De Belém a Tokyo

Duas notícias boas.

Nos dias 18,19,20 e 21 o restaurante Dalva e Dito recebe Thiago e Felipe Castanho do Remanso do Bosque e Remanso do Peixe. Uma boa oportunidade para conhecer a cozinha desses jovens de Belém do Pará. O almoço fica em R$80,00 e jantar, R$110,00, sem couvert ou bebidas.

Rua padre João Manuel, 1.115, Cerqueira César, SP, tel. 0/xx/11/ 3068-4444

E para quem é fã das massa japonesas, a aula da Mari Hirata na escola Wilma Kovesi é imperdível. No dia 13/08, das 19 às 22 horas. Página para conferir valores de inscrição e outras informações:

http://www.wkcozinha.com.br/new/cursos/agosto/13/2012

 

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Sakura Mochi

Eu estava ensaiando escrever sobre folhas de cerejeira já há algum tempo. Tudo porque a cerejeira daqui de casa soltou bastante folha nova e como nesta época do ano a incidência do sol é menor, elas estão mais macias. Essas folhas podem ser conservadas bom muito tempo em salmoura.

Confesso que não sei grande coisa sobre espécies de cerejeiras. Só sei que a que temos não dá cerejas e tem essas folhas largas, grandes. Temos uma outra, de folhas menores que dizem que são chamadas de “Okinawa Sakura”. Para saber como preserva-las, recorri ao chef Shinya Koike do Aizome. Ele disse para eu ferve-las até ficarem macias e depois passar por água gelada, escorrer bem, salgar e cobrir com salmoura forte. Fiz um pouco mais. Separei as folhas por tamanho e fiz maços de 10 folhas e fui empilhando em um pote. O aroma era mais intenso há duas semanas. Acho que o melhor mesmo é embala-las à vácuo depois de uns dias de salga.

E essas folhas são usadas em doces e salgados lá no Japão. E ultimamente estão usando também em doces ocidentais, como biscoitos, bolos e pães. Vou experimentar outras coisas com essas folhas, aproveitando a safra. Por enquanto fico em duas receitas bem tradicionais. O nome sakura mochi se refere a dois doces diferentes, um mais comum na região leste e outro, na região mais a oeste. Tive que fazer uma adaptação, já que não encontro por aqui o doumioji-ko. Trata-se de arroz glutinoso (mochigome) hidratado, cozido no vapor, seco e quebrado em pedacinhos. Parti do arroz glutinoso e o resultado foi bom.

Sakura-mochi Kansai-fu (à moda de Kansai)

280 gramas de arroz glutinoso (mochigome)

360 ml de água

3 colheres (de sopa) de açúcar

Corante alimentício vermelho – eu usei o em pó, japonês, diluído em um pouco de água

Anko

Folhas de cerejeira salgadas, lavadas e bem secas entre toalhas de papel

Lave e deixe o arroz de molho por algumas horas. Escorra bem em uma peneira. Coloque metade no processador de alimentos e utilizando a função “pulsar”, quebre um pouco os grãos. Não é para transformar em pó e sim, em pedacinhos regulares. Fiz o mesmo com a outra metade.

Cozinhei o arroz na panela elétrica com 340 ml de água. Assim que ficou pronto, virei em uma tigela, adicionei o açúcar e amassei levemente com o surigoshi (o pistilo do almofariz, o pau do pilão japonês). Se não tiver nada semelhante, use as costas de uma concha, também funciona. Não é preciso triturar com paixão, é só para misturar o açúcar e desenvolver um pouco mais de “liga”.

Adicionei gotas de corante. Com as mãos molhadas misturei para distribuir o corante. Ainda com as mãos molhas, dividi a massa em 15 porções. Também fiz 15 bolinhas bem menores, da pasta doce de feijão azuki (anko, usei koshi-an)

Depois é só rechear a massa de arroz com a bolinha de anko, dar um formato oval e enrolar em uma folha de cerejeira salgada.

Sakura-mochi Kanto-fu (à moda de Kanto)

6 gramas de farinha de arroz glutinoso

20 gramas de açúcar

60 gramas de farinha

100 a 120 ml de água

Corante alimentício vermelho (usei o em pó, japonês, diluído em um pouco de água)

Anko

Folhas de cerejeira salgada (eu prefiro lavar para retirar o excesso de sal) e bem enxutas entre folhas de papel-toalha

Misture a farinha de arroz glutinoso, o açúcar e a farinha de trigo. Adicione a água aos poucos. Passe por uma peneira e deixe descansar por pelo menos 15 minutos.

Aqueça uma frigideira com revestimento anti-aderente e passe um pouco de óleo com um pincel ou papel toalha. Despeje cerca de 2 colheres de sopa da mistura e espalhe com as costas de uma concha pequena, formando uma panqueca fina. Talvez seja necessário acrescentar um pouco mais de água para que a massa fique mais fluida. Também é possível que você estrague uma ou duas até encontrar a temperatura correta.

