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Blog Delicia by Marisa Ono
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Imagem cedida pelo Studio Oz

Alho Negro na Bombay

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Donuts, Novamente

Uma das coisas que move um cozinheiro – e eu não estou falando apenas do profissional de cozinha, mas de qualquer um que arregace as mangas e enfrente o fogão e a pia – é a vontade de agradar. Nem sempre cozinho o que gosto.

Fiz esses donuts para agradar algumas pessoas. Confesso que nem estava com vontade de comer fritura. Para alegrar um pouco, apelei para uma pasta que é mais utilizada no preparo de sorvetes. Usei no glacê, feito com açúcar de confeiteiro e um pouco de água. O sabor da pasta era de “frutas do bosque”, seja lá o que isso signifique. Recomendo para quem gosta de cores berrantes e absurdas. Coisas que lembram minha infância (Ki-suco, raspadinha, suspiros e doces “de venda”, etc).  O outro glacê foi feito com chocolate e um pouco de creme de leite, que foi levado ao fogo baixo.

A receita dos donuts já foram publicados há muito tempo, aqui:

http://marisaono.com/delicia/?p=914

Mas acrescentei 1 1/2 colher de chá de lecitina de soja (emulsão) para mantê-los macios por mais tempo.

 

 

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Busquei hoje na agência dos Correios a correspondência e para minha surpresa, além das contas habituais recebi o CD Bá autografado pelo Léo Leobons, além do encarte.

Bá em iorubá significa “Encontrar, reunir, juntar”. Isso está explicado no encarte. Estou ouvindo agora. Cantos em português e em iorubá, combinando som eletrônico (teclados, guitarras) com diversos instrumentos de percussão (batás, berimbau, xequerê, atabaques, tumbadoras, repiques, caixa, etc) estão me transportando para um outro mundo. Creio que é a primeira vez que ouço iorubá, o som das palavras é bem melodioso.

Como sou uma anta musical, antes que eu escreva alguma coisa, é melhor que vocês visitem a página dele:

http://www.leoleobons.com.br/

 

 

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Conversa Sobre Fermentados

No sábado “reinei” no Augusta Gourmet. Agradeço a Mari Endo que disponibilizou o espaço para que eu pudesse falar sobre as minhas últimas experiências com o koji de arroz. Como podem ver, levei muita coisa.

Levei uma bebida licorosa à base de koji e vodka que causou surpresa. Também levei shoyu-koji e shio-koji, além de miso e misos especiais, como o de grão-de-bico, kombu, pimenta. Todos puderam provar o koji em si, que é doce e de sabor agradável. Fiz um mishoshiru, apesar de ser óbvio, mas é o tipo de prato que os descendentes têm uma relação afetiva forte.

Também fiz um salmão marinado no shio-koji, que tem a propriedade de mudar o aroma do peixe, melhorar a textura além de salgar. Aliás, nem ficou tão salgado assim.

Também fiz tijimi, uma panqueca grossa, parente do okonomiyaki, tão boba mas que, para minha surpresa, muita gente não conhece. Bom como petisco, comida de izakaya.

Eu gostei da experiência. Espero não ter bagunçado muito o restaurante e também espero que os participantes tenham gostado. Lamento apenas que o tema fermentados seja tão extenso. Ficou de fora fermentados à base de peixe e frutos do mar, de farelo de arroz (que não encontro em lugar algum), de borra de sake, o nattô, o ishiru (que nem sei se um dia terei coragem de fazer em casa, já que é um molho à base de peixe ou lula, parente do nampla).

E se gostarem, espero repetir a conversa com outro tema. Sugeriram yokan (doce em barra, que pode ser feito tanto de feijão quanto de batatas, castanhas, etc). Pensei em dim-sums, pastéis e bolinhos de origem chinesa que ganharam o mundo e no tofu, que é outro alimento que tem raízes fortes na cultura japonesa e na cozinha doméstica. Que acham?

