Crema do Desespero

Dizem que hoje é dia do cozinheiro. A cozinheira aqui, por outro lado, passou boa parte do dia cuidando de um cão que foi atacado por outros cães e que teve cerca de 40 cm do corpo suturado. Nem o almoço nem o jantar merecem comentários. Mas inventei de fazer uma sobremesa às pressas. Não sei se posso chamar de crema catalana. Não tinha limões para usar as raspas, usei baunilha mesmo.

4 gemas

3/4 xícara de açúcar

1 colher de sopa cheia de fécula de batata

1/2 xícara de creme de leite fresco

1 1/2 xícara de leite

Baunilha ou raspas de limão

Mais um pouco de açúcar cristal para o caramelo

Bata as gemas com o açúcar até ficar um pouco claro. Junte a fécula, bata mais um pouco, adicione o creme, misture bem e, por fim, o leite.

Passe por uma peneira e leve ao fogo, mexendo sempre até engrossar e formar um creme espesso. Distribua em 6 tigelas que suportem calor. Leve à geladeira até gelar.  As tigelinhas de inox que ganhei da Dona Ioco foram providenciais, o metal é bom condutor de calor, o doce esfriou depressa.

Na hora de servir, polvilhe açúcar cristal (cerca de 1/2 colher para cada porção) e queime com um maçarico. O açúcar queimado vai caramelar e endurecer, formando uma crosta crocante.

PS: Usei creme de leite, mas se for para cortar calorias, substitua por leite. O açúcar do creme pode ser substituído com adoçante culinário. Apenas o açúcar do caramelo de cobertura é que não dá para trocar.

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Kintsuba

Confesso que este post surgiu da irritação de ver o nome de um doce ser trocado, misturando alhos com bugalhos. O doce acima chama-se kintsuba. Trata-se de um pedaço de yokan envolto em uma fina massa que é assada em uma chapa. Quanto mais fina ficar a massa, melhor. E sem queimar!

Para a massa, usei:

10 gramas de farinha de arroz glutinoso

50 gramas de farinha de trigo

1 colher de sopa de açúcar

80 a 90 ml de água, até formar um mingau não muito grosso

O yokan é cortado em cubos e cada face é passada na massa e cozida na chapa. Uma frigideira com revestimento anti-aderente, levemente untada, facilita a tarefa, mas não é tão fácil assim.

Aquele doce redondo, feito com uma massa à base de farinha, assado em uma forma, recheado com pasta de feijão, às vezes comercializado em feiras, não é kintsuba. Aquilo é o oban-yaki ou imagawa-yaki. Farei a receita outro dia, quando tiver anko em casa.

Os meus não ficaram lindos. Em Iwata (Shizuoka) existe uma loja centenária que é famosa pelo kintsuba. Chama-se Mataichi-an. Podem conferir as fotos aqui:

http://www.kintuba.com/fs/kintuba/c/kintuba

 

 

 

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Kankoku-fu Ankou Nabe (Cozido de Tamboril no Estilo Coreano)

O que você faria se encontrasse esse bicho na banca da peixaria? De pele molenga, olhos muito pequenos, bocarra cheia de dentes, não é o peixe mais simpático do mundo. Eu peguei um correndo. Trata-se do tamboril ou peixe-sapo ou ankou no Japão. Por lá é considerado iguaria e por aqui, muita gente ainda não conhece e não sabe o que está perdendo.

E agora, com os filés limpos, melhorou a impressão? É uma carne clara, muito firme e sem cheiro forte.

E eu não dispenso os ossos nem a cabeça. Rendeu um caldo bom. No Japão não jogam nem a pele. Confesso que não sou fã da textura gelatinosa dela.

Mas a grande atração mesmo é o fígado. Sim, um fígado grade, gordo. Pena que deste não dei sorte. A textura dele, ameaçando desmanchar, já não era muito bom sinal. E o sabor também não estava nada bom.

