Preciso de Ajuda

São duas coisas que eu preciso. Uma é bem material, já vou avisando. Eu preciso de chá de sakura (cerejeira). Lembro que comprei uma caixinha no Japão, há muito, muito tempo. É um chá salgado, feito com as flores. Não me lembro de ter visto na Liberdade. Se alguém puder me dar, serei muito, muito grata. Estou tendo umas idéias e gostaria de testar com o chá dessa flor. E, claro, gostaria de poder ter isso antes da próxima primavera (até agosto, talvez?). Se eu não conseguir esse chá, não vai ser uma tragédia.

A segunda ajuda é menos material e todo os leitores podem ajudar. Eu gostaria de saber que receitas gostariam que eu publicasse. Também gostaria de fazer uma pesquisa sobre a comida doméstica da comunidade japonesa. Eu faço umas coisas do jeito que aprendi, mas será que todas as famílias fazem o mesmo? Certamente que não. A minha família tem um pé em Hiroshima e outro, no em Niigata (e, digamos, um dedinho em Hokkaido). E quem tem antepassados de Aichi? Fukui? Okinawa? Nas festas a mesa era variada? Coxinha e pastéis ao lado de inaris e sashimi? Pernil com farofa acompanhado de nishimê? Churrasco com onigiri?

Podem contar suas lembranças nos comentários deste post ou enviar por e-mail para mim:

marisaono@gmail.com

Estarei esperando…

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French Toast

Ora, direis, isso é rabanada. Não é, não. Para mim, rabanada exige um pão próprio para rabanada, parecido com o nosso filão, mas com a massa mais compacta. Pelo menos era esse pão que usávamos no Rio de Janeiro, nos tempos da Guanabara. Na padaria próxima à nossa casa, costumavam fazer esse pão perto do Natal. E acabava sempre cedo. Com isso, acredito que muita gente gostava de rabanada e que tinha muito português por aqueles lados.

E o que há de diferente neste pain perdu? Bem, ele é feito com creme, bom óleo de baunilha e é caramelado…

2 ovos (usei ovos caipiras, são mais saborosos e conferem uma linda cor amarela)

100 ml de creme de leite fresco (se não encontrar, tente com o creme de leite em caixa, da Parmalat, ou o creme em lata, com soro)

100 ml de leite

3 fatias de pão de forma

Óleo de baunilha (se encontrar; senão, use essência)

Açúcar

Manteiga

Bata os ovos. Adicione o creme, o leite e o óleo de baunilha. Bata um pouco mais e passe por uma peneira. Vire em uma bacia ou prato fundo.

Corte as fatias de pão na diagonal.

Aqueça a frigideira e derreta uma colherada de manteiga.

Passe as fatias de pão na mistura de ovos, deixe que absorvam bem o líquido, escorra e frite. É melhor fazer isso aos poucos. Na minha frigideira couberam 3 triângulos de cada vez.

Frite até que dourem ligeiramente. Vire com cuidado e deixe que fritem do outro lado. Vá adicionando manteiga conforme o necessário.

Coloque as fatias na frigideira novamente. Com a ajuda de uma peneira pequena, polvilhe açúcar. Vire. Polvilhe açúcar do outro lado. Deixe que tostem ligeiramente. Eventualmente, com a ajuda de uma espátula, faça os triângulos andarem um pouco na frigideira para que peguem o caramelo que se forma no fundo. Vire e deixe que o açúcar caramele do outro lado. Talvez seja necessário polvilhar novamente cada lado com açúcar, dependendo da quantidade usada de cada vez. Faça isso com todos os pedaços de pão.

Passe-os para os pratos. Sirva com compota. No caso, usei uma compota de ameixas que fiz em casa, porque estava rendendo há uns dias por aqui e porque é mais fotogênico, mesmo. Mas ficaria bom também com bananas, maçãs, peras.

Sirva imediatamente, enquanto a crosta caramelada ainda está ligeiramente crocante.

PS: Se não gostar de baunilha, pode aromatizar com canela: ferva o leite com um pedaço de canela e deixe pegar gosto por algum tempo. Ou ferva com sementes de emburana, cumaru, casca de limão…

Rende de 3 a 6 porções (depende da gulodice)

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Salada de Pepino, Harusame e Wakame

Ou, se quiser um nome para impressionar os convidados, chame de “Harusame to Wakame to Kiyuri no Sumomi”. Aliás, uma das coisas que gosto na culinária japonesa é como dão nome aos pratos. A maioria é auto-explicativa. Nada de “Surpresa de Cogumelos”, por exemplo, que me faz temer que tipo de surpresa terei.