Não deixe cozinhando demais. Trabalhe sempre com fogo baixo e, caso esquente demais, retire do fogo. Vire e termine de cozinhar do outro lado, isso leva apenas alguns segundos. O resultado será um disco liso, sem dourar.

Recheie com anko, deixando a parte mais lisa para fora. Pode ser enrolado como uma panqueca ou ter as laterais dobradas como um pacote. Envolva com uma folha de cerejeira salgada.

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Bolo Certo, Bolo Errado

Como disse, os dias do Paladar – Cozinha do Brasil ainda vão render. Antes de explicar porquê, quero falar sobre a memória gustativa. Não é curioso o fato que a gente pode registrar sons, cores, imagens e até idéias, mas não consegue registrar aromas e sabores? No máximo, posso descrever, mas ninguém terá a mesma experiência que eu tive. Cada um tem suas lembranças saborosas. Hoje vou falar de uma lembrança da minha infância.

Minha madrinha não cozinhava muito, embora eu creia que ela cozinhasse bem. Lembro do arroz de bacalhau, do pudim de pão, da canja. Quando ela queria fazer bolo, como muita gente, ia ao mercado e comprava manteiga a granel. Hoje em dia ainda é possível comprar manteiga assim em alguns supermercados e mercados municipais. O detalhe é que naquela época, muita coisa não ficavam bem armazenadas, bem refrigeradas. A manteiga podia ter um cheiro forte, um certo ranço. Pois bem, era esse ranço que ela procurava e queria. O bolo que ela fazia tinha um cheiro peculiar, tanto de manteiga mas também de algo a mais.

Voltando para 2012, Alex Atala fala de peixe, de umami e conta uma história sobre uma briga com a esposa. Segundo ele, um dia, ela aparece com um pote de ghee. Ele logo dispara: “O que essa merda está fazendo aqui em casa?”. Discutem sobre o que é merda e o que não é e, para finalizar, ele pergunta: “O que você acha de manteiga de garrafa?” Ela responde: “Ah, é uma merda”. “Pois então” – diz ele – “é a mesma coisa!” Depois ele fala do aroma e da dimensão que a manteiga de garrafa dá aos pratos, “enchendo a boca”.

Até então eu não tinha comprado manteiga de garrafa porque… Bem, chamo de síndrome do elefante branco. Tenho receio de comprar algo, não usar ou não saber usar e acabar jogando fora. E apesar de eu resistir muito, tenho um armário cheio de experiências a serem feitas. O fato é que comprei a manteiga de garrafa, segui o conselho do Wanderson Medeiros: tirei da garrafa, coloquei num pote e guardei na geladeira, porque esse negócio de ficar reaquecendo no microondas várias vezes não é a melhor opção. E o fato é que manteiga de garrafa tem um cheiro característico, que pode não agradar a todo mundo, mas que me lembra aquela manteiga que minha madrinha comprava para o bolo dela.

Não sei se é certo ou errado usar manteiga de garrafa em uma receita de bolo. Outra coisa que fiz de “errado” foi usar açúcar cristal. Esse tipo de açúcar não dissolve direito, mesmo batendo bem com manteiga e ovos. Por outro lado, há um efeito interessante: os grãos maiores de açúcar vão parar no fundo da assadeira e acabam formando uma crosta crocante. Só é preciso tomar um pouco de cuidado para que o bolo não queime.

100 gramas de manteiga de garrafa, em temperatura ambiente

50 gramas de manteiga, em temperatura ambiente

1 1/2 xícara de açúcar cristal

3 ovos

1 3/4 xícara de farinha de trigo

1/4 xícara de fécula de batata

1 colher de sopa bem rasa de fermento em pó

3/4 xícara de leite

Bata a manteiga, manteiga de garrafa e o açúcar. Vá adicionando os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.

Peneire a farinha, a fécula e o fermento juntos e adicione à mistura de ovos. Junte o leite e bata em velocidade baixa até misturar tudo.

Despeje em forma untada e enfarinhada e asse em forno pré-aquecido até dourar.

O resultado é um bolo com uma textura de “pound cake” (bolo inglês), com aroma que lembra um pouco algum queijo curado e com uma casquinha crocante. Aliás, alguns grãos de açúcar ficam até visíveis.  O bolo ficou muito amarelo, em parte pela manteiga de garrafa, mas também por conta de ovos caipiras.

 

 

 

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ATA Sipura Linksys e Vono

Bem, sei que isso não tem nada a ver com comida, mas resolvi publicar esse post porque talvez algumas pessoas tenham esse problema e não encontrei solução em lugar algum.

