Carapau ou Aji

É um pouco difícil de vê-lo nas feiras. Me lembro que, na época que morava no Rio, era um peixe desprezado. O tempo passa, o mundo gira e lá no Japão descubro que ele é muito apreciado. E é delicioso, gosto muito dele empanado (à milanesa, chamam de aji fry). E é barato (encontrei por 6 reais na feira do Ceagesp, nos finais de semana). Notei que algumas não o compram, não conhecem e talvez se perguntem como limpa-lo (algumas peixarias se recusam a limpar peixes pequenos).

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Uma das diferenças do carapau em relação à muitos peixes que conhecemos é esse conjunto de escamas no final do corpo, formando um escudo rígido.

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Não dá para servi-lo assim, mas não é difícil de tira-lo, basta usar uma faca afiada e tomar cuidado para não tirar mais do que o necessário.

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Para os filés, tiro a cabeça fora, a partir da nadadeira lateral.

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Tire o filé de um lado. (Ah, a mancha escura não é do peixe, minha câmera está com um defeito, muitas fotos saíram com essa mancha).

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Passe a faca rente à espinha e tire o outro filé. Ele também tem uma série de espinhas grandes na parte abdominal, uma faca rente à elas dá conta de tira-las todas.

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Feito isso, é só temperar com um pouco de sal e pimenta do reino, passar na farinha de trigo, uma mistura de água e farinha de trigo (como um mingau bem ralo) e panko (farinha de rosca grossa) e fritar.

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Ah, sim, há umas espinhas bem pequenas no centro do filé, ao longo do corpo. Podem ser retiradas com uma pinça mas eu não faço. Não me engasgo com elas e não tenho paciência para tanto. Faria isso se fosse comê-lo cru.

 

 

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3 °Aizomê Ichiba – Agradecimentos

Foram 12 kg de pasta de feijão branco e de batata doce que viraram 120 bloquinhos de yokan. Mais de 20 kg de pernil e de barriga de porco viraram defumados. 20 kg de vegetais foram picados e transformados em fukujinzuke, nem sei quantos quilos de arroz para mochi viraram bolinhos. Foi um trabalho grande numa cozinha pequena e em duas pessoas.

E foi uma delicia ver novamente vários rostos conhecidos e alguns novos. Alguns não conheciam o yokan de matcha e puderam provar. Foi um prazer apresentar algo novo para o público. Fiquei devendo miso para muita gente, o que tenho aqui ainda não está maduro o suficiente.

Deu até para conversar um pouco com um e outro, já que as pessoas vinham em “levas”.

Novamente tive a ajuda da Luci Cara e do Marco Raspantini, muito obrigada mesmo.

Cansaço eu só senti bem mais tarde, porque fiquei presa por 3 horas em um congestionamento. Houve um acidente na Raposo Tavares e cheguei em casa perto das 22:30…

E já estou pensando nas coisas que vou levar na próxima.

 

 

 

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3° Aizomê Ichiba

Vai ser no próximo sábado, dia 25, das 11 às 16 horas.
Local: Aizome (Alameda Fernão Cardim, 39 Jardim Paulista). Metrô Brigadeiro.

Eu vou estar lá com tsukemonos (conservas), miso, yokan de batata-doce e de matcha, os daifukus de yomogi (artemísia) da minha mãe, defumados e mais umas coisas que vamos fazer esta semana. Qualquer coisa vejam na minha página do Facebook. 

Também vai ter doces da Vivi Wakuda, katsu sando (sanduíche de porco empanado), sushis, gyudon e outras delícias para comer ou levar para casa. 

E verduras! Parte da venda dos vegetais e verduras do Sacolão Saúde irá para a Sociedade Beneficente Casa da Esperança – Kibô no Iê. 

Eu vou estar lá nos fundos. Não se acanhem. 

