Fubá de Canjica

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Outro dia ganhei dois pacotes de fubá de canjica. Há muito havia lido sobre ele no blog da Neide Rigo. Já cheguei a encontrar um fubá bem fino, que dá para fazer um biscoito. Mas precisava ter na minha mão um fubá de canjica para saber o quão fino é e como o sabor dele é mais delicado. Cozinha é algo que não basta ler. Ler é bom, faz parte da pesquisa mas chega um momento em que é preciso provar, apalpar, cheirar. Ainda não inventaram uma maneira de gravar sabores, de transmitir cheiro à distância, ainda estamos confinados apenas aos sons e imagens.

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As broinhas ficaram gostosas mas não tão bonitas quanto às da Neide. Preciso praticar um pouco, creio que era para a massa ficar mais mole para crescer bem.

A receita das broinhas e informações sobre o fubá de canjica estão aqui:

http://come-se.blogspot.com.br/2010/08/broinha-de-fuba-de-canjica.html

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Workshop Sobre Koji e Miso

Muita gente me pergunta sobre a produção do miso. Não é complicado mas é complexo. Explico: cada etapa exige atenção e existe motivos para isso. Para saber como é feito o koji e quando ele está bom para ser empregado, é preciso usar a visão, o olfato e o paladar.

E como é complicado fazer isso tudo numa sala!

Como preciso mesmo fazer miso por esses dias, resolvi organizar um workshop aqui em casa. Vão ver como é feito o koji (arroz maltado), como é cozido a soja, como o miso é feito e como é estocado e ver o resultado dele depois de 4 meses de fermentação.

E como vai ser um pouco demorado, vai ter um almoço bem caseiro (comida caseira japonesa, bem entendido).

Vai ser no dia 10, peço aos interessados que entrem em contato pelo e-mail marisaono@gmail.com

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Transglutaminase, Prazer em Conhecer

Ando apaixonada.

Quando ouvi falar da transglutaminase, não fiquei impressionada. Não achei tão interessante assim juntar diferentes cortes de carnes, remontar, dar outro formato. Chamam de “carne reestruturada”.

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No entanto, essa enzima tem outras aplicações. Ela age sobre proteínas em geral, sejam ela de carne moída ou do trigo. E aí que me apaixonei. A transglutaminase me permitiu fazer salsichas sem a adição de amido, sem o uso de emulsificantes (se bem que com emulsificante ficou ainda melhor), com textura firme e suculenta. Além de proporcionar uma massa coesa, ela impede que boa parte da água saia durante o cozimento.

Ou seja, estou fazendo salsichas, linguiças e almôndegas deliciosas.IMG_0048

No caso do trigo, age de certa forma como um melhorador. Ou seja, consigo um udon (que é uma massa feita apenas com água, sal e farinha de trigo) com uma textura firme mesmo usando a farinha fraca que encontramos por aqui. Normalmente preciso usar a farinha italiana. Usando apenas 0,2% dele em relação à farinha, já consigo uma textura muito, muito firme.

E como todas as enzimas, depois de aquecida acima de 60 °C, é desativada. Ninguém corre o risco de ter o estômago colado (também por outros motivos, como a acidez do estômago).

A Ajinomoto comercializa preparados à base de transglutaminase para produtos cárneos, lácteos, massas frescas e panificação. Confiram aqui:

http://www.ajinomotofi.com.br/activa

No entanto, há uns poréns.

O primeiro é que não é comercializado no atacado. É um produto que está acessível, por enquanto, apenas para restaurantes, indústrias, etc.

Outro porém é que o pacote, depois de aberto, precisa ser selado e mantido congelado e, mesmo assim, pode perder as propriedades. E um pacote de 1 kg é muito para um consumidor doméstico (dependendo da aplicação, utiliza-se de 0,2% a 0,6%, ou seja, pode ser utilizado em até 500 kg de massa).

Ou seja, infelizmente, ainda não é um produto que um consumidor doméstico possa utilizar em breve, que vá aparecer nos supermercados amanhã, o que é uma pena, porque gostei muito dos resultados.

Sim, a transglutaminase já está sendo utilizada em embutidos, produtos cárneos diversos e provavelmente em pães e massas industrializadas.

Aproveito para agradecer à Ajinomoto do Brasil que me passou toda a informação a respeito, tirou minhas dúvidas e apresentou as diversas aplicações da enzima.