Comprei o tamboril por R$10,00/kg. Trouxe um não muito grande, com cerca de 1,7 kg. Limpar não é tão complicado, a pele solta-se com certa facilidade.

Resolvi fazer um cozido e, antes que atirem-me pedras, não é uma receita coreana, apenas no estilo coreano. Digamos que é a minha versão.

Para duas pessoas:

1 filé de tamboril com cerca de 450 gramas

2 colheres de sopa de fígado de tamboril (se estiver bem fresco)

1 dente de alho picado

1/2 cebola cortada em meia-lua

5 a 6 folhas de acelga, dependendo do tamanho

1 cebolinha

1/2 cenoura cortada em rodelas

50 gramas de harusame (massa transparente de amido de feijão mungo

Um pouco de Gochujang (pasta fermentada de pimenta coreana, muito saborosa e de intensa cor vermelha)

Molho de soja

Caldo de peixe

Corte o filé de tamboril em pedaços não muito grandes. Corte as folhas de acelga em pedaços grandes e a parte do talo um pouco menores. As cebolinhas são cortadas com mais ou menos 5 cm de comprimento. O harusame é deixado de molho, para hidratar, por cerca de meia hora. Corte-o também em pedaços menores, com a ajuda de uma tesoura, porque são filamentos longos demais.

Refogue a cebola e o alho em um pouco de óleo. Adicione o fígado de tamboril se ele estiver bem fresco. Senão, não o use. Adicione o caldo de peixe, os talos de acelga  e a cenoura. Quando ela amaciar, adicione as folhas da acelga, o harusame, o peixe e a cebolinha. Dissolva a pasta de pimenta gochujang em um pouco do caldo. Vá com cuidado, para que não fique picante demais. Confira o sabor e adicione o molho de soja.

Sirva assim que cozinhar. Acompanhe com uma tigela de arroz bem quente.

PS: Eu gostaria de ter colocado tofu, mas não tinha em casa, uma pena. Também usaria cogumelos e horenso (espinafre japonês), mas esse último ainda não está na época. Creio que poderia ter usado broto de feijão (moyashi) também

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Satsuma-imo Kibi Dango (Dango de Milhete com Batata-Doce)

Não pude falar sobre o milhete, kibi, kibi mochi para o Paladar. Não encontrei esse grão em lugar algum. Não tanto pelo sabor mas pela importância cultural, histórica dele. Hoje é pouco consumido no Japão. Eventualmente ainda se mistura o kibi com cevadinha e outros grãos e cozinha-se junto com o arroz. Ou faz-se uma massinha chamada “kibi dango”. Vale lembrar que nem sempre o arroz, sobretudo o arroz para mochi (mochi-gome) foi acessível para boa parte da população japonesa. O milhete era cozido e pilado até formar uma massa parecida com o mochi. Aliás, não só o milhete. Faz-se coisa parecida com farinha de trigo sarraceno, com amido de batata-doce, batata-doce cozida, amido de kudzu.

Encontrei o milhete na mercearia Gordo Wu (Conselheiro Furtado, 119, Liberdade) por 12 reais.

No verso, informações em inglês.

Para fazer essa versão de dango, com batata-doce, usei:

80 gramas de milhete, kibi, kibi mochi

150 gramas de batata-doce descascada e cortada em rodelas grossas

2 colheres de sopa de açúcar (ou mais, se preferir)

1 pitada de sal

Gergelim preto torrado (aqueça em uma frigideira limpa e seca, mexendo até começar a pipocar e ter um gosto tostado; retire imediatamente do fogo e vire em um prato para que interrompa a torra, senão amarga)

Kinako (farinha de soja torrada, compra-se pronto em lojas de produtos naturais; tem um gosto que lembra amendoim torrado)

Lave o milhete e deixe de molho por uma hora. Cozinhe com pouca água. Fique de olho, para que cozinhe sem queimar mas sem água em excesso.