Ah, mas isso é sunomono – dirão alguns leitores. Sim, é sunomono porque é uma salada com molho ácido, à moda japonesa. Mas nem todos os sunomonos são feitos com pepino, harusame e wakame. Pelo que andei vendo, esse trio virou sinônimo de sunomono, mas é só uma das possibilidades. E porquê “sunomi”? Porque o pepino é amassado, massageado no molho de vinagre, para que perca água e ganhe tanto em textura quanto em sabor.Pode parecer disperdício de ingredientes, mas o pepino fica bem melhor dessa maneira.

Pode acompanhar uma refeição ou servir de petisco para acompanhar uma bebida. As porções são sempre pequenas. Se quiser e gostar, repita. Eu prefiro à temperatura ambiente, mas se estiver fazendo muito calor, resfrie um pouco antes de servir.

1 pepino grande, descascado e cortado em fatias finas

1 porção de harusame (compro em pacote, com porções amarradas com um barbante)

1 ou 2 colheres de wakame seco (compro em pacotes, eles já vêm picados em pedacinhos)

1/4 xícara de vinagre de arroz (se não encontrar, use um vinagre claro e de aroma mais suave, como o de maçã, por exemplo)

1/4 xícara de dashi (caldo à base de peixe, ou alga ou ambos; na verdade, usei água e 1 colher de chá do extrato de bonito seco e outra de extrato de algas; se preferir, use hondashi ou kombu dashi industrializados)

2 colheres de chá de açúcar cristal

1 a 2 colheres de shoyu; como o sabor e a quantidade de sal varia muito entre marcas e tipos, fica a critério. Eu uso pouco shoyu porque também prefiro que o molho fique claro

Sal, se necessário

Ferva o vinagre com o dashi e o açúcar. Desligue o fogo assim que abrir fervura e o açúcar se dissolver por completo. Adicione shoyu. Deixe esfriar.

Despeje metade dessa mistura sobre o pepino fatiado. Misture, amasse ligeiramente (não é para sovar, é só dar uma ligeira massageada nos pepinos) e deixe pegando gosto por uns 15 minutos.

Enquanto isso, corte o harusame e deixe de molho em água fria. Em seguida, escorra e cozinhe em água fervente por alguns minutos. O harusame ficará bem transparente, porém com textura firme, meio cartilaginosa. Escorra, passe por água  fria e escorra novamente.

Hidrate a alga wakame. Basta despejar um pouco de água quente sobre ela. Instantaneamente ela irá inchar e ficar macia. Escorra.

Escorra o pepino, esprema gentilmente com as mãos para tirar o excesso de líquido e misture o harusame, a alga e o restante do molho. Confira o sal.

Sirva em porções pequenas, com um pouco de molho.

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Receita Nova com Alho Negro

Camarões com gengibre e alho negro, muito rápido de se fazer, para ser comido com arroz ou petiscado.

http://marisaono.com/alho_negro/?p=120

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Torresmos Perfeitos

Como comentei ontem, fiz torresmos e eles ficaram perfeitos. Como quase todo  mundo, adoro delícias crocantes. E depois de ler o artigo sobre peles fritas no Paladar da semana passada, então, claro que fiquei com vontade de comer torresmo.

Fiz a receita do Mocotó: deixei as tiras de barriga de porco e tiras de pele de porco (retirados de um outro pedaço de barriga, que usarei outro dia)  em uma mistura de água, sal e bicarbonato. Depois escorri e levei à estufa por várias horas. Cortei em pedaços não muito pequenos e fiz um corte sob a pele, soltando-a parcialmente da gordura. Por fim, fritei em fogo moderado.

Deixei na panela mesmo por um dia. Aqueci para derreter a banha e tirei de lá com uma escumadeira. A pele estava dura, parecendo plástico. Aqueci bem a banha e fritei as porções. Nada de espirros. Mas para pururucar bem, precisei usar uma escumadeira grande e ficar empurrando os pedaços para baixo. Ficaram perfeitos! Dona M adorou, eu só ouvia um “croc-croc” guloso.

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A Cozinha do Mau Humor

Hoje o meu dia não foi dos melhores. Não vou entrar em detalhes porque sei o quanto pode ser irritante ler alguém se lamuriar. Mas o fato é que não estou de bom humor. No meio da tarde, fui atendida por uma profissional que também não estava lá de muito bem. Apesar de não ter sido atenciosa como da vez anterior, de ter demonstrado claramente que estava irritada, não deixou de cumprir com o seu dever.

