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Blog Delicia by Marisa Ono
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Imagem cedida pelo Studio Oz

Alho Negro na Bombay

Doe Com Um Clique

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Fermentados no dia 18

Estou muito animada escrevendo a apostila e pensando em tudo que quero falar sobre minhas últimas experiências com fermentados, principalmente os feitos com koji de arroz.

E também estou tentando decidir que receitas vou apresentar, como sugestão de uso deles. Com certeza vai ter um misoshiru e um peixe marinado.

Vai ser no Augusta Gourmet (rua Augusta 2676, numa viela ou vila, lugar tranquilo mesmo durante a semana) às 10 hrs.

E só restam 4 vagas. Interessados entrar em contato comigo através do e-mail marisaono@gmail.com

 

 

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Bolo de Mandioca e Ginger Ale

Ambos foram feitos com fermentados. O bolo acima levou mandioca fermentada (massa puba, carimã) que fiz aqui em casa com uma mandioca velha, fibrosa, que não iria cozinhar. Foi só deixar a mandioca descascada em um balde com água por vários dias, até que ela começasse a desmanchar quando esmagada com as mãos. O cheiro não é bom, vou avisando e ela fica meio viscosa, esquisita. Tirando isso, basta esmagar com as mãos, passar numa peneira para tirar as fibras e depois coar em um saco de pano. Eu lavei essa massa com água limpa várias vezes, para diminuir a acidez e o cheiro.

400 gramas de mandioca fresca, descascada, colocada em água e deixada na geladeira por uma noite

400 gramas de massa puba bem lavada, deixada na geladeira por uma noite

1/2 coco fresco

3 ovos

100 gramas de manteiga gelada

100 ml de leite

2 a 3 xícaras de açúcar (depende do seu gosto)

1 colher (de chá) de fermento em pó

É só passar tudo, gelado mesmo, no processador de alimentos. Como o meu não é muito grande, dividi em porções. Triturei primeiro a mandioca, depois triturei o coco, depois bati a massa puba com os ovos e a manteiga com o leite. Juntei açúcar, fermento, misturei e despejei em uma assadeira untada com manteiga. Forno médio até dourar. O bolo não fica fofo, é um bolo mais pesado, como um bom-bocado. A massa puba dá uma textura mais pegajosa.

Outro fermentado é o ginger ale (embora eu tenha apelado para atalhos que me fazem pensar se não seria melhor chamar de espumante de gengibre). A Neide Rigo apresentou um espumante de abacaxi, com abacaxi fermentado e caldo de cana no 7º Paladar. A receita dela vocês podem conferir aqui:

http://infograficos.estadao.com.br/public/paladar/setimo-paladar-cozinha-do-brasil/rec-espumante-abacaxi.html

Resolvi fazer uma bebida espumante com gengibre, que é algo que dá por aqui. Essa versão é “truqueira”, fica pronta em um dia, porque uso fermento de pão. Resulta em uma bebida com gás, doce, levemente alcoólica e refrescante. Só alerto sobre uma coisa: não a mantenha fora da geladeira, porque a garrafa pode explodir.

1 a 2 colheres de suco de gengibre (rale o gengibre e esprema)

3/4 xícara de açúcar

Suco de 1 limão coado

1 colher (de chá) de fermento para pão (usei o fresco, se for usar seco diminua para 1/4 de colher)

Água mineral (sem cloro)

1 garrafa pet de 1.5 litros, com tampa

Com a ajuda de um funil coloque dentro da garrafa o suco de gengibre, o suco de limão, o fermento, açúcar e água suficiente para quase encher a garrafa (deixe uns 5 cm de espaço, abaixo do gargalo). Sacuda bem para misturar tudo.

Tampe e deixe fermentando. De vez em quando abra um pouco a tampa para o gás escapar. Quando perceber que há bastante gás formado, leve à geladeira. E mantenha gelada para não formar gás em excesso. Consuma logo, não tem conservantes e não acho seguro estocar por mais que 3 dias.