Também cozinhe a batata-doce.

Ainda quente, amasse o milhete. Eu uso um suribachi, que é um pilão de cerâmica. As ranhuras das paredes facilitam o trabalho de triturar (mas não tanto).

Junte a batata-doce também quente e amasse. Não vai ficar uma massa tão lisa quanto a do mochi. Adicione açúcar e misture bem. Se ficar muito dura, adicione um pouco de água quente (uma colher de sopa por vez). Deve ficar uma massa fácil de modelar.

Com as mãos levemente úmidas, enrole os bolinhos e passe pelo gergelim torrado ou pela farinha de soja (adicionei um pouco de açúcar ao kinako).

Sirva com chá, no lanche.

Não é exatamente delicioso. É gostoso para quem gosta da textura macia, levemente pegajosa e, claro, para os fãs da batata-doce. Publiquei principalmente para que conhecessem essa parte da cozinha japonesa, mais antiga, digamos, mais pobre, fora das datas festivas.

 

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Virada Gastronômica

Hoje teve Virada Gastronômica. Foram 20 barracas oferecendo pratos entre 5 e 15 reais, feitas por chefes famosos. Mais que comida boa, teve animação, alegria. Paula Labaki e Wagner Resende  fizeram barulho.       

Quando cheguei, lá pelas 10 horas, estava tranquilo. Já tinha gente comendo, mas também tinha gente passeando, conversando.

Depois das 11, filas começaram a formar. Mais gente foi chegando. O minhocão ficou apertado. Tinha fila para comprar ficha e fila para pegar o prato. Mas, lembrando de outras feiras que já fui, até que não estava tão tumultuado. O sol saiu, esquentou e mais gente veio. Saí de lá perto das 13 horas, certa que São Paulo gosta de comida de rua e não só de pastéis e tapioca. Como tantas outras cidades.

Se eu gostei? Sim. Gostaria que isso se tornasse mais frequente. O dia estava bonito, o acesso a partir do metrô, encontrei alguns amigos, a comida estava boa. Vi que preciso ir ao Bar da Dona Onça e ao Mocotó. Lamentei não conseguir comer muito. Ah, o que eu comi? Comi o sanduíche de frango defumado com chutney de tomate da Paula Labaki, o espetinho de cordeiro e o espetinho de frango com queijo canastra do Marcos Soares, provei um pouco do puchero da Janaína Rueda, do baião de dois do Rodrigo Oliveira, da tostada da Lourdes Hernández, do pão de queijo da Heloísa Bacellar e um bolinho de bacalhau da Tasca da Esquina.

Poderia ter sido melhor? Sim. E espero que a experiência se repita.

 

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Chefs na Rua

A virada cultural de São Paulo, que começa no próximo sábado às 18 horas e dura 24 horas vai ter um elemento novo: 20 barracas oferecendo comida simples feitas por chefs famosos.

Alex Atala serve a galinhada à meia-noite no minhocão. Durante a madrugada, sopa do chef Eric Jaquin.

Estes são os chefs e os pratos que irão oferecer, entre R$5,00 a R$15,00 cada porção, no domingo, à partir das 8 horas:

Dagoberto Torres – Arepas y Ceviches – Suri Ceviche Bar

Vitor Sobral / Hugo Nascimento – Bolinhos de Bacalhau e Salada – Tasca da Esquina

Marco Soares – Espetinho de Polpetini de Cordeiro – Oliva Restaurant

Renato Carioni – Hamburguer de Pato com Maionese Trufada – Restaurante Cosi

Checho Gonzáles – Choripan – Cevicheria Gonzáles

Lourdes Hernández – Tostadas y Micheladas – La Cocinera Atrevida

Carlos Ribeiro – Buraco Quente de Picadinho Campeão – Na Cozinha

Rodrigo Oliveira – Baião de Dois do Mocotó

Paula Labaki – Sanduíches de Pernil em Escabeche e de Frango Defumado – Lena Labaki Catering

