Sake Flake

Shake flake

Ou shake fureeku ou ainda, flocos de salmão. Esse peixe salgado, desfiado e seco costuma ser comercializado em potinhos ou sachês. É usado sobre o arroz, como um furikake, dentro de onigiri (bolinhos de arroz) e os mais criativos usam em pratos como o arroz frito (tcharam ou yakimeshi).

Salmão não é o meu peixe preferido, mas neste caso funciona. Tem uma cor atraente e desfia bem. Exige um pouco de tempo mas, paradoxalmente, é muito fácil.

Sake flake 1

Salgue postas de salmão. No caso, usei 2 postas de salmão e salguei com uma colher de sopa de sal. Cobri e deixei na geladeira. Escorri o líquido que se formou e salguei com mais outra colher de sal. Deixei por alguns dias (cerca de 1 semana), na parte mais fria da geladeira, sempre coberto.

Sake flake 2

Reguei com 2 colheres de sopa de sake, cobri com um filme plástico e levei ao microondas e cozinhei. Virei as postas no meio-tempo, que no caso foram de 6 minutos no total. O peixe soltas lascas facilmente quando está pronto. Se preferir não usar o microondas, cozinhe no vapor.

Sake flake 3

Retire a pele e as espinhas e desfie o salmão. Confira o sal. Leve novamente ao microondas, desta vez descoberto, misturando de vez em quando até que fique seco. Ou leve ao fogo baixo em uma frigideira anti-aderente, misturando constantemente. Deverá ficar seco mas não demais. Alguns preferem um pouco mais úmido, mas eu acho que quanto mais seco, mais tempo vai durar na geladeira.

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Aos Meus Leitores

Agradeço aos que acompanham este blog e aos que participam com perguntas e sugestões. O fato é que eu nem sempre sei o que gostariam de ler e existem dezenas de assuntos que eu não me lembro de escrever e essa interação tem sido muito boa para gerar mais textos. Alguns vão ter que esperar a época de certos produtos.

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Rakkyo no Amasutsuke

Rakkyo

Alguns chamam de cebola mas o cheiro forte lembra mais o alho. Essa conserva ácida parecida com o pickles tem várias versões. Eu apresento a maneira como é feita aqui em casa.

O primeiro passo é limpar. Alguns feirantes até vendem já limpo. É preciso tirar  a raiz, parte do talo e a casca externa. Lave bem e enxugue.

Salgue. Como vivemos em um país tropical, preferimos usar mais sal do que seria recomendado no Japão. Para cada quilo de rakkyo já limpo, foram 130 gramas de sal. Deixe por 2 a 3 dias em um recipiente tampado, sem nenhum peso por cima. Depois desse tempo, terá formado uma boa quantidade de salmoura. Descarte o líquido. Pense em um lugar onde deixa-lo durante esse período de salga, porque o cheiro é forte e ninguém vai querer dormir com ele, certo? Como moramos em casa, deixamos na área onde funciona a lavanderia.

Para a conserva, ferva água, açúcar e ácido acético ou vinagre. Em casa preferimos o ácido acético glacial porque ele é transparente, não altera a cor e só tem cheiro de ácido, mesmo. Alguns vinagres são aromatizados e tendem a conferir uma cor amarelada à conserva com o tempo. No Japão, muitos usam tanto o ácido acético quanto o vinagre de arroz. Fica a critério. Se for usar o vinagre, pode usar a proporção de 250 ml de vinagre, 100 ml de água e açúcar à gosto. Como usamos ácido acético, a quantidade seria de 1 ml para cada 150 ml de água.

Mas atenção: antes de pensar em usar o ácido acético, aviso que é um produto controlado, que exige a apresentação do CPF para a compra. É um ácido forte e precisa se manipulado com cuidado. De preferência, trabalhe com ele perto da pia. Caso pingue sobre a pele, lave imediatamente com água corrente. O ambiente deverá ser arejado e evite aspirar. Qualquer um pode se engasgar com o vapor dele. Jamais despeje água sobre o ácido. Sempre despeje o ácido sobre a água. E dê preferência a utensílios de vidro, plástico ou aço inox.