A linha telefônica daqui de casa é Voip, ou seja, usa a conexão internet banda quase-larga via rádio. Para facilitar as coisas, comprei há um bom tempo um roteador ATA. É o seguinte: esse aparelho recebe o cabo da conexão internet e passa os dados digitais para o computador e transforma dados digitais em analógicos para o meu telefone. Exige configuração, mas essa parte está bem explicada no manual da Vono.

O problema é que, de repente, passou a não funcionar. Não conseguia fazer nenhuma ligação nem receber. Pesquisando daqui e dali, vi a sugestão de limpar toda a configuração antiga e voltar à de fábrica. Isso pode ser feito através do telefone, é uma sequência de “*****” e números, depois você aperta tal tecla e o jogo-da-velha. Enfim, essa parte também está explicada nos manuais de instrução.

Agora, na hora de reconfigurar, a gente precisa usar o telefone, digitar um certo código, ouvir uma série de números (em inglês) e coloca-los no navegador do computador. Ótimo. Só que, por mais que eu digitasse e digitasse, não conseguia acessar a página de configuração. Não era problema do anti-virus, firewall, e o resto. Não acontecia nada com nenhum navegador.

Por acaso (mentira, fui testando números e até que um funcionou), consegui o acesso à página de configuração. No meu caso, o endereço é:

http://192.168.0.1

Não sei se vai funcionar para todos os modelos da Linksys. Mas fica a dica, de qualquer forma.

E, não, não encontrei essa solução na página da Cisco, no Q&A dela. O produto pode ser bom mas, pelo menos no Brasil, na minha opinião, a assistência é falha, porque quase não há informação em português.

 

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Rocambole de Goiabada

Rocambole é aquele doce que muita gente sabe fazer. Bem, eu não estava satisfeita com nenhuma receita que testei. Queria uma coisa a mais. A maioria é feita com um pão-de-ló bem fofo, fofo até demais e eu queria mais textura. Acabei chegando nessa receita que funcionou bem. É macia, úmida mas tem aquela textura mais resistente, que lembra um pouco o kasutera, algo parecido com o Roll Cakes que eu comia no Japão.  Usei goiabada cremosa, feita em casa, mas pode ser usada goiabada comum, amolecida com um pouco de água, em fogo baixo.

6 ovos (usei ovos caipiras, ganhos da vizinha, portanto, a massa fica mais amarela, mas pode ser feito com ovos comuns), claras e gemas separadas

120 gramas de açúcar refinado

2 colheres de sopa de mel

100 gramas de farinha de trigo

10 gramas de amido de milho

30 gramas de manteiga sem sal, derretida

60 ml de leite

1/2 colher de chá de fermento em pó

 

 

Bata as claras até ponto de neve. Adicione 60 gramas de açúcar até formar um suspiro mas que não fique com picos muito duros. Forma um merengue brilhante. Reserve.

Bata as gemas com 60 gramas de açúcar e o mel até ficar claro e o açúcar dissolver bem. Peneire a farinha com o amido de milho e adicione às gemas. Misture um pouco, só dê umas 4 voltas com a espátula, não precisa ficar homogêneo.

Aqueça o leite com a manteiga até começar a agitar um pouco a superfície, não é necessário ferver. Despeje sobre a mistura de farinhas e gemas e misture com cuidado, até ficar bem homogêneo. Essa escaldada é que vai dar uma textura diferente ao bolo.

Adicione mais ou menos 1/3 das claras à essa mistura. Misture bem, não se preocupe muito em manter o ar das claras. É só para amaciar um pouco mais a massa. Adicione também o fermento em pó peneirado.

Junte as claras restantes e misture dessa vez com calma, com movimentos de baixo para cima com uma espátula, sem bater. Mexa até que tenha certeza que tudo está bem incorporado. A massa será leve mas uma certa “estrutura”. Escorre lentamente da espátula, forma montinhos bem definidos, como na foto acima.

Leve ao forno pré-aquecido quente (180 graus ou mais). Usei uma assadeira de fundo duplo da Panex (não estou ganhando nada pela propaganda) porque ela não aquece demais por baixo e o rocambole não fica ressecado. Ela tem cerca de 40 cm por 25 cm  e não é muito funda. Se não a tivesse, tentaria assar com duas assadeiras, uma dentro da outra, para ter um fundo mais grosso. Forrei o fundo da forma com papel impermeável, o Dover Assa Mais Leve (também não estou ganhando pela propaganda), que encontro nos supermercados. Tirei do forno assim que ficou bem dourado por cima.

Deixei preparado um pano limpo e levemente umedecido, polvilhado com açúcar cristal. Virei o rocambole sobre ele, destaquei o papel com cuidado e fiz cortes rasos ao longo do rocambole. Acho que ajuda a enrolar, mas talvez nem fosse preciso.

Espalhei a goiabada cremosa em todo rocambole, deixando uma borda, do lado em que eu começaria a enrolar. Salpiquei um pouco de queijo parmesão ralado fresco para ter um pouco de contraste. E, afinal, queijo e goiabada combinam bem.