Daniela França Pinto – Polenta Cremosa com Cogumelo Crocante – Marcelino Pan y Vino

Raphael Despirite – Hot Dog à Francesa– Raphael Despirite – Marcel

Danilo Rolim – Montaditos y Tapas – La Tapa Bar e Gastronomia

Janaína Rueda – Puchero à Love Story – Bar da Dona Onça

Carol Brandão – Trio de Guloseimas – Las Chicas

Henrique Fogaça – Sanduíche de Copa Lombo – Sal Gastronomia

Benny Novak – Baby Back Ribs & Sweet Corn – 210 Diner

Luiz Emanuel – Steak Tartare e Batatas Fritas – Allez, Allez!

Leandro Freitas e Henry Miguel Caceres – Sushis e Sashimi – Nakombi

Marcio Silva – Arroz de Carreteiro com Pipoca – Oryza

Heloisa Bacellar – Pão de Queijo e Bolo com Café – Lá da Venda

As barracas vão ser montadas no Viaduto Presidente Costa e Silva, o “Minhocão”, entre as Ruas Ana Cintra e Amaral Gurgel.
No Facebook já publicaram fotos dos pratos:
Eu vou. Porque é uma boa oportunidade de encontrar gente querida com as quais ando me comunico com maior frequência via Twitter, infelizmente. Porque vai ter comida boa, também. E eu também acho que vai ser divertido. Estava sentindo falta de um “matsuri” (festividades japonesas, geralmente envolvendo desfile, dança e muitas barracas de comida).
Só lamento que não vou conseguir provar tudo, 20 pratos é muita coisa para uma pessoa só.
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Cozido de Salmão com Miso e Manteiga

Nabemonos são pratos feitos em uma panela, literalmente. São cozidos, que podem ser de frango, frutos do mar, pato e até mesmo vegetarianos. Esse tem características de Hokkaido, província do Norte do Japão, conhecida por sua vasta produção agrícola e pelo inverno rigoroso.

A princípio, a combinação de pasta fermentada de soja (miso) e manteiga pode parecer estranha, mas é algo que é preciso provar para saber. O salmão também é um peixe muito consumido naquela parte do país. Vi variações desse prato, em alguns casos, não vai nenhuma hortaliça e sim, batatas cozidas. Podendo, adiciona-se vieiras, caranguejo, tofu (queijo de soja), cogumelos, horenso (espinafre japonês). Isso é uma questão de disponibilidade. Hoje eu tinha pouca coisa na geladeira.

500 gramas de vôngole nas conchas

350 gramas de salmão, cortada em cubos de 4 cm de lado

6 a 8 camarões

6 folhas de acelga (se forem menores, 8)

1 e 1/2 xícara de leite

1 a 2 colheres de sopa de miso (de preferência, do tipo mais claro, que é mais suave, menos maturado)

2 colheres de manteiga

Cozinhe as folhas de acelga até ficarem macias. Escorra, passe por água bem fria e coloque-as sobre uma tábua. Acomode 2 folhas (se forem grandes), uma com o talo para um lado e sobreponha a outra com a parte do talo do outro lado, para que na hora de formar o rolinho ele tenha espessura uniforme. Enrole e aperte. Corte em 6 pedaços. Se tiver horenso, afervente e coloque algumas folhas no meio antes de enrolar.

Leve os vôngoles lavados em uma panela com 1 xícara de água. Cozinhe até que abram. Descarte os que não abriram, coe o caldo e deixe assentar. Eu tirei os moluscos das conchas porque acho mais fácil de comer.

Acomode os rolinhos de acelga, os pedaços de salmão, camarões em uma panela. Adicione o caldo que guardou dos vôngoles, mas derrame com cuidado para que o sedimento (muitas vezes, um pouco de areia) não vá junto para a panela. Adicione água suficiente até quase cobrir tudo. Adicione 1 xícara de leite e leve ao fogo. O leite irá talhar, mas é assim mesmo.