 

 

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7º Paladar – Parte 2

Atendendo a pedidos, algumas impressões sobre as aulas. Chef Rui Gomes apresentou aspectos que devem ser levados em conta quando se prepara o buffet para uma festa. Na decoração, vai depender muito do tipo de comemoração: casamento, festa de aniversário, bodas, etc. Ele apresentou uma moqueca por conter elementos que costumam ser odiados: cebola, coentro, pimentão. A solução foi fazer o molho à parte, coa-lo, amenizar o sabor com manteiga e fazer uma espuma num sifão.

Mas sabe o que achei mesmo importante nessa aula? Ele deixar claro que é preciso ficar atento a instruções sobre alergia de algum convidado e fazer o máximo para agradar a maioria. Para ele, uma taxa de rejeição teria que ficar em torno de 5%. Em um restaurante, por exemplo, uma taxa de rejeição maior é sinal de que algo não vai bem e, a longo prazo, isso pode significar ter que fechar as portas.

Eduardo Maia apresentou bolinhos, que aliás aparecem com frequência nos cardápios dos bares e botecos. Fugindo das frituras e já que o tema do Comida di Buteco deste ano é mandioca e linguiça, ele apresentou diversos bolinhos cozidos no vapor ou assados, seja com mandioca ralada ou fermentada (puba). Isso tudo me fez lembrar os dim-sums chineses, os diversos bolinhos, pastéis, pacotinhos asiáticos que não são bem uma refeição.

José Barattino não apresentou nenhuma receita. Mas nos convidou a pensar sobre o quanto nossas escolhas influenciam o produtor rural: aonde e o quê compramos e quando compramos. Queremos ter abacaxi e mangas o ano inteiro. Preferimos comprar no supermercado porque tem estacionamento fácil, apesar de ter menos opções de verduras que uma feira. A agricultura não é estática, visa atender a um mercado. As feiras de produtores são uma maneira do consumidor ter contato com quem produz, saber o que é o melhor da época.

Ana Soares, Mara Salles e Neide Rigo apresentaram “doces não tão doces, nem tão fáceis”. Falaram sobre os doces antes do açúcar: tubérculos, frutas, mel. O doce em pratos salgados, que não é coisa nova. Bolos feitos de mandioca, milho ou arroz fermentados, que ainda existem em lugares diversos do país.

Doce feito com sangue, o chouriço de Caicó, que está desaparecendo por conta de uma norma que proíbe a comercialização de sangue fresco. E fartens, um doce que veio com Cabral. Esse pastel com recheio seco e que dura muito tempo me fez lembrar de outro, que ganhei de um indonesiano: massa fina recheada com uma mistura de coco, açúcar e pimenta e frito, que também dura uma eternidade. Influência portuguesa na Ásia, com certeza, já que esse doce me foi apresentado como “pastel”.

Jefferson Rueda falou das partes menos nobres do boi. Lembrou que na infância dele, bife não era um prato tão corriqueiro. Eu me lembro que comíamos mais fígado, dobradinha, moela e carne “de segunda”. Ele riu dizendo que muita gente agora passa a vida comendo alcatra, picanha, como se o bicho não tivesse rabo, patas, vísceras. E que as vísceras andam se perdendo nos abatedouros. Parte é exportada e parte é transformada em ração. E que, infelizmente, normas obrigam a venda dos miúdos congelados, o que prejudica muito o sabor.

Para minha surpresa, ele apresentou um fígado de wagyu com uma redução de alho negro (vinho, vinagre, cebola, caldo de carne e purê de alho negro) e cebolas fritas. O fígado de wagyu cozido em baixa temperatura ficou cremoso, não ficou nem farelento nem ressecado. Também fez um doce de leite com mocotó que ficou bem pegajoso. Acho que trabalhando um pouco com essa ideia, sairia uma boa bala de caramelo, daquelas com uma textura bem “puxa-puxa”.