Depois foi só enrolar, com a ajuda do pano, apertando um pouco no início e depois só rolando. Deixei descansar um pouco, enrolado no pano mesmo, com a ponta do rocambole virada para baixo. Esse descanso vai ajudar a definir o formato e o rocambole não corre o risco de ficar ressecado.

Depois é só desembrulhar, cortar em fatias meio grossas e servir.

E, claro, se preferir, use outro recheio, como doce-de-leite ou geléia.

 

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Cinco Anos, Milésimo Post

Este é o milésimo post. Tudo começou ainda no blogspot, em 2 de julho de 2007. Ou seja, também estou comemorando 5 anos de “escrivinhação”. Isso tudo é mais mérito dos leitores que meu. Se eu continuasse com os 50 acessos diários por muito tempo, teria desistido. Ou, pelo menos, teria escrito bem menos. No mês passado foram 118 mil. Creio que estou escrevendo sobre algo que as pessoas querem ler.

Há uma semana pensei em fazer uma receita especial para comemorar essa marca. Pensei melhor e, por conta de muito que ouvi nos últimos dias, resolvi apenas escrever. Alguns leitores acompanham um pouco do meu dia-a-dia no Facebook ou Twitter. Lá é entretenimento, sem a obrigação de ser séria. A grande maioria dos meus leitores nunca me viu, pouco sabe a meu respeito.

Comecei a cozinhar não por gosto, mas por necessidade. Em dado momento da minha vida vi-me diante da obrigação de realizar uma série de tarefas domésticas. Meu pai estava muito doente, minha mãe trabalhava muito e, claro, não havia a menor condição de ter uma empregada. Aliás, nunca tivemos. Aos nove anos eu acordava, tomava o café, lavava o que havia restado da louça do jantar, limpava a casa e preparava o almoço, antes de ir para a escola. Chegava da escola perto das 19 horas, jantava, lavava meu uniforme escolar e fazia as tarefas da escola. Hoje digo, com certa frequência, que muitas vezes é preciso aprender a gostar do que faz. Nem sempre a gente consegue fazer o que gosta.

Naquela época eu cozinhava o que havia. Também não sabia fazer muita coisa: arroz, feijão, verdura refogada, algum cozido ou sopa e fritava um ovo ou linguiça. Doces não faziam parte do meu repertório. Comíamos batata-doce e chuchu que davam no quintal com muita frequência. Anos depois meu pai já não precisava consumir tantos medicamentos e começou a fazer pequenos trabalhos para a vizinhança: consertava relógios, ferros de passar roupa, era mecânico e sabia lidar muito bem com máquinas em geral. E a vida foi ficando um pouco mais fácil.

Só depois de adulta, depois de começar a trabalhar é que fui provar muita coisa e daí surgiu a curiosidade em cozinhar outras comidas, com outros ingredientes. E depois passei muitos anos no Japão, onde a facilidade para comprar, sobretudo alimentos, é muito grande. Restaurantes, considerando-se o salário padrão de lá, não são tão caros. Não sei bem quando percebi que queria provar um mundo inteiro. Mas percebi o valor da comida há muito tempo e sei bem quando foi.

Quando tinha uns 10 anos, morávamos em uma pequena casa em Londrina. A vizinha trabalhava à noite, chegava cedo, lavava roupa, cozinhava e ia dormir. Ela tinha um filho mais novo que eu e vivia com os pais, bem idosos e ambos, doentes. E, bem, creio que quase todo mundo que vivia naquele bairro não tinha uma vida muito boa. Um dia ela chamou-me e passou um prato com angu e molho de tomate por cima da cerca. Não era um prato sofisticado, o molho era bem ralo e só tinha um pouco de cebola picada. Era um prato barato mas naquele momento vi o valor dele. Comida não é só alimento. É uma maneira de carinho, criamos vínculos emocionais. Todos nós valorizamos muito algum prato ou ingrediente. Para meu pai, o pudim mata-fome era algo muito especial.

Essas lembranças vieram durante uma das aulas do Paladar – Cozinha do Brasil. Rodrigo Oliveira perguntou se sabíamos a diferença entre custo e valor. Mais adiante, ele comentou: “Não é que sertanejo não goste de manteiga, ele usa quando tem. Ele usa queijo quando tem.”E eu diria o mesmo sobre o pobre. Como hoje em dia é feio falar “pobre”, digamos então “as classes menos privilegiadas”, embora eu não veja privilégio nenhum nessa classe.

E outro dia ouvi algum comentário sobre o aumento do consumo das classes C e D. O comentário não era dos mais simpáticos. É verdade que o aumento de alimentos processados aumentou muito nesse grupo, talvez estejam fazendo escolhas nutricionalmente erradas e outras coisas. Mas ainda prefiro acreditar que ter a liberdade para escolher é melhor que ter o seu consumo condicionado a uma renda miserável.