Quando o peixe e os camarões estiverem cozidos, adicione os vôngoles e deixe que aqueçam. Dissolva o miso em uma tigela com um pouco de caldo da panela. Como é uma pasta, isso faz com que não se formem grumos. Adicione à panela junto com a manteiga. Confira o sal, desligue o fogo e adicione mais 1/2 xícara de leite. Sirva imediatamente. Acompanhe com arroz.

Cada um se serve da porção que preferir. O caldo pode ser consumido puro, mas eu preferi derramar sobre minha porção de arroz.

Em japonês, acho que poderia chamar de Sake Baata-miso Nabemono.

 

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Sementes, Grãos…

Hasu no Mi

Para quem viu o caderno Paladar do Estadão, o assunto da capa eram sobre grãos e sementes, excluindo os nossos velhos conhecidos, como o arroz, o feijão, milho, trigo. Para quem não viu, o link para a matéria é este:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,germina-uma-tendencia,4945,0.htm

Para quem me conhece bem, sabe que sou muito distraída para reparar em tendências, modas. Vou a mercearias, feiras, vejo o que conheço e o que não conheço, pergunto, pesquiso. Fiz 3 receitas, a Olívia Fraga e o Felipe Rau vieram, foi tudo muito rápido. Lamento que a Neide Rigo esteja viajando, ela contribuiria com coisas bem interessantes, curiosa como ela é.  Ela tem feito pratos com milhete, sementes de alfavaca, enfim, muita coisa, confiram.

Hasu no mi

Com a semente de lótus (hasu no mi) secas, fiz um arroz com cogumelos, frango e cenoura. Um prato simples e que cai bem nesse clima que ainda não é tão outonal. A semente de lótus tem muito amido e um sabor que lembra um pouco uma castanha, amêndoa. Na China usam em sopas e até em doces em pasta.

Fiz o arroz assim:

280 gramas de arroz tipo oriental
30 gramas de sementes de lótus
1 buquê de cogumelos ostra (mais ou menos 60 gramas)
100 gramas de peito de frango picado
1/3 de cenoura média, picada
2 colheres de sopa de shoyu
1 colher de sopa de sake
Sal
Hidratei as sementes de lótus por 3 horas, aferventei e lavei para retirar a película.
Lavei o arroz e coloquei na panela elétrica para cozinhar arroz. Coloquei água na medida indicada pelo fabricante, menos 3 colheres de sopa. Adicionei todos os ingredientes, liguei e esperei. Misturei depois de cozido.
A foto e comentários estão aqui:

Eu tive um pouco de receio em usar a chia. É que andam dizendo que ela emagrece e eu não quero estimular esse tipo de visão, de consumo. O que me atraiu nessa semente é que ela se expande e vira um gel. Foi o ponto para fazer um molho de salada que não escorre.  No caso, um rolinho com mignon de wagyu chamuscado só por fora, com um maçarico. A receita está publicada aqui:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,tataki-de-file-mignon-com-molho-de-chia,4947,0.htm

Por fim, as sementinhas de shisô em conserva, que viram um furikake fresco. Talvez ainda encontrem nas feiras as sementes, vendem os maços da planta com os pendões (qual seria o termo correto?) com dezenas de sementes. É só destaca-las e salgar.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,arroz-com-conserva-de-oba,4948,0.htm

Bem, resumindo, usei sementes que estão por aí, faz tempo. Não inventei nada, não criei nada novo. Mas fico contente em saber que aumenta o interesse por outros grãos. Agora temos uma produção de raiz de lótus mas não vejo as sementes. Queria fazer dango (uma massinha parecida com o mochi) com milhete, mas não encontrei para comprar. Se é uma tendência, não sei, mas abre-se o leque de opções de sabores, cores, texturas. É, gosto da diversidade.