Thiago Castanho trouxe ervas e vegetais amazônicos e falou da diversidade da região onde vive. Mais do que se come, ele contou histórias de pessoas que sabem o que comer, onde colher e como preparar.

Açaí não se come com sucrilhos por lá. O biju também é diferente. O jambu vai em muita coisa, até na cachaça. Enquanto eu uso as cápsulas da vinagreira, ele usa as folhas. É tudo tão diferente do que estou acostumada que até parece que ele vem de outro planeta. Pupunha – o fruto, não o palmito – nas mãos dele virou purê, sorvete, vinagre, óleo. Chocolate virou terra, mousse, um pote semeado com sementes de jambu.

Mark Emil Hermansen falou sobre o que define a cozinha nórdica. E eu fiquei pensando em como definir a cozinha brasileira, com tantas paisagens, tantos produtos, tantas maneiras de comer. Também falou sobre a procura por ingredientes típicos, como algas, plantas (tudo é comestível, embora algumas coisas têm consequências – riu ele), fermentados e insetos.

E falando em insetos, Alex Atala provocou, oferecendo saúva amazônica em um pedaço de abacaxi. Para mim foi um momento tenso. Confesso que tenho uma certa aversão por insetos em geral. A formiga tem gosto de capim limão mas o que me incomodou foi uma patinha presa entre os dentes. Continuou provocando, dizendo que comer insetos é tão primitivo quanto comer um iogurte de morango colorido com conchonila e que mel é vômito de abelha.

Mas nem tudo foi provocação, claro. Beto Ricardo, Alex Atala e Roberto Smeraldi apresentaram o ATÁ, instituto que pretende defender a diversidade no Brasil. E ficou evidente que discutir gastronomia brasileira vai além da cozinha. O que comemos, por opção, necessidade ou hábito cultural envolve outras tantas coisas mais do que ir no supermercado e comprar. O Instituto recém-criado tem sonhos, alguns projetos ambiciosos e espero que leve a mais perguntas, a mais pesquisas, a mais opções e a um movimento positivo.

Também encontrei gente nos corredores, aproveitei para conversar. Mas, lamento, não tenho nenhum furo jornalístico. As conversas giraram sobre comida, plantas, cães, lagartixas, sapos.

E ainda voltei para casa com um punhado de pupunha que cozinhei para minha mãe, que nunca havia sequer visto na vida. Fiz para ela também uma banana pacová, que ela adorou. Matou a curiosidade do ingá, quer plantar umas sementes de cacau jacaré e provou o bacuri. Presentes do Empório Poitara, que entrega produtos vindos de Belém em São Paulo.

 

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7º Paladar – Cozinha do Brasil

Em primeiro lugar, preciso agradecer ao jornal O Estado de São Paulo, à redação do Paladar e à Lucia Faria Assessoria em Comunicação que possibilitaram que eu pudesse assistir a várias aulas nesse grande evento da gastronomia brasileira.

Este ano não vou publicar muitas fotos aqui no blog. Quem quiser mais, pode ver no Facebook:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151404476618483.1073741825.524438482&type=1

Receitas estão publicadas aqui:

http://infograficos.estadao.com.br/public/paladar/setimo-paladar-cozinha-do-brasil/receitas.html

E, claro, na próxima quinta-feira vale a pena conferir o suplemento Paladar do jornal O Estado de São Paulo.

Eu estava (aliás, ainda estou) muito gripada, encarei os dois primeiros dias com um pouco de febre, um bocado de mal-estar e, por vezes, sentia os efeitos dos remédios (principalmente sonolência). Aí vejo até onde minha curiosidade me leva.

De tanta coisa que foi apresentada e provada, para mim ficou forte a imagem de um país com uma enorme diversidade. Diversos ingredientes (como os frutos e vegetais amazônicos que Thiago Castanho e o Empório Poitara trouxeram), diversos caminhos que a comida percorre até chegar ao consumidor, diversas maneiras de cozinhar. E também diversas maneiras de comer: rápido ou com calma, sozinho ou compartilhado, um comer bom ou um não tão bom.