 

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Sesc Belenzinho – Fermentados

Quinta-feira passada pude falar sobre fermentados no Sesc Belenzinho. Como prometi aos participantes, aqui listo as receitas que faltaram:

Miso passo-a-passo, só acrescento que uso cerca de 200 ml de vodka para 3 kg de massa pronta, sobretudo quando faço miso no verão.

http://marisaono.com/delicia/2009/09/27/misso-passo-a-passo/

Conserva de Vegetais no Miso, a versão “rápida”. Para preservar por mais tempo, é preciso salgar os vegetais e prensar para diminuir a quantidade de água. Deixe prensando até que o chuchu, o nabo, etc, fiquem maleáveis. Depois é só mergulhar no miso ou na borra de sake. E mantenha tudo sempre na geladeira porque aqui no Brasil faz muito calor e pode estragar.

http://marisaono.com/delicia/2014/12/29/miso-tsukemonos/

Para o porco no miso, basta besuntar pedaços de porco (barriga, pernil, paleta, costelinha) com pasta de soja. Eventualmente acrescento um pouco de sake ou vinho branco para formar um molho que espalha melhor. Outra versão está aqui:

http://marisaono.com/delicia/2010/04/04/porco-marinado-no-miso/

Shio-koji e uma receita de uma conservinha rápida de acelga. E não se incomode se o seu shio-koji ficar velho, eu estou usando em marinadas como um substituto do sal e do shoyu:

http://marisaono.com/delicia/2012/08/13/hakusai-no-shio-koji-tsuke-conserva-de-acelga-com-shio-koji/

Eu não gosto muito do termo “kombucha” porque no Japão existe um chá de alga kombu (seria a tradução do japonês). Por lá chamam de kinoko-cha, que também não é bem correta mas evita confusões. Eu apenas faço um chá preto forte, adoço e deixo o meu crescer por uns dias. Mas a Neide Rigo desenvolveu muitas outras versões, que vocês podem conferir:

http://paladar.estadao.com.br/noticias/comida,kombucha,10000019173

O amasake é uma bebida à base de borra de sake. Pode ser feita só com a borra de sake, água e açúcar mas a versão mais leve (e com menos álcool) é feita com arroz bem cozido (até virar uma papa), borra de sake, água e açúcar. Alguns adicionam suco de limão ou gengibre ralado. É bebido quente. Mas daqui uns dias volto a falar sobre ele.

Ainda faltou falar que o mirim é uma bebida licorosa feita com destilado de arroz (shochu) e koji feito com arroz glutinoso (mochigome). Depois de alguns meses, a bebida ganha uma cor dourada e doçura. Se ficar com gosto de acetona, descarte.

E o extrato “truqueiro” que me permite fazer um dashi quase instantâneo com alga kombu e bonito seco (katsuobushi) eu publiquei há tempos. E garanto, não estraga nunca, nem precisa de geladeira.

http://marisaono.com/delicia/2009/11/22/kombu-e-katsuo-bushi-sake/

Também esqueci de dizer que o miso pode ajudar a amaciar uma carne mas é preciso que não seja pasteurizada. A pasteurização desativa as enzimas presentes do miso, do shio-koji, etc.

Um livro ótimo sobre o miso está em inglês e é meio velhinho: The book of miso savory soy seasoning de William Shurtleff e Akiko Aoyagi. Tem muita informação sobre tipos de miso, etc.

 

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Temporal

A região aqui foi castigada por um temporal na semana passada. Muitos falam em tornado e, considerando os estragos, acredito que tenha sido mesmo. Vargem Grande, São Roque tiveram casas, lojas, galpões destruídos. Alguns foram parar no chão, literalmente.

Ficamos sem luz por quase 2 dias e, nos dias seguintes, tivemos mais um período de 12 horas sem energia. Dizem que 15 torres de transmissão caíram. Durante uma semana tivemos problemas de fase, ou seja, alguns equipamentos não funcionavam bem, a luz das lâmpadas estava fraca, mas fomos tocando a vida. Telefone também falhou por aqui.