 

 

 

 

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Macarrão de Arroz Fino

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É mais comum usar massas de arroz finas assim em refogados. Mas garanto, esse tem uma textura bem firme e pode ir numa sopa. Basta hidratar em um pouco de água fria por uns 20 minutos, cozinhar em água fervente por 1 minuto, escorrer e colocar em um caldo saboroso. 60 a 70 gramas de massa seca por pessoa são mais que suficientes.

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Fiz com caldo de porco e frango e servi com almôndegas de porco cozidas no caldo. Cebolinha para decorar e dar aquele aroma bom. Mas poderia (e eu até queria) levar verduras.

Essa massa comprei na mercearia Towa, na praça da Liberdade.

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ChocoScience

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Hoje fui conhecer a Choco Science. É um projeto muito bonito da Claudia Schultz e da Chokolah Chocolates Orgânicos.

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Durante o programa vemos um video que explica como é feito um chocolate em barra. São muitas etapas e detalhes em cada uma delas afeta o resultado final. Cheiramos cacau fermentado e seco, depois torrado. Provamos. Este tem um sabor que remete a azeitonas pretas.

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Pudemos ver – sem contaminar o ambiente da fábrica – a quebra das castanhas de cacau torradas e boa parte do equipamento que compõe uma fábrica de chocolates.

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Provamos chocolate com altíssimo teor de cacau…

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Até um ao leite (com 40% de cacau).

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Mas chocolate não é só sabor e aroma, também é textura. Na parte final provamos diferentes tipos de chocolates: doces, amargos, cremosos, lisos e granulosos e conversamos como tudo isso influencia os nossos sentidos.

E tudo isso nos leva aonde? A entender o quão complexo é um chocolate e qual a diferença de um chocolate comum e um chocolate dito fino. Somos levados a acreditar que o chocolate bom é importado. Hoje já não é verdade, podemos ter um chocolate de qualidade brasileiro, feito com cacau brasileiro.

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E ainda tem uma lojinha onde a gente pode escolher e comprar chocolates, bombons, pães de mel e ovos.

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Tem até chocolate zero açúcar.

Para quem ficou interessado, o ChocoScience acontece nos finais de semana, das 10 às 18 horas, na Estrada do Vinho 10051 em São Roque. Fica próximo à vinícola Palmeiras. Aceitam grupos, visitas de estudantes também são bem-vindas, é uma questão de combinar o horário. O telefone de contato é (11)4711-1602 e o e-mail é contato@chokolah.com.

Eu acho que vale a pena e não só para os apaixonados por chocolate mas também para quem quer aprender mais sobre alimentos, ciência dos alimentos, tecnologia alimentar.

 

 

 

 

 

 

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Agradecimento aos meus Patrocinadores

Já disse que o blog não conta com patrocinadores mas reconheço que não é bem verdade. Amigos têm me ajudado e a ajuda deles têm sido de grande valia.

Da Symptom Eletrônica ((11) 2941-0881), empresa que presta serviços de instalação e manutenção de câmeras, computadores, instalação de redes, sistemas de gravação para segurança, etc dos meus amigos Marcia Molina Souto e Luiz Carlos Rodrigues, ganhei um computador. O anterior era muito velho, muito lento e muito limitado e o que eu havia comprado para subsituí-lo, foi roubado. Tão velho que eu não podia abrir muitos aplicativos sob o risco de travar.

Do Eduardo Maekawa ganhei um monitor, o que me garante uma maior definição das imagens e me dispensa o uso de óculos de leitura. Até posso pensar em editar as imagens que faço.

Luiz Paulo Portugal me emprestou livros e livros. Livros não são só fonte de pesquisa mas de inspiração. Ele também me ajuda em muitas dúvidas. Sabe de tudo.

E ganho sementes, produtos, bebidas, café, etc,  da Telma Shimizu Shiraishi (Aizomê), Shinya Koike (Sakagura A1), Lucio e Sérgio ( Izakaya Matsu), da Sonia Yuki Yamane (Haru Consultoria), da Carla Saueressig (Loja do Chá), Sauro Scarabotta (Friccó), Noemi Cawabata, Silvia Porto e certamente esqueci de alguém. Comer, beber, cheirar, plantar fazem parte também da produção do blog.

Sem falar nos que me ajudam comprando meus produtos, vindo aqui nas aulas-almoços, doando para o blog (no ano passado, foram 3, creio eu).