Se somos tantos, em regiões tão diferentes entre si, com hábitos, origens e culturas também tão distintas, o que define a comida brasileira? Talvez ninguém ainda tenha a resposta. Nessa equação que parece ser tão complexa, a única constante é o brasileiro. O brasileiro que come, que planta, que detém o conhecimento do sabor e do que é comestível. É o mesmo brasileiro que compra, que vende, que segue modas ou que foge delas, que luta para sobreviver ou que está buscando ser excelente em algo.

Mark Emil Hermansen em sua aula sobre a cozinha nórdica disse algo que era para ser uma piada: Tudo é comestível, embora algumas coisas têm consequências. No caso, ele se referia a alimentos potencialmente tóxicos. Em outro contexto, comer é algo mais do que o óbvio. Nosso comer implica em escolhas, mesmo quando não nos damos conta delas. E as consequências podem ser no nosso bolso, no nosso corpo, no meio onde vivemos ou no meio onde esse alimento é produzido. Por preferir um vegetal que dura mais na geladeira e que é mais fácil de limpar, o brócoli de rama está cada vez mais escasso nas feiras, apesar de ser muito mais saboroso que o ninja.

Podemos ser, ao mesmo tempo, causa e vítimas. Mas também podemos ser o motor de uma mudança positiva. E aí também me lembro da aula sobre Shojin Ryori com Toshi Tanahashi em que ele pôs a seguinte questão: se comer é algo tão importante, porque gastamos tão pouco tempo cozinhando e pensando no quê e como cozinhar?

Não tenho respostas sobre o que é gastronomia brasileira, nem sobre o futuro do nosso comer. Mas vamos todos pensar um pouco sobre isso?

E quanto à formiga lá em cima do pedacinho de abacaxi, é a formiga que encanto Alex Atala. Apesar da minha aversão a insetos, provei, sim. Ela tem gosto de capim limão.

 

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Quiche Sem Massa Limpa-Geladeira

Acho o nome infeliz, mas é assim que chamam. Prefiro chamar de “enformado”. O fato é que ainda não publiquei uma receita dele, apesar de fazer com alguma frequência. Vejo na geladeira o que está sobrando e faço.

4 ovos

1/2 xícara de farinha

1 colher de chá de fermento em pó

1 ou 2 colheres de manteiga derretida

1/2 xícara de leite ou uma mistura de leite e creme ou leite e requeijão (depende do que tem na geladeira)

Sal, pimenta-do-reino

4 xícaras de vegetais picados (usei cebolas, chuchu, abóbora, cenoura, tomate mas também já fiz com brócoli, vagens em rodelinhas, abobrinha) e, se tiver, queijo minas ou cottage ou ricota. Dessa vez não tinha, não usei.

Requeijão

Mistuire os ovos com farinha e fermento. Bata um pouco e adicione o leite (ou mistura de leite com creme ou requeijão), manteiga, sal e pimenta. A massa vai ficar parecida com a de uma panqueca.

Adicione os vegetais e  o queijo minas esfarelado. No caso da cebola, eu refoguei em um pouco de óleo. O resto foi tudo cru, mesmo.

Despeje em uma assadeira bem untada. Distribua colheradas de requeijão. Leve ao forno pré-aquecido quente até dourar. Pode ser comido quente ou morno.

Vai para a categoria “Cozinha do Desespero” porque pode ser uma refeição, leva pouco tempo para ficar pronto e enquanto assa, dá tempo para tomar banho, preparar a mesa, etc.

PS: Não costumo usar carnes nessa receita, questão de gosto. Quanto aos vegetais, vai depender do que tem ou o que se gosta. Só evito colocar vegetais que soltam muita água.

 

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