Rakkyo Acidez

O fato é que a solução tem que ter um pH abaixo de 5 para evitar a proliferação de microorganismos perigosos, como a salmonela. As tiras de teste não são muito confiáveis mas servem para quebrar o galho e dar uma certa segurança. Não custaram muito caro, não. Comprei na Adria Laboratorios, em Londrina. Na foto acima, o caldo para rakkyo registra pH 4, enquanto que o vinagre de arroz, 3.

Eu não dou a quantidade de açúcar. Fica a gosto de cada um. Em casa nunca fizemos conservas muito adocicadas, porque certamente minha avó não podia usar tanto açúcar assim (era considerado artigo de luxo) e ficou o gosto da família moldado por décadas.

Deixe a mistura de água, vinagre (ou ácido) e açúcar esfriar. Acomode os rakkyos em um pote que feche bem e cubra com o líquido. Junte uma pimenta dedo-de-moça seca. Para que o rakkyo não tenha contato com o ar, escureça e até mesmo corra o risco de mofar, coloque um pedaço de filme plástico amassado dentro do pote, na superfície do líquido.

Preferimos deixar curtir ao menos uma semana antes de consumir. E quanto à durabilidade, bem, nunca guardamos na geladeira e ainda não vi um pote estragar, mesmo depois de meses.

Existem outras conservas feitas com rakkyo. Ele pode ser conservado no caldo do umeboshi, depois de ter sido salgado e perdido a água excedente. Também pode ser conservado em uma pasta feita com borra de sake (sake kasu) e há quem consuma diretamente depois da salga (neste caso, mantenha na geladeira, em pote bem fechado), com um pouco de pasta de gergelim ou um molho à base de mostarda picante.

Como os rakkyos que usamos foram colhidos aqui na horta, suponho que já estejam à venda nas feiras e mercearias de produtos orientais.

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Oyakodon

Oyako-dom

Resolvi fazer esse prato por conta de uma decepção recente. É algo extremamente simples e fácil de fazer, mas o que eu comi era quase um desastre: salgado e doce demais, matando qualquer sutileza.

Domburi é o nome que dão à tigela e a uma série de pratos servidos nela. Basicamente, trata-se de uma porção de arroz com algo em cima: gyudon (com fatias de carne cozida), katsudon (com porco empanado, caldo, cebolas e ovos), tendon (com tempura), unagidon (coberto com enguias)… O oyakodon leva frango e ovos, cozidos em um caldo à base de shoyu. Já foi considerado um prato de luxo, em uma época em que frango era caríssimo.

1/2 xícara de dashi ou água e hondashi

2 colheres de chá de açúcar

2 colheres de sopa de shoyu

Frango cortado em cubinhos de cerca de 2 cm de lado; prefiro a coxa sem pele, mas fica a gosto, tanto o corte quanto a quantidade

Alguns pedaços de cebola, cortados em meia-lua

Pedaços de cebolinha verde

2 ovos, de preferência caipiras, bem frescos

Mitsuba (um tipo de trevo) para enfeitar

Oyako-dom Dashi

Leve ao fogo o dashi, o açúcar e o shoyu. Deixe ferver por alguns minutos. Adicione o frango e cozinhe em fogo moderado. Adicione a cebola e cozinhe por um minuto. Junte a cebolinha e cozinhe outro minuto. Confira o sabor, se necessário, corrija com sal e açúcar.

Oyako-dom ovos

Bata os ovos. Despeje sobre o cozido de frango. Acho mais fácil usar uma vasilha plástica com bico (como os para molhos, ketchup, etc) ou um bule com bico fino para distribuir os ovos uniformemente. Continue cozinhando em fogo médio. Misture apenas uma vez. Não cozinhe demais; os ovos deverão estar ligeiramente cremosos. Decore com folhas de mitsuba.

Com cuidado, empurre a mistura de ovos para dentro de uma tigela, já com uma porção de arroz branco dentro.

Esta é uma versão básica e individual. Não creio que seja heresia adicionar fatias de cogumelo shiitake ou um pouco de cogumelo shimeji. Tirinhas de kamaboko podem servir de decoração. Se não gostar de cebolinha, não use, embora eu goste do sabor que confere ao caldo. Se preferir fazer uma porção maior, ela pode ser feita em um frigideira grande e porções de ovos serão distribuídos sobre as tigelas com arroz na hora de servir.