 

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Aburi-yaki

Nem sempre para cozinhar é preciso ter um fogão. No caso, um maçarico já dá conta do recado. E qual a vantagem em submeter uma carne ao fogo intenso e direto? O fogo confere um aroma característico, isso não dá para negar. O calor superficial nem sempre é o suficiente para cozinhar demais a carne. E, por fim, eu acho divertido lidar com o fogo.

A técnica do aburi-yaki tem sido usada até em sushis, quando se quer aquele aroma de coisa tostada no fogo mas não quer cozinhar a carne (ou peixe). Resolvi usá-la em um pedaço de mignon de wagyu porque é uma carne tenra, não queria que perdesse a suculência. Aliás, esclareço que é óbvio que o mignon é tenro. No caso do wagyu, é muito tenro e, por ser marmorizado, tem mais sabor por causa da gordura, que quando aquecida dá aquele cheirinho tão bom que gostamos tanto.  Uma carne tão boa seria crime cozinha-la demais.

Cortei a carne em fatias finas, passei o maçarico sobre a superfície, rapidamente, em ambos os lados e montei no prato, junto com tiras de cenoura, pepino e abobrinha. Poderia ter usado outros vegetais, claro. O molho foi feito com shoyu (2 colheres de sopa), vinagre de arroz (1 colher de sopa), um pouquinho de mostarda forte japonesa em pasta (karashi) e um pouco de óleo neutro. Bati tudo e despejei por cima. Simples assim.

Para comprar wagyu (e outras carnes), dei o endereço aqui:

http://marisaono.com/delicia/?p=4561

 

E comprei o maçarico lá mesmo, bem mais barato que em uns lugares que andei vendo. O que eu tinha, infelizmente, não dá mais para usar porque não encontro o cartucho próprio.

 

 

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Shizuko Yasumoto

Quem leu o Paladar ontem soube que conheci a senhora Shizuko Yasumoto,  professora de culinária japonesa e autora de livros a respeito. Para quem não leu ontem, aqui está a versão digital:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,tres-nipo-brasileiras-sete-sustos-e-cara-ralado,4925,0.htm

Eu conhecia o livro dela sobre cozinha regional japonesa, que ganhei de presente (será que posso dizer de quem?). E lá fui eu, com a Nana Tucci e a Talita Nozomi para a cozinha dela na Aclimação. Estava de mudança, algumas coisas tiveram que ser improvisadas porque muitos utensílios foram encaixotados.

Nesse dia conheci o soba-gaki, um tipo de papa de soba. Ela despejou água fervente na farinha de sarraceno, misturou e disse: Mais rápido de lamen instantâneo, fica pronto em menos de 3 minutos. Come-se com shoyu ou tsuyu (molho para somen ou soba).  Comida que mata a fome livre de gordura.

E conversar, tirar foto, saber da vida dela e tudo mais leva tempo.  Em dado momento, a Talita resolveu cortar a massa de soba porque não iria embora sem comer soba caseiro.

Eu fui para o fogão para cozinhar a massa. No final, nós 3 comemos soba. Não sou fã de coisas babentas, por isso dispensei o cará ralado.

Essa foi uma das versões que a professora Shizuko preparou: com cará ralado, gema de ovo e alga nori cortada em tirinhas.  A outra, foi a que saiu na capa da matéria.

No mais, ri muito da revolta da dona Shizuko por conta de tantos livros com receitas erradas, abriu um e mostrou uma foto. “Aqui diz que é kitsune udon (udon da raposa)”. Espantei-me, porque não havia o tofu frito que é característico desse prato. “Então, não tem ague, diz que esse chikuwa (massa de peixe modelada em formato de tubo) é orelha, que isso é a cara de uma raposa. Esse livro está todo errado.”

Ela diz que gostaria de dar aulas de culinária japonesa para não-descendentes. Infelizmente não tenho o contato dela e, a esta altura, ela mudou-se da Aclimação.

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