metade da massa e deixe que frite em fogo moderado, até firmar ligeiramente e ficar bem dourado por baixo.
Quebre um ovo (opcional) no centro da panqueca. Com a ajuda de duas espátulas, vire a panqueca. Como isso requer uma certa prática, talvez seja melhor escorregar a panqueca para um prato, quebra o ovo na frigideira e virar a panqueca com a parte ainda crua sobre ela. Deixe no fogo por mais alguns poucos minutos, até cozinhar.
Sirva coberto com um molho para okonomiyaki. Como nem sempre é possível encontra-lo em lojas de produtos orientais ou supermercados, eu misturo ketchup, um pouco de mostarda forte (do tipo mais ardido, o karashi), molho inglês e shoyu. O molho não é muito líquido. Ajuste a seu gosto. É costume servir com um pouco de maionese em cima. Se tiver tempo e disposição, coloque a maionese em um saco de confeiteiro com bico fino e faça listras, traços, zigue-zagues, etc. Se gostar, polvilhe alga nori verde (em floquinhos finos, secos) e lâminas de bonito seco (hana katsuo).
PS: não confunda cará com inhame. Inhame (também chamado de taro) não pode ser comido cru. Cará é maior, pode ser consumido cru. Em comum, ambos são visguentos. A Neide Rigo do blog Come-se comenta mais sobre esses dois tubérculos
http://come-se.blogspot.com/2007/06/inhames-e-cars.html