Não dei quantidades exatas de frango, cebola e cebolinha. Use quanto preferir, lembrando que “recheio” demais vai comprometer o equilíbrio com a quantidade de ovos.

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Sorvete de Matcha

Sorvete de Matcha

Sempre digo que matcha (chá verde em pó) e creme combinam muito bem. Claro que a mistura rende um sorvete gostoso. Muita gente acha que matcha é amargo. Não, pelo menos o que tenho aqui, é muito aromático. Infelizmente, um bom matcha é caro.

3 gemas

50 gramas de açúcar

150 ml de leite

150 gramas de creme de leite

2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

1 colher de sopa de matcha

Bata as gemas com o açúcar até ficar claro e leve.

Ferva o leite e despeje sobre as gemas. Misture bem, passe por uma peneira  e leve ao fogo brando, mexendo constantemente, até engrossar. Deixe esfriar. Leve à geladeira.

Dissolva o chá verde em pó em um pouco de água quente. Se formar grumos, passe por uma peneira. Adicione ao creme de gemas já gelado.

Bata o creme de leite até engrossar. Adicione o açúcar de confeiteiro e bata até o ponto de chantilly, formando picos.

Misture ao creme de gemas e chá.

Se tiver uma sorveteira, use-a.  Senão, leve a mistura ao congelador, de preferência em um recipiente de metal. Misture de meia em meia hora. Ou então deixe congelar, retire do congelador, quebre em pedaços e triture em um multiprocessador até ficar cremoso. Leve novamente ao congelador para firmar.

Esta receita rende pouco, cerca de meio litro, o que dá umas 4 porções pequenas. Por outro lado é bom, já que o sorvete é melhor quando consumido logo.

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Salada de Macarrão

Salada de Macarrão

Essa salada frequentava o meu obento (marmita) no verão. Fácil, rápida e leve, era a refeição de um prato só.  E, de quebra, servia para limpar a geladeira…

Ferva água e adicione macarrão curto (penne, parafuso, etc). Pouco antes da massa estar pronta, adicione tirinhas finas de cenoura, vagens, aspargos. Se tiver receio de errar o ponto, cozinhe separadamente.

Escorra e mergulhe em uma tigela com água fria. Escorra novamente.

Depois, é só temperar com vinagre, sal, azeite. Eu adicionava ovos cozidos, presunto cru (quando podia) ou cozido, rosbife fatiado, azeitonas, pimentão em tirinhas. Só não colocava vegetais que soltam água, como tomates, por exemplo, ou alface, já que ela murcha com o sal. E para quem já levou um obento para o serviço, sabe como é desastroso ter um líquido escorrendo da caixinha.

Fazia na noite anterior, guardava na geladeira e leveva para o almoço. É bom tanto gelado quanto à temperatura ambiente.

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Ebi Gyoza

Ebi Gyoza

Esse dim-sum de camarão costuma ser chamado de Ebi Gyoza ou Ebi Mushi Gyoza. Diferente do gyoza mais comum por lá, é feito com uma massa de amido de trigo, que fica transparente e de consistência um pouco pegajosa, parecida com o do mochi (massa de arroz glutinoso). É cozido no vapor e servido quente. Pelo que pesquisei, no país de origem é chamado de Har Gao.

A receita eu adaptei de outra, da autora de livros culinários Wen Wu.

Massa:

100 gramas de amido de trigo (encontrado em lojas de produtos orientais; no Japão é chamado de Uki-ko  – 浮き粉)

40 gramas de polvilho doce

200 ml de água fervente

Sal

Recheio:

250 gramas de camarão limpo e descascado

1 pedaço pequeno de gengibre ralado

1 colher de sopa de sake

1 colher de sopa de polvilho, amido de milho ou fécula de batata

Sal, pimenta do reino

Para a massa:

Ebi Gyoza- Massa

Misture os dois amidos e o sal em uma tigela. Despeja água fervente e misture vigorosamente. Quando amornar o suficiente, sove. Se necessário, polvilhe mais um pouco de amido de trigo, para que ela não seja pegajosa demais. Forme uma bola e deixe descansar por 15 minutos ou mais.

Enquanto isso, faça o recheio:

Triture tudo em um multiprocessador, até formar uma pasta homogênea. É importante que esteja gelada, para ter uma boa textura e não correr o risco de estragar. Deixe na geladeira até a hora de usar.