Não digo que não me atrapalhou. Atrapalhou, sim.

Mas nada do que passei chega perto de gente que perdeu tudo. A oficina onde levei o carro na semana passada perdeu o telhado, o vizinho, quase todo o galpão e o seguinte, foi todo ao chão, só sobrou o banheiro.

A Chokolah na estrada do vinho também foi ao chão.

Vinícolas em Canguera também. Ouvi falar de produtores rurais que também perderam seus galpões e instalações.

Casas, muitas casas.

O mais estranho é pensar que isso pode voltar a acontecer. Em qualquer lugar.

 

 

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Fermentados no Sesc Belenzinho

No dia 16 próximo falarei sobre meu assunto favorito: fermentados. Miso, tamari, conservas em borra de sake, shio-koji, shoyu-koji, ih, é coisa à beça, serão 3 horas de atividade.

E vai ser de graça. Mas é preciso fazer a inscrição, que começa amanhã.

Mais informações no site do Sesc Belenzinho:

http://www.sescsp.org.br/programacao/92521_FERMENTADO+BEBIDAS+E+CONSERVAS

 

 

 

 

 

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Jantar a Quatro Mãos no Tête à Tête

Estou atrasada com os post, eu sei. A horta exigia atenção – estamos na troca de culturas, saem as berinjelas, entram as acelgas, nabos, ervilhas, crisântemos comestíveis, também tive uma virose que me deixou um pouco abatida. A virose está passando e até que foi bom, creio que eu precisava reduzir um pouco o ritmo e refrescar a cabeça. Sim, criação precisa de um pouco de ócio. Conversei com umas pessoas, troquei algumas ideias, pensei.

Mas o post não é sobre isso, é sobre um jantar maravilhoso, com coisas que me surpreenderam. Vamos a ele.

As quatro mãos do jantar eram do chef Gabriel Matteuzzi e da chef Ligia Karazawa (Brace).

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Salada de folhas ácidas e picantes com magret defumado. Mizuna, capuchina, rúcula combinadas com as fatias finas do delicioso magret.

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Plin artesanal com consommé de prosciutto e chapuchina. Fatias finas de beterraba colorida davam textura. O caldo era muito intenso, o plin era saboroso.

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Sororoca grelhada com carvão de mandioca vai ficar na minha memória por um bom tempo. O peixe estava suculento, saboroso. O carvão de mandioca foi algo surpreendente. Pareciam pedaços de carvão, até eu morder um. Eram pedaços de mandioca cobertos com um preparado à base de tinta de lula e fritos. Rendeu suspiros à mesa.

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Carne maturada com pimentas e pimentões e colhada de cabra. A carne estava maravilhosa, saborosa, macia e suculenta. A coalhada trouxe acidez para contrastar com a pimenta shishito e mini pimentões.

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Pêssego grelhado com mel de flor de laranjeira, tomilho, mascarpone, laranja confitada e sorvete de gengibre. Foi a sobremesa que mais gostei, adoro pêssegos, gosto de doce de laranja (que aliás, aparece pouco nas sobremesas brasileiras; já repararam que é difícil encontrar um sorvete de laranja?), gosto da combinação quente e frio, tinha textura.

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Banana assada na casca com especiarias, sorvete de leite com cumaru e ambrosia. Cumaru combina bem com leite e banana.

O jantar foi bem planejado e executado, tendo o fogo (a brasa, o defumado, o grelhado, o assado) como tema. As quatro mãos trabalharam juntas, colaborando. Foi uma refeição de alto nível tanto pelas técnicas quanto pelos ingredientes e pela inteligência nas combinações, além de uma apresentação impecável e serviço eficiente.

O Tête à Tête recebeu uma estrela Michelin este ano. Para conhecer mais sobre o restaurante, tem o site:

http://www.teteatete.com.br/

E não deixem de conferir o trabalho da Ligia no Brace, o restaurante fica no andar superior do Eataly. O polvo grelhado é fabuloso.