E também espero que a comida siga assim, livre, que os “comeres” não sejam considerados certos ou errados, um prato, um ingrediente, um restaurante ou padaria pode ser bom ou ruim, gostoso ou não. Hoje damos muita atenção à comida brasileira, sertaneja, amazônica e acho ótimo. Mas não me sinto culpada por gostar de ir a uma cantina que serve porções gigantescas. Pastel de feira tem o seu valor. Os ovos que minha vizinha costuma me dar são valiosos. Continuarei escrevendo, na crença de que alguma receita seja valiosa para alguém. Sugeriram que eu completasse cada post com o custo dos ingredientes. Não vou fazer isso. Porque a refeição dividida com familiares ou amigos vai além disso.

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Bolo de Mandioca e Coco do Rodrigo Oliveira

Como disse, as aulas do Paladar – Cozinha do Brasil ainda vão render muitos post. Bolo de aipim ou mandioca não é novidade e é um doce que gosto muito. O detalhe é que esse tem uma textura mais leve, menos borrachuda. Doce na medida certa e com um aroma e sabor um pouco diferentes, por conta da massa de mandioca fermentada (puba). E o que é melhor: é muito fácil.

300 gramas de mandioca

150 gramas de massa de mandioca fermentada (puba)

120 gramas de manteiga

30 gramas de óleo de coco

80 gramas de coco ralado

120 gramas de queijo curado ralado

200 gramas de ovos (foram 4 ovos)

220 gramas de açúcar

7 gramas de fermento em pó

Todos os ingredientes devem estar gelados. Bata tudo no processador de alimentos (eu precisei dividir em duas porções), coloque em forma untada e leve ao forno quente, pré-aquecido a 180 graus até dourar.

Eu fiz algumas pequenas alterações, nada muito importante. É que eu costumo passar o coco no extrator de sucos. Muita gente ainda deve ter aquele trambolho de centenas de watts de potência. Confesso que pouco uso para fazer sucos. Fico incomodada com tanta fibra sendo desperdiçada e acabo usando o vegetal ou fruta integralmente. Mas para o coco é uma boa opção. Depois de descascado, é só ir colocando cada caquinho de coco na extratora e ela vai fazendo o serviço. Não coloque muitos de uma vez só, pode travar. De um lado vai sair o creme de coco, rico em gordura e adocicado. De outro, uma farinha de coco. Se não for usar logo, congele porque com o tempo pode ficar com gosto de sabão.

Dito isso, usei farinha de coco no lugar de coco ralado e troquei o óleo de coco por 50 gramas de creme de coco.

É importante que a mandioca, manteiga, etc estejam gelados. Isso vai garantir uma certa textura ao bolo. Ficou muito, mas muito gostoso.

E gostaria de contar uma coisinha à respeito da massa de mandioca fermentada. Fui comprar em uma loja na área de comércio popular perto da rodoviária de Ibiúna. De cara, vi feijão andu, que há muito não via. Queria levar. A dona disse: “Não vou vender para você, não, furou (ou seja, está carunchado). Volta daqui uma semana que vou ter feijão novo”. Fiquei boquiaberta com a honestidade da comerciante. E o fato é que saí de lá com manteiga de garrafa, requeijão, queijo coalho e outras coisas.

E vocês viram o suplemento Paladar do Estadão hoje? Se não viram, podem conferir a cobertura o evento no blog do Paladar:  http://blogs.estadao.com.br/paladar/

E amanhã escrevo o milésimo post.

 

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Linguiça com Trema, de Porco e Alho

O título é por conta de um comentário que recebi no Twitter: linguiça sem trema não tem o mesmo sabor. A vontade de fazer linguiça veio durante o final de semana, assistindo a aula da Monica Rangel, conversando com o Eduardo Maya.

Antes de mais nada, vou repetir o que a Monica Rangel disse em sua aula: linguiça artesanal não é produto comercializável. Pelo menos diante das normas atuais. A Anvisa exige que as linguiças comercializadas tenham sal de cura e use apenas ervas secas. Em casa temos a liberdade de não usar esses ingredientes, mas também temos a obrigação de sermos cuidadosos com a manipulação e conservação: higiene, acima de tudo e se não for consumida logo, é preciso congela-la.

Por outro lado, não há sentido em tentar fazer em casa um produto idêntico a um industrializado. Não vai sair mais barato, é preciso apelar para uma série de aditivos como o sal de cura, ligatari (uma substância que, basicamente, serve para manter a água dentro da massa da linguiça), corantes, etc. Por outro lado, um produto caseiro também não vai usar proteína de soja, carne mecanicamente processada e uma quantidade absurda de água. Sim, as normas permitem, em certos casos, o uso de materiais que mais servem para aumentar o peso e volume do que sabor.