Ainda de mau humor, voltei para casa. Adiei algumas coisas, alimentei os animais e fui cuidar do jantar. Revoltada com uma série de coisas que não posso mudar, fui à desforra e fritei uns torresmos. Bem, fazer torresmo só é um ato subversivo se seu colesterol é alto. Como eu.

Os torresmos ficaram perfeitos, apesar do meu mau humor. Amanhã posto a receita com detalhes.

O jantar foi uma sopa de couve-flor feita com umas sobras. E ficou boa, bem satisfatória, apesar do meu mau humor.

Para finalizar o dia, fiz um pouco de granola, parecida com a que publiquei no ano passado. Desta vez coloquei um pouco de amêndoas em lascas e farinha de linhaça e usei apenas aveia. Diminuí um pouco o mel, coloquei uma pitada de sal, juntei passas. Enquanto misturava a granola para que ela não empelotasse enquanto esfriava, lembrei da Lissa. Ela gosta muito de cereais matinais e fiquei pensando como ela gostaria da granola dela. Provavelmente iria preferir com nozes e maçã seca picada. Como sei que gosta de sabores ácidos, iria gostar de uma granola com  goji berries ou morangos liofilizados (que não vi ainda por aqui para comprar). E para ela, eu teria que fazer no forno, para que a aveia ficar bem tostada e a granola, bem crocante.

O que eu quero dizer com tudo isso? Primeiro, que sinto saudades da minha amiga. Segundo, que ingredientes são elementos inanimados e não reagem à emoções. Terceiro, que um cozinheiro é um ser humano como outro qualquer. Mesmo que pareçam ser bem diferentes que a maioria, principalmente aqueles que cozinham diante de uma câmera. Eu cometo erros quando estou de bom humor, mas também posso acertar na mosca depois de um dia horrível. Assim como um jornalista que tem a obrigação de escrever todos os dias, eu também vou ter meus altos e baixos. Em muitos dias vou ser medíocre (no sentido de mediano, ou no sentido que preferirem), por mais boa-vontade que eu tenha.

E,  por fim, muitas coisas podem estragar meu dia. E muitas coisas podem estragar uma receita. Mas se cozinhar passa a ser algo irritante, talvez seja melhor esquentar uma lazanha no microondas.

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Yukimi Daifuku na Rússia

Só uma curiosidade. Nos relatórios de acesso apareceu um endereço curioso: Kuharka (http://kuharka.ru/recipes/dessert/pr_dessert/3333.html). Não entendo russo, mas ao que parece, alguém de lá tentou a minha receita de Yukimi Daifuku.

E é isso. Com os tradutores online, as idéias vão se espalhando sem as barreiras do idioma.

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Sopa de Fiapos e Togan

Comentei sobre o togan aqui. Hoje, depois de exagerar no almoço dos dias das Mães, queria algo leve, magro e quente, já que as noites andam mais frias. Resolvi fazer uma sopinha bem simples com o togan, que não tem gosto de nada, só para fazer um certo volume e dar uma sensação de saciedade.

É simples. Cortei em cubinhos um pedaço de togan. Cozinhei com água, até que ficasse muito macio, quase transparente. Adicione caldo de frango (bem neutro, como o que fiz para o Foo), ou caldo de alga kombu (kombu dashi), ou caldo de camarão. Eu juntei um pouco de carne de siri desfiada, comprada congelada. Adicionei um pouco de molho de soja para dar cor e sabor, tendo cuidado para não salgar demais. Depois de tudo fervido, despejei um ovo e misturei bem para formar os fiapos. Por fim, cebolinha picada à gosto.

Se preferir um sabor mais “asiático”, junte um pouco de gengibre fresco ralado ou suco de gengibre. Para algo com uma inspiração do sudeste asiático, adicione um pouco de molho de peixe (nampla) no lugar do shoyu, substitua o siri por camarões pequenos e substitua a cebolinha por coentro. Ou experimente adicionar um pouco de pasta de pimenta vermelha, óleo de gergelim… Enfim, trata-se apenas de um caldo claro com fiapos de ovos. Como o togan ainda não é muito popular no Brasil, creio que poderia ser substituído por chuchu ou caxi.

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Okonomiyaki

Em uma pesquisa rápida no Google vi que muitos chamam o okonomiyaki de “pizza japonesa”. Acho curioso, porque é uma panqueca grossa. Como a pizza, é popular, pode receber recheios diversos e tem que ser comida quente. Fui a uma casa de okonomiyaki no Japão. É um restaurante sem cozinheiro, por assim dizer. Escolhido o recheio, uma funcionária liga a chama da chapa no meio da mesa, serve bebidas e vem com tigelas contendo a massa e o recheio. Os molhos para cobertura já estão em uma bandeja ao lado. Quem prepara o prato é o próprio cliente.