E a noite foi perfeita também por conta da companhia. Creio que nossa mesa foi a mais barulhenta daquela noite…

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Duas Coisas Que Não Falam Sobre a Chia

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Chia contém ômega 3 e outras coisas boas para o organismo (nem tanto quanto dizem, há muito exagero na propaganda). Mas o que não costumam dizer é que para poder absorvermos o tal ômega 3, é preciso triturar a chia. Um moedor de grãos dá conta do recado. Um mixer é um pouco menos eficiente.

Outra coisa que não avisam é que ômega 3 tem gosto de óleo de peixe. Então é meio desagradável de ser ingerido com água…

 

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Bacon, Pernil Defumados e Pastrami

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Quer aprender a fazer uma carne defumada e um pastrami saboroso sem precisar de equipamentos caros, sem complicação?

Dia 22, aqui em casa, em Ibiúna, perto do Haras Setti.

Começa às 10, depois tem um almoço com as carnes preparadas, seguido de almoço (salada, pães de fermentação natural, sobremesa, chá e café).

Contato pelo e-mail marisaono@gmail.com

 

 

 

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Quando Escrever Se Torna Secundário

Nas últimas semanas passei por uns momentos que exigiram muito mais a minha atenção e tive que deixar de escrever no blog, seja por falta de tempo, seja por cansaço, mesmo.

Primeiro, sofri um pequeno acidente de trânsito. Felizmente ninguém sofreu ferimento algum, mas isso me fez ficar sem o carro por uns dias. Moro em um região parcamente atendida pelo sistema de transporte coletivo (uns 5 ou 6 ônibus por dia, imagine) e o supermercado mais próximo fica a 4 km.

Meu cão, já velho, apresentou problemas de saúde, precisou ser operado,  teve um pós-operatório complicado, com edema, inflamação e infecção. Cuidar de um cão não é muito diferente de cuidar de um humano, só que ele não vai colaborar tanto. Ele não vai engolir  os remédios com tanta boa-vontade, por exemplo. Curativos diários, caminhadas para estimular a circulação e que ajudaram a diminuir o inchaço nos membros posteriores, conferir se ele estava evacuando direitinho. Foram 3 semanas nessa. Agora o velhinho está bem, ainda um pouco lento, mas já se esforça para acompanhar minha mãe pela horta e uiva às 19 horas, colocando as fofocas caninas em dia.

E teve, nesse caos geral, o segundo Aizomê Ichiba. Era uma verdadeira receita de desastre, com tanta coisa para fazer e tendo que levar o cachorro para a clínica veterinária a 13 km daqui de casa. Mas a cavalaria veio. O Claudio Hiroshi Katamura, do Pimenta Real, veio me ajudar aqui em casa e ainda levou boa parte dos produtos até a feira. A Luci Cara da Acessórios Caramori (https://www.facebook.com/Acessórios-Caramori-180330025330171/) e o Marco Raspantini me ajudaram tremendamente no caixa e atendimento na feira, pensando em detalhes que nem me passaram pela cabeça. Marcia Molina veio e acabou ficando para me ajudar. Aliás, ela e o marido estão com um detergente que deterge tudo, indicado para limpeza pesada. Já testei, recomendo, apresentei para um bocado de gente. Confiram o video (tem outros, aliás) no Youtube: https://youtu.be/y2LtTa_ttE8

E como veio gente! Atendemos mais de 100 pessoas, pude trocar umas palavras com leitores do blog, alguns amigos, foi tudo muito intenso. Confesso que fico meio sem saber o que dizer para os meus leitores, pessoalmente. Mas gosto de saber quem me lê, do que gostam, do que testaram.

Bem, hoje as coisas voltaram mais ou menos ao normal, preciso correr com umas obrigações. Mas volto a escrever sobre comida esta semana.

 

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