Poucos se dão conta de que manter um blog por tanto tempo, com textos originais e receitas testadas sai caro. Eu, particularmente, sobreviveria muito bem com arroz, uma proteína e vegetais refogados diariamente. Mas para o blog preciso ir além. Preciso vasculhar lembranças, lembrar de combinações, sabores, ver filmes, ler, testar (e errar faz parte do processo, raramente acerto na primeira tentativa).

Além disso, mantê-lo no ar exige pagamento de hospedagem, de serviços da internet.

Então, ajuda é sempre bem-vinda.

 

 

 

 

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Pão Trançado de Matcha

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Não, a ideia não é original. Pães trançados, recheados com algum creme colorido existem há muito tempo. A novidade é que nunca fiz um e resolvi fazer com matcha (chá verde muito especial, moído finamente). Pães com chá não são uma novidade no Japão.

Dá um pouco de trabalho, porque a massa colorida precisa ser feita com antecedência e gelada, assim como a massa do pão. E como tudo está gelado, o pão irá demorar um pouco mais para crescer.

O recheio é uma massa cozida, pesada, com alguma gordura. Depois que o pão é assado, tanto o recheio quanto o pão ficam com textura muito parecidas.

E se não quiser usar o matcha, experimente substituir por chocolate, canela, etc.

Para o recheio de matcha:

40 gramas de farinha de trigo

20 gramas de amido de milho

20 gramas de leite em pó

80 gramas de açúcar

200 ml de leite

15 gramas de matcha

100 gramas de manteiga

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Misture tudo e leve ao fogo, mexendo sempre para não queimar, até que forme uma massa bem consistente. Espalhe em uma assadeira forrada com filme plástico e leve para gelar por 2 horas ou mais.

Para a massa do pão:

600 gramas de farinha de trigo

40 gramas de açúcar

5 gramas de sal

10 gramas de fermento biológico seco instantâneo

2 ovos

50 gramas de manteiga

Água o quanto baste para formar uma massa bem macia

Misture a farinha, o sal, o açúcar, o fermento biológico e os ovos. Vá juntando a água até formar uma massa macia. Sove ou trabalhe a massa na batedeira (com o gancho para massas pesadas) ou na máquina de pão até que a massa fique lisa e elástica.

Coloque em uma assadeira. Cubra com um filme plástico e leve à geladeira por 2 horas ou mais (pode ser mantido na geladeira até o dia seguinte).

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Abra a massa com um rolo de maneira que fique 1/3 maior que a massa verde. Coloque a massa verde, ainda gelada, sobre a massa, deixando 1/3 da massa livre.

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Dobre a massa sobre o recheio e dobre a parte restante sobre essa.

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Feche as laterais e as bordas.

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Estique a massa, torne a dobrar em três, repita a operação (abre, dobre novamente e abra mais um a vez).

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Divida a massa em duas, corte em tiras (3, 4, como preferir).

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Trance e coloque em duas assadeiras para bolo inglês, untadas com manteiga. Deixe crescer e leve ao forno quente por 10 minutos e depois abaixe um pouco. Asse até que fique bem dourado, tanto na parte superior quanto a inferior. Retire do forno, retire da forma e deixe esfriar sobre uma grade antes de cortar.

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Porque se tentar cortar o pão ainda quente, ele irá ficar amassado.

O pão é um pouco adocicado, não chega a ser doce. Comi puro, poderia comer com um pouco de manteiga ou nata.

 

 

 

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Sorvete, Wasabi e Polenta

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Muitos me perguntam sobre o wasabi e não são poucos que fazem confusão. A grande maioria só conhece o wasabi em pó ou em pasta. Só que aquilo raramente tem wasabi na composição. A maioria é feita com raiz forte (Armoracia rusticana). É uma planta que cresce na terra, desenvolve muitas raízes roliças e tem o aroma bem pungente.

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Já o wasabi (Wasabi japonica) é uma planta que precisa de água limpa e fria, não tolera calor e demora mais de 1 ano para ser colhida. Dela come-se quase tudo, desde folhas, talos, flores e o rizoma. O que está aí na foto é o valorizado rizoma. Não são muitos os lugares do mundo onde é possível o plantio dele. Este veio do Japão, fresco (já ganhei a pasta congelada) e é outra experiência.

Recomenda-se rala-lo em um ralador especial, feito com couro de tubarão, porque com ele obtém-se uma pasta bem fina, o que permite a liberação dos aromas. Sim, eu tenho um, bem pequeno, comprado há muitos anos.