Portanto, quem pretende fazer linguiça para comercializar, informe-se junto à vigilância sanitária ou algum órgão que cuide disso. Neste post vou falar apenas de um prato que é para ser consumido fresco e sobre o qual a responsabilidade pela qualidade é de quem produz.

Na aula da Mônica Rangel o Eduardo Maya sentou-se do meu lado e ele comentou que faz linguiças picando a carne na faca. Para pequenas quantidades, é uma opção boa, já que não exige o moedor que nem todo mundo está disposto a comprar. Outro ponto a favor é a textura. Por mais que se use um disco para moagem grossa, o fato é que a carne moída fica amassada e a textura acaba ficando a de carne “mastigada”.

Já na aula do João Rural, ouvi que comida caipira não usa cebola, tomate. Basicamente, só se usa alho. Isso tudo me fez lembrar de uma linguiça que comi na infância, daquelas que antigamente se vendia nos açougues. O sabor de alho era muito forte e levava só isso e pimenta. Voltei para casa e minha mãe confirmou: quando ela bem mais jovem, fazia linguiça de porco só com alho e pimenta do reino. A essa altura, acho que deveria chamar essa linguiça de linguiça Paladar – Cozinha do Brasil, já que tantas coisas que vi nesses 3 dias se juntaram na reconstituição dela.

Para cada kg de carne de pernil de porco limpa e picada em cubinhos bem pequenos – cerca de 1/2 cm, usei 250 gramas de gordura de toucinho picada e triturada no processador de alimentos. Para cortar a carne tão miúdo, além de uma boa faca, coloquei a carne no congelador até ela firmar bem sem congelar por completo. Foi bem mais fácil. Mas se preferir, moa no moedor com o disco com buracos bem grandes, para ter uma carne moída grosseiramente.

Adicionei 12 gramas de sal, 6 dentes de alho, suco de 1/2 limão cravo, 100 ml de água  e muita pimenta do reino moída grossa. Também coloquei um pouco de pimenta vermelha. E, como não podia deixar, acabei apelando para uma orientalidade e usei a pimenta coreana, que dá mais cor que ardência. Mas não é obrigatório, use se gostar e a pimenta que gostar.

Para fazer a correção dos temperos, aqueça uma frigideira pequena e frite pequenas porções da massa. Não prove a massa crua. Além de não ser seguro, o sabor da carne crua é uma coisa e dela cozida é outra. Lembre-se de manter sempre a carne bem gelada. Além de ser mais seguro – o risco de desenvolver algum agente patogênico nela é menor – as carnes moídas, quando sovadas, misturadas, sobretudo as menos resfriadas, tendem a empelotar, virar uma massa mais pesada.

Isso é só uma orientação básica. Nada impede de que você utilize ervas, troque a água por vinho, suco de fruto, coloque um pouco de cachaça, acrescente cogumelos ou outro ingrediente que gostar. Também não é obrigado a usar tanto alho, é só uma questão de gosto.

Deixe descansar uma hora na geladeira e enquanto isso hidrate as tripas. Eu uso tripas salgadas e calibradas. Comprei na G Frederico, que tem um box no Mercado Municipal de São Paulo há muito tempo e tem sobrevivido muito bem em pote fechado, na geladeira. Existem tripas de espessuras diferentes, fica a seu critério usar a grossa, média ou fina. Só recomendo a calibrada porque ela vai ter um diâmetro regular em toda extensão. Usei uma média porque acho que ela tem uma espessura que garante tanto um cozimento rápido quanto uma linguiça úmida por dentro. Eu lavo as tripas para retirar o sal e deixo de molho em água com limão.

Para encher as linguiças usei um aparelho que parecem um revólver, tem um gatilho e um pistão que vai empurrando a massa por um tubo. Creio que já vi em lojas de utilidades domésticas, coisas para cozinha, mas não tenho certeza. A Monica Rangel usa um canhão com uma manivela. Também pode ser utilizado o moedor de carne com um funil próprio acoplado. E já ouvi falar de quem use apenas o funil, com uma certa dose de paciência.

A fase seguinte é deixar um dia ou dois na geladeira para a linguiça secar um pouco. Coloque as linguiças sobre uma grelha ou apoio, para que não tenham contato com a água que se solta. Depois disso, embale e congele. Outra opção é defumar, se tiver defumador. E antigamente simplesmente pendurava-se sobre o fogão à lenha, que nunca era apagado e virara uma linguiça curada, levemente defumada.

Dá trabalho, não vou negar. Mas tem lá suas compensações: produto feito com carne de porco e gordura, sem aditivos, com sabor e texturas que não existem nos produtos industrializados.