Também comi okonomiyaki em festivais. Aliás, comer é uma boa opção nesses eventos. As barraquinhas vendem refrigerantes, raspadinhas (no verão, claro), algodão-doce, milho assado, frango frito, espetinhos, yakisoba, doces como o taiyaki e o imagawayaki e, claro, o okonomiyaki, que pode ser comprado em uma porção inteira ou meia porção.

Há muito tempo que me pedem uma receita de okonomiyaki e eu relutei muito. É um prato típico, é popular, pode ser feito em casa sem grandes malabarismos mas… eu não acho especial. Para mim, é um panquecão. Não é ruim, mata a fome e pode ser feito em menos de meia hora. Se não fosse tão típico, iria para a categoria “Cozinha do Desespero“.

100 gramas de cará, descascado e picado

100 ml de água ou caldo (dashi)

100 gramas de farinha de trigo

1 ovo

200 gramas de repolho picado

1/2 cebola média, cortada em fatias finas

Gengibre em conserva (benishôga) à gosto

Fatias de carne de porco

2 ovos (opcional)

Ketchup, molho inglês, molho de sopa, mostarda e maionese (para a cobertura)

Coloque o cará, o ovo, o caldo (ou água; neste caso, adicione um pouco de hondashi ou kombudashi industrializado) e a farinha em um multiprocessador. Bata até formar uma massa lisa. Bata mais um pouco para que incorpore um pouco de ar. Tempere com sal.

Despeje a massa em uma tigela e junte o repolho, a cebola e o gengibre em conserva picado. Se quiser, adicione camarões, lulas, nirá (aquela cebolinha com folhas achatadas e aroma forte), cebolinha, cogumelos… Bem, praticamente qualquer coisa que goste. Só não exagere, porque a massa precisa envolver bem tudo, senão você acabará com um refogado e não uma panqueca.

Aqueça uma frigideira untada com óleo. Disponha fatias finas de carne de porco. Despeje metade da massa e deixe que frite em fogo moderado, até firmar ligeiramente e ficar bem dourado por baixo.

Quebre um ovo (opcional) no centro da panqueca. Com a ajuda de duas espátulas, vire a panqueca. Como isso requer uma certa prática, talvez seja melhor escorregar a panqueca para um prato, quebra o ovo na frigideira e virar a panqueca com a parte ainda crua sobre ela. Deixe no fogo por mais alguns poucos minutos, até cozinhar.

Sirva coberto com um molho para okonomiyaki. Como nem sempre é possível encontra-lo em lojas de produtos orientais ou supermercados, eu misturo ketchup, um pouco de mostarda forte (do tipo mais ardido, o karashi), molho inglês e shoyu. O molho não é muito líquido. Ajuste a seu gosto. É costume servir com um pouco de maionese em cima. Se tiver tempo e disposição, coloque a maionese em um saco de confeiteiro com bico fino e faça listras, traços, zigue-zagues, etc. Se gostar, polvilhe alga nori verde (em floquinhos finos, secos) e lâminas de bonito seco (hana katsuo).

PS: não confunda cará com inhame. Inhame (também chamado de taro) não pode ser comido cru. Cará é maior, pode ser consumido cru. Em comum, ambos são visguentos.  A Neide Rigo do blog Come-se comenta mais sobre esses dois tubérculos

http://come-se.blogspot.com/2007/06/inhames-e-cars.html

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Frozen Yogurt

Ganhei uns sachês para preparar frozen yogurt, há algumas semanas. Hoje resolvi experimentar fazer no multiprocessador e usei polpa de fruta congelada (neste caso, amora). É muito simples: basta colocar o conteúdo do envelope na jarra com 100 ml de leite, a polpa de fruta ainda congelada, quebrada em pedaços e bater. Fui adicionando gelo e batendo até atingir a consistência cremosa.

O preparado para frozen yogurt é da FMB alimentos, que também comercializa preparados para chocolate quente e frio, Chai Latte, Frozen Capuccino. Quanto ao frozen yogurt, apesar de ser um preparado em pó, contém yogurte sim, liofilizado. Se não me engano, vi esses sachês na Central do Sabor. 1 dose rendeu 2 taças, na medida certa para 2 pessoas que andam tentando perder um pouco de peso…

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