Quanto ao sabor, é bem mais complexo. No primeiro instante, senti uma certa doçura, depois o ardor e a pungência, muito intensos mas que desaparecem em segundos, deixando o paladar refrescado. Por ter o aroma tão volátil, ele deve ser consumido pouco depois de ralado.

E ele não é gostoso apenas junto com o sashimi e sushi. Gosto dele com sobá (macarrão de trigo sarraceno) gelado e com carnes grelhadas.

Também me perguntaram se é raro, mesmo no Japão. Depende. Eu morei em uma província produtora e podia comprar wasabi em supermercados. Mas em alguns lugares, é preciso ir em lojas especializadas ou encomendar.

Quem quiser provar, terá que correr. Tem no restaurante Aizomê (alameda Fernão Cardim 39 – (11) 3251-5157) mas por pouco tempo.

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Não pude ir à Loja do Chá (Shopping Iguatemi 11 3816-5359) mas ela veio até mim pelas mãos da Sonia Yuki Yamane da Haru Consultoria. São sorvetes feitos pela Gelato Boutique (Rua Pamplona 1023) com infusões da Loja do Chá. O de chocolate belga tem sabor de pão de mel (com especiarias como cravo e noz-moscada) e é bem rico. Já o de iogurte com infusão de frutas é leve, com uma acidez refrescante. Quem quiser provar, vai ter que ir na Loja do Chá, tem um carrinho de sorvete muito charmoso lá por mais uns dias.

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E pelas mãos do Sauro Scarabotta do Friccó (Rua Cubatão 831 – 11 5084-0480) provei a polenta italiana.

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Pois é, até agora eu só comi angu ou quirera. A polenta é moída num ponto intermediário.

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Ou seja, polenta tem textura, não tem “cheiro de tulha” (expressão doméstica; dizemos isso quando o fubá vem com cheiro de coisa velha), é diferente.

Quem quiser comprar pode ir lá no Friccó, tem uma mercearia lá dentro mas acho melhor primeiro comer uma porção de carnes curadas e embutidos artesanais (maravilhosos) com os ótimos pães da casa.

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Defumados dia 06/03

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Quer aprender a fazer um bacon em casa, sem o uso de equipamentos caros e complicados? E um belo pedaço de pernil defumado? Que tal um pastrami bem gostoso?

Surgiram duas vagas de última hora para a aula de domingo, que começa às 10, seguida de um almoço com as carnes produzidas, pães de fermentação natural, salada, sobremesa surpresa, chás e água.

Interessados devem entrar em contato pelo e-mail marisaono@gmail.com

 

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Não Tinha Lamen; Fui de Mi Xian

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Sou uma men(rui) eater. Gosto de massas asiáticas: udon, soba, lamen, bifun. Massas são chamadas de “men” no Japão.

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Encontrei esse macarrão de arroz na mercearia Towa (Praça da Liberdade). Hoje descubro que é Mi Xian. É um macarrão mais grosso que o bifum japonês e bem mais firme.

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Ele vem seco e eu hidratei por uns 20 minutos em água fria, antes de cozinha-lo em água fervente por 5 minutos, mais ou menos. Ele ficou macio mas resistente à mordida.

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Escorri, passei por água fria e reservei.

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Como não havia lido nada ainda a respeito dessa massa, resolvi fazer de uma maneira parecida com o Pho ou seja, uma sopa com caldo bem leve, sem gordura e algumas verduras.

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Felizmente eu tinha caldo congelado em casa, misturei caldo de camarão com caldo de galinha, aromatizei com alho e gengibre, um pouco de cebolinha e acrescentei uns tomates só no final, para que continuassem inteiros.

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Como a horta está pobre, só tinha espinafre d’água. Poderia ter utilizado broto de feijão escaldado, mizuna, tirinhas de shisô (oba), folhinhas de coentro, etc. O caldo também poderia ter sido perfumado com galanga, capim limão, por exemplo. Mas era o que tinha para a hora e a chuva não me animava a buscar nada lá fora. Poderia ter usado umas gotas de nampla, limão e uma pitada de pimenta também.

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Por fim, foi só despejar o caldo quente sobre as tiras de espinafre d’água e comer. Escaldadas, a verdura ficou saborosa e esfriou um pouco o caldo. A textura da massa lembrava o udon.

Da próxima vez tentarei um molho picante.

 

 

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