E volto a avisar: quem pretende fazer linguiça para vender, procure algum órgão específico e os aditivos e até receitas podem ser encontrado nos sites de fabricantes de produtos para embutidos, como o Laboratório Exato e a Dourado. Creio que vi gente que comercializa até DVD de como fazer linguiça. Vão atrás deles e boa sorte, porque esta receita, sem aditivos, é para consumo doméstico e mesmo assim, os riscos de contaminação ficam por conta de quem produz e consome.

 

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Paladar – Cozinha do Brasil: Dois Extremos

 

 

 

Bem, este post vai ser longo, vou avisando. O leitor do blog costuma gastar cerca de seis minutos por visita e eu creio que vou fazê-los ficar mais tempo por aqui.

 

Em primeiro lugar, agradeço à Olívia Fraga e a equipe do Paladar, assim como o Marco Barone da  Lucia Faria Inteligência em Comunicação que me proporcionaram essa experiência.

 

Também quero agradecer a todo carinho que recebi nesses 3 dias. De gente que lê este blog, que provou o alho negro ou que fez miso com o koji daqui de casa, com quem conversei nos corredores, enfim, tanta gente que não guardei o nome, desculpem-me.


No domingo vi Rodrigo Oliveira e Thiago Castanho juntos, nordeste e norte ligados pelas farinhas: farinha de mandioca, de tapioca, de mandioquinha, de peixe. Confesso que não conheço nada do Brasil do Rio de Janeiro para cima. Não tive ainda a oportunidade (podem chamar de dinheiro, mesmo). Com humor e entusiasmo falaram das diferenças entre tantas farinhas, sobre o processo de produção da farinha de mandioca.

Provei um biju crocante e leve, que me lembrou muito o sembei feito de arroz. E o dadinho de tapioca do Mocotó.

Teve também um couscous feito com farinha d’água média e ariá em tucupi e piracuí de pirarucu. Ariá, segundo Thiago Castanho, é da família da mandioca e tem uma safra muito curta. Tem duas texturas, creio que o amido não fica distribuído por igual na raiz. Em uns pedaços é crocante como a castanha d’água e em outros é um pouco gelatinoso como o pinhão. Adorei e lamento que não apareça por aqui. O piracuí é uma farinha de peixe. Para quem está acostumado à cozinha japonesa, é algo entre um “soboro” e um katsuobushi.

E o bolo de mandioca e coco, com sorvete de umburana e calda de maracujá. Esse bolo pretendo fazer em breve. Diferente dos bolos de mandioca que costumo comer e fazer, esse não tem aquela textura de bombocado, me lembrou mais um financier.

 

Helena Rizzo trouxe o pai e falou de lembranças sobre o churrasco (de fogo de chão, churrasco de obra feito entre tijolos e o churrasco doméstico) e explorou esse sabor defumado que tanto gostamos. Na foto ela faz sorvete de avocado para acompanhar uma carne louca feita com sobra de churrasco.

Fez um arroz de china com sobras de churrasco. Por cima foi uma carne assada, desidratada e triturada. Novamente a ideia do katsuobushi: sabor concentrado, umami, um leve aroma defumado. E para reforçar a lembrança do churrasco e trazer um frescor, vinagrete de tomates e cebolas.

E fomos novamente para o nordeste, desta vez para o Sertão com Rodrigo Oliveira e Wanderson Medeiros. E novamente vieram lembranças da infância, histórias familiares e os hábitos que existiam.

Wanderson fez um pintado no vapor. O detalhe é que salgou o peixe com alguma antecedência para que ele perdesse um pouco da água e ganhasse em textura. Sobre a salga de peixes na cozinha japonesa vou falar outro dia, com mais calma, mas é uma técnica muito conhecida por lá. Só vou adiantando que é uma das técnicas mais importantes e talvez a mais difícil de dominar. Acompanhou com castanhas de caju artesanais, que não são fritas e guardam uma doçura peculiar. Óleo de urucum no peixe e no prato, além de óleo de coentro e chip de batata-doce.

Wanderson também falou da carne-de-sol que não toma sol. A cura confere uma textura e sabor diferentes da carne “verde” e é bem diferente do charque que comemos no sul. Aqui, com um pirão de queijo coalho, bem cremoso.

E nós temos o hábito de chamar carnes salgadas de “carne seca”. Carne seca é outra coisa. Dura como pau e com manchas esbranquiçadas. Não riam, lembrei de um professor que uma vez, em aula, comentou que as múmias egípcias tinham a aparência de carne seca. Agora preciso ver uma múmia para ver se a comparação é justa. A família do Wanderson produz carne de sol e carne-seca há mais de um século, sempre usando sal fino (não tem sal grosso em casa nem para fazer macumba!).

Rodrigo Oliveira, fã da barriga de porco, apresentou costelinha recheada com uma massa feita com outras partes do porco, cozida em sous-vide e depois dourada, acompanhada de cuscuz de milho feito com manteiga de garrafa, mais quiabo e tomate assados na chapa.