PS: Ficou faltando o link que prometi ao pessoal no sábado. São diversos livros que estão disponíveis gratuitamente sobre soja, fermentados, brotos, etc. Vale a pena conferir. Tudo em inglês. E eu ainda não li todos.

http://www.soyinfocenter.com/bibliographies.php

E se a curiosidade for mais histórica, tem outro link nesta mesma página:

http://www.soyinfocenter.com/HSS/history.php

 

 

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Fermentados no dia 18

Estou muito animada escrevendo a apostila e pensando em tudo que quero falar sobre minhas últimas experiências com fermentados, principalmente os feitos com koji de arroz.

E também estou tentando decidir que receitas vou apresentar, como sugestão de uso deles. Com certeza vai ter um misoshiru e um peixe marinado.

Vai ser no Augusta Gourmet (rua Augusta 2676, numa viela ou vila, lugar tranquilo mesmo durante a semana) às 10 hrs.

E só restam 4 vagas. Interessados entrar em contato comigo através do e-mail marisaono@gmail.com

 

 

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Bolo de Mandioca e Ginger Ale

Ambos foram feitos com fermentados. O bolo acima levou mandioca fermentada (massa puba, carimã) que fiz aqui em casa com uma mandioca velha, fibrosa, que não iria cozinhar. Foi só deixar a mandioca descascada em um balde com água por vários dias, até que ela começasse a desmanchar quando esmagada com as mãos. O cheiro não é bom, vou avisando e ela fica meio viscosa, esquisita. Tirando isso, basta esmagar com as mãos, passar numa peneira para tirar as fibras e depois coar em um saco de pano. Eu lavei essa massa com água limpa várias vezes, para diminuir a acidez e o cheiro.

400 gramas de mandioca fresca, descascada, colocada em água e deixada na geladeira por uma noite

400 gramas de massa puba bem lavada, deixada na geladeira por uma noite

1/2 coco fresco

3 ovos

100 gramas de manteiga gelada

100 ml de leite

2 a 3 xícaras de açúcar (depende do seu gosto)

1 colher (de chá) de fermento em pó

É só passar tudo, gelado mesmo, no processador de alimentos. Como o meu não é muito grande, dividi em porções. Triturei primeiro a mandioca, depois triturei o coco, depois bati a massa puba com os ovos e a manteiga com o leite. Juntei açúcar, fermento, misturei e despejei em uma assadeira untada com manteiga. Forno médio até dourar. O bolo não fica fofo, é um bolo mais pesado, como um bom-bocado. A massa puba dá uma textura mais pegajosa.

Outro fermentado é o ginger ale (embora eu tenha apelado para atalhos que me fazem pensar se não seria melhor chamar de espumante de gengibre). A Neide Rigo apresentou um espumante de abacaxi, com abacaxi fermentado e caldo de cana no 7º Paladar. A receita dela vocês podem conferir aqui:

http://infograficos.estadao.com.br/public/paladar/setimo-paladar-cozinha-do-brasil/rec-espumante-abacaxi.html

Resolvi fazer uma bebida espumante com gengibre, que é algo que dá por aqui. Essa versão é “truqueira”, fica pronta em um dia, porque uso fermento de pão. Resulta em uma bebida com gás, doce, levemente alcoólica e refrescante. Só alerto sobre uma coisa: não a mantenha fora da geladeira, porque a garrafa pode explodir.

1 a 2 colheres de suco de gengibre (rale o gengibre e esprema)

3/4 xícara de açúcar

Suco de 1 limão coado

1 colher (de chá) de fermento para pão (usei o fresco, se for usar seco diminua para 1/4 de colher)

Água mineral (sem cloro)

1 garrafa pet de 1.5 litros, com tampa

Com a ajuda de um funil coloque dentro da garrafa o suco de gengibre, o suco de limão, o fermento, açúcar e água suficiente para quase encher a garrafa (deixe uns 5 cm de espaço, abaixo do gargalo). Sacuda bem para misturar tudo.

Tampe e deixe fermentando. De vez em quando abra um pouco a tampa para o gás escapar. Quando perceber que há bastante gás formado, leve à geladeira. E mantenha gelada para não formar gás em excesso. Consuma logo, não tem conservantes e não acho seguro estocar por mais que 3 dias.

 

 

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