Divida a massa em 24 porções. Abra cada uma com um rolo, em um disco de mais ou menos 8 cm. Não abra a massa fina demais, ela é delicada e difícil de trabalhar, podendo abrir buracos com facilidade. Polvilhe com polvilho sempre que necessário.

Ebi Gyoza - Modelado

Recheie com um colher de chá bem cheia de massa. Dobre, faça as pregas e enfileire em uma bandeja.

Ebi Gyoza - Cozinhando

Para cozinhar, leve ao fogo uma panela de cozimento no vapor com água, na parte de baixo. Na parte de cima usei um guardanapo de pano molhado para forrar a peneira e evitar que os bolinhos grudassem no fundo. Quando a água estiver fervendo, acomode os gyozas sem encostar um no outro e tampe. Cozinhe em fogo alto por mais ou menos 6 minutos. Eles ficarão transparentes, exibindo o recheio rosado. Retire a parte de cima da panela, destampe e espere uns 30 segundos. Os gyozas ficam mais fáceis de manusear e destacar do guardanapo quando esfriam um pouco.

Gostei do resultado, mas da próxima vez experimentarei misturar camarões picados e ou broto de bambu. Acho que ficaria mais gostoso com um pouco de cebolinha (só a parte branca, bem picada) no recheio.

Comi com umas gotas de molho de soja.

PS: Sim, eu ainda preciso aprimorar ainda mais o método de modelar os gyozas.

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Flor de Ruibarbo

Flor de Ruibarbo

Eu nem sabia que era possível cultivar ruibarbo no Brasil. Muito menos que floria

No entanto, o ruibarbo está indo muito bem, crescendo até que exageradamente.

Ruibarbo

Como as folhas crescem demais, os talos pegam muito pouco sol e não ficam vermelhos como deveriam ficar. Vou ter que podar um pouco…

As sementes de ruibarbo foram compradas através do site da Tabutin Sementes.

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Furikake de Casca de Camarão

Furikake

“Mottainai, mottainai!” Essa expressão é bem comum em uma casa de japoneses ou descendentes.  Significaria “que disperdício!” Há essa cultura de aproveitar todos os recursos, principalmente em se tratando de comida, usando coisas que, muitas vezes nós, brasileiros, descartamos.

Vou fazer uma descrição em vez de dar a receita com pesos e medidas. Lave e escorra cascas de camarão. No caso, usei cascas de camarão pequeno. Leve ao fogo em uma frigideira e vá mexendo, até secar e ficar quebradiça. Leva algum tempo, principalmente a parte dos rabinhos, que é mais espessa.

Deixe esfriar e triture no multiprocessador. Acrescente sal, gergelim torrado, alga nori em tirinhas ou esfarelada e o que mais gostar, contanto que seja sêco: pimenta, glutamato, gengibre em pó, shiso vermelho em pó (comercializado sob o nome de Yukari, creio eu), etc.

A mistura terá um saborzinho de camarão, será crocante e, segundo dizem, contém cálcio. Mas se não quiser aproveitar cascas de camarão, creio que pode ser feito com camarão seco. Neste caso, acho melhor usar o camarão seco sem sal, que encontro em lojas de produtos orientais, porque o camarão seco brasileiro, para o meu paladar, é salgado demais.

E para quem gosta de furikake, a dica: Dá para fazer com outros ingredientes. Salmão salgado, assado e bem seco (em forno baixo, mexendo de vez em quando ou talvez na frigideira), peixinhos secos, flocos de bonito seco, misturados com gergelim, alga e especiarias.

Eu prefiro fazer pequenas porções, porque consumo pouco e tenho receio que fique rançoso com o tempo.

Ah, sim, ia esquecendo. Para quem não sabe o que é furikake, trata-se de uma misturinha seca que se consome polvilhando sobre o arroz. Além de salgar, dá sabor.

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Repolho

Repolho

Nem todo repolho é igual.  Este, além de ser diferente no formato, também é no sabor e textura. Macio e com aroma mais suave, é ótimo para fazer saladas. Costuma ser menor que o repolho comum e ainda não vi vendendo na feira.  Dizem que se chama “Repolho Coração de Boi”.

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