Na aula sobre as variedades de arroz que temos, provei e identifiquei as 10 amostras apresentadas. Bem, só posso dizer que como muito arroz. Edinho Engel falou do arroz mais molhado, coisa que vi com mais frequência no Rio, em casa de portugueses. A novidade do mini-arroz, que não é só pequeno, mas saboroso. Nem tão novos assim, mas ainda um tanto quanto desconhecidos da maioria dos brasileiros: jasmin, vermelho e o negro, cada um com um aroma e sabor peculiares.

Com o arroz vermelho fez um arroz de puta. Desculpe-me, mas é assim que chamam mesmo. Carne fresca, carne defumada, abóbora, maxixe, batata-doce  combinados com arroz. Também teve arroz de lagosta com arroz jasmim, galinhada, doces com arroz, renda de arroz, bolinho de arroz.

Há muito mais o que escrever, sobre cada aula, sobre cada assunto. Por hoje só vou tocar uns pontos que chamaram muito minha atenção. Além do sabor e das técnicas e ingredientes, falou-se muito sobre lembranças, sobre hábitos. Também foi falado sobre necessidades. A questão da pesca é uma. Temos simpatia por tartarugas e baleias, mas o atum e outros tantos animais estão ameaçados. Muitos de nós não nutre simpatia por tubarões, por exemplo, mas também precisam ser protegidos. Para espécies de valor comercial, sempre haverá interesse em preservar ou reproduzir em cativeiro, mas isso não cobre toda a diversidade do planeta.

Por outro lado, também temos saber que não adianta proibir e tirar o trabalho de pescadores, por exemplo. É preciso dar outra opção de renda. E aí encontramos outra coisa para ser pensada. Como a Magda Moraes que orientou uma comunidade no preparo da farinha de bocaiuva e agora está na tarefa de seguir normas para poder comercializar. E depois? Vem a distribuição.

Já li em algum lugar que hoje em dia não basta ser cozinheiro, é preciso ser um pouco cientista, um pouco poeta. Eu resumiria em uma palavra: curioso. E não só os cozinheiros, acho que todo mundo. Mas ser curioso não significa acreditar em tudo. É um trabalho de perguntar, pesquisar, analisar e escolher. Em uma época em que palavras literalmente voam, também sou bombardeada com boatos, mitos, coisas fora de contexto. Não gosto da ideia de acreditar passivamente em alguma coisa.

O resultado desses 3 dias é que vi, ouvi, provei muita coisa. E fiquei com vontade de ler, ver, pesquisar mais coisas. Isso tudo vai render algo bom. Pelo menos para mim, porque aprendizado sempre é algo positivo.

E convido vocês para verem os videos no site do Estadão:

http://tv.estadao.com.br/videos-canal,PALADAR,49,0.htm#maisVideos

 

 

 

 

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Paladar – Cozinha do Brasil: Frutas e Embutidos

Hoje foi o dia da aula da Ana Soares, Mara Sales e Neide Rigo. Eu costumo chama-las de “3 comadres”. E falaram das ações que envolvem as frutas: plantar, colher, preparar, comer. Fugiram do lugar-comum que seria falar sobre conservas doces: partiram para sais, vinagres, azeites, picles, massas para pastéis e bijus.

A pele de fruta feita com banana-da-terra cozida (a vermelha recebeu um pouco de jabuticaba), seca ao sol, não leva açúcar nem conservantes. É fruta desidratada em folhas maleáveis. Muito lúdico! Espero que a Lady Gaga não tenha a ideia de fazer uma roupa com ela…

Magda Ortiz, com essa cara de menina, falou da bocaiuva, uma palmeira do Centro-Oeste, da qual retiram a farinha da polpa e há projeto de aproveitar a amêndoa para a produção de biodiesel. Trabalha junto a uma comunidade indígena, num trabalho de desenvolvimento sustentável e preservação da cultura da comunidade. O blog dela é: http://www.cozinhaderaizes.com.br/

Ela fez um Crème brûlée com a farinha de bocaiuva. O que mais me chamou a atenção foi a viscosidade do creme. A farinha em si forma um gel na boca, em contato com a saliva. Posso estar enganada, mas a indústria ainda vai aproveitar esse amido e tirar partido de toda vitamina A e potássio presentes.

Mônica Rangel falou das linguiças. E ficou bem claro que uma linguiça industrializada sempre será diferente de uma artesanal, a começar pelos ingredientes. E a legislação permite a adição de proteína de soja, de outras carnes, água. E também deixou bem claro que a linguiça feita para consumo doméstico é uma coisa e a para comercialização exige normas e aditivos.

Depois irei falar sobre essas aulas e outras também, com mais calma. Ainda estou processando toda essa informação, tem muita coisa para testar, experimentar. E amanhã tem muito mais, tem pães, tem farinha de mandioca, tem arroz.

 

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